Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana II: A moral nietzscheana no Brasil


"Há uma excelcitude na bondade que parece ser maldade" (Nietzsche).

Os dias de hoje são um pesadelo nietzscheano que parece não ter fim - o rebanho não é apenas alimentado como exaltado e tido como ideal de ser. Somos obrigados a fabricar sua ração por campanhas falsas de auxílio baseado em ideais falsos, temos que ser bonsinhos e caridosos, abraçar o mundo com amor, cantar alegremente em meio à uma chuva de corações cor-de-rosa.
O rebanho caiu em uma armadilha - "as gentilezas de um homem superior irritam por não poderem ser retribuídas" (Nietzsche) o assistencialista surge como este ser superior, vindo para ajuda-los. Esta é a armadilha do rebanho, o que parece ser uma falha teórica é a mais pura hipocrisia - não existe por parte dos assistencialistas um desejo real de ajudar, um amor pelos pobres, nem mesmo o mínimo respeito por estes como seres humanos, ao sustentar estas famílias o assistencialista deixa claro a incapacidade dos mesmos em darem o pão para seus filhos é o fracasso enquanto ser humana. Os assistencialistas buscam o poder. Como disse em "Sobre a moralidade nietzscheana I" poder não é dever, é necessário muito conhecimento para a vontade de potência manipular o rebanho e esta manipulação não é sinônimo de força, mas de fraqueza, covardia "E se quiser dar-lhes um presente, que não seja mais que uma esmola. Ainda assim espera que eles a peçam. 'Não, respondeu Zaratustra. Eu não dou esmolas. Não sou pobre o bastante para isto'" (Nietzsche). O resultado a longo prazo só pode ser o ódio, tanta esmola e muleta cobrarão um preço caro ao primeiro sinal de crise - aconteceu na Europa quando os estrangeiros foram acusados de roubarem o emprego dos europeus, acontece nos EUA onde mexicanos foram cercados em seu próprio país e estrangeiros ilegais que faziam trabalhos importantes foram expulsos ao primeiro sinal de desemprego. No Brasil não será diferente, o rebanho que caiu na armadilha será hostilizado e perseguido ao primeiro sinal de crise, os assistencialista irão procurar um bode expiatório qualquer em meio a discursos humanitários. O fato é que todos nós colaboramos para este quadro e somos igualmente responsáveis. "'Fui eu que o fiz', diz a minha memória. 'Não posso ter feito isso', diz o meu orgulho e mantém-se irredutível. No final, é a memória que cede" (Nietzsche).
Nós nietzscheanos incomodamos pois desprezamos o rebanho e sabemos que somos superiores a ele e seus agenciadores "'Tal pessoa desagrada-me.' - Por que? - ´Não estou à sua altura' - alguma vez alguém respondeu assim?" (Nietzsche) somos acusados de insensíveis, elitistas, pessimistas e trágicos quando na verdade sabemos que o homem é uma ponte, entre o macaco e o übermensch (o super-homem nietzscheano que abandona a moral e exerce a vontade de potência) o homem não é um fim, mas um meio e esta certeza gera ódio de quem está paralisado "Não se odeia quando pouco se preza, odeia-se apenas que está à nossa altura ou superior a nós" (Nietzsche). Zaratustra falou para poucos pois sabia que o rebanho quer ser surdo, seus agenciadores pregam que nós (eu e vocês) pessoas da classe média ou os emergentes temos a obrigação de sermos idiotas sem talento pois só o rebanho é nobre e talentoso "Não é suficiente possuir talento: é preciso ter-se o vosso assentimento para o possuir - não é verdade, meus amigos?" (Nietzsche). Por isto eu peço sejam imorais, não pelo prazer de o ser, mas por que podemos ser, não para nos exibir mas por que sabemos o quão alto é o nosso lugar perante o rebanho - este que pensa que humildade é qualidade, mas humildade é mais um fenômeno julgado pela moralidade como outro qualquer. Sejamos nobres.
"Rir - O riso é um prazer com a miséria alheia, mas que se toma com uma boa consciência" (Nietzsche).
"Aplauso - Não podemos aplaudir sem ruído, nem a nós próprios" (Nietzsche).

2 comentários:

  1. Que belo seria, se em crise a rebelião estourasse contra o poder e nao peãos contra peãos... Mas é que o poder se desfarça de peão e assim basta cesta básica para subornar o bom censo do 'povo'.

    o 'super-homem' nao estaria além do homem? sendo assim, além dos humildes e além dos nobres?
    além do senso de mediocridade, e além do senso de superioridade?
    ou será que o incrível "super-homem" de Nietzsche, é apenas um ego ( da classe média ) inflamado?

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  2. O super-homem é um ser que agfastastou-se da sociedade, exercenco a vontade de potência, por isto esle está a cima do rebanho - aqueles que aceitam passivamente a "moralidade" ou em outras palavras que aceitam fazer parte da massa e evitam o pensamente crítico.

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