Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O cinema terrorífico: As escolas do horror


O gênero terrorífico já soma mais de cem anos, neste tempo ele passou por mudanças em épocas e países diferentes, antes de falar especificamente sobre o cinema de terror irei falar sobre algumas de suas escolas
Evidentemente que a primeira escola é a americana, nascida com os monstros da universal o terror americano optou por monstruosidades, posteriormente a imagem dos monstros foram substituídas por assassinos. Nos anos oitenta estas duas figuras fundiram-se nos serial killers imortais como Michael Miers, Jason ou Freddy Kruegger.
A sensualidade sempre esteve presente no terror estadunidense, sejam nas mocinhas indefesas das produções monocromáticas "O monstro da lagoa negra" ou "O Fantasma da Ópera" atingindo seu auge na década oitentista onde estabeleceu-se a figura da Screan queen - uma personagem feminina sensual, que sempre expunha os seios nus e acabava morta pelo assassino. Esta sensualidade retornou na década 2000 com o "Torture porn" estilo terrorífico de extrema violência e sadismo aliado com nudez e erotismo. O representante mais famoso deste subgênero chama-se "Eli Roth" diretor de "O Albergue" e "cabana do inferno".
Os americanos também investiram no "terror psicológico" porém o número destas produções é menor comparada com o "terror explícito" destacam-se títulos como "Inverno de sangue em Veneza" e "o bebê de Rosemary" (o filme é americano, mas o diretor é franco-polonês).
Sempre que o terror americano entrou em crises de criatividade as escolas europeias encontraram brechas para crescer no mercado, foi assim na década de 70 quando a produtora inglesa "Hammer" recriou os monstros da universal com muito mais violência e erotismo do que as versões B&P destacando Cristopher lee - o ator que mais vezes interpretou "Dracula", Peter Crush e Donald Please (O Dr. Loomis de Halloween).
As produções da Hammer eram todas de baixo orçamento, com elencos amadores, a produtora compensava os defeitos técnicos com atores do teatro como protagonistas, muita violência e "coelhinhas da playboy" nos papéis femininos principais. O terror inglês não se restringe a Hammer, na virada das décadas de 90 para 00 o terror inglês retornou, desta vez mais primitivo com produções como "o buraco", "Cães de caça" e "O olho que tudo vê" - todos excelentes.
O terror italiano vagou entre o suspense influenciado por Alfred Hitchcok e o "Slasher movie" (onomatopeia referente ao som do sangue respingando) filmes com pouco enredo com assassinato de cinco em cinco minutos, o principal nome do cinema italiano é o diretor Dario Argento, o qual privilegia a linguagem visual e violência intensa em detrimento da trama, seguindo a tendência de que o cinema deve, antes de tudo, atingir o emocional de seu público. Para o cinema de Argento a racionalidade atrapalha. Seus ângulos de câmera e sequências criativas "Um boneco de corda em escala real (prelúdio para matar); a trilha sonora que interage com as personagens e com o público (Suspira); uma bruxa devastando Roma (A mãe das lágrimas) ou corvos protegendo uma cantora (Terror na Ópera).
Os franceses vêm surpreendendo na ultima década ao misturarem violência extrema, muita tensão e a tradicional narrativa francesa. São filmes com personagens muito bem construídos e situações apavorantes filmadas de tal forma que você não vai conseguir tirar os olhos da tela. Os principais títulos são "Mártires" - é impossível escrever sobre este filme sem estragar a surpresa; "Eles" sobre um casal aterrorizado por delinquentes em sua casa (o filme "Os Estranhos" conta a mesma história só que é muito inferior); "A Invasora" - sobre uma mulher grávida ameaçada por outra mulher que quer retirar o seu bebê e por fim "Vertigem" sobre um grupo de amigos que decide escalar uma montanha isolado, este filme é baseado em fatos reais.
No início da década 2000 o terror asiático surgiu com toda força, o excesso de títulos e a não seleção dos mesmos desgastaram o mesmo no brasil.
O terror japonês ainda é o principal representante deste gênero e mantém os melhores títulos lançados por aqui. O terror japonês divide-se em dois subgêneros o principal deles é o terror de fantasmas - geralmente mulheres com longos cabelos negros encobrindo seu rosto, figura vinda do teatro, com poucos ou nenhum efeito computadorizado, preferindo uma trilha sonora e truques de sonoplastia como ruídos indiscriminados. Este gênero privilegia o clima - assim sendo 80 minutos do filme são dedicados a contar a história, preparando o clímax que ocorre nos últimos 10 minutos - os melhores títulos são a trilogia "Ring - O Chamado", os dois "Ju-On" (lançado no brasil como Ju-On O Grito) e "Uma chamada perdida" (todos possuem refilmagens extremamente inferiores e devem ser ignoradas, principalmente "Uma chamada perdida").
O outro subgênero do terror japonês é o extremo oposto da subjetividade, trata-se do exploitation um terror extremo que supera o Underground com tramas que subvertem as normas da cultura e revelam o extremo do humano, dentre os quais estão excepcional "O Pacto" (Suicide club) sobre uma onda de suicídio em Tóquio, "O Portal de ressurreição" (Versus) Yakuzas enfrentam zumbis em uma floresta amaldiçoada e o clássico de Takeshi Miike (um dos melhores diretores desta nova geração) "Ichi o assassino", é simplesmente impossível resumir este filme. o exploitation abusa do sangue e da sexualidade como são os casos de "Sexual Parasite The Killer Pussy" e "Big tits zombie".
A escola coreana assemelha-se a japonesa com objetos ou casas assombradas, porém os coreanos optam pela construção das personagens em detrimento da trama, sendo assim temos filmes onde as assombrações são catalisadores dos conflitos psicológicos das personagens. Destacam-se o ótimo "Medo" (A tale of two sisthers) sobre duas irmãs que retornam para casa após longa internação em hospital psiquiátrico, ao longo do filme as personagens vivem alterando sua personalidade a fim de revelar um terrível segredo e o bom "Sapatos vermelhos" sobre um par de sapatos amaldiçoados.
Por fim temos a escola tailandesa, das asiáticas esta é a mais fraca, 100% de seus roteiros apoiam-se na religião budista - um espíritos que não conseguem descansar e um segredo não revelado, apenas um título do cinema tailandês merece destaque o aterrorizante "Imagens do além" (com uma péssima refilmagem de mesmo título), sobre um fotógrafo perseguido pelo espírito de uma mulher, a cena em que os protagonistas vêem fotos de espíritos vai fazer você ficar acordado por noites a fio.

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