Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Uma Espiadela em Baixo da Saia da Sociedade I: Cotas Raciais na São Paulo Fashion Weeked



Com este post pretendo iniciar uma série de eventuais comentários a cerca dos aspectos culturais obscuros (que foram varridos para baixo do tapete) e que nós mesmos preferimos esconder ou olhar para outro lado. Não olhemos para outro lados devemos espiar por baixo da saia da sociedade onde estão escondidas suas vergonhas.
Para começar um tema já batido, mas que volta a estar em evidência. A cota para negros, a nova vítima desta maravilhosa e genial ideia é o São Paulo Fashion Weeked. Evitando entrar em debates cansativos, recorrentes e superficiais proponho uma pequeno passeio pela história do Brasil. Em um artigo sobre a questão racial brasileira Iray Corone teve como ponto de partida o conceito de branqueamento como um número superior de mestiços e principalmente a pressão cultural exercida pela hegemonia branca sobre os negros visando a auto-desvalorização do negro.
Em seu artigo Iray Corone faz uma viagem pela história retornando ao ano de 1888 onde surgiam as primeira miscigenação fruto do abuso sexual dos portugueses contra africanos, após assinatura da Lei Áurea os colonos começaram a ficar preocupados com os efeitos desta mistura de raças temendo que o mulato (termo provindo de mulo animal híbrido e infértil derivado do cavalo com a jumenta) proliferasse e degenerasse o Brasil e seus habitantes. Nesta época havia uma escala de níveis dos mestiços criada pela médica e antropóloga Nina Rodrigues, propondo a revisão do código penal brasileiro, caso a caso, dependendo do grau de miscigenação a qual ele pertencesse. Porém foram os juristas brasileiros da época quem determinaram a ordem social/racial da época afirmando, com bases sociológicas, que existiam diferentes tipos de raças dentre algumas mais civilizadas e mais inteligentes do que outras. A partir deste ponto de vista as raças mais avançadas deveriam civilizar e absorver as demais culturas.
Com estas ideias pré estabelecidas o governo pós em prática um antigo projeto estimular a vinda da mão de obra europeia, por trás de uma falsa ideia neo-liberal de paraíso miscigenado havia um ideal preconceituoso de aumentar o número de brancos - tidos como a raça superior - no Brasil considerando-os uma mão de obra mais eficiente e preparada do que a negra. O principal representante desta ideia racista foi Joaquim Nabuco. Foram colocadas em práticas ideias para aumentar a imigração e com isto o número de brancos acreditando que o cruzamento de brancos e o "recruzamento" de brancos com mulatos tornariam o Brasil um país de brancos (alguns defendiam a extradição dos negros para a África).
Esta é uma página da história brasileira que não é ensinada nas escolas e muito menos divulgada. Ao contrário esta época é divulgada em forma de literatura como "A Escrava Isaura" que apesar de fruto da miscigenação Isaura é branca, especiais de fim de ano onde o imperador Don Pedro segundo faz amizade com um garoto escravo enquanto os membros do palácio (a exceção de um deles) aceitam a ideia e o incentivam. A sujeira foi empurrada para baixo do tapete.
Diferente de outros países onde a discriminação racial foi feita de forma violenta e pública, a discriminação no Brasil foi - e ainda é - silenciosa, mas isto é senso comum. Se pensarmos nas ideias de Nina Rodrigues veremos que elas são tão populares como naquela época, mas oculta como uma calcinha cor-de-rosa enfeitada com desenhos de morangos sob uma saia de "direitos civis" e discurso de integração e igualdade entre todos. As cotas raciais colocam bem claro qual a posição do negro na sociedade, retomando a origem do termo mulato esta posição racista fica ainda mais óbvia. Com as cotas raciais têm-se a impressão de que estariam aumentando o número de negros inclusos na sociedade entretanto ocorre o contrário. Os negros estarão lá por uma obrigação legal. A auto-estima e integração social social do negro tende a ficar cada vez mais distante. Vou parando por aqui, a discussão está em aberto. Aqueles que leram o post terão ao menos mais um dado a respeito desta polémica questão.
Iray Corone escreveu: "Breve história de uma pesquisa psicossocial sobre a questão racial brasileira" publicado no livro Psicologia Social do Racismo da editora vozes.

Um comentário:

  1. Além do tema "Preconceito", que apresenta uma certa lógica patológica de exclusão, acredito que "empurrar para deibaixo do tapete" se torna uma ótima referência para a discussão sobtre o "magistral ato humano" de esconder/recalcar parte da própria "história".
    Cotidianamente é assim: não nos ensinam e preferimos não "apreender" - afinal de contas, trata-se sempre do Nós mesmos!!!

    Marcos InHauser Soriano
    misoriano@terra.com.br

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