Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Até onde vai o racha no PT?


Eu já tinha falado neste Blog sobre o racha no PT paulista escancarado pelo boicote de Marta Suplicy durante o anúncio da candidatura de Fernando Haddad. Para quem não vem acompanhando a crise petista Marta liderava as pesquisas de intensão de voto e era vista como favorita, até Lula intervir no partido em favor de Haddad e impedindo as prévias para escolher o pré-candidato a prefeitura de São Paulo. Veja mais detalhes aqui.

Para garantir o apoio a Haddad o PT fez um acordo com o PSB garantindo a presença de Luiza Erundina como vice. A estratégia até que era boa: vincular um nome conhecido pelos petistas à imagem de Haddad, porém a estratégia provocou outra crise, desta vez no PT pernambucano. PT e PSB firmaram um acordo onde o partido de Lula apoiaria um candidato do PSB à prefeitura de Recife, o que resultou no veto a reeleição do atual prefeito de Recife João da Costa, que havia vencido as prévias em seu estado e agora foi vetado por Lula.
Diante da situação em Recife o deputado Fernando Ferro (PT-PE) declarou: “A executiva do PT virou um vaticano no tempo da Santa Inquisição”. A crise não para por ai, o PSB percebendo a chance que tinha nas mãos exigiu o apoio do PT para seu candidato Valadares Filho a prefeitura de Aracaju, o que significaria um prefeito a menos do PT e um político a mais insatisfeito.
Em conversas internas o governador de Recife Eduardo Campos estaria preocupado com a maneira pela qual o PT vem lidando com a crise que estaria criando problemas para seu partido em outros municípios estratégicos aonde o PT vem “roubando” candidatos da frente aliada como Iguaçu onde o PT levou o prefeito Gesimário Baracho que era do PSB e Petrolina onde o PT filiou Odacy Amorim. O PT teria feito o mesmo com seu aliado o PMDB em Serra Talhada ao acolher o deputado Sebastião Oliveira. Mais aqui. 
Tantas acusações afastaram de vez o PSB que decidiu lançar um candidato próprio. Neste cenário PT tenta reparar o racha lançando um terceiro nome em Recife, o senador Humberto Costa, o que não ajudou em nada, apenas aumentou a crise entre a cúpula petista e aqueles que apoiam o atual prefeito como do deputado Fernando Ferro.
Fernando Ferro
O deputado Fernando Ferro voltou à mídia com a frase "O prefeito resistirá até a última gota de sangue pelo direito de disputar a reeleição", Ferro comparou a cúpula petista ao governo militar disparando: "Nossa reação tem um caráter cultural, educativo, em defesa da democracia interna e contra golpes de força em qualquer regional de qualquer parte do País". Concluindo a defesa ao atual prefeito Ferro falou nas entrelinhas que Lula seria um coronel "Já derrotamos o velho coronelismo no Nordeste e agora temos que combater o novo coronelismo paulista. Tem uma geração de coronéis do asfalto e precisamos reagir a ela". Fonte.
O racha petista se espalha pelo nordeste, atual domínio petista, Cid Gomes (PSB) atual governador do Ceará foi o primeiro a romper com Lula e com a prefeita de Fortaleza Luziane Lins. O governador anunciou que o partido deverá ter um candidato próprio. Vale lembrar que no Ceará a família Gomes possui muito mais poder político que o partido da estrela vermelha.
Nesta semana a crise petista se alastrou por Minas Gerais. O ParTido não se decide pelo candidato a prefeito de Belo Horizonte. Os diretórios estadual e nacional impõe a candidatura de Patrus Ananias já o diretório municipal deseja a candidatura de Roberto Carvalho (diretor do diretório municipal). Mais uma vez o diretório nacional (entenda Lula) entrou na disputa de maneira autoritária. Carvalho já havia registrado sua chapa, mesmo assim o PT pode trocar de candidato em mais uma canetada do ex-presidente.
Inicialmente o PT estaria em coligação com o PPS, com a recente crise entre os dois partidos, o PPS atrelou aliança com o PSDB mineiro de Aécio Neves enquanto o PT inicia uma nova crise.
Voltando a São Paulo Luiza Erundina estava confirmada como vice de Haddad até Lula traçar uma aliança com Paulo Maluf. Na época a preterida marta Suplicy desabafou “Se isso (aliança com Maulf) significar alguma restrição aos compromissos, tem um preço que não vale a pena pagar”; Marta também voltou a cena para criticar a aliança com Maluf “Acho que seria pesadelo com Kassab, imagine agora com Maluf”. A ex-prefeita anunciou que não irá participar da campanha de Haddad.
Erundina
 Quando ainda era vice de Haddad Erundina criticou o slogan petista, o chamando de preconceituoso “Um novo homem para um novo tempo”. Vale lembrar que o Slogan usado por Lula em entrevista no programa do Ratinho foi o estopim para o boicote de Marta.
A participação de Lula na aliança entre PT e Maluf foi decisiva para Erundina abandonar o barco, após ter sido candidata a vice-prefeita por um dia Erundina disparou “Não convivo com este tipo de coisa”, O PT buscou em D´Urso do PTB um vice, mas o advogado negou, a terceira opção seria Netinho de Paula, que também recusou. A escolhida acabou sendo a Nadia Campeão do PCdoB.
A situação do PT está ruim? No dia 16 de Junho o deputado Paulinho da Força se lançou candidato à prefeitura de São Paulo, mais um golpe para o PT que esperava encontrar nele um aliado, Paulinho afirmou que caso a escolhida fosse Marta ele apoiaria o PT “Tenho uma relação antiga com a Marta, até brinco com ela: ‘não é você, então estou fora’. Poderia ser, poderia ser outra [minha posição]”. Ao ser questionado sobre quem apoiaria num segundo turno entre Serra e Haddad Paulinho respondeu: “É um problema para pensar na hora. Mas espero ir para o segundo turno”.  
Para completar a pressão Haddad é constantemente comparada com Dilma, neste mesmo período Dilma tinha 37% das intenções de voto e três partidos aliados; Haddad possui 3% de intenções de voto e os mesmos três partidos aliados.
O efeito Maluf

Quarta-feira da semana passada o Datafolha publicou sua nova pesquisa para prefeitura de São Paulo. José Serra segue na liderança com 31% das intenções de votos, seguido por Russomano do PRB com 24% em terceiro lugar vem Fernando Haddad do PT; Soninha do PPS e Gabriel Chalita do PMDB todos com 6% das intenções de voto; Paulinho do PDT caiu para três pontos percentuais.
Serra permaneceu instável aumentando um ponto, as principais variações foram o aumento de três pontos de Russomano e a queda de dois pontos de Haddad. Pensando na margem de erro não fica difícil imaginar que estes dois por cento migraram de Haddad para Russomano. É o que pode ser chamado de efeito Maluf.
A mesma pesquisa quis saber qual a opinião dos eleitores sobre o apoio de Maluf a Haddad. A chapa malddad conta com 64% da rejeição dos petistas enquanto 59% dos eleitores dizem não votar em um candidato apoiado por Maluf; 26% seriam indiferentes ao ex-prefeito enquanto apenas 12% votariam em quem Maluf indicasse.
A situação de Haddad piora quando 21% dos eleitores sabem que Haddad é apoiado por Lula contra 17% que sabem que ele é apoiado por Maluf. Do total de entrevistados 36% votariam em quem Lula indicasse contra 37% que são indiferentes e 25% votariam contra um candidato apoiado por Lula contra 59% que nunca votariam no candidato de Maluf. Mais um ponto para Russomano, cria política de Paulo Maluf, que agora alça voo solo após trocar o PP pelo PRB.
Quando perguntado se o PT agiu bem ou mal ao pedir o apoio de Maluf 62% disseram que o partido agiu mal; 23% disseram que agiu bem e 15% não sabem. Ao se inverter a pergunta se Maluf agiu bem ou mal ao apoiar Haddad 40% disseram que ele agiu bem; 37% disseram que agiu mal e os outros 23% não sabem responder.
Ao serem inqueridos se a presença de Maluf na chapa de Haddad iria atrapalha-lo na campanha eleitoral 39% dizem que a aliança vai trazer prejuízos; 36% são indiferentes; 14% dizem que a aliança vai trazer benefícios e 11% não sabem responder.




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