Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 23 de maio de 2009

O cavalheirismo contemporâneo (ou um mundo de extremos)

Em uma manhã de sexta-feira eu estava conversando com meu analista/amigo (apenas lembrando que o próprio Freud não aplicava a risca o conceito de neutralidade) quando comentei um caso que ocorreu comigo na lotação rumo a seu consultório, consegui senta pouco antes do veículo "lotar". Quando uma moça, ao meu ver, muito bonita sobe na lotação sobrecarregada com suas bolsas quando ofereci-me para segurar uma de suas bolsas. A partir deste ato surgiu a discussão: O que em outras épocas seria rude ficar sentado enquanto uma dama permanece de pé hoje seria tido como algo estranho, para não dizer bizarro. Em um pequeno exercício imaginativo o que aconteceria se levantasse para ela sentar? Levaria uma bolsada e seria acusado de desejos impúdicos (apenas para manter o clima vitoriano)? Teria ela uma reação mais próxima a uma animação japonesa e sairia correndo? Ou viria com um anticlimax europeu dando risada? Tais suposições são extremas, mas não vivemos em um mundo de extremos? Em uma rápida olhada pelas ruas de São Paulo para constatarmos por um lado temos as tribos urbanas, por outro aqueles que esforçam-se para serem normais (um tema recorrente seriam as mulheres elas tem possibilidades quase infinitas de serem diferentes mas preferem ser iguais umas as outras).
Retornando ao temo principal de minha divagação como seria recebido um ato cavalheiresco considerado arcaico? Não precisamos ir muito longe, na conversa com meu analista que tal convidar alguém para um café? Mas como tomar café com um estranho? Logo ela pensaria "Quais as intenções perversas e sórdidas deste ser das trevas que mal conheço em me convidar para um café?" Novamente por que ser gentil com um estranho? Principalmente em um mundo onde todos somos estranhos uns aos outros? Também há outras possibilidades ao oferecer meu lugar as reações poderiam ser inversas: seria moderninha perguntando "na minha casa ou na sua?"revelaria-se discípula do marquês de Sade oferecendo para receber algumas chicotadas? As possibilidades são infinitas. A final de contas vivemos em um mundo de estranho onde não se conhece ninguém. E o que eu fiz? Limitei-me a ser um cavalheiro contemporâneo.
Já ia esquecendo ao chegar em casa e ligar a televisão vejo uma discussão onde duas garotas de 19 anos discutam a virgindade ,uma era a favor do sexo antes do casamento e outra era contra (esta por sinal usava um anel da castidade) mas ai já virou uma comédia pastelão no melhor estilo Charles Chaplin ou irmãos Marx.

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