Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vai começar o julgamento do mensalão e a CPI do Cachoeira: o erro estratégico do PT, as eleições e a CPI da Delta




No começo tudo parecia um sonho: Demostenes Torres, um dos maiores críticos do PT e orador da ética e da política limpa, foi acusado de favorecer o bicheiro Carlinhos cachoeira, em um esquema que envolvia a Revista Veja e o governador de Goiás Marconi Pirillo (PSDB) como perder esta oportunidade? Lula sabia que em um ano de eleição limpar o nome do partido era essencial. Mas como fazer as pessoas esquecerem o mensalão? Simples desacreditando seus acusadores enquanto recita o mantra “o mensalão não existiu”.

Diferentemente de Lula Dilma era contra a CPI, a presidenta sabe que nenhum partido sai ileso da CPI, a sede de vingança foi maior que o bom senso e a vontade de Lula prevaleceu sobre a vontade de Dilma. Eu já disse neste blog como a CPI da Delta foi usada para ocultar o julgamento do mensalão e como a CPI se conduzia para virar uma Pizza o plano lulista era queimar Demóstenes e a Revista veja. Foi ai que as coisas começaram a dar errado.

Como diria José Simão “Não existe virgem na zona” e a CPI começou a tomar outros rumos, o governador do distrito federal Agnelo Queiroz (PT) e o governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) começaram a aparecer, PSDB e PMDB fizeram um acordo de cavalheiros para não convocarem seus governadores. Até que uma foto mudou o rumo da CPI – o deputado petista Candido Vacarezza enviou uma sms ao governador Sérgio Cabral “A Relação com o PMDB vai azedar na CPI. Mas não se preocupe você é nosso e nós somos teu”.

O resultado foi a convocação do governador Sérgio Cabral para a CPI, provavelmente não vai acontecer nada com ele, porém o atual prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes, candidato do PMDB e de Cabral,apoiado pelo PT, não goza de popularidade na cidade maravilhosa, o escândalo da CPI apenas complementa a situação.


A Delta e Cabral

Carlinhos cachoeira revelou ter relações com a empreiteira Delta, responsável pela reforma do maracanã. Segundo apuração da Veja a Delta possuiu uma loja de pneus/empresa fantasma usada para lavagem de dinheiro de seus contratos com os governos da base aliada. Estima-se que a Delta tenha emitido R$ 115 milhões em notas fiscais por empresas fantasmas, este dinheiro era desviado para políticos, garantindo contratos públicos superfaturados.
Fernando Cavendish, da Delta Construção, e Sérgio Cabral
Governador do Rio de Janeiro
O relatório do Concelho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ligado ao governo federal apurou oito empresas fantasmas ligadas a Delta e registradas em nome de laranjas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás
A revista veja de 06/06/12 esta empresa fantasma repassou R$ 6 milhões de dinheiro lavado para o PMDB de Goiás; em São Paulo a Delta repassou R$ 23 milhões para a empresa Legend, que não existe, porém a mesma empresa aparece como doadora da campanha do PT em Mato grosso do Sul.
Esta transação provavelmente nunca teria sido descoberta se não fosse a CPI do Cachoeira e o desejo de vingança “aloprado” de Lula. Como já disse acima ninguém deve ser preso, porém os efeitos já são sentidos a popularidade de Sérgio Cabral e Eduardo Paes vem caindo perigosamente para um ano de eleições e o governo periga perder a prefeitura do Rio de Janeiro e quem sabe o governo daqui a dois anos.

Veja Vs. Carta Capital

Também já tinha dito aqui como a revista carta capital vem se aproveitando da CPI para ocupar o lugar da Veja como principal revista semanal. Tudo ia dando certo até a discussão entre Lula e Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, ocorrido no escritório de Nelson Jobim, ex-presidente do STF e ex-ministro de Dilma.
Lula alegava que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para 2013, para poupar seu partido de constrangimentos durante a campanha eleitoral ou nas palavras de Lula “É inconveniente julgar este processo agora” (Veja 06/06/12 pag. 70). Lula foi além e ameaçou usar a CPI para investigar Mendes caso este não agisse de acordo. Gilmar e outros magistrados se ofenderam e revelaram o teor da conversa.
A Carta Capital publicou a versão de Lula em uma capa intitulada “As mil faces de Gilmar Mendes” o chamando de empresário (e não magistrado) enquanto a Veja publicou a versão de Gilmar. Na época Jobim tinha dito que não houve encontro nenhum.
Jobim, Lula e Gilmar
Num segundo momento, após ser inquerido pela Revista Veja o ex-ministro Jobim respondeu negou novamente e disparou “Me deixa fora disso. Tenho uma boa relação com Lula e quero preserva-la”. Após as duas capas serem publicadas as demais publicações foram atrás de Jobim revelou que a versão mais próxima da verdade foi à declarada por Gilmar Mendes (Veja 06/06/12 pag. 73) e lá se vai à credibilidade da Carta Capital.

Julgamento do Mensalão: Ninguém será preso

Os principais nomes do mensalão podem sair livres do julgamento do mensalão, isto porque as maiorias dos crimes já prescreveram. Se o julgamento ocorresse em 2013 como queria Lula todos os crimes seriam prescrito e não haveria publicidade negativa durante as eleições. Mesmo com todos os envolvidos saindo livres os envolvidos com o mensalão podem ser punidos, pelo nosso voto. Caso alguém seja condenado a pena mínima por um crime prescrito o réu será inocentado

As acusações:

Formação de Quadrilha: Associação de mais de três pessoas para cometer crimes. Prescrição: 2011.
Corrupção Passiva: Pedir ou receber, usando cargos e prestígio, vantagem indevida. Prescrição 2011.
Corrupção Ativa: Oferecer ou prometer vantagem a funcionário público para que ele infrinja a lei. Prescrição: 2011.
 
Lavagem de Dinheiro: Ocultar origem do dinheiro ou propriedade provinda do crime. Prescrição: 2015.
Peculato: Crime cometido por funcionário público que usa seu cargo para desviar dinheiro público. Prescrição: 2011.
Evasão de Divisas: Fazer operação de câmbio não autorizada para tirar dinheiro do país (vulgo caixa 2). Prescrição: 2011

Os acusados


José Dirceu
Formação de quadrilha
Corrupção ativa

Delúbio Soares
Formação de quadrilha
Corrupção ativa






José Genoino
Formação de quadrilha
Corrupção ativa
Marcos Valério
Formação de quadrilha
Corrupção ativa
Lavagem de Dinheiro
Peculato
Evasão de Divisas

João Paulo Cunha
Corrução passiva
Lavagem de Dinheiro
Peculato
Roberto Jefferson
Corrupção Passiva
Lavagem de Dinheiro 


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