Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Uma Espiadela em Baixo da Saia da Sociedade IX: Uma nota sobre este moralismo




O cristianismo deu veneno para Eros beber. Este, na verdade, não morreu, mas ficou viciado (Nietzsche).

Nesta semana a Record fez uma reportagem investigativa em Guarulhos, São Paulo, sobre a entrada de menores em um baile Funk. Estes menores iam desde adolescentes (15-16 anos) até crianças de (9-10 anos). O flagrante de crianças, com imagens encaminhadas para o juizado de menores foi perfeita, estava estranhando ver uma matéria tão bem feita na Record, que exibe apenas derramamento de sangue, até que o repórter que "narrava" a matéria diz que as cenas do baile Funk eram: imoralidades explícitas, desrespeitosos, feriam valores familiares e outras bobagens do tipo.
Como a Record, que exibe cadáveres na hora do almoço pode falar em imoralidade explícita? Concordo que crianças não devem entrar no baile Funk; também concordo que o Funk é poluição sonora e a dança é uma manifestação das pulsões sexuais mais primitivas. Mas são realizadas em um ambiente fechado, frequentado por pessoas que sabem o que vão encontrar lá (não estou falando das crianças), alias as pessoas vão nestes bailes a procura deste ambiente sexual.
A impressão que tive era que este texto foi escrito por algum pastor, logo me lembrei de um livro chamado "Xôgum" sobre o choque de cultura entre ocidentais e japoneses no século XVI, até a chegada dos cristãos o Japão era uma sociedade sexualmente aberta, onde as concubinas tinham um lugar de destaque e o sexo era algo gostoso e divertido, não pecaminoso.
Lembro-me também do meu primeiro artigo como psicólogo "Kogal: Chapeuzinho vermelho contemporâneo" publicado na revista "Vórtice de Psicanálise" onde tratei deste fetiche universal pela óptica da psicanálise. O que chamou minha atenção em ambos os casos foi o moralismo envolvente: Na pesquisa para o artigo li sobre sociólogos japoneses criticando a exploração da sexualidade por parte das colegiais - na minha opinião estes ficavam excitados com as colegiais e isto os incomodava. Na própria comunidade japonesa havia uma crítica da sexualidade - claro existem outros aspectos porém o sensual é um dos principais.
A primeira fala de um moralista é: "Eu não sou moralista" uma reação de certa forma impúdica. Teriam eles vergonha de sua posição? Qual o problema em assumir uma convicção? Respeito muito pessoas que discordam de mim por terem um ideal e o manterem, argumenta-lo abertamente. Então qual o problema dos moralistas? Já sei seria por que o moralista enxerga o sexo em tudo aquilo que vê pois desta forma aproximaria-se mais da sexualidade do que nós, os desavergonhados?
Vocês sabiam que no final do séc. XIX estudiosos tentavam criar uma classificação para a sexualidade? Eles queriam estuda-la para em fim entende-la nasceu assim a sexologia, porém juntamente à sexologia nasceu outra ciência a criminologia [1]. Sim ao tentar estudar a sexologia criaram uma ciência que estuda os criminosos. Paro por aqui pois se ficar muito mais óbvio a coisa perde a graça.

[1] ROUDINESCO, E. PLON, M. (1997) Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor.

2 comentários:

  1. ora, essas coisas sobre a sociedade japonesa eu nao sabia '-'
    e bem interessante essa situaçao de um moralista nao se assumir moralista, pior que isso acontece mesmo.

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  2. Bem, a criminologia vem desde os gregos, depois no seculo 18 houve a divisão da escola clássica de Beccaria e da escola positiva de Lombroso, no sec. 19, com "O homem delinquente" assim considerando esta ciência como o estudo do crime, da causalidade e da vitimologia mais tarde com interferência da escola alemã... Mas... sobre o moralismo e a sexualidade, o que se há de fazer quando se convive em uma sociedade que impõe ou regula o que deveria ser questão de Costume...
    ótimo texto!
    seguindo e desejando sucesso.

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