Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rompendo Tabus 1 : o (ir)real ou qual perversão?


Antes de qualquer coisa gostaria de explicar o título deste post: Tabus são verdades inquestionáveis e só podem ser verdades se não forem questionadas, tabus são proibitivos, quem ousa contempla-los corre o risco de sofrer severas punições: "Por mim se vai à cidade das dores; por mim se vai à ininterrupto dor; por mim se vai à gente condenada. Foi justiça que inspirou meu autor; fui feito por poderes divinais, suma sapiência e supremo amor. Antes de mim, havia apenas coisas eternas, e eu, eterno, perduro. Abandonai toda a esperança, ó vós que entrai!" [1]. Onde existe Tabu não existe espaço para mais nada, não existe reflexão, não existem possibilidades apenas rigidez.
Pois bem chegamos a realidade: quando alguém diz algo absurdo ou desproporcional costumamos dizer "cai na real" ou quando as ideias de uma pessoa estão incoerentes ou suas atitudes (iria colocar comportamento, mas odeio este termo) são rotuladas como estranhas dizemos que tal pessoa está "fora da realidade" - a imagem que faço é de uma criança brincando com um jogo de encaixe onde um quadrado que deve ser inserido em um orifício quadrado, a peça redonda deve ser inserida no espaço redondo e assim por diante nós agimos como se a realidade fosse este brinquedo onde cada um deve se enquadrar.
Seria então a realidade Positivista? Onde cada um tem seu lugar e obedece sua ordem? Quando nascemos já estamos inseridos em um mundo, estas normas são transmitidas por nossos pais e conforme nos desenvolvemos vamos nos apropriando desta mesma realidade. Partindo do tão óbvio que passa despercebido: pessoas são diferentes, sua subjetividade difere, já ouviram dizer que "gosto não se discute"? ou "se todos gostassem do amarelo o que seria do azul"? Tais ditos populares escancaram a realidade, ela não é única, a realidade não é positivista ela é metafísica, disfarçada de positivista.
Pois bem após esta breve apresentação posso aprofundar-me no assunto (ou pelo menos me aprofundar até onde o formato Blog me permite) se a realidade está disfarçada quem a disfarçou? Quem criou o Tabu das normas sociais? Fomos nós. Quando nascemos existem possibilidades de sermos - existem vários reais possíveis e para cada real um eu possível, elegemos um real a ser seguido, este real já estava parcialmente construído - sim construído, pois a realidade não é uma entidade ela é uma construção, nós apenas a aceitamos e colocamos mais um tijolo.
Serei claro a realidade não existe ela foi forjada, a realidade é uma farsa tão bem construída que assume vida própria a qual nos sujeitamos pois esta faça é autoritária ela a farsa intitula-se como Tabu, esta farsa é tão bem feita que aderimos a ela e mesmo quando a questionamos somos suas marionetes "quando nos perguntam a opinião sobre certo acontecimento, ou sobre o mundo em geral o que se espera é um ato de aprovação ou desaprovação, em tudo comparável à torcida por um time de futebol" [2].
A realidade enquanto metafísica pode ser vista em pequenas incoerências em um exemplo que já dei aqui no Bolg Brasília foi arquitetada por um comunista, comunismo pressupõe o poder popular, sem hierarquia e justamente um comunista desenhou Brasília um símbolo do poder, isolado, totêinico e fálico. Em um universo positivista esta incoerência não é possível, esta incoerência escancara a verdadeira mentira que é a realidade. Outro exemplo este anos teremos eleições entrando nas duas principais comunidades do orkut de José Serra e da Dilma percebe-se que seus membros não analisam a campanha ou os candidatos, eles apenas torcem o importante é ganhar e ter razão, a cada pesquisa de popularidade do Lula os petistas dizem: "estão vendo? A minha realidade é mais real do que a sua". Estamos em mês de copa do mundo, a copa é uma criação que surgiu como uma disputa futebolistica, hoje ela envolve patrocínios e um belo e grandioso show onde cada um torce por seu país (ou por seus ídolos estrangeiros), alguns em protesto torcem contra o Brasil ou pela Argentina, o futebol é secundário. A copa do mundo tomou vida e seguiu em um rumo diferente. Em tempo eu adoro copa do mundo e deixo-me seduzir por esta bela mentira. Nós apenas observamos estes fenómenos Ob é um prefixo latino que significa "diante dos olhos" objeto (ob-jectun) é aquilo que foi colocado diante de nossos olhos, observar (ob-servare) significa "conservar diante dos olhos".
É assim que a mentira intitulada realidade se mantém, não existe reflexão apenas observação e contemplação, no máximo opinamos entre duas possibilidades e torcemos para a nossa ser vencedora. "Vemos o que vemos porque o visto fabricou o olhar" [2].
Por fim veja atentamente a imagem ai ao lado, ela foi escolhida a dedo - uma mistura de mulher fatal, excessivamente meiga que derrete enquanto bolina o que parece ser outra mulher ao mesmo tempo em que toma banho com um chuveiro forjado por seus cabelos, podemos ler uma frase desconexa. Esta cena parece absurda? O que seria racional ou pertencente ao bom senso? Seria pervertida? Então me digam o que foi pervertido? Ou melhor o que é perversão? Qual pureza foi contaminada pelas águas negras da sexualidade nesta imagem? Seria esta imagem escatológica? Pois bem onde estão os excrementos? Seria uma cena sem sentido? Está bem então definam o que é sensato o que é coerência?

[1] ALIGHIERI, D (2002) A divina comédia. São Paulo: Nova cultura.

[2] HERRMANN, F. (2001) Amdaimes do real II Psicanálise do quotidiano. 3ª edição. São Paulo: Casa do Psicólogo.

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