sexta-feira, 29 de maio de 2009

As Bruxas da Coréia do Norte ou Qual a Credibilidade do palhaço?

O filme "As Bruxas de Salem" (The Crucible) de 1996 é uma adaptação da peça de teatro de Arthur Miiller (que também assina o roteiro) vem a retratar um período sangrento na história americana (é difícil não encontrar um momento sangrento na história americana), por sua vez encenada na década de 50 período da paranóia Macarthista. A trama desenvolve-se na cidade de Salem, no séc. XVII onde um grupo de garotas pratica um ritual de bruxaria ao serem flagradas todas fogem. Suas identidades não são reveladas naquele momento, o que gera um clima de desconfiança e medo generalizados. A única alternativa encontrada pelos moradores de Salem é convocar a inquisição. Esta é a deixa para rivalidades locais e conflitos de interesse entrarem em cena. A personagem de Winona Ryder (bruxa confessa) acusa impunemente as demais "bruxas" a pedido de seu tio enquanto recusa-se a superar um caso de amor adultero com a personagem de Daniel Day-Lewis - tido como o mais sábio da cidade - agora arrependido retornou a sua esposa.
Nos últimos meses a Coréia do Norte vem sendo alvo das notícias motivadas por seus testes nucleares, nesta ultima semana o país recebeu críticas da China, sua parceira económica e shakespareana. A Casa Branca afirmou que não aceitaria novos testes, tendo apoio ideológico de Coréia do Sul e Japão. Seria um De-Javu do Iraque?.
Assim como nas bruxas de Salem temos um culpado pelo crime, a Coreia realiza testes nucleares, mas sua tecnologia é pífea e seus mísseis de maior alcance morrem no oceano. Também temos as pessoas assustadas e confusas com este incidente, nós o resto do mundo, para aplacar nossa ansiedade surge a inquisição, o exército americano. As ultimas acusações que vi a respeito é que 1/4 da população norte-coreana passa fome e para driblar tal situação o ditador local estaria usando seu poderio militar (em geral relíquias da guerra da Coréia) para impressionar o mundo e suas principais potência aramamentistas. Não seria o contrário? Em meio a uma crise capitalista atacar um país comunista não seria uma demonstração de que a "marolinha" logo vai passar e logo poderemos ser felizes novamente?
Gostaria de deixar bem claro: Não apoio o comunismo, ao contrário o considero uma experiência utópica e falida que invariavelmente resulta em ditadores, poderio bélico ilusório e sofrimento nacional. Uma boa definição de comunismo seria: "divisão igual da pobreza". Alguns países persistem nesta ideia: a Venezuela é um bom exemplo possuem um ditador, poder bélico poderoso para América latina mas insignificante para grandes potências como EUA, Inglaterra e Israel que ainda está no auge e vem acarretando discípulos como Bolívia e Paraguai, este último está tendo dificuldades pelas puladas de cerca de seu presidente.
Retornando ao caso da Coréia do Norte tudo aponta para uma invasão, a qual suponho deva ocorrer ainda neste semestre. O próximo passo será uma tentativa de intervenção da ONU, a qual falhará, o exército americano, com seus aliados, devem posicionar-se na Coréia do Sul, China e Japão forçando um recuo comunista em fim teremos a guerra que será devastadora e ninguém mais fala da crise.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma Espiadela em Baixo da Saia da Sociedade I: Cotas Raciais na São Paulo Fashion Weeked



Com este post pretendo iniciar uma série de eventuais comentários a cerca dos aspectos culturais obscuros (que foram varridos para baixo do tapete) e que nós mesmos preferimos esconder ou olhar para outro lado. Não olhemos para outro lados devemos espiar por baixo da saia da sociedade onde estão escondidas suas vergonhas.
Para começar um tema já batido, mas que volta a estar em evidência. A cota para negros, a nova vítima desta maravilhosa e genial ideia é o São Paulo Fashion Weeked. Evitando entrar em debates cansativos, recorrentes e superficiais proponho uma pequeno passeio pela história do Brasil. Em um artigo sobre a questão racial brasileira Iray Corone teve como ponto de partida o conceito de branqueamento como um número superior de mestiços e principalmente a pressão cultural exercida pela hegemonia branca sobre os negros visando a auto-desvalorização do negro.
Em seu artigo Iray Corone faz uma viagem pela história retornando ao ano de 1888 onde surgiam as primeira miscigenação fruto do abuso sexual dos portugueses contra africanos, após assinatura da Lei Áurea os colonos começaram a ficar preocupados com os efeitos desta mistura de raças temendo que o mulato (termo provindo de mulo animal híbrido e infértil derivado do cavalo com a jumenta) proliferasse e degenerasse o Brasil e seus habitantes. Nesta época havia uma escala de níveis dos mestiços criada pela médica e antropóloga Nina Rodrigues, propondo a revisão do código penal brasileiro, caso a caso, dependendo do grau de miscigenação a qual ele pertencesse. Porém foram os juristas brasileiros da época quem determinaram a ordem social/racial da época afirmando, com bases sociológicas, que existiam diferentes tipos de raças dentre algumas mais civilizadas e mais inteligentes do que outras. A partir deste ponto de vista as raças mais avançadas deveriam civilizar e absorver as demais culturas.
Com estas ideias pré estabelecidas o governo pós em prática um antigo projeto estimular a vinda da mão de obra europeia, por trás de uma falsa ideia neo-liberal de paraíso miscigenado havia um ideal preconceituoso de aumentar o número de brancos - tidos como a raça superior - no Brasil considerando-os uma mão de obra mais eficiente e preparada do que a negra. O principal representante desta ideia racista foi Joaquim Nabuco. Foram colocadas em práticas ideias para aumentar a imigração e com isto o número de brancos acreditando que o cruzamento de brancos e o "recruzamento" de brancos com mulatos tornariam o Brasil um país de brancos (alguns defendiam a extradição dos negros para a África).
Esta é uma página da história brasileira que não é ensinada nas escolas e muito menos divulgada. Ao contrário esta época é divulgada em forma de literatura como "A Escrava Isaura" que apesar de fruto da miscigenação Isaura é branca, especiais de fim de ano onde o imperador Don Pedro segundo faz amizade com um garoto escravo enquanto os membros do palácio (a exceção de um deles) aceitam a ideia e o incentivam. A sujeira foi empurrada para baixo do tapete.
Diferente de outros países onde a discriminação racial foi feita de forma violenta e pública, a discriminação no Brasil foi - e ainda é - silenciosa, mas isto é senso comum. Se pensarmos nas ideias de Nina Rodrigues veremos que elas são tão populares como naquela época, mas oculta como uma calcinha cor-de-rosa enfeitada com desenhos de morangos sob uma saia de "direitos civis" e discurso de integração e igualdade entre todos. As cotas raciais colocam bem claro qual a posição do negro na sociedade, retomando a origem do termo mulato esta posição racista fica ainda mais óbvia. Com as cotas raciais têm-se a impressão de que estariam aumentando o número de negros inclusos na sociedade entretanto ocorre o contrário. Os negros estarão lá por uma obrigação legal. A auto-estima e integração social social do negro tende a ficar cada vez mais distante. Vou parando por aqui, a discussão está em aberto. Aqueles que leram o post terão ao menos mais um dado a respeito desta polémica questão.
Iray Corone escreveu: "Breve história de uma pesquisa psicossocial sobre a questão racial brasileira" publicado no livro Psicologia Social do Racismo da editora vozes.

sábado, 23 de maio de 2009

Fan Service (ou a sexualidade nas animações)


Outro dia estava conversando com um amigo, eis que ele comenta indignado algo do tipo "você vê adultos assistindo desenho animado". Embora discorde dele, Conheço muitos adultos que eu gosto e respeito e estes assistem a desenhos animados, claro que não fazem isto como crianças mas como adultos. Alguns inclusive são destinados a este público um bom exemplo é o extinto adult swin. Quadro outrora exibido no Cartoon Network. Atualmente a "melhor opção" (por favor notem as aspas) para a animação adulta são os filmes a Pixar.
A pesar de ter começado este post com uma discussão a respeito da animação adulta este não é meu objetivo. Citei a cima que a melhor opção para o público adulto são as animações da Pixar (melhor opção com aspas) isto por que a Pixar é um braço da Disney o que significa lições de moral a cada cinco minutos e exaltação dos valores da família americana. Não me entendam mal não sou nenhum radical anti-americano apenas nutro um profundo desprezo pelos desenhos da Disney desde minha tenra infância. Sempre preferi algo mais Hardcore.
Existe também o extremo oposto animações pornográficas estas visam os mesmos resultados de uma obra prima da "Brasileirinhas" entre estes dois opostos eu fico no meio do caminho. Animações comuns levemente picantes. Imagine duas personagens conversando em um vestiário, com ângulos sugestivos de câmera ou uma das personagens é atacada por adolescentes pervertidos e idiotas (no melhor estilo Pork´s ou American Pie) e acaba perdendo partes de sua roupa. A pergunta a ser feita é Isto existe?
A resposta é sim, aliás está prática tem até nome (o que não tem nome hoje em dia?) Fan Service ou serviço para os fãs, o nome é bem sugestivo o Fan Service é prática relativamente comum nos animes variando da sugestão ao nu frontal sem acrescentar nada a trama, ele estaria mais para um bónus, dai a origem do nome. Uma sociedade fechada, formal e padronizada torna-se um solo fértil para o fetiche. Não vou entrar no mérito da questão, mesmo por que a sexualidade nas animações é muito anterior ao Fan Service basta lembrar da personagem Beth Boop, um visto de sensualidade com inocência (que era lá muito inocente). Desde o século XIX que a sexualidade é considerado pela medicina um tema central nas atividades humanas. Posteriormente com o surgimento da psicanálise a sexualidade rompeu com a biologia, deixando de ser apenas um "gatilho" conjugado por um conjunto de hormônios tornando-se a própria essência das atividades humanas. O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) desenvolveu a ideia de que a sexualidade fora instaurada para promover uma ruptura no sociedade. Duvido que o autor (ou seria desenhista) tinha Freud ou Foucault em mente quando desenhou a primeira personagem com sua saia levantada pelo vento visando a alegria dos fãs. No fim das contas o Fan Service é uma desculpa para exibição de imagens sensuais, assim como este post.

O cavalheirismo contemporâneo (ou um mundo de extremos)

Em uma manhã de sexta-feira eu estava conversando com meu analista/amigo (apenas lembrando que o próprio Freud não aplicava a risca o conceito de neutralidade) quando comentei um caso que ocorreu comigo na lotação rumo a seu consultório, consegui senta pouco antes do veículo "lotar". Quando uma moça, ao meu ver, muito bonita sobe na lotação sobrecarregada com suas bolsas quando ofereci-me para segurar uma de suas bolsas. A partir deste ato surgiu a discussão: O que em outras épocas seria rude ficar sentado enquanto uma dama permanece de pé hoje seria tido como algo estranho, para não dizer bizarro. Em um pequeno exercício imaginativo o que aconteceria se levantasse para ela sentar? Levaria uma bolsada e seria acusado de desejos impúdicos (apenas para manter o clima vitoriano)? Teria ela uma reação mais próxima a uma animação japonesa e sairia correndo? Ou viria com um anticlimax europeu dando risada? Tais suposições são extremas, mas não vivemos em um mundo de extremos? Em uma rápida olhada pelas ruas de São Paulo para constatarmos por um lado temos as tribos urbanas, por outro aqueles que esforçam-se para serem normais (um tema recorrente seriam as mulheres elas tem possibilidades quase infinitas de serem diferentes mas preferem ser iguais umas as outras).
Retornando ao temo principal de minha divagação como seria recebido um ato cavalheiresco considerado arcaico? Não precisamos ir muito longe, na conversa com meu analista que tal convidar alguém para um café? Mas como tomar café com um estranho? Logo ela pensaria "Quais as intenções perversas e sórdidas deste ser das trevas que mal conheço em me convidar para um café?" Novamente por que ser gentil com um estranho? Principalmente em um mundo onde todos somos estranhos uns aos outros? Também há outras possibilidades ao oferecer meu lugar as reações poderiam ser inversas: seria moderninha perguntando "na minha casa ou na sua?"revelaria-se discípula do marquês de Sade oferecendo para receber algumas chicotadas? As possibilidades são infinitas. A final de contas vivemos em um mundo de estranho onde não se conhece ninguém. E o que eu fiz? Limitei-me a ser um cavalheiro contemporâneo.
Já ia esquecendo ao chegar em casa e ligar a televisão vejo uma discussão onde duas garotas de 19 anos discutam a virgindade ,uma era a favor do sexo antes do casamento e outra era contra (esta por sinal usava um anel da castidade) mas ai já virou uma comédia pastelão no melhor estilo Charles Chaplin ou irmãos Marx.

"Os Deuses Mortos" Sete Anos

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