Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 24 de julho de 2010

Kogal Mini contos: Ela, a morte


Bom gente, estou iniciando uma nova série de mini-contos sobre a mesma personagem do conto Chapeuzinho vermelho http://recantodasletras.uol.com.br/contosdeterror/2380376
Eu criei novas oportunidades para estas personagens.

Ela, a morte

Aki acorda em meio a um denso nevoeiro, não havia horizonte, apenas a densa neblina que ocultava o céu e a terra. Aki caminha sem entender onde estava ou como havia chego lá. Flashs de memórias invadem sua mente fazendo-na lembrar do derradeiro encontro com o lobo e de sua morte, ao longo Aki vê uma figura tétrica, alta, magra, carregando uma foice trazendo uma ampulheta na cintura e seu rosto coberto por um capuz negro.
- Deve ser brincadeira.
O ceifador sinistro aproxima-se de Aki que tenta fugir, correndo sem conseguia sair do lugar. Sem opção Aki cai sentada chorando.
- Por que isto está acontecendo comigo!?
A morte aproxima-se, Aki consegue vê-la mais claramente, sua estatura era bem menor, por volta de 1.60m, e ela não era tão magra assim, exibindo formas femininas por sobre o capuz, aproximando-se mais Aki pode ver o rosto da morte, esta retira seu capuz revelando um rosto ingenuo e envergonhado, embora muito bonito.
- Por que você está chorando? Não sei o que você está acontecendo mas eu não sou quem você pensa.
- Não!?
- Não. Você está no limbo, eu sou a morte e vim leva-la para o inferno.
- É exatamente o que eu estou pensando! - Aki grita ensandecida, enquanto a Morte faz cara de "ué" virando sua cabeça para o lado.
- Bom, já que você sabe o que vai acontecer vamos?
- Não - Aki volta a chorar - eu não quero ir, não você é má. Má. Má e má.
A morte senta-se chateada chorando, Aki fica surpresa e ainda mais assustada: "agora sim eu estou perdida, esta garota vai recomendar minha alma para o diabo".
- É sempre assim, as pessoas nunca gostam quando eu apareço, elas ficam rindo e se divertindo ai eu apareço e elas ficam tristes, como se alguém tivesse morrido.
- Bom... você é a morte - a morte olha atentamente para Aki, que recua assustada - desculpe.
- Como?
- Bom, você disse que veio levar minha alma, isto geralmente estraga o dia de uma pessoa.
- Você acha mesmo? Pensando bem as pessoas costumam fugir de mim, sempre que eu pedia um bichinho de estimação para o meu pai, Tanatos, ele morria, as pessoas fazem o sinal da cruz quando me aproximo delas, até os 10 anos eu achava que era uma vampiresa.
Aki não acreditava no que ouvia, por um segundo ela consegue controlar-se elaborando um plano para tentar sair daquela situação "chance". Aki levanta-se decidida.
- E se eu te ajudar.
- Você?
- Sim, eu sou a menina mais popular do meu colégio, ou era, eu posso ajuda-la que tal.
A morte levanta-se animada, segurando as mãos de Aki e saltando de alegria - "obrigada, obrigada, obrigada".
- Muito bem, o primeiro passo é esta roupa, ela é muito feia, além disto eu percebo que você tem um corpo bonito.
- Você não gosta da minha roupa?
- Este manto é horrível, todo sujo - Aki segura a borda do manto da morte e o retira deixando a ceifadora nua, tapando o seios e sua calcinha preta decorada com um crânio branco bordado - Vamos ver, onde tem um shopping por aqui?
A morte movimenta sua foice fazendo aparecer um vestido decotado de saia rodada pouco a cima da cocha, meias 3/4 e botas pretas.
- Eu sabia que era bonita, agora vamos ver seu cabelo. Tem mega hair no inferno?
- Os fabricantes de cosméticos vão todos para lá.
A morte faz seu cabelo crescer até a cintura, tornando-se vermelho, Aki o penteia até a morte assumir uma aparência lolita.
- O que achou?
- Ficou ótimo, agora vamos que eu tenho outras pessoas para buscar.
- Vamos?
- Para o inferno, como você foi legal comigo eu vou falar com o demônio, ele vai arranjar uma área VIP para você.
- Como assim? Você vai matar sua amiga?
Os olhos da morte brilham de emoção, ela trança suas mãos por sobre a boca emocionada, seus olhos enchem-se de lágrimas.
- Amigas?
Aki vira sua cabeça para o lado com ar displicente.
- Bom, se você quiser.
A morte pula por sobre Aki abraçando-a, tanto a morte quanto a garota ficam com suas calcinhas a mostra, Aki consegue afastar sua nova "amiga" conseguindo falar.
- Então tem jeito?
- Existe uma coisa chamada segunda chance, você deve voltar para o mundo dos vivos e fazer algumas boas ações, se conseguir poderá viver novamente.
Aki abraça a morte agradecendo-a, ela sente o cheiro de carne podre dos condenados exalar da morte e tapa o nariz.
- Mais uma coisa, arrume um perfuminho.
Aki abre os olhos percebendo que estava em seu quarto, a garota pula de alegria, toma seu café da manhã, vai para o colégio cantarolando e senta-se em seu lugar ainda cantarolando de alegria. Suas amigas estranham seu bom humor.
- Vocês sentiram minha falta?
- Nós nos vimos sexta-feira, hoje é segunda, não deu tempo de sentir saudades.
- A vida é maravilhosa.
A professora entra na sala de aula.
- Quero apresentar-lhes uma nova aluna.
A morte entra na sala de aula, vestida como colegial, trazendo consigo dois fantasminhas um sobre cada ombro. Aki fica boquiaberta ao ver a morte, esta acena para sua "amiga".

continua...

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