Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Rogério Ceni: A volta do m1t00


Após uma longa lesão o goleiro artilheiro está de volta, embora seu nome esteja atrelado ao São Paulo FC de maneira tão forte, que o número 01 do tricolor é tido como o protótipo do são paulino Rogério é fundamental para o futebol brasileiro. Dono do recorde de maior número de gols feitos por um goleiro, o primeiro goleiro a marcar 100 gols – entre cobranças de falta, pênaltis e gols de bola rolando Rogério é um exemplo de fidelidade ao clube e de amor a camisa. O tipo de profissional que falta aos outros clubes. Gostem ou não dele Rogério Ceni é figura importantíssima para o futebol brasileiro.

Alguns de seus recordes:

 
Em 27 de julho de 2005 completou 618 jogos pelo São Paulo tornando-se o jogador que mais vezes atuou com a camisa do clube, quebrando o recorde de 617 partidas que pertencia a Valdir Peres
Em 22 de julho de 2007, na vitória do São Paulo sobre o Cruzeiropor 2 a 1 no Mineirão, completou 309 jogos em campeonatos brasileiros atuando pelo mesmo time quebrando o recorde que pertencia a Roberto Dinamite que havia atuado em 308 partidas pelo Vasco da Gama
No dia 19 de agosto de 2009, com um vitória sobre o Fluminense por 1x0, Rogério Ceni tornou-se o jogador que mais partidas jogou da história do Campeonato Brasileiro, superando Zinho, que jogou por Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro, que detinha o recorde com 369 partidas. Sendo que Rogério defendeu apenas o São Paulo
No ano de 2006, com o título Brasileiro, Rogério Ceni se tornou o jogador com mais títulos conquistados oficiais com a camisa do São Paulo Futebol Clube. Superando o zagueiro Ronaldão e o atacante Muller com 13 títulos. São 22 títulos ao todo, sendo 16 deles em competições oficiais. Rogério ainda tem três títulos quando atuava nas categorias de base
Em 28 de outubro de 2010, em partida contra o Atlético Paranaense (2 x 1 para o São Paulo) pelo campeonato brasileiro, Rogério chegou a marca de 700 jogos como capitão do São Paulo,  se tornando o jogador com maior número de jogos como capitão no mundo
Rogério é o maior vencedor da Bola de Prata da revista Placar para o melhor jogador de cada posição durante o campeonato brasileiro nos anos: 2000, 2003, 2004, 2006, 2007 e em 2008, onde também ganhou a bola de ouro como melhor jogador.


Entrevista com Rogério Ceni:


centésimo gol
O que te falta na carreira?
Não falta nada até hoje, mas amanhã faltará. A partir de amanhã preciso mostrar que posso ganhar ser campeão, vencer o próximo jogo, o próximo campeonato. Se eu achar que tudo está bom às coisas não progridem mais. Quanto mais você conquistar, melhor. Não estou satisfeito com o que fiz, quero mais, quero ganhar o próximo.

Te incomoda quando há alguém no grupo que não tem essa postura?
Incomoda a todos. O futebol hoje é diferente. Há muito apego a quanto o atleta custou, quanto pode render ao ser vendido. Hoje se passa muito a mão na cabeça. O que manda no futebol é a parte financeira. Você tem que fazer de conta que não vê e tentar contornar. Antigamente as coisas eram mais resolvidas entre jogador e treinador, mas hoje não. Há todo um processo, o clube não pode ter perda. Mas a maioria dos profissionais atualmente é dedicada, de chegar na hora certa, é difícil ter aquele que atrasa ou falta ao treino. Antigamente isso ocorria mais e era natural, a pressão hoje é maior.

Como surgiu a vontade de bater falta?
ROGÉRIO CENI:
Em 1996, o São Paulo não fazia gols de falta. Eu falava pro Zetti bater, mas ele não queria. Aí disse pra ele que eu ainda iria fazer um gol de falta pelo São Paulo ou por outro lugar. E comecei a treinar. Em 97, quando o Muricy (Ramalho) me liberou para tentar as cobranças, fiquei feliz. Achava que não sairia da fase de treinamentos, e ele me possibilitou bater nos jogos.

Quantas cobranças em média você treinava?
No início eu batia entre 2.500 e 3 mil faltas por mês nos treinos. Antes da minha primeira cobrança em um jogo cheguei a cobrar 15 mil nos treinamentos.
Você fez gol de pênalti, de falta, até de bola rolando. Qual o gol que não fez e gostaria ter feito?
Teve um lance em que a bola passou muito perto, em um jogo contra o Paysandu, no Brasileiro. Eu chuto, ela vai na barreira, volta, e pego de voleio. Ia entrar, mas ela resvala em um adversário e sai. Seria um gol diferente. Lógico que eu queria ter feito um driblando todo mundo, mas nunca vai acontecer.
Costuma estudar o goleiro adversário antes dos jogos?
Não estudo tanto, mas se a falta é mais longe, daquelas que eu não bato, eu presto atenção na movimentação do goleiro, se ele sai antes ou não, se toma gols no canto. Há uma porção de fatores que, naqueles dez segundos entre a armação da barreira, o apito do juiz e a batida, você desenvolve de forma automática: vê distância, vento, altura, posicionamento, gramado, chuva...

Você leva alguma vantagem por ser goleiro? Pois sabe como a bola chega para seu adversário...
O pênalti é muito mais calma e tranquilidade. Não pode haver ansiedade, isso conta muito mais do que a parte técnica. Tem goleiro que vai para um lado e para o outro. Você tenta induzir ao erro. Enfrenta um, tenta induzir, ele erra o canto, e na próxima vez aparece o jogo psicológico: ele acreditar que você vai repetir ele tentar imaginar o que você fará.
Em quem você se espelhou pra repor a bola com precisão?
No meu primeiro ano trabalhei com o Gilmar (Rinaldi), que estava no último ano dele. Ele tinha uma reposição muito boa. O Alexandre, que faleceu em 92, tinha ótima reposição, e fui aprendendo. O Zetti estava aqui também. Todos treinavam diariamente, um repunha pro outro. Quando eu comecei, achei que jamais acertaria um cara a 50 metros de distância. Fui repetindo, e hoje é um movimento natural e os goleiros já começam uma jogada na reposição. Antes era só aquele balão paro o alto.
O Raí diz que você é o maior ídolo da historia do São Paulo. Concorda?
O São Paulo é um clube com mais de 70 anos, e cada jogador foi importante para a sua época. Talvez uma pessoa de 80 anos possa ter outros ídolos como referência. Mas acho que faço parte de uma fatia de jogadores que são especiais no clube. O Raí é um deles. Para mim, ele é o maior jogador da década de 90 no São Paulo. Aí vamos buscar Pedro Rocha, Roberto Dias, Careca, cada época tem os seus. Não me considero o maior ídolo. Sempre via o Raí e pensava: "como vai ser quando ele parar?" e "teremos outro Raí?" Ele parou, e nós conseguimos ganhar Mundial, Libertadores e Brasileiro. Cada um tem seu tempo. Eu vou ficar marcado na memória do torcedor por essa ultima década, esses últimos dez ou 15 anos. Mas seria impossível responder quem é o maior. É muito abrangente. Faço parte de uma galeria de ídolos que escreveram a história do clube.


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