Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mini conto: Aki cobra seu autor


Diego estava em seu consultório, sentado confortavelmente à poltrona onde realiza os atendimentos, em sua frente deitada no pequeno sofá estava Aki olhando-o com malícia, imaginando uma maneira de manipula-lo.
- Então?
- Então o que?
- Por que você veio aqui?
- É assim que você recebe suas pacientes?
- Você não é minha paciente, é uma personagem criada por mim.
...
- Esta situação não é um tanto irreal, quero dizer uma personagem sua vindo ao seu consultório para conversar.
- A realidade não existe.
...
Aki acomoda-se no sofá, retirando o sapato do pé direito, seguido pela meia.
- Eu existo?
- As pessoas estão lendo sobre você, logo você existe.
Aki mexia seus cinco dedos do pé no ar em uma cena nada sexy, Aki aproxima-se mais de um macaco do que uma colegial sedutora.
- Como anda o conto principal, a ultima vez que eu vi ele estava paralisado.
- Estes últimos dias foram corridos, mas penso publica-lo em breve. É isto que a incomoda?
Aki coça a orelha com o dedão do pé, fazendo uma careta de prazer por cessar um desconforto temporário.
- Sem esta de eu não tenho tempo, anda logo e termina este conto que eu estou cansada de esperar.
- Você acha que eu não tenho mais nada para fazer?
Aki examina atentamente o dedão com o qual coçara à orelha, havia um pouco de cera sobre a unha, sem pensar duas vezes Aki chupa o dedão, fazendo uma careta por causa do gosto ruim da cera de ouvido.
- Talvez sua preocupação não seja eu não terminar o conto, mas o fato de eu terminar o conto.
Aki senta-se assustada olhando para Diego.
- Filho da puta.
Diego sorri.
- Seu conto transforma "chapeuzinho vermelho" em uma história de terror, onde eu sou a screen queen, quando ele acabar você não vai mais escrever sobre mim.
- É para isto que existem os mini contos.
- A realidade não existe, não é?
- Não, aquilo que as pessoas chamam de real é uma farsa criada por nós, porém está farsa foi tão bem feita que tornou-se autónoma e agora somos reféns dela.
- Igual a Matrix?
- Ótimo exemplo, ao lado de Evangelion Matrix é um dos melhores exemplos do que é a psicanálise.
- Espere um pouco - Aki tem um lampejo e salta do sofá - Você me usou para explicar isto?
- Sim.
- Filho da puta.
- Você tem razão, eu fui muito filho da puta com você.
Ela deita-se novamente no sofá.
- Tudo bem.
...
- Eu posso ficar aqui mais um pouco?
- Claro.
- Eu não vou agradecer.
- Não precisa.
- Chato.

FIM

- Então? Quando você você vai terminar o conto?
- Aki!
Ela pisca o olho sorrindo maliciosamente.

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