Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 22 de maio de 2010

Entre Obrigações sociais, prostitutas e Frankenstein


Em meados de 1816 um grupo de amigos realizava uma festinha muito provavelmente regada à álcool e ópio quando um dos participantes teve a ideia de escrever um conto de terror, logo os participantes da festa concordaram com a ideia e foi-se cada um para seu lado, dentre estes homens havia uma garota de 19 anos pedindo para participar, os homens concordaram carregando sorrisos de desdém em seus rostos - o que uma menina pode escrever de tão aterrador. No dia seguinte os homens ainda viviam a ressaca do dia anterior, suas histórias tinham fracassado, ou nem lembravam-se delas quando a garota de 19 anos aproxima-se pedindo para ler sua história, novamente ela foi recebida com sorrisos e uma permissão mais por tentar agrada-la do que por expectativa, a garota iniciou sua narrativa, os sorrisos tornaram-se expressões de pânico por fim seus ouvintes estavam petrificados de medo o nome da menina era Mary Shelley - acabara de nascer "Frankenstein".
Ao contrário do que se imagina Frankenstein não é o nome de um monstro, mas o nome do cientista que o criou, a criatura permanece sem nome - rapidamente: Frankenstein era um médico decidido a criar a vida, ele recolhe peças de cadáveres criando um ser, ao visualizar sua criação o jovem médico fica horrorizado e abandona sua criação chamando-a de abominável, a criatura vaga sozinho até instalar-se em um celeiro, ao lado de uma casa onde algumas crianças estão sendo alfabetizadas, ele aprende a ler no diário do Dr. Frankenstein perdido no casaco vestido pela criatura de fato Frankenstein foi a primeira palavra da criatura que busca seu criador, exigindo que este responsabilize-se por seus atos. Não vou contar mais para não atrapalhar possíveis leitores, mas peço apenas que tenham este breve resumo em mente no decorrer deste post.
Na ultima terça-feria assisti ao final de "A Liga" novo programa da Band comandado por Rafinha Bastos (um dos apresentadores do ótimo CQC) o programa mostrava prostitutas vitimisadas, sofridas e abandonadas por nós cruéis e sanguinolentos brasileiros, uma das integrantes do programa (não vou saber o seu nome) fica horrorizada com a declaração de uma "prima" ao dizer que já prostituiu-se grávida e mais - vejam que horror alguns clientes preferem prostitutas lactantes - "eles (os clientes) querem mamar enquanto transam" NOSSA! QUE ABSURDO! Que tipo de pervertido pode querer trepar com uma mulher que o amamenta!? Na melhor das hipóteses esta repórter é uma idiota.
O importante em "A Liga" é o clima fatalista das matérias o sensacionalismo dá o tom, mais ainda existe a vitimização o programa exime as prostitutas de toda e qualquer responsabilidade, estou falando da liga nada extraordinária, mas temos muitos exemplos qualquer programa social do governo, a bolsa cachaça, bolsa esmola, bolsa putero, leve leite, uniformes tamanho único distribuídos gratuitamente - Chegamos ao ponto onde estas vítimas acreditam que nós - seus algozes temos a obrigação de ajuda-los.
Retornemos a Frankenstein - uma criatura feita com cadáveres humanos exige de seu criador a responsabilidade talvés a criatura de Frankenstein seja o ser mais humano da literatura feito por pedaços de significações humanas ele tenta entender que ele é - a analogia mais simples seria a criatura são os excluídos e nós somos o cientista, proponho outra leitura o cientista somos todos nós - eu que vos escrevo, vocês leitores, os excluídos, aqueles de dão esmola, as prostitutas grávidas, etc... já a criatura é o resultado de nossa significação do mundo para que tudo fique em "ordem" é necessário alguns excluídos ai neste momento entram programas como "A Liga", "Domingo Legal", "Programa do Gugu" ou políticos como Paulo Maluf e Lulla que tencionam combater a fome quando na verdade realizam sua manutenção. os excluídos não podem ser incluídos pois perderia-se o poder que detêm-se sobre eles e com isto a estrutura social em que vivemos, ao mesmo tempo estas pessoas estão confortavelmente desconfortáveis, elas são assistidas o suficiente para não se revoltarem.
Por fim nós assistimos programas assistêncialistas, o governo Lula paga por filhos gerados, tais ações não saem impunes, nós somos manipulados (com fortes apelos emocionais) ajudar nossos semelhantes é uma obrigação - obrigação de cu é rola se quer ajudar não ajude, não seja um agenciador do rebanho, sem a manutenção da miséria ela tende a sumir os próprios miseráveis irão buscar uma maneira de mudar, mas para isto devemos parar de olhar para estes de maneira compadecida e mudar nossa expressão conforme a realidade, assim como os leitores de Mary Sheeley.

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