Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Michael Mayers o "bicho-papão" ou um pioneiro com o facão

A rigor o primeiro psicopata mascarado do cinema de terror seria Leatherface de "O Massacre da Serra Elétrica" de 1974, porém o marmanjo atuava em família o que o coloca em uma categoria a parte. Desta forma o primeiro psicopata-mascarado-dos-anos-80 é Michael Mayers, que de quebra estipulou as regras do gênero (quem bebe, se droga, faz sexo ou fica para trás morre).
Antes de qualquer coisa é bom esclarecer algumas coisas sobre Michael, criado em 1978 está presente em duas séries diferentes Halloween original e sua reinvenção - a qual muitos amaldiçoam, eu não. Outro ponto importante é que Mayers possui ao menos quatro versões diferentes durante as séries:
Ele é apresentado como o mau no filme de 78; como portador do mal em Halloween 4 e 6; Como um assassino imortal nas sequências Halloween 2, 5, H20 e Ressureição; finalmente como uma criança traumatizada que tem sua identidade dissolvida nos filmes de Robie Zombie.
De todos os assassinos dos filmes de Terror Michael Mayers é sem dúvida o mais complexo de todos, considerado uma criança normal até assassinar sua irmã que acabara de transar com o namorado. Se assistirmos cuidadosamente o primeiro filme veremos uma expressão de dúvida no jovem Michael após matar sua irmã, como se não soubesse o que estava fazendo. Durante o filme Dr. Loomis nos informa que Michael permaneceu anos sentado de frente para uma parede em silêncio "não havia nada lá, apenas o mal" nos informa o psiquiatra.

Podemos pensar que Michael "nasceu" simbolicamente como assassino após ver sua irmã transando com o namorado, se pensarmos que Halloween escreveu algumas regras do slasher movie temos aqui a principal: quem faz sexo morre, qualquer filme que tenha um assassino mascarado veremos esta regra. Em Halloween o "sexo proibido" gerou um assassino. O fato da série se passar no halloween contribui para o misticismo da personagem como enviado das trevas ou portador da morte.
Os filmes:
Halloween A ideia de John Carpenter era simples criar o "bicho papão" - Ele está se referindo aquele medo sentido pelas crianças durante a noite, uns medos que elas não conseguem identificar de onde vem, para aplacar este medo criam-se figuras monstruosas, Mayers é uma destas figuras, ele não tem rosto, apenas uma máscara branca inexpressiva.
Notem o simbolismo: Michael Mayers fora uma criança que teve sua inocência perdida ao assassinar sua irmã, logo ele repete esta cena matando jovens na idade de sua irmã enquanto tenta matar "crianças inocentes" ou simplesmente apresenta-las a morte.
No filme Mayers ataca as crianças e suas babás (mães ou irmãs substitutas) enquanto Dr. Loomis (saudoso Donald Plesance) descreve Mayers como o mal ou não humano, tese comprovada na meia hora final na luta da babá (Jamie Lee Curties) com o assassino e em um dos melhores finais de filmes de terror de todos os tempos.
Halloween 2 O filme se passa logo após o final do primeiro, aqui Mayers transforma-se em uma espécie de Jason que empilha corpos enquanto tenta matar a personagem de Jamie Lee Curties, que descobrirmos ser sua sobrinha, neste momento todo o simbolismo da personagem se acaba, se anteriormente Mayers matava sua irmã vista na figura de outras mulheres, aqui ele procura alguém da sua família.
Halloween 3 a Noite das Bruxas Este é um filme curioso, Mayers morreu no segundo filme, sendo assim devemos seguir em frente. Halloween 3 não tem absolutamente nada a ver com os dois episódios anteriores, mesmo assim merece uma conferida pois é um filme bacana sobre bruxaria, o que atrapalha o filme é seu título que remete a personagem de Mayers. A brincadeira fica interessante se pensarmos em universos paralelos: perto do final do filme a televisão ligada em m bar anuncia o filme "Halloween" para aquela noite.
Halloween 4 O Retorno de Michael Mayers Depois do primeiro este é meu filme favorito da série, o título já diz tudo, muito próximo do primeiro a parte 4 se difere pelo clima onírico, muitas cenas parecem alucinações ou sonhos. Somos introduzidos à sobrinha de Mayers (Danielle Harris) que sonha com seu tio vindo busca-la.
A pesar da estrutura simples a parte 4 trás algumas características do primeiro filme como o ambiente assustador e Mayers como o mal, porém com uma diferença fundamental Michael passa a ser o portador do mal - dizer mais seria estragar a surpresa, mas reparem no final do filme (o segundo melhor final da série) o qual merece um pouco de atenção do espectador no momento em que Mayers é morto (ele morre em todos os filmes e volta no próximo) a parte quatro alcançou o primeiro lugar nas bilheterias americanas em sua segunda semana em exibição.
Halloween 5 Estava tudo encaminhado para uma nova sequencia de filmes, teríamos um novo assassino e Mayers seria representado como um "fantasma" de Handolfield, uma figura que gera paranoia e medo. Porém o produtor não quis e ressuscitou Mayers. Assim como no episódio 2 Michael é retratado como um assassino comum, para piorar vemos sua face por trás da máscara o que aniquila toda a mitologia do bicho papão, Michael Mayers torna-se humano. O resultado final é que esta quinta parte quase matou a franquia.
Halloween 6 A Ultima Vingança Após seis anos os produtores decidem por fazer um sexto filme e explicar a origem de Michael Mayers, a personagem volta a ser o portador do mal, produto de um culto druida que o escolheu ao nascer. A pesar da premissa duvidosa ela funciona bem e esta parte seis é a terceira melhor da franquia, não existe nada de novo, mas o filme funciona e bem. A figura do assassino fora muito bem explorada com momentos de terror e tensão aliados a um clima de paranoia. Este foi o ultimo filme de Donald Plesance que morreria pouco depois. Sua primeira cena acarreta humor negro involuntário ao dizer "ainda estou vivo" – Plesance morreria meses depois. Halloween 6 foi uma despedida digna.
H20 Existe Halloween sem o Dr. Loomis? Sim, se tivermos Jamie Lee Curtis. Este é um filme comemorativo de vinte anos da obra original. Assim sendo H20 é uma grande brincadeira e deve ser encarado sem maiores pretensões. Descobrimos que a personagem de Curtis não está morta (como informam na parte 4) e agora vive com outra identidade como professora de uma escola, onde seu filho estuda.
Com aproximação do Halloween ela passa a ter pesadelos com Mayers que logicamente irá persegui-la; ao mesmo tempo seu filho, a namorada dele e mais um casal farão uma festa na escola deserta. O único grande pecado é H20 ter ignorado todos os filmes anteriores e partido do final do segundo filme, isto por que o diretor do filme Rick Rosenthal dirigiu a parte 2. Aja ego.
Rosenthal é um diretor absolutamente mediano, dedicado ao gênero horrífico em H20 ele entrega um trabalho divertido que funciona como uma boa matinê, mas fica sempre aquela sensação de que poderia ter sido melhor.
Halloween A Ressureição O horror! Você já assistiu a um filme tão ruim, mas tão ruim que ficou se perguntando como alguém desperdiçou dinheiro naquela coisa? É o caso deste Halloween, o filme é um lixo.
A Era Robie Zombie
Halloween O Início Some o desastre do filme anterior a esta maldita moda de refilmagem e teremos este novo Halloween. Como disse no começo do post não sou daqueles que crucifica Robie Zumbie e o acusa de ter destruído a personagem Michael Mayers, prefiro encarar estes filmes como uma realidade alternativa ou um filme que não tem nada a ver com o primeiro Halloween - assim como a parte 3.
O grande charme de Mayers é a justificativa pelo seu comportamento assassino, ele é o mal. Zombie fez uma leitura diferente da personagem mostrando Mayers como uma criança perturbada, a primeira parte é bem legal principalmente a desintegração da identidade do pequeno Michael no hospital psiquiátrico.
A segunda parte do filme é quase igual ao original - é uma refilmagem oras! Com um porém ela é mais visceral logo teremos mais sangue e sexo. Zombie namora com o proibido. Outra grande sacada do diretor é trazer de volta para a série Danielle Harris, uma ótima atriz com carreira dedicada ao horror como uma das babás.
O simbolismo de Michael procurando sua irmã permanece, porém menos aprofundado, concluindo "Halloween o Início" deve ser visto como Halloween de Robie Zombie e não como uma refilmagem, mas como homenagem.
Halloween 2 Sabe aquele lance de reinterpretação das personagens e uma versão totalmente diferente de Zombie? Pois bem, neste filme ele exagerou. Existe um meio termo entre uma homenagem e uma nova imaginação - Robie Zombie reimaginou todas as personagens de Halloween o que descaracterizou completamente o filme, fica a sensação de que não estamos mais assistindo Halloween, mas outro filme qualquer.
Aquela imagem da mãe morta ao lado do cavalo branco mandando Michael matar é até uma boa ideia, mas muito mal usada, fora que aproxima Michael Mayers de Jason. De bom o filme apresenta algumas cenas violentas.
Já está em pré-produção uma terceira parte, sem Zombie vamos ver o que acontece com Mayers.
Abaixe aqui todos os filmes da série Halloween, como sempre todos devidamente legendados:


3 comentários:

  1. Realmente um precursor em filmes de seriais killers mascarados... mas quem definiu o estilo e mudou ele foi Pânico, pois até Halloween se rendeu anos depois...

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  2. Não, Pânico apenas brincou com as "regras dos filmes de terror" iniciadas em Halloween.

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  3. Ótimo texto apenas alguns equívocos o correto é Myers e "ele é apresentado como o mal no filme de 78"

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