Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Hellraiser: Eles vão rasgar a sua alma ou a nova face do terror


O horror é um gênero cinematográfico único, nenhum outro estilo passa por tantas transformações e tendências quanto o terrorífico. Sempre que o gênero passava por crises de falta de imaginação algum outro país passava a exportar filmes, assim como ocorre uma mudança no gênero com o passar das décadas.

Nos anos 70 os filmes de terror eram sérios e densos, as coisas mudaram com a virada da década e o sucesso de filmes como “Os Caçadores da Arca perdida” e “Star Wars” os produtores viram que poderiam faturar mais ao imprimir um tom despreocupado e piadinhas no roteiro. O terror dos anos 80 foi caracterizado por esta tendência como “Sexta-Feira 13” e “A Hora do Pesadelo”. Quando o gênero parecia esgotado eis que surge Hellraiser.

Estamos em 1987, Inglaterra, um escritor e diretor iniciante Clive Barker adapta seu livro “Livros de Sangue” contando a história de um casal, Larry e Julia, que ao mudarem para uma nova casa encontram vestígios de Frank amante/cunhado de Julia. Não demora muito para descobrirmos o paradeiro de Frank:
Ha muito entediado com os prazeres carnais – entende-se transar e roubar Frank havia experimentado tudo o que podia e nada mais lhe dava prazer. Até que Frank descobre existência de uma caixa que lhe daria o máximo do prazer. Quando Larry e Julia chegam à nova casa Frank já estava morto, porém pingos de sangue o trazem de volta a vida, Frank convence Julia a trazer vítimas para que ele recupere seu corpo. Só mesmo um inglês para imaginar uma mulher transando com um homem sem pele.
Hellraiser foi responsável por nos apresentar um novo monstro: Pinhead, um cenobita, ou nas suas próprias palavras: “Para alguns somos anjos, para outros somos demônios” os cenobitas exploram o limite extremo entre a dor e o prazer e surgem apenas para quem os evoca. Após matar sua “vítima” os cenobitas os levam para sua dimensão onde a tortura atravessa séculos.
Outro ponto importante é a caixa, vendida por uma estranha figura, que sempre gera repulsa ao seu comprador, este sente-se atraído pela caixa, ao mesmo tento que sente temor. Esta figura pergunta “o que lhe dá mais prazer senhor?” o preço da caixa? “quanto o senhor acha que vale”; ao vender o artefato maligno o estranho vendedor dizia “ela é sua sempre foi”.
O primeiro filme conta com uma música tema orquestrado, que provoca arrepios ao misturar tons clássicos com o clima de horror, a fotografia é bela provando que o assustador também pode ser bonito. Após o filme estrear Stephen King declarou: “Eu vi o futuro do horror... E seu nome é Clive Barker”.
Recentemente a play Art lançou os quatro primeiros filmes da franquia em uma caixa caprichada, com apenas dois defeitos. O primeiro erro está na capa do primeiro DVD onde foi usada uma imagem promocional do terceiro filme, já o segundo erro está na falta de extras dos filmes. Por outro a qualidade dos filmes está excelente, com menus animados com as melhores imagens dos filmes e a ótima trilha sonora, acompanhado pelo tratamento técnico nos filmes, eliminando qualquer marcação do tempo. Já os demais filmes estão espalhados pelo nosso mercado de DVD.

Os Filmes

Hellraiser Renascido do Inferno (1997): Um casal muda-se para uma nova casa e gotas de sangue revivem Frank, que convence Julia a trazer homens para serem mortos e devolverem a força para Frank. Descobrimos sobre a caixa e o cenobitas. A história se complica quando Kristy, a filha de Larry, descobre sobre Frank e acidentalmente abre a caixa trazendo Pinhead para nossa realidade. Kristy faz um acordo e troca sua vida pela de Frank.

Hellraiser 2: Renascido das Tervas (1989): Após o sucesso do primeiro filme não ficou difícil de imaginar que viria uma sequencia. Após sobreviver aos cenobitas Kristy tem visões com seu pai no inferno, ao mesmo tempo um médico psiquiatra fascinado pela caixa trás Julia de volta a vida, para que esta lhe mostre o inferno. O comercial original prometia levar o terror ao outro nível, infelizmente o filme funciona até a metade.
Nos primeiros 40 minutos temos mais do mesmo, Hellraiser 2 parece uma refilmagem do primeiro, no entanto funciona. A coisa desanda quando vemos o inferno que decepciona, o psiquiatra torna-se um poderoso cenobita e conhecemos o passado de Pinhead – outra ótima secada do filme.
Hellraiser 3: Inferno na terra (1992): Se o primeiro Hellraiser foi uma revolução do gênero esta parte três parecia um filme saído da década de oitenta. Aqui o dono de um clube noturno compra um estranho pilar, visto no final do segundo filme, onde a maldade de Pinhead está lacrada. Pinhead promete lhe apresentar todos os prazeres da carne caso o liberte. Ao mesmo tempo uma repórter investiga uma morte envolvida com a caixa e encontra a alma de Pinhead, que deseja aprisionar sua maldade.
O problema do filme está no massacre impresso por Pinhead, se nos dois primeiros filmes ele apresentava os prazeres da carne para quem o invocasse aqui ele mata quem passar na frente, com uma piadinha após cada morte. O filme não é de todo ruim, só é inferior aos dois primeiros.

Hellraiser 4: Herança Maldita (1996): Uma boa tentativa de devolver o clima sério a trama. O filme se divide em três tempos: o futuro onde um homem tenta destruir a caixa e os cenobitas, para encerrar uma maldição familiar, que havia começado no século XVIII uma vez que seu antepassado criou a caixa para um lorde, que a amaldiçoou. No presente um descendente deste artesão se defronta com Pinhead e os cenobitas. Tirando algumas cenas constrangedoras, como quando Pinhead e um demônio no corpo de uma mulher batem um papo agradável o filme funciona e retoma parte do clima original. Mesmo assim é inferior ao primeiro.
Hellraiser 5: Inferno (2000) A partir daqui os filmes começaram a ser lançados diretamente no mercado de vídeo, o que representa uma diminuição no orçamento e queda da qualidade técnica. Ao mesmo tempo os roteiros ficam próximos à ideia de Clive Barker, contar pequenas histórias isoladas. Aqui um policial corrupto investiga um assassino de crianças, que sequestrou um garotinho, porém ele é o único que vê as provas, gradativamente sua realidade vem se misturando com o universo do inferno.

Doug Bradley é Pinhead
Hellraiser 6: caçador do Inferno (2002): Kristy estava recuperada dos incidentes com a caixa e casada. Tudo ia bem até sua morte em um acidente de carro; após sua morte seu marido faz de tudo para resgata-la, inclusive um acordo com os cenobitas.
Hellraiser 7: O Retorno dos Mortos (2005): uma repórter de um tabloide especializada no submundo investiga uma tribo urbana que adora os cenobites e se transformam em zumbis com ajuda da caixa. Quando estes jovens surgem mortos à repórter entra cada vez mais no submundo até um momento onde não há volta. O filme até que é bom, mantendo um clima de suspense por todos os 90 minutos. Porém o final deixa um pouco a desejar, mesmo assim esta parte sete é a melhor desta fase direta para DVD.
Hellraiser 8: O Mundo do Inferno (2005): Pinhead surge para um grupo de jovens viciados em jogos virtuais convidados para uma festa. Aos poucos realidade e o universo virtual se misturam. Mais um filme onde as personagens são mortos uns atrás dos outros. O filme conta com a participação de Lance Henriksen (da série Millenium) um ator dedicado a filmes de terror, porém nem ele torna o filme mais interessante.
Hellraiser Revelations (2011): O horror, este ultimo filme é tão ruim que nem Doug Bradley, ator que interpreta Pinhead em todos os filmes, aceitou participar deste filme. A nona parte é fruto do fracasso do remake e de uma clausula no contrato onde a Dimensions filmes tinha que fazer uma nova película para não perder os direitos das personagens. Após o desaparecimento de dois amigos no México suas famílias encontram uma mala com a caixa dentro. Dai para frente fica fácil imaginar o que acontece.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...