Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cidade de Sangue, um conto nietzscheano


O que aconteceria se tudo aquilo em que você acredita fosse falso? Este é o dilema de David, um policial que acredita ser um herói, ao mesmo tempo em que torna-se amante de Yuki, líder da máfia asiática. Com a chegada de dois irmãos psicopatas (de 9 e 10 anos) que iniciam um derramamento de sangue, matando os mafiosos da cidade e ninicando uma guerra, David coloca em dúvida sua infância, seus ideais e a própria realidade como ele a vê. Toda sua vida seria baseada em uma ilusão?
Some a esta dúvida assassinatos sádicos, rajadas de balas e o submundo mafioso demonstrado pelo triângulo: um neurótico (David); uma perversa (Yuki) e dois psicóticos (os irmãos assassinos) e você terá o meu mais novo conto "Ruas de Sangue" (por link).
Deus está morto e nós o matamos?

Link para o Conto "Ruas de Sangue": http://recantodasletras.uol.com.br/contosdesuspense/2586551


Um trecho do conto:

"O carro de Yuki encosta ao lado de um prédio, onde David estava encostado na parede esperando por ela.
- Você veio em uma boa hora, estava muito animada para dormir.
- Tenho uma informação para você.
- Sobre os assassinos? - Yuki debochava de seu amante - você vai me dizer algo que eu não saiba?
- Sim.
Yuki fica séria e encara David percebendo que sua expressão denotava preocupação, mais até, algo perturbava David, ele precisava falar. Yuki entra no prédio acompanhada de David, ambos sobem para o quarto dela.
Uma vez dentro do quarto Yuki retira seu blazer e o coloca no recosto da cadeira, em seguida guarda o revólver, com o qual matou seu pai, em uma gaveta. Yuki acende um cigarro, senta-se na cadeira cruzando as pernas e exibindo para David uma de suas coxas cobertas por uma meia preta 3/4. O detetive permanecia de pé, andando em círculos.
- Então? O que era tão importante?
- Os assassinos são crianças.
- Ah é?
- Eles devem ter no máximo 10 anos.
- E...
-E? Eles são crianças Yuki!
- Eu comecei mais cedo, no lugar onde cresci era matar ou morrer, a única amiga que eu tinha era minha arma - Yuki lembra-se rapidamente dela aos oito anos segurando sua pistola fumegante, apontada para um cadáver, a pequena Yuki ostentava uma expressão neutra com lágrimas nos olhos - violência acontece em todos os lugares do mundo, por que se sensibilizar agora? logo com estes garotos? O que não mata, torna-me mais forte.
- Sinto muito.
- Cale a boca, se quisesse sensibiliza-lo eu contava sobre a primeira vez que fui estuprada, eu tinha 12 anos. Nada pior do que ser tratada como prostituta pelos meus companheiros.
- Sim, acho que entendo.
- David, se algum dia você olhar para mim com piedade, da mesma forma que aqueles pseudo-humanitários olham para os pobres, se você pensar, apenas uma vez, "coitada dela" eu mato você, entendeu?
- Sim, você é muito mais frágil do que eu imaginava.
Yuki levanta-se furiosa encarando David, o policial se vê invadido por uma profunda tristeza, ele não conhecia a origem daquela dor mas sabia que precisava fazer algo, David abraça Yuki "vai ficar tudo bem" Yuki livra-se de David acertando um soco em seu rosto. Em seguida ela o beija, os dois vão para cama.
- É sempre sombrio ao seu lado, Yuki.
- Se você quiser pode mudar de lado.
- Não pretendo sair daqui, se ficar ao seu lado significa ficar envolto pelas trevas, então eu serei tragado.
- Não se aproxime do abismo, você não vai conseguir voltar. Neste ponto nós dois somos diferente.
Os dois beijam-se sobre a cama, retirando a roupa para uma noite de sexo."

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