Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Os 30 Anos de Predador

No final do mês o filme Predador, um cult oitentista comemora trinta anos de existência, e continua sendo muito bom. Prepare-se para uma viajem no tempo (ou para conhecer um grande filme, caso nunca o tenha visto) e descobrir coisas novas sobre a película.
O plot é muito simples alienígena atraído pelo calor viaja espaço a fora procurando os espécimes mais poderosos de seu habitat para caça-los, um dos seus resorts é nosso planeta. 
Mais especificamente seu local de caça é o nosso Brasil, ambientado na chapada das mangabeiras onde uma equipe de elite do exército americano acabou de exterminar terroristas.


A Origem

Antes do filme em si vamos dar uma olhada nos bastidores da produção. Tudo começou quando alguns roteiristas estavam vendo Rocky 3 depois de verem o Stallone derrotando o Mr. T eles brincaram "quem falta o Rocky enfrentar?", um deles respondeu "O E.T", sim daquele filme do Spielberg. 
Aparentemente alguns dos roteiristas levaram a brincadeira a sério e imaginaram um bando de brucutus enfrentando um ser do espaço. 
Quem vê o sucesso da franquia não imagina que na época nenhum estúdio se interessou pelo projeto, foi preciso colocar o roteiro escondido sobre a mesa de um executivo da FOX, que leu e gostou da história.
Uma vez aprovada a verba correram atrás dos fortões o protagonista: Arnold Schwarzenegger - no meio do caminho de ser um atro; Jesse Ventura (que depois virou governador do Minessota); Sonny Landham; Bill Duke (que contracenou com Schwarzenegger em Comando para matar) e Carl Weathers (o Apolo em Rocky).
Na época o governador da Califórnia ainda não era um astro, apesar de ter feito dois grandes filmes Exterminador do Futuro e Conam "Scharza" vivia de filmes menores: Comando para Matar Guerreiros de Fogo e Jogo bruto - Predador foi responsável por ele entrar de vez no hall dos astros, esse foi seu primeiro papel como protagonista em um grande sucesso. 
Além de estrelar aqui ele interpreta (o máximo que consegue) em Conam o astro foi monossilábico e um bárbaro, em Terminator um Ciborgue. Foi enfrentando o alienígena que o ex-mister Olímpia pode mostrar seus talentos: enorme simpatia, presença em cena e o absurdo de sua persona (com aquele sotaque e tamanho Arnold é quase tão alienígena que a criatura).
O elenco de apoio não fica atrás: Ventura esteve em O Sobrevivente (com Schwarzenegger) e O Demolidor com Stalone, Weathers é ninguém menos que Apolo o Doutrinador, aqui ele está gigante. Porém ninguém se compara  a Sonny Landham o brutamontes que fez Condenação Brutal (com Stalonne), Os Selvagens da Noite e 48 Horas exigiu um segurança durante as filmagens. O que? O cara estava com medo? Não, o segurança era para os outros. Landham é tão maluco que ele tinha medo de sair do controle durante as filmagens e bater em alguém - aqui no Brasil sua personagem foi apelidado de "Rambo" por sua imagem - ele é o cabeluda com faca grande.
Uma das lendas urbanas sobre o filme é que Van Damme seria o Predador, é uma meia verdade. Ele seria, mas na época foi chamado para viver O grande Dragão Branco. Sem poder sair das filmagens por uma multa o belga começou a aprontar: chegava tarde, filmava de má vontade, até ser dispensado do papel.
Quem assistiu predadores deve ter reparada em um bicho estranho que parece um cachorro, ele seria o Predador original, felizmente sua imagem foi redesenhada por alguns membros da equipe técnica, dentre eles um novato chamado James Cameron, foi ele quem sugeriu as presas do bicho.
Uma das cenas mais memoráveis é quando o alienígena finalmente se revela (assim como o Jason em quase todos os filmes da franquia) era comum ficar esperando pela cena em que o o monstro tira a máscara, Predador repetiu esse clima.
Predador é um típico filme B - repleto de coadjuvantes, com um quase astro como protagonista, orçamento curto o filme quase não foi terminado, o dinheiro acabou antes do filme ficar pronto, o diretor levou tudo que tinha para a FOX e exibiu o filme, rapidamente os produtores perceberam o potencial e aumentaram a verba.
Predador

Mistura de Gêneros

O filme é basicamente uma mistura de dois gêneros muito populares nos anos 80 - guerra estilo Exército de um homem só e terror - na primeira parte parece
mais uma película onde o exército americano enfrenta terroristas de vertente socialista ameaçando a América do Sul, na metade tudo muda. Um monstro ataca um grupo de pessoas, saem os jovens libidinosos e entram os brucutus.
A protagonista é Dutch (Arnold) faz parte de um esquadrão de elite especializado em resgatar reféns. Seu grande amigo personagem de Carl Weathers  o engana dizendo que terroristas tinham sequestrado algumas pessoas, Dutch percebe que foi enganado e fica puto da vida, logo os membros de seu esquadrão começam a sumir.
Predador é um bom exemplo de como apresentar uma personagem,diferente da grande maioria das películas de hoje, que tratam o público como idiota, em que o filme para e surge um personagem com para explicar o que está acontecendo: o alienígena não fala, os humanos não sabem o que está acontecendo. Mesmo assim é possível saber tudo sobre a criatura.
O Predador, como o nome diz, faz parte de um mundo bélico, onde os seres caçam por esporte, sua presa as maiores ameaças do universo. Schwarzenegger é o macho Alpha, não existe ninguém acima dele na cadeia alimentar, isso fica claro no final do filme, quando ele cai no rio e fica frente a frente com o monstro, percebendo que acabou.
Em 1990 Tivemos Predador 2, dessa vez ambientado em Los Angeles, durante uma onda de calor, gangues brigam pelo controle da cidade e a polícia não pode fazer nada, exceto pelo tenente Mike interpretado por Danny Glover.
O alienígena começa matando os criminosos, vai para a polícia e termina seu embate contra Mike, porém faltam os brucutus e o clima de terror, as cenas de ação sãoa té melhores que as do primeiro filme, mas falta o cima de mistério e a alma do primeiro filme, a franquia foi deixado de lado por um longo tempo até ser ressuscitado com Alien Vs Predador.


Trinta anos depois

Um novo filme do Predador está marcado para 2018,
não existem muitas informações, exceto que ele está confirmado. Os trinta anos da personagem, a falta de imaginação dos roteiristas, o comodismo dos produtores e a onda saudosista devem fazer com que o filme saia.
A Neca possui uma linha de figuras de ação muito legal com a personagem, são vários modelos fáceis de achar e relativamente baratos. O mais difícil de encontrar é Dutch. O leque é vasto existem figures de personagens de lucho até figuras de ação.
O filme original foi lançado em DVD e Blu-Ray, mas encontra-se esgotado, o que é possível encontrar é um BOX em DVD com os três filmes Predador de 1987, Predador 2: A Caçada Continua de 1990 e Predadores de 2010. O filme solo Predadores e os dois Alien Vs Predador são facilmente encontrados em DVd e Blu-Ray.
Com os trinta anos e um novo filme é bem possível que a obra original seja relançada tanto em DVD como no disquinho azul. Convenhamos esse é um filme que merece estar constantemente em catálogo.
Boa caçada.   

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Live Action de Cavaleiros do Zodíaco

Lá pelos anos 1990, quando Cavaleiros do Zodíaco enfrentava o Fantástico nas noites de Domingo e a Rede Manchete vivia o seu ápice na audiência eu e meus amigos ficávamos pensando "como seria um live action de Cavaleiros do Zodíaco" lembro que o Vann Dame (na época lançando Street Fighter nos cinemas) aparecia em nossas fantasias.
E não é que em 2017 esse devaneios começam a virar realidade? Cavaleiros do Zodíaco vai ganhar sua versão com atores, com supervisão do Masami Kurumada, criador da obra, o que espero não resulte em um novo Dragon Ball Evolution.
O anúncio da produção foi feito em terras tupiniquins, no CCXP 2016 (Comic Con Experience)onde o presidente da Toei Animation (estúdio responsável pela animação) fez o anuncio para os fãs que lotavam o lugar: "Isso é para a nossa base de fãs leais que apoiam os Cavaleiros do Zodíaco nos últimos 30 anos, bem como a nova geração de fãs".
Agora você deve estar se perguntando, por que demorei para escrever a respeito? Bom uma coisa é o anúncio, outra coisa é a produção. Agora em maio o filme começou a sair, ele ainda está em pré-produção, mas tem diretor escolhido.
O nome escolhido para dirigir é o polonês Tomasz Baginski, responsável por poucas obras, sendo a mais famosa o seriado The Witcher e dirigiu a animação Katedra, vencedora do Oscar.
Baginski começou bem, afirmando; "É hora de uma adaptação sólida de anime", depois da decepção que foi Ghost in the Shell Hollywood precisa mostrar algo de bom e respeitoso. Detalhes da trama e elenco ainda não foram anunciados.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sailor Moon

"Vou punir você em nome da lua"

Em 2017 o anime e o mangá de Sailor Moon completam 25 anos, essa obra segue sendo importante e influente e já atingiu o status de imortal.
Atrapalhada, chorona, preguiçosa e meio burrinha é assim que Usagi (ou Serena, na versão dublada) se apresentava antes de cada volume de mangá ou capítulo de anime. Essa desconstrução do herói que hoje virou clichê era uma grande novidade em sua época, também conhecida como o ano de 1992.
Sailor Moon também foi pioneira do gênero mahou Shoujo ou garotas mágicas, em bom português. Se não fosse pelas marinheiras da lua obras maravilhosas como Sakura Card Captors ou Madoka Magica não existiriam.

Há Muito Tempo Atrás...

Existia uma princesa na lua, Serenity, seu reino chamava-se o Milênio de Prata, essa princesa apaixona-se pelo príncipe Edymiun da Terra sem saber que a sombra do ciumes pairava sobre eles. O casal prepara seu casamento, o que nunca pode existir.
Beryl, que amava Edymiun em segredo, influenciando os soldados da Terra inicia uma guerra contra a lua resultando na morte de Serenity, de Edymiun e das protetoras da princesa, as Sailor Guerreiras. Esse foi o fim do Milênio de Prata, de toda a vida na lua e da princesa e seu amado príncipe.
Séculos depois nasce Usagi Tsukino ou Coelho da Lua, se formos traduzir, uma referência a uma lenda japonesa onde acredita-se que as manchas lunares são um coelho, equivalente ao nosso São Jorge.
Ao completar catorze anos Usagi é uma adolescente normal, desleixada que prefere dormir e jogar video-game a estudar, por isso está sempre ameaçada de repetir de ano. Um dia ela salva ma gata com uma marca de meia lua na cabeça (no mangá Usagi está atrasada e pisa em cima da gata), é ai que a
aventura começa.
Luna (e não Lua, como foi traduzido) desperta poderes mágicos em Usagi, dizendo que ela é uma guerreira com roupa de marinheiro cuja missão é encontrar e proteger a princesa da lua e descobrir o paradeiro do cristal deprata, capaz de destruir um planeta.
Assim começam as aventuras dessa heroína com fatos de navegante, a cada episódio defronta-se com um ser de outra dimensão sendo salva por um misterioso e belo rapaz mascarado que auto intitula-se Tuxido Mask.
Os mais atentos já sacaram que Usagi é a reencarnação de Serenity e Tuxido Mask, cujo identidade secreta é Mamoru Chiba (Darien, na versão dublada), é a reencarnação de Edymiun.
Ao longo da primeira temporada surgem outra quatro guerreiras: Mercury, Mars, Jupter e Venus. 
Ao todo Sailor Moon teve cinco temporadas e duzentos episódios indo ao ar de 1992 a 1997, rendendo vários musicais, até hoje ostenta a marca de ser o musical com mais tempo em exibição de forma ininterrupta no Japão.
Também foi realizada uma série em Live Action muito boa que revelou Kitagawa Keiko, interprete de Sailor Mars é hoje uma das atrizes mais requisitadas do Japão.  


As Sailor Guerreiras

Com o passar dos episódios Usagi vai descobrindo outras guerreiras até chegar a formação clássica e oficial das cinco Sailors (sim eu sei que existem nove ou dez se você contar a Sailor Chibi Moon, mas as cinco sempre estão juntas como equipe). O que ajuda a movimentar a histórias, por mais divertida que seja Usagi não carregaria 200 episódios nas costas.
Cada Sailor Guerreira possui um planeta guardião, peculiaridades referentes a eles e personalidade própria. Vamos a elas:
Ami a Salor Mercury: Doce e meiga a bela guerreira das águas e do gelo é a segunda a despertar, a maneira como Usagi aproximou-se dela mostra muito da personalidade de ambas.
Ami é estudiosa, ela gosta e se empenha, motivo? Sonha em ser médica como sua mãe, por sempre tirar as melhores notas de seu colégio acaba sendo vítima de muita inveja, Ami prefere ler um livro didático a ficar jogando conversa fora e por isso suas colegas de classe a julgam fria e arrogante. 
Via interferência da Luna Usagi percebe que Ami é bem diferente do que suas amigas dizem e decide aproximar-se, uma por achar a garota meiga e outra para aproveitar-se do intelecto dela e assim melhorar suas notas (nada digno de uma princesa).
Não demora para as duas tornarem-se muito amigas, uma complementa as características da outra, Ami tem a meiguice e feminilidade japonesa enquanto Usagi é extrovertida e espontânea, o par perfeito.
Como guerreira Ami usa os poderes da água e do gelo, seu planeta é frio e azulado, daí a cor de seu uniforme, ela também é a estrategista do grupo e a mais ponderada, é ela que bola os planos de ataque até a Usagi estragar tudo. Ami é a preferida dos japoneses.
Rei Sailor Mars: Sacerdotisa de um templo xintoísta e dona de uma beleza tipicamente japonesa essa recatada e elegante jovem esconde um temperamento forte e explosivo, que combina perfeitamente com os poderes das chamas.
De todas as guerreiras é ela que se torna a melhor amiga de Usagi, o motivo? Elas são idênticas, mesmo que nunca admitam. As duas vivem brigando, tudo que a Usagi faz irrita a Rei que cutuca a amiga.
Rei é elegante e discreta, mas perde as estribeiras quando vê um rapaz bonito, assim como Usagi, as duas parecem duas solteironas na seca. Rei vive chamando sua amiga de intrometida, mas está sempre tentando descobrir os segredos das demais e por ai vai.
O planeta guardião de Rei é marte, o planeta vermelho, porém sua maior influência vem da mitologia, Marte (na mitologia grega chama-se Ares) é o deus da guerra, intempestivo e pronto para a batalha. Rei herdou seu temperamento, a moça apresenta-se como "a guerreira do fogo da paixão" é quase uma latina, o que explica ter sido a preferida dos brasileiros quando a série foi exibida pela primeira vez na Manchete.
Makoto ou Sailor Jupter: Mako (como é carinhosamente chamada) é prova viva de que as aparências enganam. Quando mudou para a escola de Usagi e Ami Makoto foi vista como violenta e amedrontadora, transferida de outro colégio onde andou brigando, vestindo uniforme de outra escola e ostentando cabelos encaracolados a moça atraiu muita atenção.
Porém Makoto não queria provocar ninguém, sua estatura alta intimida rapazes e moças, o que sempre a deixava sozinha. Foi Usagi quem se aproximou depois de ver como Makoto organizava seu almoço, sempre muito bonito e bem cuidado. Uma amizade nascida do estômago.
A moça revela-se muito feminina e doce, agindo na maioria das vezes como uma mãezona da equipe, referência a Júpiter (Zeus para os gregos) o deus de todos os deuses, a garota dá conselhos, faz o almoço e está sempre protegendo as demais.
Mako tem uma história triste, seus pais morreram cedo e ela precisou se criar sozinha, já adolescente foi rejeitada pelo rapaz que amava, algo que não superou uma vez que vê o homem que a rejeitou em todos os representantes do gênero masculino, o que é uma péssima cantada.
Guerreira dos raios seus ataques são todos elétricos, ela também é a força bruta da equipe, sendo capaz de erguer inimigos por sobre a cabeça e joga-los longe, logo em seguida veste seu quimono de seda.
Minako ou Sailor Venus: A ultima guerreira a aparecer também foi a primeira, explico antes de Sailor Moon existir Naoko Takeuchi publicava um mangá chamado Sailor V protagonizado pela loirinha.
A sailor Vênus é a guerreira da beleza e do amor, o que faz dela a mais bonita das cinco (e minha preferida), mas não deixem se enganar por detrás desse rostinho bonito existe uma poderosa guerreira, a mais experiente das cinco e a segunda em comando. Minako consegue enfrentar inimigos sozinha, afinal ela lutava solo.
Se o corpo é perfeito o mesmo não pode ser dito da cabeça, o miolinho dela é meio mole e Minako consegue ser mais atrapalhada que a Usagi. Em um dos episódios ela tenta cuidas de suas amigas que ficaram doentes e só piora tudo, fora derrubar sopa quente nas enfermas ela não consegue nem ligar um aparelho de som sem provocar um incêndio!  
Se fosse só isso tudo bem, seu passatempo preferido é não fazer nada, outra característica marcante de Minako é que ela macaca de auditório e uma stalker de carteirinha, sim quando se apaixona ela começa a seguir o rapaz por onde ele vá e sempre encontra alguém comprometido Isso é que é dedo podre). Inicialmente Luna pensava que Minako era a princesa da lua, acho que ser preguiçosa e atrapalhada são características da família real lunar.
Minako teve seus poderes despertados por Artemis, um gato branco com marca de lua na cabeça.
A deusa Vênus (Afrodite) tem muita influência sobre a garota, na mitologia ela é a deusa do amor e sempre vangloriava-se de ser a mais bela do Olimpo. Minako não é prepotente, mas sonha em ser famosa. Ela sabe cantar e participou de concursos de beleza, seus golpes são todos evocações do amor, como a "corrente do amor de Vênus".


Marte e Vênus

Podemos dizer que esse é um tópico canônico, na mitologia Marte e Vênus eram marido e mulher e por isso muitos enxergam uma relação mais próxima entre Rei e Minako, nada que tenha sido muito explorado no anime.

No anime e no mangá a relação das duas nunca foi além da forte amizade e de seus papéis: Rei é a mais ativa das cinco e está sempre pronta para a batalha Minako é a representação da feminilidade e da sensualidade, elas são o masculino e o feminino.
A relação das duas é melhor explorado no live action do começo dos anos 2000 onde as duas desenvolvem uma forte amizade, são quase irmãs. Rei é quem melhor entende Minako e Minako é quem melhor entende Rei. As duas discutem entre si e muitas vezes vão as vias de fato. 
Em um dos episódios, perto do final, algo acontece com Vênus (não vou estragar) é ai que vemos a extensão dessa amizade.
Fanfics (histórias de fãs) e fanzines (mangás não oficiais) tornam essa relação mais "caliente", porém na versão original ambas não passam de amigas e são claramente heterossexuais.

Sailor Moon no Brasil

Eis um anime injustiçado, as cinco temporadas foram exibidas em terras tupiniquins, mas com alguns poréns muito importantes que atrapalharam seu sucesso.
Começando pela exibição a primeira temporada foi ao ar pela saudosa Rede Manchete que exibiu apenas essa temporada, pouco depois a emissora entraria em decadência e faliria.
Muitos anos depois as outras quatro temporadas foram exibidas pelo Cartoon Network, infelizmente os detentores dos direitos autorais instruíram os dubladores a dublar essa segunda temporada Sailor Moon R como se fosse a primeira, mudando alguma coisa da história, não se faz nenhuma menssão a primeira temporada.
Sailor Moon R também foi exibido na Record, mas de forma incompleta, primeiro no programa da Eliana que tinha em Pokémon seu carro chefe, o anime ganhou uma música especial onde a apresentadora cantava no metrô de São Paulo, o que certamente não ajudou a atrair público, além disso os fãs do Pikashu não se interessaram pelas marinheiras. Os donos da Record devem pensar que fãs de animes são todos iguais, basta ter olho grande para assistirmos.
Essa fase ainda foi exibida com sucesso em um programa infantil aos sábados de manhã, mas o programa foi cortado sem satisfações e Sailor Moon R ficou incompleto na televisão aberta.
Outro problema fica por conta da censura. Sailor Moon possui temas controversos como amor, relações desfeitas, paixões não correspondidas, alguma violência e homossexualidade, ai já viu né?
Tudo bem que o anime está longe de ser adulto, mas foi muito infantilizado na tradução feita para o Brasil, as relações amorosas foram tratadas como amor juvenil, as adolescentes pareciam crianças, todos os temas do anime foram tratados de forma leviana e pueril.
 Na primeira temporada existe um triângulo amoroso entre Uasgi, Tuxedo Mask e Rei - Usagi é apaixonada pelo Tuxedo, já sua identidade secreta namora Rei, mas é apaixonado pela Sailor Moon sem saber se a trata como amiga ou inimiga. Rolo que daria ótimos episódios foi tratado com desleixo, para os pais não reclamarem.
É nos anos 90 era assim desenho era coisa de criança, portanto nada levemente adulto ou complexo podia ser mostrado. Veja a fase R por exemplo lá nos é apresentado Chibi Usa (Rini, na versão BR), uma menina que veio do futuro, logo de cara ela aponta uma arma para Usagi exigindo o cristal de prata, cena cortada pelo Cartoon e pela Record.
Nada se aproxima da polêmica da terceira temporada, onde duas novas sailor guerreiras surgem Haruka (Sailor Uranu) e Michiru (Sailor
Neptuno) que são namoradas e moram juntas. Tente explicar isso para os papais e mamães que deixam seus filhos assistindo ao Cartoon Network.
Não preciso dizer que muita coisa foi mutilada, herança do Cartoon americano que devido a limitações da linguagem tentaram transformar namoradas em amigas, porém a palavra girlfriend é a mesma! A solução foi transforma-las em primas!! Que tipo de primas ficam se beijando e trocando olhares apaixonados!? Só essas que você pensou.
Aqui no Brasil essa relação não é sequer mensionada, as duas são tratadas como amigas e ponto. Mesmo assim nota-se algo no relacionamento das duas. Outro chabu do anime: Haruka gosta de vestir-se de homem, logo no primeiro episódio Minako e Usagi se apaixonam por ela, a Sailor Vênus quase tem um filho quando percebe a concorrência (afinal Usagi namora) e persegue Haruka, sim ela é uma stalker, qual a surpresa das duas quando descobrem que Haruka é uma mulher, o relacionamento com Michiru é mostrado como uma amizade envolta em admiração.
Na ultima temporada, Sailor Moon Star aparecem novas guerreiras, que são homens! São três cantores de quem as garotas são fãs (sim a Minako persegue eles) que transformam-se em mulheres, aparentemente foi mais tranquilo que as Sailors Urano e Netuno, acho que os executivos do Cartoon estavam vacinados.
Como se tudo isso não contribuisse para atrapalhar o anime temos uma das dublagens mais porcas já realizadas, sim dublador é sinônimo de destruidor de obra, mas aqui exageraram.
Começando pela Manchete a Gota Mágica é lembrada com carinho por muitos fãs, puro saudosismo, os erros de dublagem eram grotescos e no caso de Sailor Moon usaram e abusaram de vozes esganiçadas e infantilizações, sem contar o corte da introdução onde Usagi se apresentava.
Nada comparado a dublagem da fase R em diante, aqui até fãs antigos viraram as costas, as dubladoras devem ter fugido da escola de atores ou simplesmente odiavam o anime, nada explica o que foi feito.
Desprovido de emoção as dubladoras declamavam as falas mais importantes como alguém que pede pão na padaria, fica difícil apreciar um momento de amor, raiva ou de batalha quando os dubladores são apáticos. O que dá mais raiva é da Daniela Piquet, dubladora da Usagi a mesma dublou a Sakura (de Sakura Card Captors) lá ela se empenhou enquanto foi burocratica e apática em Sailor Moon, deve ser pessoal, quem sabe a mulher foi mordida por um
coelho ou algo assim.
Com tudo isso é surpreendente a quantidade de fãs que Sailor Moon tem no Brasil, esses dias estava no metrô lendo o mangá e uma moça aproximou-se de mim perguntando onde consegui. Foi a primeira vez que isso acontece.
Ano passado a JBC lançou aqui no Brasil o mangá da Sailor Moon e foi um sucesso de vendas, a obra em si é linda, os traços da Naoko e a encadernação brasileira nos moldes da japonesa com capa trabalhada, letras na cor de cada Sailor dá gosto de ler, mostrando o quão importante é respeitar seu público.
Agora na segunda década dos anos dois mil a Toei está produzindo um remake de Sailor Moon, o que é muito legal por dois motivos: apresenta as guerreiras para uma nova geração e trás muitos colecionáveis para os fãs antigos, os toys e as figures das sailor guerreiras são de fazer qualquer otaku mão de vaca ficar com o bolso coçando.
Existe muita coisa para falar de Sailor moon, infelizmente (ou felizmente) um post não é suficiente, então abram a janela, olhem para a lua e tentem enchergar os coelhos ou as marinheiras.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A DC Renasceu!

Demorou mas finalmente o renascimento do Universo DC chegou ao Brasil, depois daquela pataquada chamada Novos 52 a editora volta a ser o que era e ficou muito bom, antes da análise vamos entender o que aconteceu.

Reorganizando o Universo

Os Novos 52 foi uma tentativa de reorganizar o universo dos heróis e nesse sentido teve exito, os editores achavam que precisavam repaginar seus heróis, começar de novo e conquistar novos leitores. Em fim não foi a primeira vez e nem será a ultima. 
O problema foi refazer heróis longevos em um curto espaço de tempo, nessa reorganização muita coisa importante passou a não ter existido: A Morte do Superman, A Piada Mortal, a Morte do segundo Robin, Lex Luthor presidente... em fim não dá para organizar décadas em poucos capítulos tentaram refazer a coisa.
Logo no primeiro ano do Superman inseriram o Apocalipse, anunciando a história como a sua segunda morte do Superman, mas como se nesse novo universo ele nunca morreu? A Liga da Justiça foi outra que se juntou as pressas. Batman também sofreu, seus vilões (considerados por muitos como os melhores do universo dos quadrinhos) precisaram de tempo para existirem e tornarem-se o que são.
O Coringa sempre foi uma ameaça, porém ter deixado Barbara Gordon paraplégica e ter matado um dos Robins contribuiu muito. Nos Novos 52 vemos o Coringa matando aqueles próximos ao Batman, apenas para provar que o ama! Lógica absurda, que faz muito sentido se olharmos pelos olhos do Coringa, mas de novo os Novos 52 estavam engatinhando e os antagonistas não tinha história o suficiente para essa relação, todos os embates clássicos nunca aconteceram.
Para além da confusão os Novos 52 desrespeitaram os fãs mudando personagens, eliminando identidades secretas, inserindo elementos impensáveis: O Comissários Gordon combatendo o crime em Gotham a bordo de um robô; Superman de cabelo raspado e namorando a Mulher Maravilha.

DC O Renascimento de um Universo

Uma das regras básicas de qualquer industria do entretenimento é Não desrespeite o fã, esses não gostaram das mudanças (é o que a Marvel vem percebendo) foi ai que o Renascimento do Universo DC se deu, tendo como base algumas regras simples:
Manter a fidedignidade: Batman, Superman, Mulher maravilha e os demais personagens voltam a ser o que sempre foram, sua personalidade foi mantida,
Superman volta a ter as feições de Christopher Reeve
nada de grandes inovações. Algumas pessoas até gostaram de ver o Superman de camiseta e cabelo raspado, mas os fãs sabiam que aquele não era o Kal-El.

Em sua revista Superman está casado com Lois Lane e tem um filho, é assim que tem que ser. O grande dilema do azulão é sofrer por seu isolamento. A única coisa que ele não pode fazer é ser um humano comum. Seu amor pela Lois o aproxima de sua falta e de nós, é através de Lois Lane que Kal-El consegue sentir nossas necessidades, nossos limites e nossa força se humanizando e tornando-se um defensor ainda melhor.
Outra personagem que renasceu e vem sendo tratada como uma das principais (se não a principal) da editora é a Arlequina, aqui no Brasil já vinhamos acompanhando sua mudança, o renascimento veio em grande estilo, a aproximando do visual do filme e enfrentando hordas de zumbis (tiha como ser melhor?). 
Depois de ter sido chutada pelo Coringa, presa, seguido carreira como criminosa a palhacinha se regenerou... ou melhor quase, afinal uma Arlequina do bem seria chata. Ela segue sendo maluquinha, mas agora vive em Nova Iorque com sua gangue (várias mulheres com nomes que são trocadilhos com Arlequina e um homem de sunga), um anão marrento, um ser com cabeça de bode, um ovo flutuante e um castor empalhado chamado de peludinha, que rende muitos trocadalhos do carilho.
A Arlequina mostra bem a nova cara da DC otimista e despreocupada, suas histórias não tem aquela carga pesada ou o desejo de seguir uma agenda politicamente correta, ao contrário se preocupam em agradar quem gostou da personagem e é isso que os leitores de quadrinho querem personagens bem feitas em histórias respeitosas com boas tramas. Nada de invenções, mudanças de gêneros ou sagas infinitas.
Outra vantagem da DC é seu universo menor e mais simples que o da Marvel, não veremos aqui cinco Batmans diferentes, nem a Mulher Maravilha passando seu laço da verdade para um rapaz rejeitado por pertencer a uma minoria, temos a simplicidade dos heróis, vistos pelos humanos normais como deuses.
O Renascimento do Universo DC se comprometeu com o básico e as edições lançadas até agora vem acertando, se os Novos 52 tentaram criar tramas elaboradas e realistas o renascimento quer contar histórias e isso é muito bom, eu por exemplo leio quadrinhos para relaxar ao final do dia, não quero ver uma trama onde os pilares de meus heróis são desmontados, quero ver o Superman nos protegendo enquanto salva gatos de árvores (isso não aconteceu, mas caberia).
Não é a toa que no mercado americano a DC reassumiu a liderança nas vendas de revistas, enquanto as HQs da Marvel encalham as da DC desaparecem. RESPEITO e SIMPLICIDADE são as palavras de ordem da DC.  

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Nova Cara da Política Brasileira

Algo acontece no cenário político brasileiro, resultado de roubalheira, defesas em causas próprias e generalizações grotescas a classe política sofre, enquanto pequenos grupos organizados sobrevivem, com essa caça as bruxas vem surgindo uma nova geração de "não políticos" para 2018.
As eleições estão longe e muita coisa pode mudar, mas o cenário para 2018 desenha-se com um confronto envolvendo velhos políticos contra outsiders, antigos coronéis contra os arautos do progresso. as eleições de 2016 já mostraram que o discurso funciona, porém é necessário muito mais do que um discurso para disputar (e vencer) uma eleição.
Recentemente Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente e fundador do PSDB afirmou que mesmo sendo cedo para especular nomes como João Dória Júnior e Luciano Huck representam o novo na política brasileira. 
Os dois citados já trazem esse embate dentro do PSDB o enfraquecimento de nomes tradicionais como Aécio Neves e José Serra enfraquecendo Dória e Huck vem ganhando espaço justamente por não serem políticos e estarem atrelados a esperança.
Principal expoente dessa onda inovadora João Dória provou ser mais do que um discurso, eleito prefeito de São Paulo como gestor ele vem provando ser ousado e sincero rompendo com a política tradicional.
Luciano Huck é outro empresário de sucesso que nunca precisou da política para enriquecer, ele tem a mesma imagem de Dória quando afirmou em debate pela prefeitura de São Paulo: "não sou o candidato dos ricos, sou um candidato rico" o prefeito e Huck fizeram fortuna trabalhando e não se ouve nenhum escândalo envolta de seus nomes.
Outro novo que namora a presidência é Joaquim Barbosa, ex-ministro do supremo que peitou o PT no caso do mensalão e fez o que muitos acharam impossível, prendeu políticos.
Não é de hoje que Barbosa vem namorando candidatar-se, ele deu a entender em algumas entrevistas que talvez saia candidato e permitiu que coloquem seu nome nas pesquisas eleitorais.
Inicialmente ventilou-se o ex-juiz como vice de Marina Silva ele sugere dar vôos maiores, ainda não se sabe qual ideologia segue o homem que peitou o PT se diz eleitor de Lula e Dilma, mas deixou imagem de honesto e trabalhador, muitas vezes comparado a um super herói.
O Partido NOVO que tenta levantar a bandeira dessa nova política feita por não políticos, ou jovens entusiastas contra o velho apodrecido ventila o nome de Flávio Rocha para 2018. Nome forte da Riachuelo o empresário foi um dos poucos a passar ileso com a crise econômica.
A imagem de empresário  e bom gestor o aproxima de Dória, com a diferença de não estar em um partido político antigo, Rocha foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte ente 1987 e 1995.
Por fim, mas não menos importante, Roberto Justus teria se animado com a ideia, de todos os pré-candidatos não políticos ele é o mais distante da candidatura, mas não deve ser descartado.
Empresário e apresentador Justus é outro Gestor bem sucedido com imagem firme e imperativa que transmite segurança e sua experiência como apresentador o ajudaria em possíveis debates.
Estamos diante de novos rumos que podem ou não se fazer, ainda é cedo, mas políticos tradicionais encontram-se acuados alguns com justiça, outros injustamente. A onda  de não políticos encontra menor resistência. Se em outros tempos a figura do político trazia segurança contra ou outsiders, hoje é diferente os novatos trazem consigo a esperança de um Brasil possível contra o coronelismo.

"Os Deuses Mortos" Oito Anos

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