Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Bill Murray

Sou fã do Bill Murray desde sempre, ele fez parte da minha infância, toda ela regada a seus filmes. Assim que o video cassete chegou no brasil meus pais e tios alugaram uma série de filmes que incluíam as trilogias "De Volta para o Futuro", "Indiana Jones" e os dois "Caça-fantasmas". Tiveram outros filmes, mas não me lembro mas não me lembro dos nomes. No momento em que assisti Murray interpretando eu cai no riso e continuei rindo até hoje.

Sempre que um de seus filmes era anunciado eu corria para frente da televisão assistir suas caretas, interpretações completamente loucas e seu ironismo sem igual. Como Bill Murray é irônico, seus filmes são obrigatórios para quem aprecia o cinema.

Murray nasceu em 21 de Setembro de 1950 com o nome de William James Murray em uma família pobre de nove irmão, naquela família quem quisesse frequentar o colégio deveria trabalhar, Murray conseguiu seu primeiro emprego como caddies em um campo de golfe (carregando tacos e buscando bolas) ainda no colégio Bill descobriu seu talento na arte da interpretação, ele chegou a ser aceito na Universidade de Denver, mas foi expulso por porte de maconha.

Fora do mundo acadêmico Murray passou pela rádio e pelo teatro até ser contratado pelo programa "Saturday Night Live" em 1977 onde ficou até 1980.

O próximo passo foi o cinema que o consagrou internacionalmente como astro cômico, embora tenha feito papéis sérios com igual desenvoltura. Mas não no início de carreira, ainda nos anos 70 Murray atuou em diversas comédias meia boca, sendo a mais famosa "Almôndegas" - uma espécie de "Pork´s" dirigido por um tal de Ivan Reitman.

Anos 80 - A Consagração


Os Caça-Fantasmas
Fica difícil escolher apenas um nome para representar uma época. Os anos oitenta tiveram vários reinados como Eddy Murphie que misturava trama policial e comédia, o grandalhão carismático Arnold Schwazenegger ou o assassino Jason de Sexta-feira 13. Porém Murray teve o mérito de ser o astro da segunda maior bilheteria da década, "Os Caça-Fantasmas", dirigido por Ivan Reitman. Porém estou me adiantando na história.

A década começou devagar para Murray após pequenas pontas no drama "Nada é para sempre" e na comédia "Tootsie" e participar de filmes facilmente esquecíveis veio sua primeira grande atuação na comédia "Um Recruta da Pesada" (Stripes) sobre um taxista que após perder tudo entra para o exército. A comédia contava com a então musa Sean Young, Harold Ramis (Dr. Egon de "Os Caça-Fantasmas") e a direção do amigo Ivan Reitman.

Foi apenas em 1984 que Reitman adaptou o roteiro de Dan Akroyd e Harold Ramis para os cinemas, criando assim um ícone da cultura Pop "Os Caça-Fantasmas", Murray nunca foi a primeira opção, porém com a morte de John Belushi e recusas de John Cash e Eddy Murphie Murray ganhou o papel de destaque e responsabilidade de fazer o filme um sucesso.

Murray não desapontou, sua personagem o Dr. Venkman era a principal atração do filme, mais até que os fantasmas, junto com a bilheteria veio a fama e a confirmação do astro. Já no século XX Dan Akroyd afirmou que 50% do sucesso do filme deve-se a Murray. Sua atuação ainda lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor ator em comédias ou musicais.

Na cola destes sucessos vieram outras pérolas cômicas como a refilmagem de "A Pequena Loja de Horrores" onde ele rouba a cena como o paciente masoquista do dentista/vilão do filme, vivido por Steve Martin.

É desta década um dos meus filmes natalinos favoritos "Os Fantasmas contra-atacam" onde Murray vive um executivo de TV sovina e avarento, dedicado exclusivamente ao dinheiro que recebe a visita de três fantasmas na noite de natal. Murray dá um show de improvisação na sequencia final do filme. Atuação que lhe rendeu uma indicação de melhor ator no Saturn Award".

Em 1989 ele volta a empunhar o rifle de pósitrons em "Os Caça-Fantasmas 2" outro sucesso de bilheteria e mais um show de Murray roubando a cena, principalmente quando invade um Museu e chama o fantasma de Vigo, preso dentro de uma pintura, de bichinha.


As Panteras
Anos 90 entre o sucesso e o ostracismo
A década de 90 começou assim como a de 80 terminou, com ótimos filmes e indicações a prêmios. Como os divertidos "Nosso Querido Bob" de 1991 onde Murray interpreta um paciente que segue seu psicólogo nas férias deste o levando a loucura e "Feitiço do Tempo" de 1993 dirigido pelo amigo Rotman onde Murray vive um homem do tempo amargo e intolerante que trata os outros como lixo, até ficar preso no mesmo dia. Em ambos os casos ele fora indicado ao MTV Movie Award de melhor ator cômico.

Ambos os filmes tornaram-se clássicos da sessão da tarde, porém nenhum deles entrou para história como uma das melhores comédias de todos os tempos. O MTV Movie Awards é uma premiação séria, porém os atores não costumam se desesperar para conquistar uma estatueta da MTV. Some estes fatores a mudança de década, os valores dos anos 90 eram bem diferentes da década passada e o surgimento de um novo tipo de humor e com o surgimento de novas estrelas fica fácil entender o declínio na carreira de Murray.

A década de 90 viu um novo rei da comédia surgir Jim Carrey e suas personagens enlouquecidas, muito talentoso, mais jovem do que Murray e estrelando um sucesso atrás do outro nosso amigo Bill acabou rebaixado a uma segunda categoria de astros.

Todos sabiam de seu talento e mesmo não conseguindo levar uma multidão ao cinema apenas com seu nome Murray era sinônimo de risadas e boas atuações. Assim ele foi sendo escalado para papéis secundários ou como alívio cômico em filmes "sérios" como em "Ed Wood" de 1994; "Uma mulher para dois" de 1993; "Space Jan - O Jogo do século" de 1996 onde Murray interpreta a ele mesmo e rouba a cena de Pernalonga e Patolino; do suspense sensual "Garotas Selvagens" de 1998; "Hamlet" e "As Panteras" ambos de 2.000.

Comédias como "O Homem que Sabia de menos" de 1997; "Três é demais" de 1998 e "KingPin - Estes loucos reis do boliche" de 1997 não foram suficientes pare retomarem sua carreira. Mesmo assim Murray ainda conseguiu abocanhar prêmios de melhor ator coadjuvante por "Garotas Selvagens" e "Três é Demais".

Encontros e Desencontros
Anos 2000 A Ressureição

Embora fosse reconhecidamente talentoso na arte de fazer rir Murray era visto mais como uma relíquia dos anos 80, situação semelhante a do seu amigo Ivan Reitman que amargava o fracasso de "Evolução" onde o ex-Agente Moulder, David Duchovny, caçava alienígenas.

O século XXI começou assim como os anos 90 terminaram com Murry longe das grandes bilheterias, fadado a ser um ator de pontas até Sofia Coppola entrar em sua vida com o convite para "Encontros e Desencontros".

A filha do cineasta da trilogia "O Poderoso Chefão" já havia tentado seguir carreira de atriz sem sucesso, como diretora ela tinha no currículo "As Virgens suicidas" misto de crítica social, drama e humor negro. Um filme maravilhoso que merece ser conhecido. Foi com este mesmo espírito que Sofia roteirizou e dirigiu sua obra-prima.

Murray viveu uma estrela de cinema decadente, lembrado apenas em reprises que para descolar uma grana precisa ir ao Japão gravar um comercial de whisky. Lá ele encontra uma recém formada, Scarlett Johansson que acompanha o marido fotógrafo. Desiludida, angustiada e sem rumo na vida a garota volta a sorrir ao encontrar a personagem de Murray, vagando como um zumbi no bar do hotel.

O título original da obra "perdido na tradução" ilustra bem o que é o filme Murray e Scarlet estão sozinhos em meio a multidão, tentando se encontrar ela uma Jovem que se vê sem futuro, ele um ator ultrapassado preso em um casamento arruinado pelo tempo. A semana que os dois passam em Tóquio faz nascer um amor tão puro que nem um beijo pode arruína-lo. "Encontros e Desencontros" chegou a ser considerado o novo "Casablanca". Não chega a tanto, porém ilustra com maestria os rumos do novo século.

Murray ainda foi indicado ao Oscar, era evidente que ele não iria ganhar porém o velho comediante conquistou algo ainda mais importante do que a estatueta. Respeito, ele finalmente fora reconhecido como o excelente ator que sempre foi.

Sua carreira segui pela comédia com a dublagem de "Garfield - o filme" considerada pela crítica o único aspecto que salva o filme, "A Vida marinha com Steve Zissou" - uma comédia divertidíssima que merece ser descoberta e o belo "Flores Partidas" onde Murray vive um solteirão convicto que após descobrir a existência de um filho parte em busca de suas conquistas. Uma perola do diretor Jim Jarmusch, ícone do cinema independente.

Murray alterna filmes como "Flores partidas" - sobre a solidão contemporânea, que pode ser entendido como um filme para poucos com participações em comédias escrachadas como "Zumbilândia" e "Agente 86".

Sua ultima grande incursão na mídia foi quando Murray rasgou o roteiro de "Os Caça-Fantasmas 3" - ele teria recebido o roteiro do amigo Dan Aykroyd sem entusiasmo, após meses Bill iniciou a leitura e detestou o que viu, segundo a mídia americana Murray rasgou o roteiro e devolveu os pedaços para Aykroyd dizendo "ninguém quer pagar para ver gordos velhos caçando fantasmas".

Sua atitude parece ser a de um ator maduro, que reconhece sua história e o lugar que ocupa em Hollywood, diferente de Aykroyd, Signourney Weaver e o diretor Ivan Reitman que não suportam ficar longe dos holofotes, mesmo que isto implique em pagar mico em público e destruir um ícone pop.

Aos 61 anos Bill Murray prefere filmes como os dramas "Passion Play" com Mickey Rourke e Megan Fox e "Moonrise Kingdon" ao lado de Bruce Willis. Seu próximo projeto será ao lado de Charlie Sheen em "A Glimpse Inside The Mind of Charlie Swan III". Pois é Murray chegou a um estado da carreira onde atua apenas nos projetos em que deseja ignorando estratégias de marketing e corridas pelas bilheterias.


Um comentário:

  1. Eu gosto muito do filme encontros e desencontros, com ele! Muito mesmo!

    bjks

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"Os Deuses Mortos" Oito Anos

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