Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A cultura está à venda

Marta assumi como ministra da cultura ao lado de Sarney
Recentemente houve muita repercussão o fato de Marta Suplicy ter assumido a pasta do ministério da cultura após longa negociação, onde o objetivo final era o apoio ao candidato petista Fernando Haddad pela prefeitura de São Paulo.
 
Para quem não está sabendo Marta gostaria de ter saído candidata a prefeitura de São Paulo, ela tinha apoio do partido, mas foi preterida por Lula que impôs Haddad como candidato. Com a dificuldade de empurrar goela abaixo do eleitorado o seu candidato Lula recorreu a Dilma a trazendo para campanha e num segundo momento coagiu a presidenta a dar um ministério para Marta em troca do apoio dela na candidatura de Haddad.
O que realmente incomodou não foi a negociação em si, algo muito comum na políticao (e mais ainda no governo petista) e sim a negociação do ministério da cultura, um dos mais importantes, felizmente houve muito barulho e indignação, Marta não deixou o cargo, mas sentiu um pouco de vergonha e recuou da campanha de Haddad.
Agora, se voltarmos um pouco no tempo veremos que Marta não foi a primeira recompensada com o ministério da cultura, durante a campanha eleitoral Dilma, nossa atual presidenta, teve dois cabos eleitorais importantes: Lula e Chico Buarque. A primeira ministra de Dilma foi Ana Maria Buarque de Hollanda, irmã de Chico Buarque.
Até ai alguém pode argumentar bom mas ela é compositora, vive no meio cultural, foi importante para o movimento que trouxe as diretas já. Concordo com tudo, a priori Ana Maria não foi uma escolha ruim. Até começarem as barganhas com a cultura.
 
Um prêmio como recompensa para Chico
Durante a campanha eleitoral de Dilma (ainda estamos no governo Lula) Chico Buarque ganhou o prêmio Jabuti de Literatura, o prêmio mais importante de literatura que temos no Brasil. Neste ano o romance de Chico “Leite Derramado” ficou em segundo lugar na categoria ficção, perdendo para “Se eu fechar os olhos agora” de Edney Silvestre.
Na hora de escolher o livro do ano a obra de Chico Buarque foi escolhida – o vencedor de cada categoria é escolhido por um júri e o vencedor do livro do ano é escolhido por um júri mais restrito da câmara do livro, que tem vínculos diretos e indiretos com o ministério da cultura.
Na prévia da premiação algumas publicações davam que “Leite Derramado” seria escolhido como o livro do ano antes da votação, quando Chico ganhou seu Jabuiti, nome do prêmio do livro do ano, ao vencer Chico comemorou gritando “Dil-ma; Dil-ma” (um direito dele, porém profundamente deselegante), uma pessoa comum, sem nenhum vínculo com imprensa, editora ou partido político lançou um abaixo assinado na internet pedindo que Chico devolvesse seu Jabuti. Este abaixo assinado caiu na caixa postal do jornalista Reinaldo Azevedo que, por piedade assinou o abaixo assinado como o terceiro nome da lista e o divulgou em seu Blog.
Em menos de 24 horas depois haviam 2.418 assinaturas – Chico ficou ofendidíssimo, a editora Record (editora de Silvestre) se retirou do prêmio e não compete mais ao Jabuti.
Ao final do escândalo o prêmio Jabuti mudou e agora apenas o vencedores de cada categoria concorrem ao jabuti, Chico não devolveu o seu prêmio.
 
O Escândalo Maria Bethânia
Já no governo Dilma Ana de Hollanda assumiu o ministério da cultura e elaborou juntamente com Maria Bethânia uma série de programas curtos produzidos para o youtube onde Bethânia declamaria poemas. Tudo isto paga pelo ministério da cultura, até ai a ideia é muito boa. Bethânia cobraria a bagatela de R$ 600 mil para se dirigir.
Ao final do projeto este valor subiu inexplicavelmente para R$ 1.3 milhões, o projeto de Bethânia mudou para um Blog “O Mundo Precisa de Poesia”. Concordo com ela, o mundo precisa de poesia e o Brasil não pode jogar fora R$ 1.3 milhões com os caprichos da cantora.
Três anos antes desta excrecência (quatro anos atrás contando a partir de hoje) Bethânia tinha apresentado uma proposta parecida para o então ministro da cultura Juca Ferreira uma verba de R$ 1.8 milhão para fazer uma turnê musical. Felizmente o então ministro ignorou o pedido. Como Ana de Holanda é amiga pessoal de Bethânia o projeto quase deu certo. Se não fosse novamente parte da população se revoltar e jornalistas acusarem o abuso de dinheiro público.
O protesto mais engraçado foi de Lobão, o cantor publicou no Twitter: “Sugeriria fazermos uma campanha do tipo DEVOLVE ESSA PORRA BETHÂNIA!!! Dai essa MPB formada por cadáveres insepultos querendo permanecer no presente contínuo através da chapa branca”. A indignação de Lobão era a mesma da população como se pode gastar tanto para construir um blog em uma época que podemos fazer o mesmo de graça. Lobão ainda acrescentou que se o projeto vingasse ele faria um blog igual a custo zero.
Na época Bethânia ficou magoadinha com a reação popular. O nome dela foi parar no treding topics Brasil do Twitter onde os internautas ficaram furiosos com este absurdo! Blogueiros sugeriram a Bethânia usar um provedor gratuito que sairia mais barato. Quem disse que brasileiro não é politizado?
Ana de Holanda foi ao programa de Jô Soares chorar a reação popular, criticar o jornalista Reinaldo Azevedo por ter se indignado e rebatido críticas de Caetano Veloso e dizer que Bethânia estava muito envergonhada e teria abandonado o projeto. Coitadinha dela, né?
Ana de Hollanda foi substituída por Marta em 11 de Setembro de 2012 e não deixará saudades, aliás o único sentimento em direção a Anna de Hollanda é que ela demorou muito para sair do ministério, a emenda foi pior que o soneto e agora temos que aguentar Marta Suplicy que abandonou o cargo de senadora para ser ministra.
 
 
 
 
 

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