Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana I: O ideal é não ter moral

Antes de mais nada é necessário definir o que significa ser nietzscheano - Nietzsche, o filósofo da transmutação de todos os valores dedicou grande parte de sua obra para a moralidade. É necessário entende-la para abdicar da mesma. Nietzsche considera a moral como fenômeno essencialmente falso, mais ainda ela é uma criação dos fracos.
Sua explicação nasce da linguística - em alemão mal era Schlecht que significa ordinário, comum e por fim desprezível e bom Gut é forte, bravo, guerreiro e poderoso. Esta definição era utilizada pela classe dominante, mesmo hoje em dia, em português (e em outros idiomas) a palavra nobre significa uma pessoa admirável como alguém que vem da nobreza. Uma pessoa definida como boa (ou nobre) deve ser entendida como uma pessoa superior, devido a seus valores, na Alemanha do século XIX o nobres tinham valores muito diferentes dos nobres de hoje em dia, porém a nobreza era minoria e gradativamente os ordinários e comuns, que evitavam se destacar, modificaram o sentido da moral adotando bom para tudo o que pacifica e normatiza, enquanto aqueles que se destacam tornaram-se maus.
Tudo aquilo que é considerado mal ou criminoso em uma época já foi tido bom em outras épocas. Para Nietzsche a moralidade vem do poder, a vontade de potência, porém poder não é dever ou seja os julgamentos morais dependem do ponto de vista do indivíduo e não de obrigações sociais "a loucura é quase nula nos indivíduos - mas é regra nos grupos, nos partidos, nos povos, nas épocas" (Nietzsche).
Fica impossível falar de moralidade sem conhecer o übermensch em uma tradução literal super-homem, mas também pode ser livremente traduzido como homem além do homem. Pois bem a moral está na força da vontade, na meta e no esforço para se tornar o übermensch - Nietzsche vê o ser humano como um meio para tornar-se algo melhor, ele usa como metáfora a evolução dizendo que o homem está para o übermensch assim como o macaco está para nós, o filósofo vai além dizendo que a humanidade enquanto espécie não existe ela é apenas uma abstração, uma ponte para o próximo estágio. O übermensch.
Inicialmente Nietzsche fala em uma nova espécie, mas logo ele muda de ideia vendo o übermensch como possibilidade de alguns indivíduos que tornam-se superiores, os quais levantariam-se do lamaçal da mediocridade adotando esta nova moral como a base de uma nova educação. Para Nietzsche a única coisa que se dá de graça é a educação, todo o resto é esmola.
O übermensch visa sempre novas metas e desafios, orgulhoso e inteligente ele ri da mediocridade, o übermensch surge da auto-disciplina e do conhecimento de si para o tanto Nietzsche recomenda a solidão, única maneira do homem olhar para si, confrontar suas angústias e então conhece-las, hoje em dia a análise psicanalítica é o melhor instrumento para buscar o auto-conhecimento, qualquer coisa que alivie esta reflexão (álcool, drogas ou ideias "cor-de-rosa") devem ser evitadas pois impedem o crescimento do sujeito, pacificam e alimentam a mediocridade, a menos que de acordo com seu desejo, esta é a auto-disciplina um conhecimento de si para poder ser.
O conceito de igualdade de Nietzsche não passa por raça, cor ou religião para o filósofo todos os homens são potencialmente iguais porém em algum momento eles optam por se destacar ou tornarem-se animais do rebanho. Visão diferente de Marx por exemplo que abraçava o rebanho acreditando que a mediocridade era modelo a ser seguido. "'compaixão para com todos', seria dureza e tirania para comigo, senhor meu vizinho!" (Nietzsche). Enquanto Nietzsche propunha a diferenciação dos indivíduos enquanto Marx pregava a união da classe operária. A comuna de Paris (1871) retrata a diferença de pensamento dos dois pensadores: para Marx este fato histórico foi um genuíno movimento proletário de auto gestão, para Nietzsche a comuna foi uma balbúrdia promovida por bárbaros inconsequentes.
A morte de Deus (ideia que inspirou meu blog) é a possibilidade de mudança, de sair da sombra de valores que não correspondem as expectativas, baseadas em costumes e tradições arcaicas, aleatórias e sobretudo hipócritas. Tal mudança não é para todos, apenas algumas pessoas escolhem ser o übermensch, alguns optam por ficar no meio do caminho, a maioria contenta-se em usar coleira "um povo é um meio que a natureza usa para chegar a seis ou sete grandes homens - sim: para depois se desviar deles" (NIetzsche). Na mais pura tradição da transmutação dos valores matem seus deuses, eles já estão mortos, tudo aquilo que é obsceno, errado e malquisto são fenômenos humanos,julgados como perversos, porém humanos, demasiado humanos .

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