Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre a moralidade nietzscheana III: Ações nietzscheanas na política ou adentrando o lado obscuro do Brasil.

Chegamos a terceira parte da moralidade em Nietzsche, já falei do conceito de moral e como o mesmo está fragilizado no Brasil de hoje agora veremos se existe espaço para um nietzscheano no Brasil.
Como age um verdadeiro nietzscheano? Como qualquer pessoa, a resposta pode frustrar as expectativas de alguns de vocês mas não existe uma código de conduta, apenas o conhecimento de seu desejo, das consequências do mesmo e uma reflexão de como se deve realiza-lo. Tal reflexão não é pautada em um contexto social mas sim na satisfação - que está implícito no convívio social, como é impossível viver em uma caverna temos que ter em mente que vivemos em uma sociedade, o que não quer dizer abraça-la incondicionalmente.
Alguns homens mudaram suas sociedades ao repudia-las, outros usaram a insatisfação para controlar o rebanho vejamos dois exemplos: Che Guevara usou ideias pró-rebanho para modificar a realidade cubana, ao lado de Fidel Castro ele derrubou déspotas assassinos para colocar outro déspota assassino no poder, com a diferença deste usar a farsa ao seu favor e poder assim manipular o rebanho ao seu bel prazer, Che ainda tentou fazer o mesmo no Congo e na Bolívia, o que o falso argentino queria era tornar-se um mito (e conseguiu), ser um Deus entre os homens, nietzscheanos não querem ser os deuses de outros, mas seus próprios deuses e ter a sua própria doutrina. Um exemplo de übermensch é Nelson Mandela, a primeira vista esta parece ser uma incoerência, vejamos Mandela - um homem que passou a vida preso e fiel aos seus ideais, recusando-se a ser mais um no rebanho ele manteve-se firme, foi eleito presidente e então proclamou: "não esqueçam, mas perdoem" não é o perdão uma artimanha dos agenciadores do rebanho? Mandela sabia que não se pode mudar a sociedade pela guerra, a guerra apenas destroi, nada é construído pela guerra, já uma forte moral nietzscheana sim leio nas entrelinhas da fala de Mandela "perdoem pois não há outra forma, vocês tem sua parcela de culpa por terem abaixado a cabeça por tanto tempo, assumam a responsabilidade. Destruam para reconstruir nosso país" o governo de Mandela foi uma cuidadosa destruição, o episódio do jogo de Rugby representado em "Invictus" retrata este momento, infelizmente aqueles que o sucederam parecem não ter entendido recado, preferindo distribuir coleiras, a situação dos negros na África do Sul não mudou muito, eles são livres mas são discriminados, embora tentem genuinamente descobrir o que fazer com sua liberdade falta-lhes esta moral. Eles ainda estão se acostumando a serem livres, infelizmente sob a batuta de agenciadores do rebanho.
Quando se fala em figuras políticas fica difícil encontrar aqui no Brasil um partido que assemelhe-se aos ideais nietzscheanos comecemos nossa busca pelos partidos nanicos de esquerda como PSTU, PSOL, PCO, PCdoB, PCB e outros semelhantes eles parecem ter aquele ímpeto por mudar, porém sob esta generosa ideologia paira uma frustração, uma inveja destrutiva. Ideias como estatizar o poder privado e romper com o FMI beira a destruição pela destruição, ideias semelhantes as de Pol Pot e seu Khmer vermelho Nietzsche nunca falou de guerra ou destruição, ele abençoava a vida e na destruição não existe vida. Vamos inverter nossa busca olhando para o PMDB o maior partido do Brasil não possui uma identidade, é uma verdadeira Maria-vai-com-as-outras o PMDB alia-se com quem estiver no poder o abraçando com a mão direita e empunhando uma faca com a esquerda, definitivamente eles não são nietzschenos, o filósofo pregava que a amizade era um dos sentimentos mais preciosos que se poderia ter, um homem que trai seus amigos não é digno da alcunha deste alemão. Sem contar que falta a determinação e os valores pessoais, os quais faltam ao PMDB. Chegamos ao PT o maior agenciador de rebanhos, petistas alimentam-se do sangue dos miseráveis trancados em seus porões e alimentados com restos enquanto os humilham e sodomizam com bolsas esmolas. O PT é o maior dos nossos inimigos "Que encontras de mais humano? - Poupar alguém da vergonha" (Nietzsche) . Bom... o inimigo do meu inimigo é meu amigo? Cuidado com esta afirmação. O PSDB é um partido que vaga entre atitudes reacionárias e ações que esboçam respeito pelos miseráveis o suficiente, pelo menos, para não humilha-los com nossos restos exigindo adoração divina em troca. Seu problema é semelhante ao do PMDB existem muitas visões dentro dele que impedem uma moral nietzscheana. com algumas ideias estritamente positivistas quanto ao social, o PSDB passa longe de ser um partido Nietzscheano.
Temos os DEMOCRATAS que encolhem a cada ano, ficando felizes em ser a sombra do PSDB, embora goste do Kassab - chamar aquele cara de vagabundo foi uma demonstração magistral de poder, ao colocar aquele manifestante em seu lugar Kassab mostrou quem é, qual suas ideias e que não recuaria perante ninguém. Esta é a moralidade nietzscheana, infelizmente Kassab é um em meio a um deserto crítico, nem seu protetor Serra aproxima-se desta moral. Um partido como o DEM que contenta-se em ser a sombra do PSDB não merece ser relacionado ao nosso filósofo, ao contrário merece nosso desprezo. O PP é o antiga Arena, assim como o PT faz hoje eles agenciavam o rebanho, vale para eles o mesmo que disse para o partido de estrela vermelha. Resta o PV, este partido gera simpatia, a pesar do Gilberto Gil, mantém-se firme aos seus ideais referentes a ecologia e respeito ao ser humano, eles não humilham ninguém com migalhas e muito menos forjam discursos de igualdade marxista. Outro partido semelhante, porém ideologicamente mais fraco é o PPS assim como o PV ele respeita o humano, não o trata como cachorro e nem tenta tipifica-lo com ideias naturalistas e positivistas, mas tem alguns membros que o enfraquecem, como a Soninha (de quem já falei em outros tópicos) Tanto o PV como o PPS estão longe de serem nietzscheanos, acredito que não irei encontrar nenhum partido que aproxime-se da filosofia da transmutação de todos os valores.
"A: 'Tu és um desmancha-prazeres; eis o que se diz por toda parte.'
B: 'Com certeza! Desfaço a cada um com gosto que tem pelo seu próprio partido, o que nenhum partido me perdoa'." (Nietzsche).
Partidos políticos são feitos de homens, alguns deles possuem esta moral que tanto falta nos dias de hoje mas aviso eles são poucos e a maioria está morta. O primeiro grande líder que tivemos foi Don Pedro II, foi com ele que o Brasil mais progrediu, como um verdadeiro nietzscheano "Pedro Jr." trouxe cultura e progresso, sem discriminar as classes mais baixas com falsas regalias regadas á migalhas, claro que os militares estragaram tudo desde então entramos em um hiato que perdura até hoje... o governo de Don Pedro II é apenas uma sombra gravada na caverna da memória.
Gostava muito do Dr. Ulysses, o Dr. já deixa claro, não somos iguais, ele era um homem superior e sabia disto, sendo respeitado pelo mesmo motivo, fiel aos seus ideais ele é um raro exemplo de nietzscheano querido, mas não a ponto de ser eleito, a final homens superiores não são tão amados assim.
Recentemente tive algumas decepções políticas como no caso de Romeu Tuma (nunca o considerei um nietzscheano), que passou toda sua vida defendendo o combate a criminalidade revelou-se um traidor da própria causa em virtude do filho, uma clara falta de valor. Eduardo Suplicy mostrou toda sua mediocridade de caráter quando arrastou-se aos pés de Marta após chifre e o divórcio, porém uma pessoa que casa com a Marta não pode ser grande coisa, outra decepção.
Já falei do Kassab, outro que me agrada é o Alckmin que peitou todo o PSDB para ser candidato a presidência, sua atitude foi digna, porém apressada faltou-lhe a paciência de um mestre, existe nele a fidelidade a figura de Mário Covas e potencial de vir a ser porém um excesso de moralismo o impeça de ser um Nietzscheno, ele poderia ser um übermensch se quisesse, mas não o quer.
Talvez o ultimo grande líder que tivemos tenha sido Mário Covas, protagonista de uma atitude exemplar, que ninguém mais seguiu como exemplo de fiel as suas ideias. Quando fora confrontado por manifestantes: funcionários públicos e deputados da oposição contra o projeto de previdência do estado, cerca de cinco mil manifestantes, membros da CUT e militantes da oposição pararam a avenida Oscar Americano exigindo uma reunião a portas fechadas, Covas disse que não iria receber ninguém, se os quisessem negociar ele iria até o "homem toteinico" dos manifestantes falar em público e assim o fez, Covas saiu de sua sala, pediu para a polícia abrir o portão, atravessou os manifestantes, como um homem superior o faria, subiu no carro de som, pegou o microfone e disse que não retiraria o projeto pois acreditava nele, chamou os manifestantes, militantes e deputados da oposição e líderes sindicais (que devem sofrer de algum complexo de Che Guevara) de autoritários e antidemocratas, o governador desceu do carro de som, atravessou a multidão e voltou para o palácio. Covas teve seu dia de Zaratustra infelizmente ninguém seguiu seu exemplo. "O que é grande no homem é ele ser uma ponte e não uma meta. O que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um declínio" (Nietzsche).
Após falar na cidade Zaratustra fora ridicularizado pela população que preferia assistir um equilibrista, que ao atravessar duas torres sobre uma corda bamba fora derrubado por um palhaço invejoso, a população abandona o local e Zaratustra entra na floresta arrastando o cadáver.
"Desconcertante é a vida humana e sempre desprovida de sentido. Basta um simples palhaço para lhe ser fatal.
Quero ensinar aos homens o sentido de sua existência, que é o super-homem.
Mas estou ainda bem longe deles e meu sentido nada diz a seus sentidos . Para os homens, ainda estou a meio caminho entre um palhaço e um cadáver." (Nietzsche, Assim Falava Zaratustra).

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