VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

BOAS NOTÍCIAS parte 2


Pesquisa do instituto Vox Populi, feita a pedido da revista IstoÉ, mostra o governador José Serra (PSDB) na liderança da corrida presidencial, com Kátia Abreu (DEM) de vice, obteve 44% na pesquisa estimulada. Em segundo lugar, aparece Dilma Rousseff (PT) e o vice Michel Temer, com 21%, seguidos pelos candidatos do PV Marina Silva e pelo vice Guilherme Leal, com 10%. A pesquisa foi realizada entre os dias 11 e 14 de dezembro, com uma amostra nacional de 2 mi entrevistados em 170 municípios. A revista informou que a margem de erro é de 5,8 pontos no Centro-Oeste/Norte, 4,2 no Nordeste, 3,3 no Sudeste e 5,7 no Sul, mas não informou se para mais ou para menos.


José Serra (PSDB) 44%
Dilma Rousseff (PT) 21%
Marina Silva (PV) 10%

No cenário um da pesquisa estimulada sem a citação dos vices, Serra foi escolhido por 39% dos entrevistados. A seguir, Dilma, com 18%, acompanhada de Ciro Gomes (PSB), com 17%. Marina teve 8% da preferência. No cenário dois, Aécio Neves (PSDB) lidera com 24%, seguido por Ciro (23%), Dilma (17%) e Marina (11%). No terceiro cenário, Serra tem 46%, na frente de Dilma (21%) e Marina (11%). Já no quarto Aécio tem 28%, Dilma, 24%, e Marina, 15%.
Na pesquisa espontânea, Lula lidera com 15%, seguido de Serra (11%), Dilma (7%), Aécio (4%) e Ciro, Geraldo Alckmin e Marina, todos com 1%.


José Serra (PSDB) 39%
Dilma Rousseff (PT) 18%
Ciro Gomes (PSB) 17%
Marina Silva (PV) 11%

Perguntados sobre em quem não votariam "de maneira nenhuma", os entrevistados colocaram Dilma no primeiro posto, com 18%. Logo depois vem Marina (15%), Serra (13%), Ciro (8%) e Aécio (7%). Na pesquisa sobre o nível de conhecimento sobre os candidatos, 80% responderam que "conhece bem/tem alguma informação" sobre Serra. A seguir, aparecem Ciro (66%), Dilma (57%), Aécio (53%) e Marina (37%).

Esta é a primeira pesquisa feita após o programa partidário do PT, exibido no dia 10 em rede de rádio e TV e centrado nas figuras de Dilma e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desempenho da petista não variou em relação a outro levantamento do Vox Populi, feito dias antes de o PT ocupar o horário nobre da televisão por 10 minutos.

"BOAS NOTÍCIAS"

Para o sociólogo Marcos Coimbra, presidente do instituto, pesquisas, a estabilidade de Dilma mostra que a candidatura "tem problemas". "O ano termina com boas notícias para o presidente Lula, mas sua candidata não cresce."

De acordo com o Vox Populi, 69% dos eleitores veem o desempenho do presidente como positivo. Mas a desinformação impede que seu potencial como cabo eleitoral seja medido: 45% dos entrevistados nem sabem que Dilma é sua preferida na sucessão.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Scream Queens ou a sexualidade nos filmes de terror


Todas as semanas à meia-noite, na madrugada de sexta-feira para sábado o Canal Brasil exibe "O Estranho Mundo de Zé do caixão" programa de entrevistas mediado pelo maior ícone terrorífico do cinema nacional. Como não poderia deixar de ser o papo escoa para o sobrenatural e o cinema de terror. Sempre que possível Mojica comenta sobre a sexualidade nas produções deste tipo.
É um fato que o cinema de terror sempre esteve relacionado ao gênero. Apenas para citar outra autoridade em filmes de terror Robert Englund - interprete de Freddy Krueger comenta em uma entrevista disponível no making off do DVD "Dança dos Mortos" sobre como varava as noites escondido de seus pais esperando para assistir os filmes de terror exibidos as sexta-feiras a noite, um dos momentos mais aguardados pelo ator era poder espiar os seios das atrizes.
Eis que chegamos ao título deste post as Screem-queens o nome pode soar estranho mas qualquer pessoa que assistiu um filme de terror na vida sabe quem elas são - aquela garota que foge do assassino/monstro/aparição gritando a plenos pumões estas são as Screem-queens não necessáriamente a Screem-queen é a personagem principal, podendo morrer drante o filme. Para ser uma legítima Screem-queens são necessários dois requisitos básicos: 1) ter um grito forte e estridente, 2) Possuir um belo e grande par de seios que podem ou não ser mostrados durante o filme. Bom... não é necessário muito talento dramático para ser uma Screem-queen mas eventualmente algumas delas alçam a fama caso de Jamie Lee Curtis (Halloween 1,2 e H 20), Patricia Arquete (A Hora do Pesadelo 3), Renee Zellweger (Massacre da Serra Elétrica O Retorno), Linda Hamilton (Colheita Maldita) e Kelly Hu (Sexta-feira 13 parte 8) a excessão de Jamie lee Curtis as demais projetaram-se para a fama, a partir da década de 90.
Atrises famosas (entenda como atrizes em ascenssão) passaram a assumir as vezes de Screem-queens como Jennifer Lov Hewitt (Eu sei o que vocês fizeram no verão passado 1 e 2), Sarah Michelle Geallar (Pânico 2 e Eu sei o que vocês fizeram no verão passado), Neve Campel (Pânico 1, 2 e 3), Naomi Watts (O Chamado 1 e 2) claro que este requinte assumido pelas produções interfere com a beleza das Screem-queens as atrizes recusavam-se a explorar seu lado mais sensual - Neve Campel era a perfeita virgem em Pânico, até ser deflorada pelo assassino em "Pânico". Na continuação Neve desconfia de seu novo namorado o coitado canta uma música e é morto já na parte 3 não rola nem um olhar para o sexo oposto. Já Jennifer Lov Hewitt namora o perfeito idiota em "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado" a "safadesa" fica por conta de Sarah Michelle Geallar mas tudo muito rápido sua sensualidade fica explicitada em um concurso de beleza muito moralista. Por sua vez Naomi Watts era uma mãe com um filho muito estranho em "O Chamado" - a pesar de ser muito bonita a sedução é nula. Muito diferente de sua versão original "Ring - O Chamado" (Ringu) onde a protagonista Nanako matsushima interpreta o mesmo papel esbanjando sensualidade através da fragilidade da personagem perante a morte eminente e incapacidade de defender-se do sobrenatural.
Também temos as célebres Screem-queens aquelas atrizes conhecidas no meio terrorífico garantindo a sensualidade que se espera de uma legítima rainha do grito. Além de Jamie lee Curtis as mais célebres são Jill Schoelen (O Fantasma da Ópera) e Linnea Quigley - a punk que faz um streeper sobre um Túmulo no clásico Trash "A Volta dos Mortos-Vivos". Aliás Linnea é uma das das mais requisitadas atrizes do meio.
Entre as Screem-queens contemporâneas minhas favoritas são Catherine Isabelle (Possuída; Freddy vs. Jason), Asia Argento (O Retorno da maldãção - A Mãe das Lágrimas, Terra dos Mortos), Lisa Mcallister (Pumokinhead: De Volta das Cinzas) e Cerina Vincent (Cabana do Inferno, 7 Múmias).
Sim os filmes de terror estão intimamente ligados a sensualidade - A primeira regra dos filmes te terror apresentado no filme "Pânico" é "só uma virgem pode derrotar o assassino", na divertida série Sesta-feira 13 Jason adora atrapalhar os casais mais animados. A mais recente obra do mestre Dário Argento "O Retorno da Maldiçao - A Mãe das Lágrimas" uma legião de buxas invade Roma atendedo um pedido da "mãe" a bruxa mor. Mas são as Screem-queens as principais responsáveis por esta ligação, elas encarnam e asumem para si a sexualidade mais primitiva existente em todos nós contrapondo-se ao medo desperto pelo monstro/espírito/assassino. Que tal na próxima vez em que vocês forem a locadora de vídeos procurarem por alguma obra terrorífica mais modesta e presenciarem um verdadeiro filme de terror?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Além do princípio da sexualidade ou Sexualidade e suas vicissitudes




Em uma conversa com um analista amigo meu (não, não é letra de música) conversávamos sobre um artigo que escrevi abordando o fetiche e como um assunto leva a outro nosso assunto adentou as perversões sexuais - aliás perversão sexual é um termo ambíguo mas entrarei no mérito da questão em outro post. Eu sabia que o Japão era um país com uma vasta gama de fetiches e perversões sexuais. Desde o Hentai (animações pornográficas) a clubes que satisfazem algum fetiche - como bolinar modelos em uma sala que simula um vagão lotado ou um executivo que pode seduzir sua secretária em um ambiente simulado onde todos os presentes estão de comum acordo (sem relação sexual), passando por filmes adultos com situações de humilhação e vómitos. Mas nada disto me preparava para Daikichi Amano.

Daikichi Amano começou sua carreira como diretor de filmes pornôs "diferentes" - seu primeiro filme teve como estrela sua cadelinha. Seus vídeos mais leves envolvem cenários sexuais surreais e asfixia erótica forçada enquanto suas obras mais famosas apresentam inserções genitais extremas com sapos, peixes, insetos, enguias, cefalópodes e outros. Isto mesmo que você leu sexo com polvo.
O objetivo deste post não é chocar o leitor ou mostrar os deleites sexuais de um povo mas sim mostrar como a sexualidade exposta sem moralismo (ou seria sem frescura?) Daikichi Amano também é fotógrafo e é esta atividade que o tornou famoso no Ocidente (entenda-se Europa) Daikichi é reconhecido como artista do erótico-grotesco. Suas imagens tem como tema central a perversão compondo imagens com mulheres nuas, corpetes e cefalópodes fundidos em um único sem penetração. Daikichi alterna referências ao Japão tradicional à répteis, insetos ou criaturas marinhas.
A revista Bizarre veicula há algum tempo suas fotos regularmente, Gaspar Noé (diretor de Irreversível) o convidou para participar de seu próximo filme. Human Nature.

domingo, 20 de setembro de 2009

Uma ótima notícia para o Brasil ou O fim de uma era de trevas


Neste ultimo final de semana o CNT/Ibope realizou uma nova rodada de pesquisas para a susseção presidencial de 2010. A pesquisa será publicada apenas nesta segunda-feita (21/09). A boa notícia para o Brasil é que José Serra subiu para 40% das intenções de voto enquanto Dilma guerrilheira regrediu para 13% das intenções de voto caindo para terceiro lugar (na verdade um empate técnico com Ciro Gomes com 16%). A ultima pesquisa foi realizada quando o PV anunciou a candidatura de de Marina, na época ela apresentou 3% depois desta pesquisa Marina foi tida como indiferente a disputa, meses depois Maira subiu três pontos, retirando "votos" de Dilma.

Veja os números da pesquisa (e comprem os jornais nesta segunda-feira)

SERRA 40%

CIRO 16%

DILMA 13%

MARINA 6%

Um ano é muito tempo enquanto a eleição não chega podemos esperar pelo fim do mandato do cumpanheiro Lula em tempo real neste site:

http://www.centraonline.com.br/Literalidades/ContagemRegressiva.html

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Uma Espiadela em Baixo da Saia da Sociedade III: Brasil, o país da alegria ou pesadelo nietzscheano


"morrer de sede no mar é terrível. Por que haveis então de salgar a vossa verdade de modo a que não mate já a sede" (Nietzsche).
Lembro-me de um comercial da "Garoto" onde um menino prendia um espelho em seu sapato para poder olhar de baixo da saia da professora. É com este olhar fetichista dos eventos de nossa vida cotidiana, que retorno a esta série de postes.
Estes dias estava vendo uma entrevista da Ivete Sangalo, uma figura amada por muitos, sempre tão alegre, pregando sua doutrina - A vida é um eterno Carnaval, não é de se estranhar que Ivete receba tantos aplausos.
Se você observar em qualquer mídia, ou em uma conversa casual com uma pessoa que tenha passado um tempo fora do Brasil ela responderá, ao ser questionada sobre os hábitos de outros povos, que nenhum outro país é tão hospitaleiro e alegre como o Brasil, esta é nossa maior virtude, mais ainda é um pré-requisito para ser brasileiro, diria que é quase uma obrigação.
Não estou defendendo a frieza ou a indiferença, este Blog é a prova de que o bom humor é fundamental em nosso dia a dia, mas até que ponto este bom humor que estamos falando é assim tão saudável? Farei um breve interlúdio:
Recentemente assisti a "Seven Os Sete Crimes Capitais (na verdade eu assisti este filme umas dez vezes) em um determinado momento da trama os detetives vividos por Morgan Freeman Brad Pitt estão em um bar discutindo sobre a sociedade em que eles vivem, a personagem de Freeman comenta sobre a apatia. Segundo ele a apatia rege as pessoas daquela cidade "Nova Iorque): "É mais fácil ignorar seus problemas do que encara-los, espancar uma criança do que educa-la. Vítimas de estupro são ensinadas a gritar 'fogo' pois se gritarem 'socorro' ninguém irá ajuda-las" diz o detetive vivido por Freeman.
Existem diferenças entre a sociedade em que Seven se passa e a nossa, assim como o fruto destas sociedades, mas algo está vigente A APATIA, o mundo contemporâneo caracteriza-se pela fuga da dor, não me refiro a dor física mas a emocional, as pessoas evitam laços afetivos mais profundos, evitam serem senhores de si. Na sociedade de Seven a apatia pari psicopatas, nossa sociedade pari falsa felicidade, resultando em uma obrigação social de contentamento. Rimos como idiotas e sabemos disto. Também criamos eventos que proporcionam uma paixão. Alguém já parou para pensar por que o futebol é tão amado pelos brasileiros? Por que tanta paixão? Dois exemplos recentes: Na vitória do Corinthians sobre o Fluminense um torcedor comentou "todos os times tem uma torcida, nós somos uma torcida que tem um time", nada contra o futebol ou o Corinthians. Outro exemplo é vinculado programa "Pânico na TV!" entre as matérias surge um torcedor falando "Ronaldo" (o já famoso "Zina"), não importa o assunto abordado ou o momento do programa. O Zina surge diante das câmeras e fala "Ronaldo". Este é o único assunto abordado. Joé sarney, Revolta em Heliópulis, Mensalão nada importa, vemos estas notícias, ficamos indignados e vamos dormir, mas é só nosso time do coração perder duas partidas seguidas que nos revoltamos exigindo uma ação - eles que não se atrevam a retirar nossa desculpa para sorrir.
Uma equação básica: sem dor não há sofrimento; sem sofrimento não há contemplação e sem contemplação não há mudança. A final de contas não é disto que trata-se o amadurecimento? Este não é um quadro novo Nietzsche criticava bebidas alcoolicas e a religião justamente por que estas impediam a contemplação do sofrimento, eram distrações temporárias. Meu texto pode estar confuso e repetitivo (na verdade espero que ele esteja assim) isto por que vivemos em um labirinto forjado por um mundo frustrante o qual impede qualquer manifestação criativa em quem nele se deixa aprisionar.
No filme Seven a personagem de Freeman termina a conversa dizendo: "sou simpático, simpatizo com o que acontece e não faço nado". Em certo ponto todos somos simpáticos a insensibilidade que rege nosso mundo contemporâneo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Michael Jackson o assassinado pela sociedade

O mês de Julho foi marcado pela morte de Michael Jackson, como sempre ocorre na morte de um ícone notícias sobre sua vida e carreira são frequentes porém desta vez a homenagens superaram o abtual. Não estou dizendo que ele não mereça - MJ foi o responsável pelo novo formato do vídeo clip, conseguiu através da música integrar os brancos e negros nos EUA, tem ótimas músicas. lembro-me de ter dançado o Trillher em uma destas festas escolares.
Nos últimos dias ficou muito fácil ouvir suas músicas e ver seus clipes, pode-se saber (quase) tudo sobre a vida do rei do Pop covers apresentam-se nos programas de TV aberta, a TV fechada como sempre tem mais qualidade, reprisa seus shows e exibe seus clips entre os seriados. Mas até pouco tempo não era assim banido da mídia MJ foi execrado por viver um estilo de vida incompreendido e certamente estranho para a maioria das pessoas, não quero defender suas inúmeras plásticas, clareamento da pele e seu caso clínico (e provavelmente não diagnosticado formalmente) de regressão - ele afirmou ser Peter Pan - um dos momentos citados nos inúmeros especiais apresentados foi o sofrimento e a vergonha de MJ ao não ser abordado por seus fãs em uma loja - estes estariam com vergonha dele.
Michael Jackson poderia ser chamado de freeak mas certamente esta não foi uma opção, não estou falando dos abusos do pai - que certamente foram decisivos para seu sofrimento psíquico. MJ foi um "monstro" criado pela sociedade - amado pelo público em seu início precoce, mesmo público que luta contra a exploração infantil é ávida por crianças precoces. Aqui o público não importou-se com sua tenra idade. Na adolescência ele foi renegado devido a inúmeras espinhas mas seu talento, sua voz e a cinta de seu pai garantiram que ele sobrevivesse ao limbo das crianças precoces, mais do que isto ele atingiu seu ápice na juventude, mas nada é para sempre o amor popular foi substituído pelo asco no final dos anos 90 e início dos anos 00. devido a seu modo de vida e a alguns pais que aproveitaram-se de boatos sobre pedofilia para faturar em cima de MJ - vamos supor que MJ tenha seduzido crianças (o que eu não acredito) que tipo de pai deixa seu filho aproximar-se de alguém assim? Você deixaria seu filho brincar na casa de um pedófilo mesmo se ele fosse milionário e pudesse pagar uma gorda indenização?
Recentemente seu pai falou em assassinato, realmente MJ foi assassinado mas pela sociedade, as mesmas pessoas que o renegaram, acusaram e fingiram não conhece-lo hoje choram tomados pela culpa.Nas palavras de freud: "a culpa é o ácido que coroe o aço".

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Um Pesadelo Comportamental ou O Homem Máquina Vs. o Homem Trágico

Historicamente cada época é marcada por doenças: algumas destas doenças são biológicas, outras de cunho psicológico no século XIX tivemos a histeria e o final do século XX até os dias de hoje temos a depressão. Nossa "sociedade depressiva" decorre do que Roudinesco chamou de "a derrota do sujeito" em suma o homem contemporâneo experimenta um vazio fruto de um modo de vida onde as pessoas evitam entrar em contato com suas questões emocionais,angústias e sofrimentos. Tal evitação decorre de um pensamento behaviorista (importado dos EUA) e a busca desenfreada por medicamentos.
Gostaria de esclarecer dois tópicos: 1) O Behaviorismo é uma corrente da psicologia nascida nos EUA apoiando-se na ideia de que o comportamento humano depende exclusivamente da continência estímulo - resposta; 2) Vivemos em uma sociedade normatizadora ela rotula e impõe padrões de comportamento e ética, aquele que não enquadrar-se é sumariamente banido sem exceções independente da popularidade ou riqueza - um bom exemplo foi o cantos Michael Jackson mas falarei dele em um próximo post. Já que estamos falando de MJ vale citar o curta "Ghosts" sobre um prefeito que tenta expulsar o cantor de uma casa assombrada por ele ser um Freeak o curta tem roteiro co-escrito por Stephen King.
Tendo em mente este panorama, meu amor pela obra frudiana, meu gosto pessoal por romances clássicos de SCI-FI como "Admirável Mundo novo" e "O Fim da infância" juntamente a um pesadelo vivência-do em um cinema e em um hospital psiquiátrico somado a morte de Michael Jackson surgiu meu mais novo conto: "Abra os Olhos" sobre um funcionário do ministério da justiça perfeitamente inserido em um mundo utópico livre da violência e de doenças cujo preço é a liberdade. Tudo muda em um cinema onde este protagonista (personagem sem nome) encontra uma garota rebelde - mistura de Lolita com Punk e Michael Jackson - que incita nele a semente da desordem. procurada pela justiça a garota é presa mas já era tarde. A culpa por tê-la abandonado junta-se ao recém descoberto inconformismo criando um novo homem, um tipo de herói que parte em busca da amada mas o sistema é muito forte e ele cai vítima dos valores que anteriormente defendia representado pela figura do cientista mor "O Grande behaviorista".
O protagonista inicia o conto como Homem máquina uma criatura cientificista sem emoções ou desejos criatura pratica para ele tudo é preto ou branco torna-se o homem trágico perante um dilema edipiano, ele fica em dúvida, angustiado por não conhecer a si próprio. Aquilo que considerava verdadeiro deixa de ser. Esta transformação - um tanto facilitada por mim - deve-se a Elizabeth - garota de 17 anos, personagem secundária e ao mesmo tempo a personagem mais importante do conto, sendo mais importante que o protagonista. Sua descrição, personalidade e ímpeto sexual/destrutivo incitam desejos desconhecidos e insuportáveis no protagonista que no início tenta afastar-se dela, mas acaba fascinado. Ele vê na prisão da garota uma oportunidade de livrar-se permanentemente de Elizabeth, mas já era tarde. O protagonista vê-se tentado pelos dois desejos do homem trágico: O desejo do incesto (simbolizado por Elizabeth) e o desejo de matar o pai (simbolizado pelas normas sociais behavioristas).
Outro personagem importante formando a tríplice dos protagonistas é o "vilão" O Grande Behaviorista, personagem tirano e insensível, fruto de um sistema que ele defende explicando emoções e pensamentos por descargas químicas do cérebro ele tortura Elizabeth e o protagonista pois vê no sadismo sua única defesa contra os conflitos do homem trágico. Como tal cientista prático, racional e cientificista poderia aceitar que seus ideais podem ser falsos? Sua única saída é a violência justificada por técnicas comportamentais.
Caso tenha ficado interessado ai está o link do conto:

http://recantodasletras.uol.com.br/contosdeficcaocientifica/1724911

referência:
ROUDINSCO, E. (1999) Por que Psicanálise?. Rio de Janeiro: ahar Editor.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Harry Potter e o Enigma do Príncipe: O filme mais sinistro e também o mais engraçado da série (ou o início do fim)

Quem lê o título deste post deve imaginar que este é o melhor filme da série. Bom não é. O sexto filme da série é muito bom, com ótimas cenas de ação, uma trama é complexa envolvendo elementos dos outros filmes da série, o lado sentimental dos personagens emerge de maneira quase insuportável (para eles, nós por outro lado nos divertimos), tem até um confronto entre Harry e Darco Malfoy. Este também é o filme mais violento da série nada que vá traumatizar as crianças mas os adolescentes/adultos são o público alvo do filme. Nunca tinha visto tanto sangue em um filme de HP.
Um pouco de história: Harry Potter e o Enigma do Príncipe deveria te sido lançado ano passado, mas problemas da produção atrasaram o lançamento. O filme foi gravado cinco vezes. O que geralmente é um péssimo sinal.
O trio principal está vivendo conflitos amorosos Hermione não sabe mais como deixar claro seu amor por Rony, suas indiretas estão cada vez mais óbvias, este por sua vez gosta dela mas não sabe o que fazer. Quando o improvável acontece o ruivo torna-se uma estrela do Quadribol e com isto ganha uma namorada - que não é a Hermione. O triângulo amoroso é responsável pelas melhores piadas do filme. Harry por sua vez não pode ter uma vida normal, seu lado bruxo o impede. Ele é o perfeito herói trágico amaldiçoado por suas façanhas, durante a via crucis que tornou-se sua vida Harry descobre que a irmã menor de Rony cresceu e a sensação que temos é que HP aprendeu a flertar com os três patetas.
O lado sinistro impera no filme, as ruas estão deserta, a loja onde todos os bruxos compararam suas varinhas foi abandonada. As pessoas estão com medo pela volta de Voldemort. Darco Malfoy e HP que são mostrados como antagonistas desde o primeiro filme agridem-se de forma direta, mas tem algo em comum ambos possuem uma missão. Seriam eles tão diferentes assim? Darco está a serviço daquele-que-não-se-deve-nomear em conta partida Harry deve-se aproximar de um veterano e gentil professor para obter informações. Se não fossem as varinhas mágicas poderia jurar que estava assistindo a um filme de espionagem.
Também vemos o senhor das trevas na sua infância ainda com poucos poderes sendo convidado a ingressar em Hogwarts e uma pergunta desconcertante de Harry para Dumbordore: "Se você soubese quem ele seria o que você teria feito?".
O filme é um perfeito equilíbrio entre o sinistro e o ridículo o HP bonachão e amigável mostra-se capaz de iludir e manipular, o odiado Darco revela-se humano e frágil sem dúvidas este é o filme que melhor mostra os personagens como humanos: ambivalentes, indecisos, covardes, heróis, magoados e que magoam. Rony foge de seus sentimentos nos braços de sua namorada, Hermione finalmente mostra sua fragilidade e Harry fica fascinado por um livro de feitiços que pode ser usado tanto para aprimorar seus feitiços como para atacar (e não defender-se) de seus inimigos.
O principal defeito do filme são os mistérios revelados: Finalmente descobrimos em que lado Severo Snake está mas a maneira de como esta revelação é aliada a própria estrutura ambivalente do filme deixam suas intenções um tanto quanto óbvias para o ultimo filme. Convenhamos a pergunta: "Qual o lado do Severo Snake?" era uma das mais charmosas da série. Outro ponto negativo é a resolução do filme ficamos com a sençassão de que muita coisa foi apresentada mas quase nada foi resolvido. ficam muitos para o próximo filme - que será dividido em duas partes - tantos que seriam necessários mais seis filmes para resolve-los Por outro lado a revelação do tal Enigma do príncipe é surpreendente e o final deixa claro: Nada mais será como antes.
Concluindo Harry Potter e o Enigma do Príncipe é um filme muito bom que emociona, diverte e nos deixa apreensivos. Ele tinha tudo para ser o melhor da série, mas não o é.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

As Ninfas do Inverno (Campanha do agasalho)

Esta é uma ideia que eu tive estes dias de misturar um conto e uma música o enredo surgiu um dia desses quando vi uma caixa destinada a receber doações de agasalhos vazia, escondida em um canto. Ninguém podia enxerga-la.
Não costumo apoiar as ditas "campanhas sociais" pela maneira como são feitas - O que deveria ser um projeto sério para assistir quem sofre torna-se assistencialismo (como faz o PT em todos os seus governos), a diferença é grande assistir alguem requer auxilia-lo para que este recupere sua dignidade já o assistencialismo coloca uma coleira nestas pessoas e mante-las na situação de miséria. Acredito que a campanha do agasalho é uma campanha emergencial.
Eu juntei estas duas ideias eu um único conto. Temo que tenha ficado "piegas" mas o que vale é a mensagem.

Você pode encontrar ste conto no Link abaixo
http://recantodasletras.uol.com.br/contos/1700167

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Uma Espiadela Embaixo da Saia da Sociedade II: A Confecção de um Herói ou "Sobre Lula, O Filho do Brasil"


"Privar um povo do Homem de quem se orgulha como o maior de seus filhos não é algo a ser alegre ou descuidadamente empreendido...". São com estas palavras que Freud inicia "Moisés, um Egípcio", o primeiro dos três Artigos componentes de "Moisés e o Monoteísmo". Cito esta frase em caráter ilustrativo deste segundo Post destinado a espiar os falsos mitos sociais.
Já é notícia antiga a intenção de Fábio Barreto em levar a vida do Primeiro Presidente analfabeto da História ao Cinema. No início das filmagens de "Lula, O Filho do Brasil", o diretor narra uma cena onde o pequeno Lula aprende a andar para não ser picado por um escorpião - ainda com dez dedos nas mãos, o pequeno Lula estava caído no chão atento à aproximação de um escorpião. O animal peçonhento aproxima-se dele. Momento antes de ser picado Lula aprende a andar e foge do escorpião. Esta cena em particular resume o espírito do Filme que tenciona um relato heróico do Presidente Lula - que se não fosse seu caráter dúbio e idéias alienistas seria realmente um Herói Nacional. Mas qual Herói é perfeito? Todas as figuras transformadas em heróis foram idealizadas, apresentadas como pessoas nobres cujo caráter e determinação estavam a cima da média. Em suma nossa sociedade necessita de ídolos: a tradição heróica é tão antiga quanto a História da Igreja - ou alguém discorda que os Santos possuem características de Herói?
Um resumo bem resumido do filme: Classificado pelo diretor como "um drama épico sobre uma certa Família Silva", o filme, orçado em R$ 12 milhões, retrata a vida do Presidente e de seus familiares, do nascimento de Lula, em 1945, até a morte da mãe, Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, em 1980.
As primeiras gravações foram feitas em Caetés (a 250 km de Recife, PE), ex-distrito de Garanhuns, terra natal do Presidente. As cenas iniciais mostram Dona Lindu, interpretada pela global Glória Pires, dando à luz o futuro Presidente.
Luiz Inácio cresce em meio à seca, e a saga dos Silva no Agreste só termina quando Lula (sete anos) embarca com a mãe e seis irmãos em um pau-de-arara, com destino a São Paulo. A cena da saída, gravada sob o sol forte do meio-dia, foi repetida 12 vezes até ser aprovada.
O filme vai mostrar ainda a trajetória operária de Lula e também seus dois casamentos, com Lurdes e Marisa Letícia. Para o papel da primeira mulher foi escolhida a filha de Glória, Cléo Pires. Já a atual Primeira-Dama do País será interpretada pela atriz Juliana Baroni, ex-paquita Catuxa Jujuba.
Como cinéfilo, sei que o Fábio Barreto nunca foi grande coisa, ele é o irmão menos talentoso de um Diretor fraco e superestimado. Responsável por "Bela Donna" e "O Quatrilho", Fábio deveria ser processado por todos aqueles que assistiram seus filmes e ser obrigado a pagar indenização. Seu último trabalho foi a série da Rede TV! "Donas de Casa Desesperadas", e agora ele vem com "um drama épico sobre uma certa Família Silva". Posições políticas a parte, o resumo do filme abrange todos os clichês possíveis e inimagináveis do Cinema. Só faltou uma bomba prestes a destruir uma Conferência de Paz e um dinossauro atacando as pessoas. Deixo bem claro, não estou depreciando sua ideologia ou posição política - cada um tem a sua e eu respeito (apenas como curiosidade, a maioria dos meus amigos são petistas, e alguns deles devem estar bravos comigo agora) - meu comentário é a respeito do objetivo de seu filme, evidentemente uma produção ideológica; e aqueles que gostam do Lula devem concordar comigo, a vida do Presidente merecia um Diretor melhor.
Em 1909, Otto Rank escreveu Der Mythus von der Geburt des Helden - o título foi uma sugestão do próprio Freud que o cita em "Moisés e o Monoteísmo", demonstrando que quase todas as civilizações proeminentes começaram, em fase precoce, a glorificar seus Heróis, Príncipes e Reis. Existe uma fórmula para criar um Herói, basta seguir a receita dada por Otto Rank para termos o defensor dos fracos e oprimidos, cujos companheiros escondem notas de dólar na cueca:
1) O Herói é filho de pais muito aristocráticos; geralmente, filho de um Rei;
2) Sua concepção é precedida por dificuldades, tal como a abstinência ou a esterilidade prolongada; ou seus pais têm de ter relações em segredo, por causa de proibições ou obstáculos externos. Durante a gravidez, ou mesmo antes, há uma profecia (sob a forma de sonho ou oráculo) que alerta contra seu nascimento, que geralmente ameaça perigo para o pai;
3) Como resultado disso, a criança recém-nascida é condenada à morte ou ao abandono, geralmente por ordem do pai ou de alguém que o representa; via de regra é abandonada às águas, num cesto;
4) Posteriormente ele é salvo por animais ou por gente humilde (tais como pastores) e amamentado por uma fêmea de animal ou por uma mulher humilde. Após ter crescido, redescobre seus pais aristocráticos, depois de experiências altamente variadas, por um lado vinga-se do pai, por outro lado é reconhecido, alcançando grandeza e fama.
Se pegarmos como referência heróis gregos, a maioria enquadra-se nesta descrição. Nos heróis de "carne-e-osso", tais etapas sofrem modificações. Pegando dois exemplos:
O atual Presidente Americano Barack Obama vem de uma família pobre, o que indica dificuldades em criar uma criança. Seu pai saiu de casa voltando para a África, deixando sua mãe sozinha (com ele e seus irmãos) - mãe que o criou com muito amor até que este consegue entrar na faculdade, formar-se em Direito e lutar pelas pessoas menos afortunadas, onde iniciou sua carreira política. Com o passar dos anos, Obama tornou-se Presidente dos EUA. Vejamos, aqui nós temos os seguintes critérios: 02 - uma concepção difícil, devido às condições financeiras de sua família; 03 - é abandono por parte do pai; 04 - vive em meio à camada mais pobre da população, ajudando-os. Posteriormente torna-se o primeiro Presidente negro dos EUA, alcançando grandeza e fama. Aqui nos falta o primeiro item, pois Obama vem de uma família pobre, esta idéia pode ser interpretada - apesar de vir de uma família pobre, Obama é americano, autodenominado País mais rico do mundo (embora sua dívida externa seja igualmente grandiosa), sendo eleito pelos negros e hispânicos, minoria oprimida nos EUA, para defendê-los da elite. Assim temos os 4 requisitos para a criação de um Herói.
Outro Herói fabricado e mundialmente conhecido é Che Guevara: Filho de médicos (critério 01), ele decide viajar pela América Latina onde se defronta com a desigualdade social - neste ponto podemos interpretar seu contato com a pobreza como a criação de Che Guevara (foi neste momento que ele decidiu pelos seus ideais) - critérios 03 (no caso foi ele quem abandonou o lar, mas na prática o resultado é o mesmo) e 04. Não tenho nenhum dado sobre sua concepção ou infância, mas sua filiação ao Movimento Revolucionário Cubano pode ser interpretada como uma vingança contra seus pais aristocratas (critério 04). Claro que sua morte na Bolívia contribui para a criação de uma Lenda, a qual Cuba e o Movimento Comunista sustentam até os dias de hoje.
Existem muitos outros exemplos, cada País tem seu Herói. Podemos adaptar os critérios da criação de um Herói desta forma:
1) O Herói pode ter nascido em um País rico; ou ser natural de uma localidade humilde, ter migrado para um País/Cidade representante de riquezas;
2) Seu nascimento pode vir em meio a dificuldades financeiras, e sua infância ser difícil e repleta de obstáculos a serem superados, os quais ameaçam seu futuro;
3) O abandono pode ser representado pela morte de um dos membros da família ou o abandono de um dos pais;
4) Se ele vier de uma família pobre, sua ascensão a Herói é uma "vingança" contra uma parte da Sociedade que o rejeitou - a ele ou parte de sua família -; caso venha de uma família de posses, o Herói junta-se a movimentos populares, indo contra os ideais pregados por sua família. Em ambos os casos o Herói vinga-se, em nome da população humilde, da parte aristocrática da Sociedade.
"Um drama épico sobre uma certa Família Silva" enquadra-se em todos os critérios (não apenas o filme, como discursos e idéias "lulísticos"). Vejamos: "Lula, O Filho do Brasil" conta a infância pobre de Lula com seis irmãos, a própria "cena do escorpião" torna explícita sua infância sofrida e os obstáculos superados, assim como a viajem para São Paulo em um pau-de-arara correspondem aos itens 01 e 02. O filme terminará com a morte de sua mãe, aumentando o drama, objetivando a compaixão do público e representando o terceiro item das características de um Herói. Por fim, temos o quarto item: a vingança social está presente em frases de efeito, como esta publicada na Revista Veja de 11/02/2009 – "Os ricos precisam pouco da gente. É coletar o lixo que tá bom". Seu passado como Líder Sindical sugere uma identificação com movimentos sociais; assim como sua origem em uma família humilde - atributos que o próprio Lula usa para rebater críticas a sua postura (quando criticado, ele responde que os mesmos têm inveja do nordestino que ascendeu ao mais alto cargo da política brasileira) -, o que não seria tão mal, se Lula não fizesse apologia à ignorância, ao afirmar com gozo, o fato de seu primeiro diploma ter sido o de Presidente, ou sorrir ao comentar que chegou ao patamar de Líder sem estudo. Outro ponto negativo é seu sistema assistencialista, distribuindo esmola à população sofrida. Quando o oprimido transmutou-se em opressor? Esta pergunta o filme de Fábio Barreto não irá responder.
Concluindo: para escrever este Post recorri ao livro "O País dos Petralhas", de Reinaldo Azevedo, onde pude comprovar minhas idéias em um termo do glossário criado pelo jornalista para seus termos inventivos e sarcásticos. "Babalorixá e Banânia" - Babalorixá é um Chefe Espiritual do Candomblé e Banânia é uma referência ao Brasil usado como alcunha para Lula, quando este "assume certa vocação mística ou missionária" (como o Herói que nos guiará para a terra prometida). Eu já vi este Filme e ele não é bom. Mas esta frase também é um clichê.
Referências:
Freud, S. (1939[1934-38]) Moisés e o Monoteísmo. Edição eletrônica. 2002.
Azevedo, R. O País dos Petralhas. Record.2008.
Revista Veja edição 2099 editada em 11/02/2009

domingo, 21 de junho de 2009

Plutão clama por Morfeu - Poema inacabado

Do clamor por Morfeu vem os gritos.
O desespero e os rogos chegam a ele.
Ele, Plutão, não encontra mais seu "algo".
Castigado por seus atos Plutão é abandonado.
Desiludido, caído, cercado pelas trevas.
Plutão urra para os céus, para a terra e para si.
A resposta é sempre a mesma: choro de seu filho.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Contemporâneo e suas Vicissitudes (ou Classificação Indicativa, Anel de Castidade e Sandy Capetinha)


Em uma rápida pesquisa na Internet sobre a lei de classificação indicativa - aquela que "sugere" a idade ideal dos telespectadores para cada programa, estaria sendo estendida para jogos de vídeo game, cujo a idade recomendada para para aquele jogo seria impresso na embalagem. Inicialmente não me importei pois não ligo muito para vídeo games e deixei a notícia de lado. O que é um erro pois grandes movimentos políticos começam com mudanças em pequenos aspectos do dia-a-dia os quais não damos a devida importância e embora a industria do vídeo-game tenha sido o ramo de divertimento que mais faturou o ano passado tais mudanças não são discutidas no Brasil.
Tal lei sempre soou-me estranha (vide o post anterior) digo isto por que eu não sei qual o pensamento recorrente nos parlamentares ao aprovarem lei tão "genial". Em verdade ela é menos cetina a leis como: "dia do Saci" ou outra que nos obriga comer um Cachorro quente comer ao Hot Dog ou seremos presos (por curiosidade estas duas leis são de autoria do Aldo Rebelo).

Voltando a falar da lei de classificação indicativa ou seria censura? Sei que este é um lugar comum mas acredito que o nome é bastante apropriado. A lei também pode ser considerada uma boa desculpa pelos pais ou responsáveis que alegando falta de tempo permitem que seus filhos passem o dia a frente da televisão, culpando-a por tudo de mal que venha lhes acontecer. Se o filho é violento é culpa da televisão, se o filho não respeita os mais velhos a culpa é da televisão, se a criança contraiu sarampo a culpa é da televisão. Vocês assistiram Poltergeist? O espírito que possui a menina saiu da televisão. Uma boa conversa não é necessariamente longa, uma criança ao ser questionada sobre o conteúdo que assiste irá comenta-lo, isto é muito mais eficaz que a censura pura e simples. Alguém deveria avisar aos pais que o importante não é a quantidade te tempo que importa para uma relação, mas a qualidade do mesmo, Kant já dizia que o tempo não é objetivo, o que significa: cada um tem a sua própria temporalidade que diferenciasse do tempo externo marcado por um relógio, este por sinal não deve ser levado em conta, assim caberia ao governo a tarefa de vigiar a televisão e cuidar de seus filhos.
Sei que continuo caindo em lugares comuns, mas logo irei justificar-me, peço apenas um pouco de paciência. Um dia destes em uma conversa com meu analista comentei sobre o filme "Pork´s A Casa do Amor e do Riso", uma comédia oitentista que continua atual e divertida por tratar de adolescentes e sua sexualidade, um assunto recorrente e de difícil de trato. Pois bem, na minha infância Pork´s passava nas tardes de domingo, mas mês passado passou a noite na BAND, logo pensei o mundo está mais moralista foi quando meu analista comentou sobre os programas da tarde onde temo como assunto: "Meu marido me traiu com o cachorro" (o animal e não figura de linguagem) e Jovem procura o PROCON por ter sentido-se enganado ao sair com uma mulher que havia feito implante de silicone nos seios e na bunda, visando processa-la por propaganda enganosa - O primeiro exemplo foi de um programa da tarde, mas o segundo é de um programa noturno. Se o objetivo da lei era proteger as criancinhas do mundo ela falhou totalmente, preferindo reclassificar o programa Pânico na TV! um dos poucos que estimula o pensamento crítico.
Muito bem nós temos até o momento três possíveis motivações para a lei de classificação indicativa: Proteger nossas crianças, censura pura e simples e um falso cuidado com a população, algo que o governo lulista faz com maestria, resultando em um falço moralismo, a resposta exata eu não posso dar. Pegando o gancho do moralismo estes dias esteve no Brasil o Jonas Brothers três jovens/adolescentes (cada um em uma idade diferente visando um público diferente) que cantam, tem sua série de TV e agora lançam um filme em 3D com o agravante eles usam um anel de castidade, este anel é uma promessa de manter-se puro e imaculado até o seu casamento, no Brasil tivemos uma versão semelhante - trata-se da cantora Sandy, mas diferentemente ela não pregava a virgindade, apenas o era pois sentia-se bem assim. Sei que a adolescência é um período de mudanças onde a "criatura" tenta provar a si mesmo seus valores e eles são influenciados por modelos, sofremos influência de ídolos por toda nossa vida, mas é na adolescência que esta influência é mais forte, e a televisão tem sua dose de importância em difundi-los muito embora ela venha a suprir uma carência dos responsáveis por estes adolescentes.
É esperado que no decorrer de nossa vida aprendamos à adiar nossos desejos ao invés de realiza-los de maneira imediata, o grande diferencial é a maneira em como faremos isto. O anel de castidade soa como uma técnica arcaica e moralista, por se tratar de um grupo americano o moralismo não é algo estranho, lembrando que um dos principais fatores da eleição do Bush foi justamente a pulada de cerca de Bill Clinton e voltando no tempo Marilyn Monroe não seria o símbolo sexual que foi e é se não fosse por JFK.
A situação a cima assemelha-se a uma fábula, a mensagem é clara e direta. Ou você está com os Jonas Brothers e prega a castidade ou você faz parte dos outros tornando-se um tarado sórdido e pervertido. Uma vez feita a escolha ela está estabelecida para sempre.
Olhando o mundo pelo prisma dos Jonas Brothers fica a impressão de que o sexo é algo sacro e deve ser respeitado/temido a todo custo, não falaremos seu santo nome em vão e muito menos o colocaremos na boca. Eu pergunto o sexo não pode ser visto como algo divertido? Embora uma diversão séria que acarreta responsabilidades.

Eis que surge Sandy Capetinha - personagem criada pela modelo Regiane Brunnquell (que parece com a Sandy na aparência e quando canta), capa da revista Sexy deste mês. Tal apelido foi dado por sua mãe na infância, pois ela já parecia com a cantora, embora tivesse uma bunda avantajada. Regiane ficou conhecida nacionalmente como Sandy Capetinha no programa Pânico na TV! em uma reconstituição da lua de mel da cantora Sandy, posteriormente ela foi integrada ao programa. A personagem surge como uma resposta bem humorada e contemporânea para a propaganda da virgindade pois sabemos que a sombra é maior quando à maior incidência de luz e neste caso é melhor que venha a tona mesmo se for disfarçada de Sandy Capetinha.
Para finalizar retornemos ao filme "Pork´s A Casa do Amor e do Riso" o personagem principal é o adolescente Pewee (ou piruzinho se você assistir o filme dublado) que desesperadamente tenta perder a virgindade, ao fracassar em sua jornada com as colegas de classe (este é um dos diálogos mais engraçados da história do cinema e o segundo mais engraçado do filme) e ser reprimido pela professora de Educação Física, uma mulher rancorosa e moralista (assim como feia e gorda) Pewee e seus amigos decidem ir ao Pork´s - um bordel que leva o apelido de seu dono. Uma vez lá Pewee e seus amigos são trapaceados e pedem seu dinheiro. Eles sabem o que querem e sabem como conseguir, mas são impedidos. Ao final do filme Pewee e seus companheiros destroem o Pork´s e Pewee perde sua virgindade com uma colega de classe, uma cena muito divertida pois Pewee precisa de uma camisinha, mas a que recebe é muito grande e ele pede uma menor, a profa. de Ed. física surge novamente tentando impedir a diversão dos garotos, eles não mais precisam teme-la. Talvez tenhamos em Pork´s um contos de fadas contemporâneo contrapondo-se a fábula contemporânea dos Jonas Brothers e vida longa a Sandy Capetinha.
Ps. O diálogo mais engraçado de Pork´s é quando a professora de Ed. física propõe uma maneira de identificar um Pênis visto no vestiário feminino.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Medo do Escuro ou Reflexões sobre "O Estranho"


O medo do escuro é um assunto que sempre me fascinou, tanto que escrevi um conto a cerca do assunto "A Cidade da Noite" sobre duas irmãs que durante uma viagem seu carro quebra em uma cidade deserta, logo elas percebem que, com exceção de alguns moradores, todos da cidade estão mortos um a um os sobreviventes vão desaparecendo, sendo tragados pelo escuro. Meu objetivo não é comentar sobre meu conto Que pode ser lido no Link anexo a este post. Mas sim do medo do escuro em si.
Lembro de meus pais tentando tranquilizar meu medo afirmando que a noite é igual ao dia e as trevas não habitam nada que já não exista sob a luz. Se não há nada no escuro significa que ele abriga nossos mais terríveis medos a final ele é um campo de projeção.
Existem primeiras vezes que geram arrependimento pois nunca voltaremos a ter a mesma sensação, foi assim quando li "O Estranho", um artigo subestimado do Freud. Sou suspeito para falar pois gosto de produções tétricas e terroríficas assim como da obra freudiana. Seus textos dialogam com o leitor. É correto afirmar que nós não lemos a obra de Freud, mas sim dialogamos com o próprio Freud. O artigo não só explica o medo mas aquela sensação de "algo inquietante" a nossa volta nem sempre de maneira definida, a final o próprio medo não o é.
O medo, a inquietação e/ou o sinistro são frutos do recalcado: desejos sexuais voltados para figura materna, ódio assassino voltado para figura paterna, angústia de castração, culpa, fantasias arcaicas, a atuação da pulsão de morte que visa o retorno ao inorgânico dentre outras. A explicação do por que estes rastros emocionais surgem em forma terrorífica é sublime - Freud recorre a crenças primitivas de épocas remotas onde os humanos acreditavam viver em um mundo povoado por espíritos, os objetos possuíam vida e a magia era algo corriqueiro. Tais crenças seriam alimentadas pelo pensamento onipotente e pela super valorização narcizica do indivíduo perdurando por eras até ficarem gravados em nosso inconsciente. Retornando ao medo do escuro: sabemos que tudo aquilo o que foi recalcado visa retornar a consciência assim os conteúdos inconcebíveis valem-se desta herança para emergirem.
Talvez o que mais tenha chamado minha atenção no artigo foi seu nome "O Estranho" ou no original "Das Unheimliche". Tal a importância do nome que Freud detalha o termo e suas conotações em diversos idiomas a partir de um dicionário de fraseologia, constatando que todos os idiomas ali presentes possuem um nome para esta inquietação.
O representante da língua portuguesa "estranho" é muito bom significando sinistro ou inquietante, mas sua conotação deixa a desejar ao comparar-se com "Das Unheimliche" subentendendo-se apenas como "algo" de proveniência indeterminada.
Vejamos a construção do substantivo Das Unheimliche, diga-se de passagem é fascinante, ele deriva-se de Heimlich que significa familiar ou conhecido, ao receber o prefixo "Un" ele torna-se uma negativa. O assustador, macabro ou sinistro nega o que que é familiar e conhecido. Suas conotações são ainda mais amplas: nos deixa indefesos; não se sabe quando chega; de proveniência indeterminada; se arma em torno de nós; proximidade e insidiosa/súbito. E não são estas as sensações que temos ao assistir um bom filme de terror ou ao lermos um conto de Edgar Allan Poe?
Referências:
Freud, S. (1919) O Estranho. Edição eletrônica. 2002.
Hanns, L. Dicionário Comentado do Alemão de Freud, Imago. 1996.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

As Bruxas da Coréia do Norte ou Qual a Credibilidade do palhaço?

O filme "As Bruxas de Salem" (The Crucible) de 1996 é uma adaptação da peça de teatro de Arthur Miiller (que também assina o roteiro) vem a retratar um período sangrento na história americana (é difícil não encontrar um momento sangrento na história americana), por sua vez encenada na década de 50 período da paranóia Macarthista. A trama desenvolve-se na cidade de Salem, no séc. XVII onde um grupo de garotas pratica um ritual de bruxaria ao serem flagradas todas fogem. Suas identidades não são reveladas naquele momento, o que gera um clima de desconfiança e medo generalizados. A única alternativa encontrada pelos moradores de Salem é convocar a inquisição. Esta é a deixa para rivalidades locais e conflitos de interesse entrarem em cena. A personagem de Winona Ryder (bruxa confessa) acusa impunemente as demais "bruxas" a pedido de seu tio enquanto recusa-se a superar um caso de amor adultero com a personagem de Daniel Day-Lewis - tido como o mais sábio da cidade - agora arrependido retornou a sua esposa.
Nos últimos meses a Coréia do Norte vem sendo alvo das notícias motivadas por seus testes nucleares, nesta ultima semana o país recebeu críticas da China, sua parceira económica e shakespareana. A Casa Branca afirmou que não aceitaria novos testes, tendo apoio ideológico de Coréia do Sul e Japão. Seria um De-Javu do Iraque?.
Assim como nas bruxas de Salem temos um culpado pelo crime, a Coreia realiza testes nucleares, mas sua tecnologia é pífea e seus mísseis de maior alcance morrem no oceano. Também temos as pessoas assustadas e confusas com este incidente, nós o resto do mundo, para aplacar nossa ansiedade surge a inquisição, o exército americano. As ultimas acusações que vi a respeito é que 1/4 da população norte-coreana passa fome e para driblar tal situação o ditador local estaria usando seu poderio militar (em geral relíquias da guerra da Coréia) para impressionar o mundo e suas principais potência aramamentistas. Não seria o contrário? Em meio a uma crise capitalista atacar um país comunista não seria uma demonstração de que a "marolinha" logo vai passar e logo poderemos ser felizes novamente?
Gostaria de deixar bem claro: Não apoio o comunismo, ao contrário o considero uma experiência utópica e falida que invariavelmente resulta em ditadores, poderio bélico ilusório e sofrimento nacional. Uma boa definição de comunismo seria: "divisão igual da pobreza". Alguns países persistem nesta ideia: a Venezuela é um bom exemplo possuem um ditador, poder bélico poderoso para América latina mas insignificante para grandes potências como EUA, Inglaterra e Israel que ainda está no auge e vem acarretando discípulos como Bolívia e Paraguai, este último está tendo dificuldades pelas puladas de cerca de seu presidente.
Retornando ao caso da Coréia do Norte tudo aponta para uma invasão, a qual suponho deva ocorrer ainda neste semestre. O próximo passo será uma tentativa de intervenção da ONU, a qual falhará, o exército americano, com seus aliados, devem posicionar-se na Coréia do Sul, China e Japão forçando um recuo comunista em fim teremos a guerra que será devastadora e ninguém mais fala da crise.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma Espiadela em Baixo da Saia da Sociedade I: Cotas Raciais na São Paulo Fashion Weeked



Com este post pretendo iniciar uma série de eventuais comentários a cerca dos aspectos culturais obscuros (que foram varridos para baixo do tapete) e que nós mesmos preferimos esconder ou olhar para outro lado. Não olhemos para outro lados devemos espiar por baixo da saia da sociedade onde estão escondidas suas vergonhas.
Para começar um tema já batido, mas que volta a estar em evidência. A cota para negros, a nova vítima desta maravilhosa e genial ideia é o São Paulo Fashion Weeked. Evitando entrar em debates cansativos, recorrentes e superficiais proponho uma pequeno passeio pela história do Brasil. Em um artigo sobre a questão racial brasileira Iray Corone teve como ponto de partida o conceito de branqueamento como um número superior de mestiços e principalmente a pressão cultural exercida pela hegemonia branca sobre os negros visando a auto-desvalorização do negro.
Em seu artigo Iray Corone faz uma viagem pela história retornando ao ano de 1888 onde surgiam as primeira miscigenação fruto do abuso sexual dos portugueses contra africanos, após assinatura da Lei Áurea os colonos começaram a ficar preocupados com os efeitos desta mistura de raças temendo que o mulato (termo provindo de mulo animal híbrido e infértil derivado do cavalo com a jumenta) proliferasse e degenerasse o Brasil e seus habitantes. Nesta época havia uma escala de níveis dos mestiços criada pela médica e antropóloga Nina Rodrigues, propondo a revisão do código penal brasileiro, caso a caso, dependendo do grau de miscigenação a qual ele pertencesse. Porém foram os juristas brasileiros da época quem determinaram a ordem social/racial da época afirmando, com bases sociológicas, que existiam diferentes tipos de raças dentre algumas mais civilizadas e mais inteligentes do que outras. A partir deste ponto de vista as raças mais avançadas deveriam civilizar e absorver as demais culturas.
Com estas ideias pré estabelecidas o governo pós em prática um antigo projeto estimular a vinda da mão de obra europeia, por trás de uma falsa ideia neo-liberal de paraíso miscigenado havia um ideal preconceituoso de aumentar o número de brancos - tidos como a raça superior - no Brasil considerando-os uma mão de obra mais eficiente e preparada do que a negra. O principal representante desta ideia racista foi Joaquim Nabuco. Foram colocadas em práticas ideias para aumentar a imigração e com isto o número de brancos acreditando que o cruzamento de brancos e o "recruzamento" de brancos com mulatos tornariam o Brasil um país de brancos (alguns defendiam a extradição dos negros para a África).
Esta é uma página da história brasileira que não é ensinada nas escolas e muito menos divulgada. Ao contrário esta época é divulgada em forma de literatura como "A Escrava Isaura" que apesar de fruto da miscigenação Isaura é branca, especiais de fim de ano onde o imperador Don Pedro segundo faz amizade com um garoto escravo enquanto os membros do palácio (a exceção de um deles) aceitam a ideia e o incentivam. A sujeira foi empurrada para baixo do tapete.
Diferente de outros países onde a discriminação racial foi feita de forma violenta e pública, a discriminação no Brasil foi - e ainda é - silenciosa, mas isto é senso comum. Se pensarmos nas ideias de Nina Rodrigues veremos que elas são tão populares como naquela época, mas oculta como uma calcinha cor-de-rosa enfeitada com desenhos de morangos sob uma saia de "direitos civis" e discurso de integração e igualdade entre todos. As cotas raciais colocam bem claro qual a posição do negro na sociedade, retomando a origem do termo mulato esta posição racista fica ainda mais óbvia. Com as cotas raciais têm-se a impressão de que estariam aumentando o número de negros inclusos na sociedade entretanto ocorre o contrário. Os negros estarão lá por uma obrigação legal. A auto-estima e integração social social do negro tende a ficar cada vez mais distante. Vou parando por aqui, a discussão está em aberto. Aqueles que leram o post terão ao menos mais um dado a respeito desta polémica questão.
Iray Corone escreveu: "Breve história de uma pesquisa psicossocial sobre a questão racial brasileira" publicado no livro Psicologia Social do Racismo da editora vozes.

sábado, 23 de maio de 2009

Fan Service (ou a sexualidade nas animações)


Outro dia estava conversando com um amigo, eis que ele comenta indignado algo do tipo "você vê adultos assistindo desenho animado". Embora discorde dele, Conheço muitos adultos que eu gosto e respeito e estes assistem a desenhos animados, claro que não fazem isto como crianças mas como adultos. Alguns inclusive são destinados a este público um bom exemplo é o extinto adult swin. Quadro outrora exibido no Cartoon Network. Atualmente a "melhor opção" (por favor notem as aspas) para a animação adulta são os filmes a Pixar.
A pesar de ter começado este post com uma discussão a respeito da animação adulta este não é meu objetivo. Citei a cima que a melhor opção para o público adulto são as animações da Pixar (melhor opção com aspas) isto por que a Pixar é um braço da Disney o que significa lições de moral a cada cinco minutos e exaltação dos valores da família americana. Não me entendam mal não sou nenhum radical anti-americano apenas nutro um profundo desprezo pelos desenhos da Disney desde minha tenra infância. Sempre preferi algo mais Hardcore.
Existe também o extremo oposto animações pornográficas estas visam os mesmos resultados de uma obra prima da "Brasileirinhas" entre estes dois opostos eu fico no meio do caminho. Animações comuns levemente picantes. Imagine duas personagens conversando em um vestiário, com ângulos sugestivos de câmera ou uma das personagens é atacada por adolescentes pervertidos e idiotas (no melhor estilo Pork´s ou American Pie) e acaba perdendo partes de sua roupa. A pergunta a ser feita é Isto existe?
A resposta é sim, aliás está prática tem até nome (o que não tem nome hoje em dia?) Fan Service ou serviço para os fãs, o nome é bem sugestivo o Fan Service é prática relativamente comum nos animes variando da sugestão ao nu frontal sem acrescentar nada a trama, ele estaria mais para um bónus, dai a origem do nome. Uma sociedade fechada, formal e padronizada torna-se um solo fértil para o fetiche. Não vou entrar no mérito da questão, mesmo por que a sexualidade nas animações é muito anterior ao Fan Service basta lembrar da personagem Beth Boop, um visto de sensualidade com inocência (que era lá muito inocente). Desde o século XIX que a sexualidade é considerado pela medicina um tema central nas atividades humanas. Posteriormente com o surgimento da psicanálise a sexualidade rompeu com a biologia, deixando de ser apenas um "gatilho" conjugado por um conjunto de hormônios tornando-se a própria essência das atividades humanas. O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) desenvolveu a ideia de que a sexualidade fora instaurada para promover uma ruptura no sociedade. Duvido que o autor (ou seria desenhista) tinha Freud ou Foucault em mente quando desenhou a primeira personagem com sua saia levantada pelo vento visando a alegria dos fãs. No fim das contas o Fan Service é uma desculpa para exibição de imagens sensuais, assim como este post.

O cavalheirismo contemporâneo (ou um mundo de extremos)

Em uma manhã de sexta-feira eu estava conversando com meu analista/amigo (apenas lembrando que o próprio Freud não aplicava a risca o conceito de neutralidade) quando comentei um caso que ocorreu comigo na lotação rumo a seu consultório, consegui senta pouco antes do veículo "lotar". Quando uma moça, ao meu ver, muito bonita sobe na lotação sobrecarregada com suas bolsas quando ofereci-me para segurar uma de suas bolsas. A partir deste ato surgiu a discussão: O que em outras épocas seria rude ficar sentado enquanto uma dama permanece de pé hoje seria tido como algo estranho, para não dizer bizarro. Em um pequeno exercício imaginativo o que aconteceria se levantasse para ela sentar? Levaria uma bolsada e seria acusado de desejos impúdicos (apenas para manter o clima vitoriano)? Teria ela uma reação mais próxima a uma animação japonesa e sairia correndo? Ou viria com um anticlimax europeu dando risada? Tais suposições são extremas, mas não vivemos em um mundo de extremos? Em uma rápida olhada pelas ruas de São Paulo para constatarmos por um lado temos as tribos urbanas, por outro aqueles que esforçam-se para serem normais (um tema recorrente seriam as mulheres elas tem possibilidades quase infinitas de serem diferentes mas preferem ser iguais umas as outras).
Retornando ao temo principal de minha divagação como seria recebido um ato cavalheiresco considerado arcaico? Não precisamos ir muito longe, na conversa com meu analista que tal convidar alguém para um café? Mas como tomar café com um estranho? Logo ela pensaria "Quais as intenções perversas e sórdidas deste ser das trevas que mal conheço em me convidar para um café?" Novamente por que ser gentil com um estranho? Principalmente em um mundo onde todos somos estranhos uns aos outros? Também há outras possibilidades ao oferecer meu lugar as reações poderiam ser inversas: seria moderninha perguntando "na minha casa ou na sua?"revelaria-se discípula do marquês de Sade oferecendo para receber algumas chicotadas? As possibilidades são infinitas. A final de contas vivemos em um mundo de estranho onde não se conhece ninguém. E o que eu fiz? Limitei-me a ser um cavalheiro contemporâneo.
Já ia esquecendo ao chegar em casa e ligar a televisão vejo uma discussão onde duas garotas de 19 anos discutam a virgindade ,uma era a favor do sexo antes do casamento e outra era contra (esta por sinal usava um anel da castidade) mas ai já virou uma comédia pastelão no melhor estilo Charles Chaplin ou irmãos Marx.

"Os Deuses Mortos" Oito Anos

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