Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Cosplay

Já faz algum tempo que prometi voltar ao tema, mais especificamente desde o tópico Brincando com a sexualidade I O Cosplay hentai inclusive pensei em chamar este tópico de Brincando com a sexualidade II uma vez que movimentar o corpo é por si só sensual, mas mudei de ideia, poderia ser mal interpretado. Principalmente no que está por vir neste tópico.
Explicações básicas para os não iniciados

O termo Cosplay vem da junção das palavras Costume e player do inglês: vestir e representar/jogar ou até brincar (aqueles mais xiitas ficarão furiosos com esta definição) popularmente conhecido como o ato de se vestir e representar uma personagem, vinculado ao universo anime/mangá este não é exclusividade sendo possível ver cosplayers (quem faz o cosplay) de filmes, desenhos e até do chapolin Colorado. Um verdadeiro samba do crioulo doido.

O Cosplay é um hobbie, uma diversão e até uma arte (por que não) é necessária muita dedicação e esforço por seus praticantes, que merecem minha admiração, infelizmente alguns praticantes se levam muito a sério se esquecendo do que é o cosplay.

Ao contrário do que se imagina o cosplay não nasceu no japão, mas nos EUA sendo criado pelo americano Forrest J. Ackerman em 1939 na Worldcon, uma versão do vestido do filme de 1936 "Things to Come", batizado como "futurecostume" (Cosplay é melhor).

Os primeiros cosplays de mangá/anime registrados são posteriores aos anos 70, nos EUA, os primeiros cosplayers japoneses surgiram nos anos 80 depois que Nobuyuki Takahashi vizitou a Worldcon e levou a prática para a terra do sol nascente. Desde então o Japão tem sido referência a esta febre.A importância dos anos 80 e 90.


O Cosplay no brasil


A relação do brasil com a mídia japonesa é antiga, tem mais de 50 anos, porém foi apenas nos anos 90 - onde a geração dos 70 comandava a mídia impressa, que houve o grande boom dos animes também conhecido como "Geração cavaleiros do Zodíaco" esta época foi muito importante para a década 2.000.

Com mentalidade jovem esta geração dá preferência ao pop, vemos influencia do anime espalhada em nosso cotidiano. Tal mentalidade facilitou a via dos cosplayers, que ainda sofrem preconceito, mas sentem-se mais a vontade do que as primeiras gerações de praticantes, ainda no século XX. Lembro-me de uma "Animax" onde o editor Peixoto visitou um grupo Cospley, que se resumia a alguns amigos apertados dentro de uma casa.

Ainda nos primórdios dos anos 80 os fãs viam no Cosplay (o termo ainda estava sendo difundido no japão) como uma expressão - compreensível a final os fãs da mídia nipônica sempre estiveram a margem dos desenhos americanos e do preconceito "desenho é coisa de criança", estes pioneiros eram acima de tudo corajosos por expor seus gostos e encarar as críticas da sociedade.




Mauricio e Mônica Somenzari
Situação muito diferente do que vemos hoje, o grupo Cosplay brasil surgiu apenas em 2002, os eventos de animes tornaram-se populares de fato no século XXI. Hoje em dia a Yamato Comunicações e Eventos organiza também o maior concurso de cosplay individual em território nacional, o YCC - Yamato Cosplay Cup. Ele é único que agrega competidores de todas as regiões do país. São 26 competidores selecionados que disputam a competição nacional em julho, destes os três primeiros colocados participam de uma etapa uma internacional em janeiro, que logo em sua primeira edição em 2008 teve seletivas no México, Chile, Argentina e Paraguai. Nestas seletivas em outros países participaram mais de 200 cosplayers interessados em competir na final realizada no brasil. Nas seletivas nacionais, realizadas em aproximadamente 20 eventos, foram mais de dois mil competidores. A campeã da edição brasileira de 2007 foi Andressa Miyazaki, seguida por Simone Setti e Thaís Jussim. Definitivamente o hobbie ficou sério.

A Editora JBC organiza o WSC brasil que reúne 15 duplas de todo o país competindo para saber qual a melhor do país que vai representar-nos na final mundial que é realizada no Japão. Uma vaga é da dupla vencedora do ano anterior, treze são distribuídas por eventos parceiros e uma sai em uma repescagem. Em 2007, o evento teve média de 4 a 5 duplas inscritas por seletiva. Em 2006, os irmãos Mauricio Somenzari e Mônica Somenzari venceram tanto a etapa brasileira, quanto a japonesa da competição. Em 2007, Marcelo Fernandes e Thaís Jussim venceram no brasil. Em 2008, Gabriel Niemietz e Jéssica Campos foram campeões na etapa brasileira e venceram também a etapa mundial. Em 2009, a dupla Geraldo Cecílio e Renan Aguiar venceu a etapa brasileira. Em 2010 a dupla Gabriel Niemietz e Kaoli foram campeões da etapa brasileira e segundo lugar no mundial.

Dedicação ou preconceito
Michelle Fernandes
O leitor mais atento percebeu que eu repeti inúmeras vezes a palavra preconceito, garanto para vocês que foi proposital. O fã de anime sempre foi marginalizado, seja por seu gosto que foge da maioria e por sua aparência. Hoje em dia a principal fonte de consumo de animes e mangás é a internet, uma espécie de refúgio.

A história do movimento cosplay teve que vencer a intolerância e olhares incrédulos. Por isto tudo seus seguidores não teriam o direito de discriminar ninguém, não é o que acontece. O excesso de dedicação ao tema aparentemente estreitou a visão de certas pessoas que acabam se esquecendo que o cosplay é uma diversão.

Um caso famoso foi a "Michelle Asuka", uma cosplay que deu uma entrevista para a finada revista Herói, linda ela despertou o interesse do público e foi convidada para uma sessão de fotos. Pronto foi o suficiente para algumas pessoas a acusarem de desvirtuar o Cosplay.

Penelope
Eu disse lá em cima que mover o corpo é sensual por si - a inveja fez o resto, alguns anos depois a Henshin fez um "ensaio cosplay" vestiu uma modelo como Sakura e despertou a fúria dos praticantes. Concordo, aquilo não era Cosplay, mas menos por favor, o que mais existe pelo mundo são cosplays sensuais. Na época Petra Leão, praticante da arte e famosa em seu meio foi uma das que se manifestou. Uma pena pois Petra é talentosa e teria voz para levantar qualquer bandeira.

Fato pior foi a Penélope, cosplay que fez alguns filmes adultos no passado e abandonou a prática, virando a página em sua vida foi atormentada por praticantes e fãs de anime/mangá foram criadas comunidades no orkut (na época não existia twitter ou faceboock), ela foi tema em blogs do gênero, criaram teoria sobre sua vida, pessoas que nunca a viram contavam vantagem de terem transado com ela. Atormentada ela mudou seu perfil várias vezes.

Seria bom que os cosplayers olhassem para seu passado, entendessem toda a dificuldade que aqueles que vieram antes deles tiveram antes de sair disparando contra seus semelhantes apenas por serem considerados diferentes ou serem invejados. No caso de Michelle por ser bela e não sentir vergonha ao expor seu corpo; Já a Penélope por despertar a fantasia dos homens, que não sabia como lidar com seus próprios desejos.

Um comentário:

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