Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Contemporâneo e suas Vicissitudes (ou Classificação Indicativa, Anel de Castidade e Sandy Capetinha)


Em uma rápida pesquisa na Internet sobre a lei de classificação indicativa - aquela que "sugere" a idade ideal dos telespectadores para cada programa, estaria sendo estendida para jogos de vídeo game, cujo a idade recomendada para para aquele jogo seria impresso na embalagem. Inicialmente não me importei pois não ligo muito para vídeo games e deixei a notícia de lado. O que é um erro pois grandes movimentos políticos começam com mudanças em pequenos aspectos do dia-a-dia os quais não damos a devida importância e embora a industria do vídeo-game tenha sido o ramo de divertimento que mais faturou o ano passado tais mudanças não são discutidas no Brasil.
Tal lei sempre soou-me estranha (vide o post anterior) digo isto por que eu não sei qual o pensamento recorrente nos parlamentares ao aprovarem lei tão "genial". Em verdade ela é menos cetina a leis como: "dia do Saci" ou outra que nos obriga comer um Cachorro quente comer ao Hot Dog ou seremos presos (por curiosidade estas duas leis são de autoria do Aldo Rebelo).

Voltando a falar da lei de classificação indicativa ou seria censura? Sei que este é um lugar comum mas acredito que o nome é bastante apropriado. A lei também pode ser considerada uma boa desculpa pelos pais ou responsáveis que alegando falta de tempo permitem que seus filhos passem o dia a frente da televisão, culpando-a por tudo de mal que venha lhes acontecer. Se o filho é violento é culpa da televisão, se o filho não respeita os mais velhos a culpa é da televisão, se a criança contraiu sarampo a culpa é da televisão. Vocês assistiram Poltergeist? O espírito que possui a menina saiu da televisão. Uma boa conversa não é necessariamente longa, uma criança ao ser questionada sobre o conteúdo que assiste irá comenta-lo, isto é muito mais eficaz que a censura pura e simples. Alguém deveria avisar aos pais que o importante não é a quantidade te tempo que importa para uma relação, mas a qualidade do mesmo, Kant já dizia que o tempo não é objetivo, o que significa: cada um tem a sua própria temporalidade que diferenciasse do tempo externo marcado por um relógio, este por sinal não deve ser levado em conta, assim caberia ao governo a tarefa de vigiar a televisão e cuidar de seus filhos.
Sei que continuo caindo em lugares comuns, mas logo irei justificar-me, peço apenas um pouco de paciência. Um dia destes em uma conversa com meu analista comentei sobre o filme "Pork´s A Casa do Amor e do Riso", uma comédia oitentista que continua atual e divertida por tratar de adolescentes e sua sexualidade, um assunto recorrente e de difícil de trato. Pois bem, na minha infância Pork´s passava nas tardes de domingo, mas mês passado passou a noite na BAND, logo pensei o mundo está mais moralista foi quando meu analista comentou sobre os programas da tarde onde temo como assunto: "Meu marido me traiu com o cachorro" (o animal e não figura de linguagem) e Jovem procura o PROCON por ter sentido-se enganado ao sair com uma mulher que havia feito implante de silicone nos seios e na bunda, visando processa-la por propaganda enganosa - O primeiro exemplo foi de um programa da tarde, mas o segundo é de um programa noturno. Se o objetivo da lei era proteger as criancinhas do mundo ela falhou totalmente, preferindo reclassificar o programa Pânico na TV! um dos poucos que estimula o pensamento crítico.
Muito bem nós temos até o momento três possíveis motivações para a lei de classificação indicativa: Proteger nossas crianças, censura pura e simples e um falso cuidado com a população, algo que o governo lulista faz com maestria, resultando em um falço moralismo, a resposta exata eu não posso dar. Pegando o gancho do moralismo estes dias esteve no Brasil o Jonas Brothers três jovens/adolescentes (cada um em uma idade diferente visando um público diferente) que cantam, tem sua série de TV e agora lançam um filme em 3D com o agravante eles usam um anel de castidade, este anel é uma promessa de manter-se puro e imaculado até o seu casamento, no Brasil tivemos uma versão semelhante - trata-se da cantora Sandy, mas diferentemente ela não pregava a virgindade, apenas o era pois sentia-se bem assim. Sei que a adolescência é um período de mudanças onde a "criatura" tenta provar a si mesmo seus valores e eles são influenciados por modelos, sofremos influência de ídolos por toda nossa vida, mas é na adolescência que esta influência é mais forte, e a televisão tem sua dose de importância em difundi-los muito embora ela venha a suprir uma carência dos responsáveis por estes adolescentes.
É esperado que no decorrer de nossa vida aprendamos à adiar nossos desejos ao invés de realiza-los de maneira imediata, o grande diferencial é a maneira em como faremos isto. O anel de castidade soa como uma técnica arcaica e moralista, por se tratar de um grupo americano o moralismo não é algo estranho, lembrando que um dos principais fatores da eleição do Bush foi justamente a pulada de cerca de Bill Clinton e voltando no tempo Marilyn Monroe não seria o símbolo sexual que foi e é se não fosse por JFK.
A situação a cima assemelha-se a uma fábula, a mensagem é clara e direta. Ou você está com os Jonas Brothers e prega a castidade ou você faz parte dos outros tornando-se um tarado sórdido e pervertido. Uma vez feita a escolha ela está estabelecida para sempre.
Olhando o mundo pelo prisma dos Jonas Brothers fica a impressão de que o sexo é algo sacro e deve ser respeitado/temido a todo custo, não falaremos seu santo nome em vão e muito menos o colocaremos na boca. Eu pergunto o sexo não pode ser visto como algo divertido? Embora uma diversão séria que acarreta responsabilidades.

Eis que surge Sandy Capetinha - personagem criada pela modelo Regiane Brunnquell (que parece com a Sandy na aparência e quando canta), capa da revista Sexy deste mês. Tal apelido foi dado por sua mãe na infância, pois ela já parecia com a cantora, embora tivesse uma bunda avantajada. Regiane ficou conhecida nacionalmente como Sandy Capetinha no programa Pânico na TV! em uma reconstituição da lua de mel da cantora Sandy, posteriormente ela foi integrada ao programa. A personagem surge como uma resposta bem humorada e contemporânea para a propaganda da virgindade pois sabemos que a sombra é maior quando à maior incidência de luz e neste caso é melhor que venha a tona mesmo se for disfarçada de Sandy Capetinha.
Para finalizar retornemos ao filme "Pork´s A Casa do Amor e do Riso" o personagem principal é o adolescente Pewee (ou piruzinho se você assistir o filme dublado) que desesperadamente tenta perder a virgindade, ao fracassar em sua jornada com as colegas de classe (este é um dos diálogos mais engraçados da história do cinema e o segundo mais engraçado do filme) e ser reprimido pela professora de Educação Física, uma mulher rancorosa e moralista (assim como feia e gorda) Pewee e seus amigos decidem ir ao Pork´s - um bordel que leva o apelido de seu dono. Uma vez lá Pewee e seus amigos são trapaceados e pedem seu dinheiro. Eles sabem o que querem e sabem como conseguir, mas são impedidos. Ao final do filme Pewee e seus companheiros destroem o Pork´s e Pewee perde sua virgindade com uma colega de classe, uma cena muito divertida pois Pewee precisa de uma camisinha, mas a que recebe é muito grande e ele pede uma menor, a profa. de Ed. física surge novamente tentando impedir a diversão dos garotos, eles não mais precisam teme-la. Talvez tenhamos em Pork´s um contos de fadas contemporâneo contrapondo-se a fábula contemporânea dos Jonas Brothers e vida longa a Sandy Capetinha.
Ps. O diálogo mais engraçado de Pork´s é quando a professora de Ed. física propõe uma maneira de identificar um Pênis visto no vestiário feminino.

2 comentários:

  1. E ae xará! Indiquei teu blog no meu!
    Interessante esse teu texto sobre a classificação dos programs por faixa etária e tal, q rende uma boa discussão, sem duvida, parabéns pela análise!
    E q locura essa Sandy Capetinha, muito da gostosa..hehe..abs! Diego!

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  2. Oi Di
    Estou gostando dos teus textos, beijocas,

    Claudia.

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