Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Fernando Henrique - O Homem do Ano

São poucas as pessoas que conseguem se reinventar. Meditar sobre a vida, refletir suas ideias e em como elas seriam aceitas para enfim colocar em prática uma nova/velha conduta. Fernando Henrique já o fez por duas vezes no passado e o faz pela terceira. Sociólogo e estudioso do pensamento político FHC aceitou o desafio dos críticos, os quais afirmavam que suas ideias eram fáceis de serem aplicadas enquanto teoria. Corajoso FHC trocou uma cadeira na universidade pela política; após a era Collor Fernando Henrique se transforma de mais um político em pai do Plano Real mostrando toda sua competência. Agora FHC se transforma uma terceira vez, trazendo a maconha em pauta.

Nada como a experiência para mudar pontos de vista, claro a experiência de nada vale se não for pensada. FHC afirma "durante todo meu governo, a visão que se tinha no mundo era de que seria possível erradica-las (drogas). E foi ficando claro para mim que era um objetivo inalcançável". Conta em entrevista dana na Revista TRIP. O que para muitos seria uma frustração o ex-presidente transformou em missão, ele despertou o sociólogo e rodou o mundo dando conferências e entrevistas sobre o tema: Descriminalização.

O ponto de partida de Fernando Henrique (e do documentário "Quebrando o Tabu") é simples a guerra contra as drogas fracassou, a repressão somente fortalece o tráfico e aumenta o número de dependentes. Tais ideias assombram os reacionários de plantão. A prova deste fracasso é a entrada de narcotraficantes colombianos na política (e no congresso colombiano) - para FHC um dos principais responsáveis por este quadro são os americanos. Hoje o governo americano, pela voz de Hillary Clinton, afirma que os EUA tem a mesma responsabilidade que os colombianos.

Para FHC as drogas estão intimamente ligadas a visão política e ao preconceito contra classes sociais "A questão das drogas é muito mais vista como uma questão dos pobres. É a favela, a cracolâncdia, a violência. E quase todo mundo fecha os olhos para o consumo da classe média que é o verdadeiro mercado". Enquanto não houver esta quebra no preconceito não se pode solucionar o real problema das drogas, ao contrário a repressão contra apenas um lado aumenta a violência e evidencia o fracasso do combate as drogas.

Mas o que fazer diante da situação? "Em primeiro lugar não se pode tratar o usuário de drogas como criminoso" e o tratamento em si é demorado, complicado e nem sempre eficaz porém melhor do que a marginalização. Aliás o simples fato de olhar um dependente como criminoso dificulta sua recuperação. Ainda neste tema Fernando Henrique traça um paralelo entre a guerra contra as drogas e a lei seca na década de 30 que apenas aumentou o mercado ilegal. "Não adianta ter uma posição radical que não funciona" ele também questiona a eficácia dos "cofee Shops" no brasil, alegando a diferença de realidades entre a Holanda e nosso país. Mesmo na Holanda a maconha entra de forma ilegal, no brasil esta ilegalidade está diretamente relacionada ao tráfico e a violência. o "cofee shop" simplesmente maquiaria a situação.
A única saída vislumbrada por FHC seria a descriminalização, assim pequenas cooperativas teriam o direito legal de plantar a maconha "cooperativas, autorizações para produção em pequena escala, jardins particulares para uso pessoal. Alguma coisa assim deveria ser experimentada para ver se a coisa anda". Reparem FHC fala sobre experimentar e não aprovar de imediato; seu outro argumento também é válido: "ela (maconha) é a menos daninha, menos que o cigarro, é razoável que a gente separe das demais, para tirar essa receita do tráfico e concentrar o combate nas outras drogas que são perigosas".

Politicamente falando FHC defende uma união partidária sobre o assunto afirmando que tal postura seria muito difícil de ser assumida por um presidente por ser facilmente usada contra ele devido a posturas conservadores dos políticos e de uma parcela da população. Ele afirma que não foi criticado dentro do PSDB apenas por ser quem ele é "é preciso que algumas pessoas tenham coragem de enfrentar". e conclui "eu não sou usuário, nunca fui, não estou pregando o uso. Mas estou dizendo: tem gente que usa e o uso é diferenciado. O efeito também. E não adiante reagir sempre igual. Eu sei que vão interpretar errado, tirar do contexto. Mas nessa altura da vida também não me preocupa". Este é o novo Fernando Henrique Cardoso.

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Um comentário:

  1. Pouca gente dá o valaor merecido ao FHC eu acho que ele é o verdadeiro mentor da melhoria de vida do Brasil, o Lula inteligentemente apenas continuou o caminho que o FHC tinha traçado!

    Bela postagem!

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