Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Imagem não é tudo, algumas idéias sobre o cinema


Um dia destes estava conversando sobre cinema com uma amiga quando esta dispara "não gosto de filme antigo por causa da imagem" logicamente fiquei indignado "como assim?" pensei comigo mesmo, como alguém assiste um filme apenas pela imagem (a coisa muda de figura se tiver uma gostosa pelada) mas qual a importância da imagem?
Stanley Kubrick dizia que o importante em um filme era o sentimento despertado, todo o resto era secundário. Inclusive o enredo. Outro diretor que pensa assim é o italiano (e maestro do terror) Dario Argento, seu ultimo filme "A mãe das lágrimas" é quase incompreensível, exceto pela sensação de angústia, estranheza e medo que acompanha o filme. Neste caso estamos falando de gênios que utilizam as imagens a seu favor. Os planos abertos utilizados por Kubrick eram belíssimos. Que tal a primeira cena de laranja mecânica onde Alex bebe um copo de leite com drogas, em um bar, acompanhado de seus colegas ao som de "title music from a clockwork orange" ou o final de 2001 uma odisséia no espaço" o monolito surge a frente da Terra, a câmera eleva-se, foco em um feto que observa nosso planeta". Fico arrepiado só de pensar. Todos seus finais eram verdadeiros socos no estômago, como a marcha dos soldados em "Nascido para Matar" que após uma batalha no Vietnã cantam "marcha do Mickey Mouse" enquanto o protagonista narra "estou em um mundo de merda"; o cadáver sorridente de Jackson Nicholson em "O iluminado" ou a cena da orgia vislumbrada por Tom Cruise em "De olhos bem fechados".
O maestro Argento não fica atrás que tal o assassinato precedido pelo boneco de corda que invade o escritório segurando uma faca em "Prelúdio para matar"? Ou Akira Kurosawa que chegou ao extremo de construir um castelo só para queima-lo, em uma das melhores sequências de batalhas já filmadas em "Ran", ou o suicídio do personagem principal em um balanço em "Ikkiru", também do mestre japonês?
Que tal o visual sublime de "O fantasma do futuro" desde o código binário dos créditos iniciais as cenas dos sonhos revelando a farsa conflitante da major Motoko (uma ciborgue) - ela é humana ou máquina? Ela existe? Sua lembranças são lembranças ou apenas um desejo de ser diferente? As personagens de "A viagem de Chihiro" revelam nosso mundo infantil e seu dilema: devemos crescer? Ou como crescer sem abandonar meu lado criança?
Pensando no cinema contemporâneo temos a luta final sob a neve do belíssimo "O clã das adagas voadoras" de Zhang Ymou ou o visual arrebatador de "Kill Bill" do Frakenstein genial Quentin Tarantino. Esta beleza estética pode estar na música. O que seria de "Cinema paradiso" sem a música de Enio Morricone? Vocês conseguem imaginar aquele final de outra maneira se não como fora filmado? A união perfeita do saudosismo, da música e da imagem. O filmes de Kubrick também são marcados pela música Bethoveen torna "Laranja mecânica" dançante.
A falta de música também favorece a estética, "Os pássaros" praticamente não tem trilha sonora, não precisa, a música quebraria a tensão. O silêncio torna "Doll´s" de Takeshi kitano quase insuportável, o filme que apresenta três histórias de amor que não dão certo trabalha na angústia, esta é a importância estética do silêncio.
Existe a falta da imagem como em "O bebê de Rosemary" onde o público jura ter visto o bebê, descrevendo-o em detalhes a pesar do mesmo nunca ser mostrado. "A bruxa de Blair" trabalha na sugestão ouvimos passos, risos de crianças e por fim uma casa. A casa da bruxa? Talvez, você decide.
Existem casos que são o contrário, já encontrei livros pequeninos, feinhos, amarelados porém com leituras magníficas, filmes com elenco desconhecido e quase amadores que me fizeram delirar como a pérola trash "O homem mascarado" sobre um grupo de amigos que vai para uma cidade fantasma no México filmar um pornô amador e acaba por encontrar um assassino praticante de luta livre geneticamente produzido pelos cientistas mexicanos para ganhar o ouro olímpico, porém este lutador ficou louco (sim este filme existe) se eu fosse apenas pela imagem, nunca teria visto esta pérola desconhecida do grande público.
Porém estas imagens magníficas estão cada vez mais raras, não digo as imagens puras e simples, estas continuam lindas me refiro ao seu significado, os filmes estão ficando cada vez mais vazios. Após a morte de Kubrick, Spielberg tentou homenagear o amigo em "A.I - Inteligência Artificial" (tentou é a palavra correto) embora belíssimo o filme é de uma superficialidade insuportável, o filme é vazio, não tem nada lá, a não ser a imagem. "A liga extraordinária" é outro exemplo existem personagens da literatúra clássica, infelizmente estes vagam sem rumo. Por falar em visuais ricos e conteúdos vazios fica impossível não falar de "Avatar" a pseudo-revolução ficou apenas na superfície. O visual de "Avatar" é realmente lindo mas para ai. James Cameron ainda usa os mesmos clichês de "Aliens O Resgate" para contar a história de "Dançando com lobos" onde os índios são bubistituídos por Smurfs bombados.
Muitos filmes hoje são superficiais escondidos por trilhas sonoras dançantes e belas imagens. Esta nova tendência atenderia a um novo público que também permanece vazio?

Abaixe os filmes citados neste post (apenas aqueles que valem a pena) e todos devidamente legendados, já que a dublagem estraga o filme:

2001 Uma Odiséia no Espaço


Laranja Mecânica

O Iluminado

De Olhos bem Fechados

Prelúdio para matar

AS Mãe das lágrimas

O Fantasma do Futuro


A Viagem de Chihiro

O Clã das Adagas Voadoras

Kill Bill Vol. 01

Cinema Paradiso

Os pássaros

O Bebê de Rosemary

A Bruxa de Blair

Um comentário:

  1. tava com saudades daqui, é que sou escroto e não dou tanta bola quando são coisas relacionadas a política (vergonha de mim -q), mas seus comentários de filmes e séries são muito bons.
    só achei um vacilo, pooooo... falar mal de IA? vacilo, o ÚNICO filme que me fez chorar, hahaha, esse filme acho demais (apesar de que em termos de cenas nem acho tão foda, mas a história achei legal).
    ah, e obrigado pelos links, tava mesmo querendo ver ghost in the shell. ;D

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