Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 27 de abril de 2010

Como ser uma Kogal pt. 2


Aki estava de pé na mesma sala, diante do mesmo quadro negro iluminado pelo mesmo refletor, o público murmurava trocando comentários, Aki limpa a garganta pedindo silêncio delicadamente, os murmúrios continuam na medida que a paciência de Aki diminue, ela ataca o apagador na cabeça de um infeliz.
- Calem a boca - todos fazem silêncio enquanto Aki arruma-se assumindo novamente a aparência meiga - muito bem, o Diego pediu para que eu continue as explicações, parece que o tempo do ultimo mini conto foi muito pequeno para todas as explicações.
- O tempo foi o suficiente, você que ficou enrolando - Diego interrompe, Aki limpa a garganta disfarçando.
- Como nós tivemos contratempos, como a pergunta daquela besta - ela aponta para o coitado que ousou fazer uma pergunta na apresentação anterior - vamos continuar.
O projetor mostra outra imagem de uma Kogal, Aki aponta a bolsa da Kogal.
- Nós gostamos muito de acessórios como bolsas Louis Vuitton e Gucci, assim como encharpes Burberry. Como nossas mesadas e empregos de meio espediênte não são suficientes para comprarmos o que gostamos algumas colegas inventaram a "caça aos velhos", é muito simples.
A imagem do refletor muda para um desenho rústico feito com giz de cera onde uma Kogal estava abaixada atrás de uma moita observando um executivo de meia idade andando despreoculpadamente pela rua indo para um buraco coberto por folhas - "o primeiro passo é encontrar o nosso alvo, geralmente um homem solitário e rico, principalmente rico".
Uma segunda imagem com desenhos rústicos surge na tela, o executivo havia caído no buraco, a Kogal observava de longe esfregando suas mãos, ela tinha chifres vermelhos e rabo pontiagudo - " o segundo passo é captura-lo, nós fazemos nossa oferta, os velhos podem jantar conosco, dar uma volta pelo Schopping, ou para os mais taradinhos vendemos nossa roupas íntimas, como eu sou linda, inteligente e acima da média em tudo o que faço uma calcinha minha é caríssima".
Surge uma terceira imagem, mais uma vez um desenho rústico onde uma mão masculina aproxima-se de uma saia colegial prestes a levanta-la, um X vermelho cobria a imagem - "Muita atenção nós vendemos nosso tempo, não nosso corpo, mesmo que algumas de nós aceitem fazer sexo pelo dinheiro, eu estou fora, minha 'estrelinha' é muito valiosa e eu sou muito especial para ir com qualquer um.
As luzes ascendem, o projetor é desligado, o mesmo homem da outra vez levanta sua mão.
- Isto quer dizer que você é virgem?
Aki compacta o apontador, em seguida o guarda, calmamente ela caminha até o Homem, ficando frente a frente, a garota sorri controlando-se para não demonstrar sua raiva ela quebra o projetor na cabeça deste homem, Aki volta para sua posição inicial deixando o homem desmaiado no chão.
- Meninas como eu são meigas e delicadas, você não pode sair por ai perguntando este tipo de coisa.
Ao voltar para sua posição Aki percebe que havia um outro homem de pé, este sorri educadamente, Aki fica furiosa, a final ela é a estrela do mini-conto.
- E você quem é?
- Eu sou o lobo - o homem revela seu facão - sou o assassino do conto.
- Fudeu - Aki olha assustada para o assassino que mantinha a clama e a tranquilidade - Tudo bem?
- Sim, fique calma, não vou fazer nada antes do conto terminar.
- Sorte a minha - ela procurava uma escapatória quando teve uma ideia brilhante - tudo bem, pode aparecer quando quiser, como o conto é uma adaptação da "chapelzinho vermelho" o caçador vai me salvar a qualquer momento, provavelmente ele é um homem lindo e rico, principalmente rico.
- Na verdade o Diego está adaptando a versão do Perrault, o caçador aparece apenas na versão dos irmãos Grinn.
Tomada pelo desespero Aki olha para o além procurando pelo Diego.
- É verdade, não tem caçador.
Aki volta a olhar para o lobo, em seguida suspira, indo embora esbravejando.
- Francês filho da puta.

FIM

Aki estava sentada em seu quarto lendo "Chapelzinho vermelho" de Perrault, ela arregala seus olhos de medo.

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