Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Entrevista com Lula o metalúrgico na Playboy

Segue trechos da entrevista que Lula concedeu para Josué Machado, então repórter da revista Playboy no ano de 1979. Na época Lula ainda estava filiado ao sindicato do ABC paulista e Diadema.

O que mais chama atenção é que nesta entrevista vemos o Lula verdadeiro e não o mito criado. Na época Lula ainda ainda não vendia uma imagem e foi o mais sincero possível.

Existe muita polêmica em cima desta entrevista, eu que nunca gostei do Lula não vi nada de mais, apenas achei interessante poder ler fragmentos de uma entrevista autêntica.

Lula o brincalhão

Playboy – Lula, que tal posar nu na Playboy?

Lula - Quando você falou comigo sobre a entrevista eu cheguei para o Djauma (Djauma Bom, então diretor de sindicato, posteriormente deputado federal pelo PT) e disse " vou posar pelado para Playboy". E o Djauma, puto da vida"nem fodendo, nem fodendo". Ai eu aguentei sério e comecei a explicar: "Pô, Djauma, que é isso? Não é o sindicato que vai posar pelado. Sou eu, o Lula. Isso não tem nada com o sindicato. Eu quero, vou ganhar dinheiro, sabe? Dizem que as mulheres estão querendo saber se ele tem pinto de ferro, ou não tem". O Djauma não quis saber "Não, nem fodendo. Espere ai que nós vamos fazer uma reunião de diretoria. Você tem que se preservar, não pode ficar entrando nessas, não!" Djauma acreditou rapaz
A História de amor entre Lula e Marisa

Lula – Foi engraçado, eu saia da casa de uma namorada à meia-noite, à uma da manhã e pegava um táxi na pracinha de São Bernardo. era o carro de um velho. Um dia, não sei por que, contei a ele que era viúvo. Então ele me falou que tinha uma nora muito bonita, e que o filho tinha sido assassinado três dias depois do casamentos. Ele continuava muito revoltado com a morte do rapaz e me disse que a nora não ia mais casar. Como eu tinha contado minha história para ele, de vez enquando pegava o táxi e ele desabafava, falava do filho. E às vezes também falava da nora. E eu pensava: qualquer dia eu vou papar a nora desse velho... Nessa época, a Marisa apareceu no sindicato. Ela foi procurar um atestado de dependência econômica para internar o irmão. Eu tinha dito ao Luizinho, que trabalhava comigo no sindicato, que me avisasse sempre que aparecesse uma viuvinha bonitinha... Quando a Marisa apareceu, ele foi me chamar. Então comecei a encher o saco dela. E ela não queria nada. Escamosa, sabe? Uns três ou quatro dias depois eu passei a telefonar para ela. Mas só depois descobri que Marisa e a nora do taxista eram a mesma pessoa...

Marisa – Primeiro ele preparou o terreno para depois me conquistar. mas ele foi muito sem-vergonha sabe? Num belo domingo apareceu na minha casa, sem mais nem menos, e foi logo conversar com minha mãe. Cara de pau!

Lula – Eu tinha perdido a timidez.

Marisa – O mínimo que eu tinha que fazer era convida-lo para entrar.

Lula – Mas antes houve alguns episódios. Um dia eu estava conversando com você no portão e apareceu a fera atrás do muro, o outro namorado dela.

Playboy – E ai?

Lula – Ele se mancou.

Marisa – O outro já estava desconfiado. O horário de trabalho dele variava por que ele trabalhava em turno e de vez enquanto me pegava na escola onde eu trabalhava. Então ficou sabendo que eu saía com Lula, que de vez em quando me dava carona.

Playboy – Você ficou em dúvida entre os dois?

Capa da Playboy com a entrevista de Lula
Playboy – Há alguma figura de renome que tenha inspirado você? Alguém de agora ou do passado?

Lula [pensa um pouco Há algumas figuras que eu admiro muito, sem contar o nosso Tiradentes e outros que fizeram muito pela independência do Brasil. Um cara que me emociona muito é o Gandhi. Outro que eu admiro muito é o Che Guevara, que se dedicou inteiramente à sua causa. Essa dedicação é que me faz admirar um homem.
Marisa – Fiquei em dúvida. Não sabia por quem decidir. Aquele eu conhecia desde criança... Era um moço direito, de família. Com o Lula eu simpatizava mais, gostava mais do jeito dele, mas não sabia quem era. Então pedi um tempo para pensar.

Lula – O tempo durou cinco minutos.

Marisa – Que nada, levou tempo!

Lula – Levou tanto tempo que em seis messes a gente casou.

Marisa – Um tinha boa intenção, outro, intenção ruim. E acabei conquistada pelo que tinha intenção ruim. Mas ele era gamado, viu? Vivia dependurado no telefone.

Os homens que inspiraram Lula



Playboy – A ação e a ideologia?

Lula – Não está em jogo a ideologia, o que ele pensava, mas a atitude, a dedicação. Se todo mundo desse um pouco de si como eles, as coisas não andariam como andam no mundo.

Playboy – Alguém mais que você admira?

Lula [pausa, olhando as paredes] - O Mao Tse-Tung também lutou por aquilo que achava certo, lutou para transformar alguma coisa.

Playboy – Diga mais…

Lula – Por exemplo… O Hitler, mesmo errado, tinha aquilo que eu admiro num homem, o fogo de se propor a fazer alguma coisa e tentar fazer.

Playboy – Quer dizer que você admira o Adolfo?

Lula – [enfático] Não, não. O que eu admiro é a disposição, a força, a dedicação. É diferente de admirar as ideias dele, a ideologia dele.

Playboy – E entre os vivos?

Lula [pensando] – O Fidel Castro, que também se dedicou a uma causa e lutou contra tudo.

Playboy – Mais.

Lula – Khomeini. Eu não conheço muito a coisa sobre o Irã, mas a força que o Khomeini mostrou, a determinação de acabar com aquele regime do Xá foi um negócio sério.

Playboy – As pessoas que você disse que admira derrubaram ou ajudaram a derrubar governos. Mera coincidência?

Lula [rápido] – Não, não é mera coincidência, não. É que todos eles estavam ao lado dos menos favorecidos.

Playboy – No novo Irã, já foram mortas centenas de pessoas. Isso não abala a sua admiração pelo Khomeini?

Lula – É um grande erro… Ninguém pode ter a pretensão de governar sem oposição. E ninguém tem o direito de matar ninguém. Nós precisamos aprender a conviver com quem é contra a gene, com quem quer derrubar a gente. É preciso fazer alguma coisa para ganhar mais adeptos, não se preocupar com a minoria descontente, mas se importar com a maioria dos contentes.



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