VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sobre o Halloween ou o porque de algumas tradições


Não me peçam para comentar o dia do Saci, este será o tema da minha coluna no Olhar Nacional desta semana, hoje irei falar exclusivamente sobre o Halloween, mais especificamente sobre suas tradições. Você sabe por que se distribui doces no Halloween? Ou o por que daquelas lanternas feitas de abóboras que tornaram-se o símbolo das festividades? Aqui nos deuses mortos você vai descobrir.
Ao contrário do que se pensa o Halloween não é uma festa americana, mas sim inglesa/irlandesa onde comemorava-se o Sanhain (literalmente "fim do verão"), o ano novo celta , 31 de Outubro, acreditava-se que neste dia a barreira entre o mundo dos vivos e dos mortos era quase inexistente.
A morte não era celebrada apenas simbolicamente, o ano novo também significava uma nova colheita, o celtas dependiam das colheitas para viver, assim como eram adeptos ao sacrifício humano, logo o Sanhain era a data ideal para o sacrifício humano.
Ser sacrificado era uma honra, quando a colheita do ano anterior era fraca alguém importante servia ao sacrifício, caso contrário fazia-se um bolo para toda a aldeia, um pedaço era marcado com um carvão, quem pegasse o pedaço seria sacrificado.
Com a ascensão cristã o Papa usou o Sanhain para fortificar a fé cristã criando o dia de todos os santos, um trocadilho da língua inglesa tornou a noite de todos os santos em Halloween.
As tradições
Entregar doces na porta: No Sanhain oferecia-se comida para os mortos como forma de apazigua-los e evitar sua fúria, assim nasceu a tradição de pedir doces com a frase "doces ou travessuras".
Na década de 30, nos EUA, o doces ou travessuras era levado a sério com crianças quebrando janelas, ateando fogo em propriedade privada ou jogando bonecos na frente de trem em movimento simulando suicídios.
Fantasias: As fantasias são derivadas do Carnaval, e este pega tradições de antigos rituais que visavam livrar as pessoas de suas inibições. As crianças começaram a se fantasiar na década de 1940. Estas só foram comercializadas na década de 60.
Como toda tradição antiga a origem das fantasias possui outra versão, muito mais sinistra: Os celtas acreditavam que ao vestir-se de demônios ou de morto no dia 31 de Outubro os espíritos e criaturas do além não iriam reconhece-los como humano e deixa-los em paz.
As abóboras que viram lanternas: A abóbora entalhada com uma vela dentro é a imagem símbolo do Halloween, seu nome é Jack-O Lanterna. Reza a lenda que Jack era um ferreiro cruel, no dia de sua morte Jack conseguiu enganar o diabo indo para o céu. Porém os anjos do céu repudiaram Jack enviando-o para o inferno, furioso o diabo castigou Jack com uma chama perpétua a qual este deveria carregar em um rabanete, não existiam estas abóboras na Inglaterra, por isto um rabanete. Ao chegarem nos EUA os bretões substituíram o rabanete pela abóbora.
As abóboras são colocadas nas portas das casas como uma autorização as crianças, uma casa iluminada por Jack significa que seus moradores possuem doces, estas por sua vez ignoram que o sorriso de Jack simboliza a morte, o desenho original é feito para lembrar um crânio humano. Apetitoso, não acham?
A celebração: Ainda hoje, em pequenas cidades do EUA existe o desfile do Halloween, no brasil temos as festas típicas, em outros países a noite torna-se um grande punhado de festas ou uma única festa. Esta tradição veio do dia de Ação de Graças, realizado no séc. XIX por crianças que festejavam como no feriado cristão.
Não importa como se disfarce o Halloween é uma festa onde celebra-se os mortos e própria mortalidade, algo tão terrível só pode ser encarado de maneira divertida, porém macabra. Nada combina mais com Halloween do que filmes de terror. Aqui vão algumas sugestões temáticas:
Halloween de Jhon Carpenter - Este é o filme original e um dos melhores já feitos.
Halloween 4 - das sequências realizadas a parte 4 é de longe a melhor delas.
Halloween 3 - Esta é uma ideia interessante, a parte 3 não tem nada a ver com a série, é um filme sobre bruxaria e o Halloween em si.
Contos do dia Das bruxas - Esta pequena pérola terrorífica aborda as tradições do Halloween, vale a pena assistir se você gostou deste tópico.
Pumpikin Carver - Mais um filme sobre um psicopata que mata adolescentes no Halloween, a diferença é que este filme em particular é muito divertido.
Halloween de Robie Zombie - A refilmagem do clássico de Jhon Carpenter é muito boa e ainda conta com Malcon McDowell, porém o original é melhor.
Jack'O - Pérola trash com Linnea Quigley uma das Screen-queen mais famosas da indústria do terror.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana IV: O übermensch nas personagens de ficção



Esta ultima parte da moral nietzscheana é meramente ilustrativa, venho explicar melhor o conceito de übermensch a partir de exemplos encontrados em personagens de ficção, por estes serem mais fáceis de se analisar do que figuras públicas, as quais não conhecemos todas suas facetas. Mas antes irei retomar o übermensch.
O übermensch é a princípio o homem comum que decidiu sair da multidão, ele cansou-se de usar uma coleira moralista que dita suas regras e normas, cansou de agir assim por que deve ser e pronto, cansou de ser escravo, ele decidiu refletir, pensar suas atitudes e colocar em dúvida tudo aquilo que tem relação com as normas e com a moral. O übermensch pode ser uma pessoa comum, se assim ele o decidir, mas nunca o-ser-por-ser.
Ser este homem superior requer auto-conhecimento de suas fraquezas, dores e alegrias, este processo é individual e não existe uma fórmula a não ser uma recomendação deve-se evitar tudo aquilo que impeça a apropriação da dor como alcool, drogas ou manuais de auto-ajuda os quais apaziguam e impedem o crescimento.
Por superar a sociedade o übermensch é essencialmente solitário, a solidão faz parte do processo "evolutivo" tal como o reconhecimento de seus valores, a modéstia pode ser uma inimiga, a cima de tudo é necessário um comprometimento para com seus ideais, deve-se aceitar a si livre da vergonha e dos julgamentos morais.
Irei analisar alguns candidatos a übermensch de três mídias: Cinema, Comix e Animes avaliando se estes conseguiram superar o homem comum:

Cinema

  • Zé do Caixão: A personagem de Mojica busca o filho perfeito, ele quer uma criança para doutrina-la segundo sua moral, livre de julgamentos falsos e da hipocrisia da sociedade. Assistindo seus filmes reconheço no Zé do Caixão um verdadeiro übermensch que isola-se da sociedade, a qual não o aceita e repudia segundo crendices, este decide supera-la na busca da mulher perfeita: corajosa, forte, brava (übermensch) para lhe dar o filho perfeito.
  • Neo: Em Matrix Neo percebe que existe algo de errado no mundo, ao conhecer a Matrix ele decide revoltar-se em um primeiro momento por obrigação moral para com Morfeu e seduzido por Trinit. É apenas na segunda metade do filme que Neo assume a responsabilidade de superar o homem, não por que precisa mas por que ele pode, aliás só ele pode, Neo torna-se literalmente um super-homem.
  • James Bond: Aqui temos uma cilada teórica James Bond bebe, fuma e troca o trabalho pelo sexo com espiãs Russas, porém um olhar mais detalhado vemos que James não é escravo de seus vícios, mesmo sua atração pelas mulheres é utilizada a seu favor seduzindo espiãs para terminar sua missão ou simplesmente impedir que estas o matem - um verdadeiro "faça amor, não faça guerra". 007 possui uma lealdade absoluta pela rainha da Inglaterra, ele não se deixa levar pelos sentimentos (algumas vezes escapa) e acima de tudo possui permissão para matar, ele coloca-se a cima da sociedade ao renegar este mandamento "não matarás". Suas tragédias pessoais o fortaleceram e o tornaram um espião melhor, como o assassinato de sua esposa em "007 a serviço de sua majestade" James Bond é um homem inlacançavel e um übermensch.
  • Jhon McLean: Foi graças a este policial que (descalço) combateu terroristas que Bruce Willis tornou-se um astro do cinema, mas seria ele um übermensch? Jhon é um policial dedicado que segue sua própria lei porém ele é humano, esta é a principal característica do Jhon sangrar, sentir dor, fugir. Em determinado momento de Duro de Matar Jhon acredita que não vai conseguir sair vivo do Nagatomi Plaza, mesmo sua inclusão contra os terroristas foi acidental, o policial não quis se envolver, se ele e sua esposa não estivessem no predio Jhon provavelmente passaria longe da ação, sendo assim Jhon McLean não é o übermensch.
  • Pinehead: O principal cenobite de Hellraiser parece uma versão demoníaca do super-homem, sem moral e culpa ele tortura e mata os humanos que o procuram na busca pelo prazer extremo momento onde a dor e o prazer tornam-se um só. Porém o segundo filme nos revela que Pinehead fora um humano transformado em demônio para servir ao inferno, não por escolha mas por obrigação e o übermensch não segue obrigações impostas por outros, a menos que ele concorde com as mesmas e Pinehead decide voltar a ser humano, logo ele não suplantou o homem comum.

Comix

  • Batman: O cavaleiro das trevas possui o ideal nietzscheano de virtude e valor, inteligente, orgulhoso de suas habilidades e capaz de debochar do perigo com um meio sorriso cínico Batman segue fielmente sua missão auto imposta a partir da reflexão de seu sofrimento. Com a morte de seus pais Bruce Waynne dedica sua adolescência e juventude ao treinamento que o transformaria em Batman. Ele vive nas trevas, não permite que ninguém se aproxime pois o convívio com pessoas normais o retiraria de seu caminho, ele é um belo exemplo de übermensch.
  • Super-Homem: Não deixa de ser curioso fazer esta comparação o cripitoniano jamais mente, representa e defende o modo americano de vida no qual Clark Kent quer desesperadamente se infiltrar, casa com Louis Laine, possui uma forte crença na bondade humana, ele é um escoteiro que serve de modelo para as crianças em outras palavras o extremo oposto do übermensch.
  • Ravena: A personagem dos Jovens Titãs é filha de um demônio gerada para ser um portal de entrada por onde seu pai viria dominar o mundo, este destino foi traçado em seu nascimento e Ravena passou a vida se preparando para negar seu destino, ela tornou-se uma heroína e reuniu os Titãs. A reflexão que faz de si, o conhecimento acumulado em sua vida e sua determinação a tornam o übermensch. Em uma história Ravena entrega artefatos para seus amigos dizendo que eram armas para mata-la caso ela perdesse o controle de seu lado demoníaco e ajudasse seu pai. Isto sim é determinação.
  • Vampira: Migrando para o universo Marvel Vampira foi obrigada á ficar sozinha caso contrário mataria as pessoas ao seu redor, ela inicia sua carreira como vilã mas percebe que havia algo de errado, ela estava sendo manipulada. Vampira mergulha na solidão, passa parte de sua vida no limiar entre heróis e vilões optando pelos X-Men, diferente de outros mutantes seus poderes não podem ser aliviados, ela deve ficar afastada das pessoas e embora sinta-se inferior em alguns momentos ela consegue suplantar algumas dificuldades como quando relacionou-se com Gambit, assim Vampira pode ser considerada uma übermensch.
  • Magneto: O mutante é movido pela vingança, embora pregue sua superioridade e aja fria e calculadamente suas ações são regidas pelo ódio contra a humanidade, o verdadeiro übermensch não odeia o rebanho, apenas sabe que é superior ao mesmo, Magneto quer destruir a humanidade, esta é a prova de que ele não é um ser superior mas sim ordinário, embora forte e determinado.
  • Wolverine: O mais popular dos X-men está aqui por curiosidade, a pesar de seguir sua própria moral Logan está indeciso entre manter seu presente ou descobrir seu passado, embora conhecer seu passado fosse fundamental para seu auto-conhecimento Wolverine é dominado por um forte ódio e dúvida o que o afasta de ser superior.

Animes

  • Major Motoko: Personagem principal do longa de animação "O fantasma do futuro" ela é uma ciborgue membro da polícia federal que questiona sua existência em quanto humana. Atormentada por memórias/fantasias de uma vida anterior que pode não ter existido Motoko pratica mergulho nas horas vagas - por possuir um corpo metálico qualquer erro pode mata-la é esta sensação que a aproxima de sua humanidade, na animação a major persegue um terrorista denominado "mestre dos fantoches" um programa de computador que adquiriu vida e questiona sua existência, manipulando a mente de outros andróides. No decorrer do longa Motoko aceita as diversas possibilidades de ser tornando-se o übermensch. O longa de animação está disponível em DVD e foi a principal fonte de inspiração para Matrix, inclusive a temática é a mesma.
  • Saya: "Blood The Last Vampire" é outro longa de animação do mesmo diretor de "O fantasma do futuro" cuja personagem principal é Saya uma vampiresa de quem pouco se sabe apenas que ela é a ultima criatura da noite original e que caça chyropterans, espécies de vampiros com aparência de morcegos, não sabemos o por que ela os caça, a única explicação é que Saya simplesmente o quer fazer e sua dedicação chega a extremos, assim como seu isolamento, nenhum humano pode ajuda-la, ela por sua vez Saya nutre uma forte vontade de ajuda-los, ela é uma personagem que já nasce como übermensch.
  • Ryomou Shimei: Ikki Tousen é uma série que mistura ação, humor e erotismo onde colegiais saem na porrada decidindo quem irá controlar a área em que vivem, esta luta é uma farsa do destino que atribui a cada um o nome de um guerreiro do passado sendo assim cada lutador já sabe quem irá vencer, como e quando irá morrer. Seu destino é traçado no nascimento. Ryomou começa a série ciente de seu destino, mas progressivamente vai mudando de ideia a medida em que torna-se amiga de outra personagem Hakufu, o conceito de amizade de ambas é o conceito nietzscheano de fidelidade e respeito ao amigo e acima de tudo uma relação recíproca de desenvolvimento. A amizade permite que Ryomou conteste seu destino e lute ao lado de Hakufu pois assim ela o deseja. Seu passado trágico; uma maldição em seu olho esquerdo e a quase morte de um amigo a afastaram das pessoas, servindo apenas para fortalecer suas novas amizades, orgulhosa de sua força, distante das pessoas comuns, adepta ao individualismo e selvagem nas lutas ela faz de tudo para alcançar seu objetivo, menos trair seus ideais ou seus amigos. Ela merece ser chamada de übermensch.
  • Revy: Se Chucky Norris tivesse uma filha com a tenente Ripley (da série Aliens) esta menina apanharia todos os dias de Revy, a pirata do anime "Black Lagoon", uma das animações mais espertas dos últimos tempos ainda conta com linguagem tarantinesca. Falando da Revy a garota tem basicamente duas paixões na vida - dinheiro e armas e ambas estão misturadas, capaz de afundar uma frota adversária com apenas um lança granadas e duas pistolas Revy segue a vida despreocupada, tentando ignorar seu passado trágico ela é representação da máxima nietzscheana "o que não mata, me torna mais forte" - Quando menina, em um bairro pobre de NY Revy procurava por Deus mas só encontrou violência, ao entender que não havia nada ela tornou-se sua própria deusa e entrou no "jogo" determinada á sobreviver. Para alcançar seus objetivos Revy é capaz de tudo, felizmente para quem a cerca seus objetivos são simples ela quer se divertir seja gastando o dinheiro de seus saques ou (principalmente) mandando bala contra quem estiver pela frente, ela se diverte enquanto mata seus inimigos, ao optar por não esquecer seu passado ela suporta sozinha o sofrimento com um sorriso no rosto (o homem superior deve rir), não permitindo que ninguém se aproxime. Se você olhar torto ela mete bala.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Entre peixes assassinos e colegiais com metralhadoras: O cinema Underground japonês


Estou convencido de que cineastas são seres esquisitos, podemos até chama-los de loucos, felizmente (para nós) os cineastas usam sua loucura em favor da artes. Dentre estes os "loucos mais loucos" são os cineastas japoneses, principalmente se pegarmos o cenário underground.
O cineasta mais conhecido deste meio é Takeshi Miike, em sua pérola "Ichi - O assassino" (lançado aqui pela Europa filmes) o diretor nos conta duas histórias paralelas que se cruzam: na primeira Kakihara um Yakusa masoquista procura por seu chefe, o anjo, desaparecido, Kakihara está desolado, uma vez que ele estaria apaixonado pelo chefe, quem lhe aplicava surras e torturas periódicas e agora com seu sumiço Kakihara sente-se traído, na busca por seu mestre realiza torturas e rompe com as outras ganges.
A segunda história é a do tal ichi (1 em japonês) rapaz traumatizado com a morte de uma prostituta que veste-se como herói japonês (estilo Jaspion) para caçar os criminosos da cidade, hipnotizado por um desafeto pela gange do anjo, óbvio que as duas histórias se cruzam.
Porém, foi apenas no making-off de "máscaras do terror" ultimo episódio da tele série "Mestres do terror" (censurada na TV americana pelas cenas de tortura e exibição de fetos mutilados) que conheci o verdadeiro Takeshi, em sua entrevista o diretor parece sereno e educado, explicando suas atrocidades como quem compra pão na padaria. "Quando sou convidado para um projeto, fico pensando 'por que alguém quer assistir um filme meu?'" Tenho certeza de que Takeshi Miike sofre de uma leve psicose.
Porém Miike é muito Pop, se pegarmos a cena underground japonesa veremos que seus filmes são um tanto convencionais (Takeshi é tão underground quanto Cronemberg) o verdadeiro cinema-das-trevas japonês mostra-se em "The Machine Gril".
"The Machine Gril" conta a história de uma irmã (a bela Minase Yashiro) que cuida de seu irmão mais novo, este sobre bullying por parte de colegas da escola e acaba sendo assassinado, a personagem de Minase busca vingança e descobre que o assassino é o único filho de uma família de ninjas assassinos yakuza.
O filme trás desde necrofilia até um tempurá feito com a mão da protagonista. Porém só depois de ser sequestrada pelos Yakuza que o título do filme se faz, Minase tem seu braço decepado pelos yakuza mas consegue fugir, Asami (a mãe de um amigo de seu irmão igualmente assassinado) ajuda Minase em sua vingança e faz uma metralhadora para a irmã vingativa colocar no lugar de seu braço.
Fica fácil imaginar o que acontece em seguida, a garota vinga-se violentamente, explode cabeças e intestinos, finalizando em uma luta contra a mamãe yakuza (a psicopata mor da família) armada de um sutiã broca.
A atriz principal é a modelo Minase Yashiro escolhida por sua beleza, a pesar de nunca ter atuado antes Minase não faz feio, ao contrário sua representação combina perfeitamente com o clima do filme. Destaque para Asami atriz que desenvolve a metralhadora e treina a garota vingadora é uma atriz pornô, aliás atrizes do pornô costumam atuar no underground japonês.
Recentemente pude assistir a pérola trash Sexual parasite: The Killer Pussy (para quem não acreditou no título eu traduzo "Parasita sexual: A vagina assassina") tudo começa na Amazonia ande dois exploradores procuram um peixe raro quando um índio curandeiro (está mais para um cosplay de vilão de seriado Changeman) tenta impedi-los, o peixe entra no corpo da pesquisadora (adivinhem por onde), o outro pesquisador, apaixonado, congela sua amada viva.
Um ano depois cinco amigos perdem-se na floresta e entram em uma casa abandonada, onde a tal pesquisadora está congelada, uma das garotas é possuída pelo peixe tornando-se um zumbi assassino, o tal peixe habita o corpo da garota, que fica o filme inteiro andando pelada, surgindo na forma de uma vagina dentada carnívora, comedora de pênis.
Não preciso ficar descrevendo o que acontece, os amigos vão morrendo um a um vitimados pela vagina dentada enquanto assume o controle de outra garotas lindas. Nota para o peixe que sai de dentro do corpo das mulheres para devorar suas vítimas, o peixe parece um primo distante dos muppets - ele é um boneco de borracha em forma de luva. Por falar no peixe este se multiplica por "girinos" expelidos pela boca das garotas que rastejam a procura de outros corpos.
A pesar do título o filme não mostra nada de diferente de uma sexta-feira 13, já a atriz principal é a mega peituda Sakurako Kaoru que passa o filme de baby doll, calcinha e botas (olha o fetiche) correndo e gritando, atuação perfeita como Screan queen aliás Sakurako está perfeita no papel, parecendo uma veterana do terror.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana III: Ações nietzscheanas na política ou adentrando o lado obscuro do Brasil.

Chegamos a terceira parte da moralidade em Nietzsche, já falei do conceito de moral e como o mesmo está fragilizado no Brasil de hoje agora veremos se existe espaço para um nietzscheano no Brasil.
Como age um verdadeiro nietzscheano? Como qualquer pessoa, a resposta pode frustrar as expectativas de alguns de vocês mas não existe uma código de conduta, apenas o conhecimento de seu desejo, das consequências do mesmo e uma reflexão de como se deve realiza-lo. Tal reflexão não é pautada em um contexto social mas sim na satisfação - que está implícito no convívio social, como é impossível viver em uma caverna temos que ter em mente que vivemos em uma sociedade, o que não quer dizer abraça-la incondicionalmente.
Alguns homens mudaram suas sociedades ao repudia-las, outros usaram a insatisfação para controlar o rebanho vejamos dois exemplos: Che Guevara usou ideias pró-rebanho para modificar a realidade cubana, ao lado de Fidel Castro ele derrubou déspotas assassinos para colocar outro déspota assassino no poder, com a diferença deste usar a farsa ao seu favor e poder assim manipular o rebanho ao seu bel prazer, Che ainda tentou fazer o mesmo no Congo e na Bolívia, o que o falso argentino queria era tornar-se um mito (e conseguiu), ser um Deus entre os homens, nietzscheanos não querem ser os deuses de outros, mas seus próprios deuses e ter a sua própria doutrina. Um exemplo de übermensch é Nelson Mandela, a primeira vista esta parece ser uma incoerência, vejamos Mandela - um homem que passou a vida preso e fiel aos seus ideais, recusando-se a ser mais um no rebanho ele manteve-se firme, foi eleito presidente e então proclamou: "não esqueçam, mas perdoem" não é o perdão uma artimanha dos agenciadores do rebanho? Mandela sabia que não se pode mudar a sociedade pela guerra, a guerra apenas destroi, nada é construído pela guerra, já uma forte moral nietzscheana sim leio nas entrelinhas da fala de Mandela "perdoem pois não há outra forma, vocês tem sua parcela de culpa por terem abaixado a cabeça por tanto tempo, assumam a responsabilidade. Destruam para reconstruir nosso país" o governo de Mandela foi uma cuidadosa destruição, o episódio do jogo de Rugby representado em "Invictus" retrata este momento, infelizmente aqueles que o sucederam parecem não ter entendido recado, preferindo distribuir coleiras, a situação dos negros na África do Sul não mudou muito, eles são livres mas são discriminados, embora tentem genuinamente descobrir o que fazer com sua liberdade falta-lhes esta moral. Eles ainda estão se acostumando a serem livres, infelizmente sob a batuta de agenciadores do rebanho.
Quando se fala em figuras políticas fica difícil encontrar aqui no Brasil um partido que assemelhe-se aos ideais nietzscheanos comecemos nossa busca pelos partidos nanicos de esquerda como PSTU, PSOL, PCO, PCdoB, PCB e outros semelhantes eles parecem ter aquele ímpeto por mudar, porém sob esta generosa ideologia paira uma frustração, uma inveja destrutiva. Ideias como estatizar o poder privado e romper com o FMI beira a destruição pela destruição, ideias semelhantes as de Pol Pot e seu Khmer vermelho Nietzsche nunca falou de guerra ou destruição, ele abençoava a vida e na destruição não existe vida. Vamos inverter nossa busca olhando para o PMDB o maior partido do Brasil não possui uma identidade, é uma verdadeira Maria-vai-com-as-outras o PMDB alia-se com quem estiver no poder o abraçando com a mão direita e empunhando uma faca com a esquerda, definitivamente eles não são nietzschenos, o filósofo pregava que a amizade era um dos sentimentos mais preciosos que se poderia ter, um homem que trai seus amigos não é digno da alcunha deste alemão. Sem contar que falta a determinação e os valores pessoais, os quais faltam ao PMDB. Chegamos ao PT o maior agenciador de rebanhos, petistas alimentam-se do sangue dos miseráveis trancados em seus porões e alimentados com restos enquanto os humilham e sodomizam com bolsas esmolas. O PT é o maior dos nossos inimigos "Que encontras de mais humano? - Poupar alguém da vergonha" (Nietzsche) . Bom... o inimigo do meu inimigo é meu amigo? Cuidado com esta afirmação. O PSDB é um partido que vaga entre atitudes reacionárias e ações que esboçam respeito pelos miseráveis o suficiente, pelo menos, para não humilha-los com nossos restos exigindo adoração divina em troca. Seu problema é semelhante ao do PMDB existem muitas visões dentro dele que impedem uma moral nietzscheana. com algumas ideias estritamente positivistas quanto ao social, o PSDB passa longe de ser um partido Nietzscheano.
Temos os DEMOCRATAS que encolhem a cada ano, ficando felizes em ser a sombra do PSDB, embora goste do Kassab - chamar aquele cara de vagabundo foi uma demonstração magistral de poder, ao colocar aquele manifestante em seu lugar Kassab mostrou quem é, qual suas ideias e que não recuaria perante ninguém. Esta é a moralidade nietzscheana, infelizmente Kassab é um em meio a um deserto crítico, nem seu protetor Serra aproxima-se desta moral. Um partido como o DEM que contenta-se em ser a sombra do PSDB não merece ser relacionado ao nosso filósofo, ao contrário merece nosso desprezo. O PP é o antiga Arena, assim como o PT faz hoje eles agenciavam o rebanho, vale para eles o mesmo que disse para o partido de estrela vermelha. Resta o PV, este partido gera simpatia, a pesar do Gilberto Gil, mantém-se firme aos seus ideais referentes a ecologia e respeito ao ser humano, eles não humilham ninguém com migalhas e muito menos forjam discursos de igualdade marxista. Outro partido semelhante, porém ideologicamente mais fraco é o PPS assim como o PV ele respeita o humano, não o trata como cachorro e nem tenta tipifica-lo com ideias naturalistas e positivistas, mas tem alguns membros que o enfraquecem, como a Soninha (de quem já falei em outros tópicos) Tanto o PV como o PPS estão longe de serem nietzscheanos, acredito que não irei encontrar nenhum partido que aproxime-se da filosofia da transmutação de todos os valores.
"A: 'Tu és um desmancha-prazeres; eis o que se diz por toda parte.'
B: 'Com certeza! Desfaço a cada um com gosto que tem pelo seu próprio partido, o que nenhum partido me perdoa'." (Nietzsche).
Partidos políticos são feitos de homens, alguns deles possuem esta moral que tanto falta nos dias de hoje mas aviso eles são poucos e a maioria está morta. O primeiro grande líder que tivemos foi Don Pedro II, foi com ele que o Brasil mais progrediu, como um verdadeiro nietzscheano "Pedro Jr." trouxe cultura e progresso, sem discriminar as classes mais baixas com falsas regalias regadas á migalhas, claro que os militares estragaram tudo desde então entramos em um hiato que perdura até hoje... o governo de Don Pedro II é apenas uma sombra gravada na caverna da memória.
Gostava muito do Dr. Ulysses, o Dr. já deixa claro, não somos iguais, ele era um homem superior e sabia disto, sendo respeitado pelo mesmo motivo, fiel aos seus ideais ele é um raro exemplo de nietzscheano querido, mas não a ponto de ser eleito, a final homens superiores não são tão amados assim.
Recentemente tive algumas decepções políticas como no caso de Romeu Tuma (nunca o considerei um nietzscheano), que passou toda sua vida defendendo o combate a criminalidade revelou-se um traidor da própria causa em virtude do filho, uma clara falta de valor. Eduardo Suplicy mostrou toda sua mediocridade de caráter quando arrastou-se aos pés de Marta após chifre e o divórcio, porém uma pessoa que casa com a Marta não pode ser grande coisa, outra decepção.
Já falei do Kassab, outro que me agrada é o Alckmin que peitou todo o PSDB para ser candidato a presidência, sua atitude foi digna, porém apressada faltou-lhe a paciência de um mestre, existe nele a fidelidade a figura de Mário Covas e potencial de vir a ser porém um excesso de moralismo o impeça de ser um Nietzscheno, ele poderia ser um übermensch se quisesse, mas não o quer.
Talvez o ultimo grande líder que tivemos tenha sido Mário Covas, protagonista de uma atitude exemplar, que ninguém mais seguiu como exemplo de fiel as suas ideias. Quando fora confrontado por manifestantes: funcionários públicos e deputados da oposição contra o projeto de previdência do estado, cerca de cinco mil manifestantes, membros da CUT e militantes da oposição pararam a avenida Oscar Americano exigindo uma reunião a portas fechadas, Covas disse que não iria receber ninguém, se os quisessem negociar ele iria até o "homem toteinico" dos manifestantes falar em público e assim o fez, Covas saiu de sua sala, pediu para a polícia abrir o portão, atravessou os manifestantes, como um homem superior o faria, subiu no carro de som, pegou o microfone e disse que não retiraria o projeto pois acreditava nele, chamou os manifestantes, militantes e deputados da oposição e líderes sindicais (que devem sofrer de algum complexo de Che Guevara) de autoritários e antidemocratas, o governador desceu do carro de som, atravessou a multidão e voltou para o palácio. Covas teve seu dia de Zaratustra infelizmente ninguém seguiu seu exemplo. "O que é grande no homem é ele ser uma ponte e não uma meta. O que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um declínio" (Nietzsche).
Após falar na cidade Zaratustra fora ridicularizado pela população que preferia assistir um equilibrista, que ao atravessar duas torres sobre uma corda bamba fora derrubado por um palhaço invejoso, a população abandona o local e Zaratustra entra na floresta arrastando o cadáver.
"Desconcertante é a vida humana e sempre desprovida de sentido. Basta um simples palhaço para lhe ser fatal.
Quero ensinar aos homens o sentido de sua existência, que é o super-homem.
Mas estou ainda bem longe deles e meu sentido nada diz a seus sentidos . Para os homens, ainda estou a meio caminho entre um palhaço e um cadáver." (Nietzsche, Assim Falava Zaratustra).

sábado, 16 de outubro de 2010

Quem tem medo de FHC?


Eu fico pensando por que o Serra não usa o Fernando Henrique em sua campanha presidencial? por que a imagem do FHC está arranhada? O Aloysio Nunes "ousou" colocar o Fernando henrique em sua campanha e acabou eleito com a maior votação de São Paulo.
Sabe o modelo econômico do Lula? Na verdade ele é o modelo econômico do FHC, o nove dedos não mudou uma vírgula do que FHC pregava, embora não goste de admitir. Acontece que os petistas são hipócritas, hipocrisia é condição fundamental para ser petista. Hipocrisia e vocação para usar coleira, os petistas querem que todos pensem que antes de Lula, o salvador, existia o caos. O que não é verdade.
Vejam bem FHC criou o plano real, não digo que existia o caos antes do plano real, mas a situação era difícil, os preços aumentavam diariamente, as pessoas faziam compras no primeiro dia do mês e estocavam os alimentos, pois no dia seguinte os alimentos ficariam mais caros (se você tem menos de 20 anos pergunte aos seus pais como era na época do Collor).
Sabe a lei de responsabilidade fiscal que o Lula utiliza? Foi FHC quem fez, Fernando Henrique organizou a dívida interna, privatizou todos os elefantes brancos, convenhamos empresas estatais são idéias de comunistas velhos e ultrapassados.
FHC foi o presidente mais presenteado da história do Brasil, ele colocou nosso país no mapa, após afastar-se da política, Fernando Henrique foi eleito presidente do club de ex-presidentes democratas de Madrid, para quem não entende o que significa este feito FHC é um brasileiro escolhido por europeus, asiáticos e americanos para presidi-los, quem mais vocês conhecem conquistou esta confiança?
Ninguém deve ter vergonha do Fernando Henrique, devemos ter vergonha de Collor e Sarney, dois ex-presidentes que afundaram o Brasil e continuam sendo eleitos para o Senado.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana II: A moral nietzscheana no Brasil


"Há uma excelcitude na bondade que parece ser maldade" (Nietzsche).

Os dias de hoje são um pesadelo nietzscheano que parece não ter fim - o rebanho não é apenas alimentado como exaltado e tido como ideal de ser. Somos obrigados a fabricar sua ração por campanhas falsas de auxílio baseado em ideais falsos, temos que ser bonsinhos e caridosos, abraçar o mundo com amor, cantar alegremente em meio à uma chuva de corações cor-de-rosa.
O rebanho caiu em uma armadilha - "as gentilezas de um homem superior irritam por não poderem ser retribuídas" (Nietzsche) o assistencialista surge como este ser superior, vindo para ajuda-los. Esta é a armadilha do rebanho, o que parece ser uma falha teórica é a mais pura hipocrisia - não existe por parte dos assistencialistas um desejo real de ajudar, um amor pelos pobres, nem mesmo o mínimo respeito por estes como seres humanos, ao sustentar estas famílias o assistencialista deixa claro a incapacidade dos mesmos em darem o pão para seus filhos é o fracasso enquanto ser humana. Os assistencialistas buscam o poder. Como disse em "Sobre a moralidade nietzscheana I" poder não é dever, é necessário muito conhecimento para a vontade de potência manipular o rebanho e esta manipulação não é sinônimo de força, mas de fraqueza, covardia "E se quiser dar-lhes um presente, que não seja mais que uma esmola. Ainda assim espera que eles a peçam. 'Não, respondeu Zaratustra. Eu não dou esmolas. Não sou pobre o bastante para isto'" (Nietzsche). O resultado a longo prazo só pode ser o ódio, tanta esmola e muleta cobrarão um preço caro ao primeiro sinal de crise - aconteceu na Europa quando os estrangeiros foram acusados de roubarem o emprego dos europeus, acontece nos EUA onde mexicanos foram cercados em seu próprio país e estrangeiros ilegais que faziam trabalhos importantes foram expulsos ao primeiro sinal de desemprego. No Brasil não será diferente, o rebanho que caiu na armadilha será hostilizado e perseguido ao primeiro sinal de crise, os assistencialista irão procurar um bode expiatório qualquer em meio a discursos humanitários. O fato é que todos nós colaboramos para este quadro e somos igualmente responsáveis. "'Fui eu que o fiz', diz a minha memória. 'Não posso ter feito isso', diz o meu orgulho e mantém-se irredutível. No final, é a memória que cede" (Nietzsche).
Nós nietzscheanos incomodamos pois desprezamos o rebanho e sabemos que somos superiores a ele e seus agenciadores "'Tal pessoa desagrada-me.' - Por que? - ´Não estou à sua altura' - alguma vez alguém respondeu assim?" (Nietzsche) somos acusados de insensíveis, elitistas, pessimistas e trágicos quando na verdade sabemos que o homem é uma ponte, entre o macaco e o übermensch (o super-homem nietzscheano que abandona a moral e exerce a vontade de potência) o homem não é um fim, mas um meio e esta certeza gera ódio de quem está paralisado "Não se odeia quando pouco se preza, odeia-se apenas que está à nossa altura ou superior a nós" (Nietzsche). Zaratustra falou para poucos pois sabia que o rebanho quer ser surdo, seus agenciadores pregam que nós (eu e vocês) pessoas da classe média ou os emergentes temos a obrigação de sermos idiotas sem talento pois só o rebanho é nobre e talentoso "Não é suficiente possuir talento: é preciso ter-se o vosso assentimento para o possuir - não é verdade, meus amigos?" (Nietzsche). Por isto eu peço sejam imorais, não pelo prazer de o ser, mas por que podemos ser, não para nos exibir mas por que sabemos o quão alto é o nosso lugar perante o rebanho - este que pensa que humildade é qualidade, mas humildade é mais um fenômeno julgado pela moralidade como outro qualquer. Sejamos nobres.
"Rir - O riso é um prazer com a miséria alheia, mas que se toma com uma boa consciência" (Nietzsche).
"Aplauso - Não podemos aplaudir sem ruído, nem a nós próprios" (Nietzsche).

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Perguntas ao Lula


Aqui estão algumas perguntas (todas baseadas em FATOS) que o Reinaldo Azevedo sugere ao casal do Jornal nacional Bonner e Fátima façam ao presidente Lula

1) O senhor prometeu criar 10 milhões de empregos e chegará ao fim do mandato criando quatro milhões. Neste tempo, a renda da classe média caiu, e os empregos gerados se concentram na faixa de até 2 salários mínimos. A chamada distribuição de renda do seu governo não se faz à custa do empobrecimento dos menos pobres?

2) O Senhor disse que banqueiro lucra no seu governo e, por isso, não precisa de Proer. O Senhor sabe quantos Proers o Brasil paga por ano para sustentar os juros reais mais altos do mundo?

3) O seu filho, até bem pouco tempo antes de o Senhor assumir a Presidência, era monitor de Jardim Zoológico e, hoje, já é um empresário que a gente poderia classificar de milionário. O Senhor não acha uma ascensão muito rápida?

4) Genoino sabia do mensalão. Silvio Pereira sabia do mensalão. Dirceu sabia do mensalão. Ministros foram avisados do mensalão.
Só o senhor, da cúpula, não saberia. O senhor não acha que, nesse caso, não saber é tão grave quanto saber? E se houver mais irregularidades feitas por amigos seus que o senhor ignore?

5) Presidente, na sua gestão, as invasões de terra triplicaram, caiu o número de assentamentos e mais do que dobrou o número de mortos no campo. Como o senhor defende a sua política de reforma agrária?

6) O senhor não tem vergonha de subir em palanque onde estão mensaleiros e sanguessugas?

7) Presidente, em 2002, o Brasil exportava a metade do que exporta hoje, e o risco país era sete ou oito vezes maior. O país pagava 11% de juros reais. Hoje, continuamos a pagar mais de 10%. Como o senhor explica isso?

8) Em 2002, o governo FHC que o Senhor tanto critica repassou para São Paulo, na área de segurança, R$ 223,2 milhões.
Em 2005, o seu governo repassou apenas R$ 29,6 milhões. Só o seu avião custou R$ 125 milhões.
Não é muito pouco o que foi dado ao Estado que tem 40% da população carcerária do país?

9) Quando o Senhor assumiu, o agro negócio respondia por mais de 60% do superávit comercial. Quase quatro anos depois, o setor está quebrado, devendo R$ 50 bilhões. O Senhor não acha que o seu governo foi um desastre na área?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana I: O ideal é não ter moral

Antes de mais nada é necessário definir o que significa ser nietzscheano - Nietzsche, o filósofo da transmutação de todos os valores dedicou grande parte de sua obra para a moralidade. É necessário entende-la para abdicar da mesma. Nietzsche considera a moral como fenômeno essencialmente falso, mais ainda ela é uma criação dos fracos.
Sua explicação nasce da linguística - em alemão mal era Schlecht que significa ordinário, comum e por fim desprezível e bom Gut é forte, bravo, guerreiro e poderoso. Esta definição era utilizada pela classe dominante, mesmo hoje em dia, em português (e em outros idiomas) a palavra nobre significa uma pessoa admirável como alguém que vem da nobreza. Uma pessoa definida como boa (ou nobre) deve ser entendida como uma pessoa superior, devido a seus valores, na Alemanha do século XIX o nobres tinham valores muito diferentes dos nobres de hoje em dia, porém a nobreza era minoria e gradativamente os ordinários e comuns, que evitavam se destacar, modificaram o sentido da moral adotando bom para tudo o que pacifica e normatiza, enquanto aqueles que se destacam tornaram-se maus.
Tudo aquilo que é considerado mal ou criminoso em uma época já foi tido bom em outras épocas. Para Nietzsche a moralidade vem do poder, a vontade de potência, porém poder não é dever ou seja os julgamentos morais dependem do ponto de vista do indivíduo e não de obrigações sociais "a loucura é quase nula nos indivíduos - mas é regra nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas" (Nietzsche).
Fica impossível falar de moralidade sem conhecer o übermensch em uma tradução literal super-homem, mas também pode ser livremente traduzido como homem além do homem. Pois bem a moral está na força da vontade, na meta e no esforço para se tornar o übermensch - Nietzsche vê o ser humano como um meio para tornar-se algo melhor, ele usa como metáfora a evolução dizendo que o homem está para o übermensch assim como o macaco está para nós, o filósofo vai além dizendo que a humanidade enquanto espécie não existe ela é apenas uma abstração, uma ponte para o próximo estágio. O übermensch.
Inicialmente Nietzsche fala em uma nova espécie, mas logo ele muda de ideia vendo o übermensch como possibilidade de alguns indivíduos que tornam-se superiores, os quais levantariam-se do lamaçal da mediocridade adotando esta nova moral como a base de uma nova educação. Para Nietzsche a única coisa que se dá de graça é a educação, todo o resto é esmola.
O übermensch visa sempre novas metas e desafios, orgulhoso e inteligente ele ri da mediocridade, o übermensch surge da auto-disciplina e do conhecimento de si para o tanto Nietzsche recomenda a solidão, única maneira do homem olhar para si, confrontar suas angústias e então conhece-las, hoje em dia a análise psicanalítica é o melhor instrumento para buscar o auto-conhecimento, qualquer coisa que alivie esta reflexão (álcool, drogas ou ideias "cor-de-rosa") devem ser evitadas pois impedem o crescimento do sujeito, pacificam e alimentam a mediocridade, a menos que de acordo com seu desejo, esta é a auto-disciplina um conhecimento de si para poder ser.
O conceito de igualdade de Nietzsche não passa por raça, cor ou religião para o filósofo todos os homens são potencialmente iguais porém em algum momento eles optam por se destacar ou tornarem-se animais do rebanho. Visão diferente de Marx por exemplo que abraçava o rebanho acreditando que a mediocridade era modelo a ser seguido. "'compaixão para com todos', seria dureza e tirania para comigo, senhor meu vizinho!" (Nietzsche). Enquanto Nietzsche propunha a diferenciação dos indivíduos enquanto Marx pregava a união da classe operária. A comuna de Paris (1871) retrata a diferença de pensamento dos dois pensadores: para Marx este fato histórico foi um genuíno movimento proletário de auto gestão, para Nietzsche a comuna foi uma balbúrdia promovida por bárbaros inconsequentes.
A morte de Deus (ideia que inspirou meu blog) é a possibilidade de mudança, de sair da sombra de valores que não correspondem as expectativas, baseadas em costumes e tradições arcaicas, aleatórias e sobretudo hipócritas. Tal mudança não é para todos, apenas algumas pessoas escolhem ser o übermensch, alguns optam por ficar no meio do caminho, a maioria contenta-se em usar coleira "um povo é um meio que a natureza usa para chegar a seis ou sete grandes homens - sim: para depois se desviar deles" (NIetzsche). Na mais pura tradição da transmutação dos valores matem seus deuses, eles já estão mortos, tudo aquilo que é obsceno, errado e malquisto são fenômenos humanos,julgados como perversos, porém humanos, demasiado humanos .

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Tudo Azul em São Paulo ( e em outros estados estratégicos)



A política é como um jogo de xadrez, ambos os lados tem suas peças, cada qual possui um valor diferente e características estratégicas porém com um único objetivo matar o rei. Se o Brasil é um tabuleiro nesta eleições posicionamos peças importantes, porém o inimigo é habilidoso, ele ganhou estados populosos porém menos importantes.
Os dois estados mais importantes na esfera política são Minas Gerais e São Paulo, ambos tucanos e por falar em São Paulo que susto Alckmin nos deu precisava vencer com apenas 50,63% dos votos? Quase deu segundo turno. Foi bom termos vencido no primeiro turno, assim tiramos aquele sorriso arrogante do rosto do Mercadante.
O senado paulista foi a surpresa da noite Aloysio tornou-se o senador mais votado da história em São Paulo com 11.2 milhões de votos, superando o recorde de Mercadante com 10.5 milhões, vi muitas explicações acredito que o fundamental seja o efeito Quércia, o ex-governador transferiu o tempo de TV e eleitorado para o tucano, outro fator foram os santinhos os quais Aloysio surgia ao lado de Alckmin e Serra, seu número estava preenchido. No dia da eleição pude ouvir uma conversa de duas eleitoras do Netinho e elas não sabiam o cargo e nem o número do candidato. É isto que se ganha quando se fala ao rebanho.
E por falar em Netinho este foi alvo de piadas na Internet: "Pelo menos nas urnas uma mulher está batendo no Netinho" ele deve ter descontado a raiva na namorada! No que diz respeito aos deputados minhas duas escolhas foram eleitas - Bruno Covas foi o deputado estadual mais votado e Walter Feldman o 59o. mais votado.porém nem tudo foi festa os mensaleiros também foram eleitos como o petista João Paulo Cunha, o quinto mais votado, vamos ver quantos candidatos cada partido elegeu PARA AS 70 VAGAS de São Paulo:

PSDB 21
PT 17
DEM 8
PR 5
PSB 4
PPS 4
PTB 2
PCdoB 2
PSC 2
PRB 1
PV 1
PMDB 1
PP 1
PRB 1
PSOL 1
PDT 1

A conclusão é simples São Paulo não gosta do PT, o paulista sabe que a cor vermelha só fica bem nos filmes de terror quando o monstro esfaqueia mocinha peituda.
Voltando aos outros estados do país os tucanos e aliados controlam os dois maiores colégios eleitorais, ganharam o Paraná e Santa Catarina, mas perdemos o Rio Grande do Sul (convenhamos votar na Yeda é forçar a barrar), Tocantins, Santa Catarina (DEM), Rio Grande do Norte (DEM), vamos para o segundo turno em Roraima, Piauí, Pará, Goiás e Alagoas.
Curiosamente os estados do bolsa cachaça continuam petistas, eu já falei várias vezes de como o rebanho é numeroso, já em estados mais desenvolvidos a vitória foi tucana/democrata mostrando que onde as existe melhor infra-estrutura em consequencia maior educação e senso político o PT não entra. Salvo exceções do Rio Grande do Sul, onde foi bom senso não votar na Yeda e Rio de Janeiro, onde estão todos entusiasmados com o PAN e as Olimpíadas, além é claro do grande número de favelas, onde fica fácil comprar votos. Nos sabemos que o PT se alimenta do sofrimento destas pessoas. Goiás é outro estado bem desenvolvido.
Já os estados subdesenvolvidos como a Bahia centro de exportação de Axé music, Nordeste em geral, assolado pela fome e miséria fomentados pelo governo petista é reduto vermelho, destaque para Alagoas Onde o tucano teotonio Villela vai para o segundo turno em primeiro lugar com 39.6%.
Agora resta esperar por qual candidato, Serra ou Dilma, o PV vai optar, paulistas parabéns pelo voto.

domingo, 3 de outubro de 2010

Kogal Mini-Contos: Real


Aki estava deitada em sua cama, abraçando seu urso de pelúcia com os olhos voltados para o nada, seu pensamento se perdia no passado, lembrando-se da caça aos velhos e como os executivos a sustentavam.
- Não tem mais graça.
Aki fecha os olho, pensando em um universo perfeito onde ela era a rainha e seus amigos ajoelhavam-se na sua presença. O pensamento da garota é interrompido pela morte que flutuava sobre sua cama.
- É isto mesmo que você quer?
Aki vira-se de lado, contrariada.
- Perdeu alguma coisa?
- Acho que quem perdeu foi você.
- O que você tem com isto?
- Você está triste.
Aki atira seu ursinho sobre a Morte, os olhos da garota estavam repletos de lágrimas Morte percebe que deveria ir embora.
Era tarde da noite quando Aki consegue dormir, em seu primeiro sonho Aki vê-se como um ornitorrinco. Desesperada a garota corre em círculos abanando seus pequenos braços, desajeitada Aki tropeça e cai de cara no chão.
- O que está acontecendo.
Eis que surgem Rika e Hitomi, também como ornitorrincos, Rika batia seu rabo no chão enquanto Hitomi comia algumas frutas, Aki começa a chorar.
- Eu não quero isto!!!
Rika faz sinal para que sua amiga pare de chorar.
- Não adianta ficar chorando, nós temos que terminar a represa.
- O que?
Rika e Hitomi iam na frente carregando pedaços de tora, Aki as segue sem entender direito o que acontecia, no caminho o ornitorrinco Takami entrega uma flor para Aki, a garota o atinge com seu rabo quebrando o óculos de Takami.
Ao fim do dia as duas amigas terminaram de construir a represa, Aki estava distante das demais olhando seu reflexo na água.
- O que está acontecendo?
A morte aparece atrás dela, flutuando, em sua forma humana.
- Então ficou mais fácil?
- O que você está fazendo aqui? E por que não virou um animal fedido?
- Algumas coisas nunca mudam - Morte tentava se consolar - você não estava triste? Eu tentei mudar a realidade para você.
- Não é isto o que eu quero.
Morte sorri. Um segundo depois Aki volta a sua forma humana, apenas de roupa íntima, em um universo todo negro.
- Por que eu estou pelada? SEUS TARADOS!!! Pelo menos me coloquem em um fundo claro assim vocês podem ver meu maravilhoso corpo.
A morte surge ao lado dela.
- O preto é a ausência de todas as cores. Mas se quer clarea-lo.
O fundo fica branco.
- Pronto, mas sua liberdade diminuiu.
- Liberdade?
- Não é o que você queria? Agora este mundo é seu, você pode cria-lo como quiser e ser quem você quiser, porém quanto mais estruturado for seu mundo menor será sua liberdade.
- Acho que vou começar com o céu e a terra.
Cria-se um chão e um céu, em seguida Aki aparece vestida, ela começa a recriar o que conhecia mas para com a desaprovação da morte.
- O que foi agora?
- Você quer um novo mundo para fazer o mesmo de antes?
- Existe uma ordem neste mundo que precisa ser seguida.
- A é? Meu pai é o deus da morte, já estava vivo antes do tempo ser tempo e nunca me disse que tal ordem existe.
- Ele mentiu para você.
- Meu pai mentiu?
- O mundo precisa de uma ordem.
- Por que? Quem disse que o muno precisa desta ordem?
Aki coça sua cabeça sem entender o que a morte falava "o que?"
- Vou simplificar. Vocês humanos criaram as regras que vocês mesmos seguem, com o tempo vocês tornam-se escravos de sua criação. Com o tempo vocês esqueceram desta criação e queixam-se delas.
- Mas eu não posso mudar o mundo.
- Você precisa?
- Eu tenho que mudar quem eu sou? Me enquadrar e ser parte do todo?
- Não. A menos que você queira.
- O que você quer dizer?
- Você pode ser feliz com seus amigos e família sem precisar deixar de ser você mesma.
- Mas para isto eu tenho que tentar.
- Sim, mas não é muito fácil.
- Como você sabe de tudo isto?
- Eu conversei com o escritor.
- A, ele. O cara ficas nos usando para fazer experiências.
- Parece que você está descrevendo um cientista louco - Morte estava incrédula com sua amiga - de qualquer forma ele pediu para para lhe dar um recado: "você ainda não percebeu, mas existem outras possibilidades".
- O que ele quer dizer?
- Não sei, ele só disse isto.
Voltamos ao quarto de Aki ela e morte olham em volta, a garota deita-se aliviada.
- Você não vai dormir? Está quase amanhecendo.
- E quem disse que a noite é para se dormir?
Aki sorri para morte, as duas amigas ficam rindo juntas.
No dia seguinte Aki, Rika, Hitomi, Takami e a Morte iam se divertir de ônibus cansadas pois eles saíram de casa muito cedo. Hitomi finge dormir para apoiar-se no ombro de Rika, cansada, esta não se incomoda, Takami tenta fazer o mesmo com Aki levando um soco no rosto.
Os amigos passam o dia juntos, Rika foge das mãos escorregadias de Hitomi, Takami apanha de Aki, Morte sobrevoa todos, muito feliz.
Ao final do dia todos dormiam na viajem de volta, Aki percebe que ninguém olhava e segura a mão de um adormecido Takami.

Fim

Boa noite a todos e muito obrigado por lerem estes minicontos até o final.

"Os Deuses Mortos" Oito Anos

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