Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

domingo, 7 de outubro de 2012

Resultado das eleições 2012: Quem ganha e quem perde

As eleições municipais deste ano mostraram resultados interessantes e outros muito preocupantes. A principal característica desta campanha foi à abertura para um terceiro partido surgir nacionalmente. Vimos nestas eleições um fenômeno semelhante ao da eleição de Collor.
Ao final dos anos 80 a população reconquistou o direito ao voto, porém as pessoas estavam cansadas dos políticos e tentaram algo novo assim dois candidatos surgiram com força: Lula, um metalúrgico, e Fernando Collor, um cara sem nenhuma expressão nacional. Venceu o novo. Nesta eleição as pessoas vêm na mesma toada, os eleitores buscaram por algo novo. Esta tendência foi vista em Curitiba com Ratinho Jr. Do PSC e em São Paulo com Celso Russomano do PRB.
O cansaço dos políticos tradicionais saiu das piadas e foi para as urnas. O julgamento do mensalão também contribuiu para esta brecha, assim como a decadência lenta e gradativa de Lula e o maior acesso a informação por parte do eleitor contribuem para este quadro.
Nacionalmente quem cresceu foi o PSB – Partido Socialista Brasileiro protagonista do racha do PT no Recife e em São Paulo. No Ceará Cid Gomes rompeu com Lula; em Belo Horizonte Dilma lançou candidato próprio: Patrus Ananias rompendo a aliança com o PSB de Marcio Lacerda (apoiado por Aécio Neves); a grande votação do candidato Mauro Mendes em Cuiabá O mesmo não aconteceu em Curitiba aonde o candidato do PSB vinha crescendo nas pesquisas mas acabou em terceiro lugar.
Porém a principal vitória do PSC foi em Recife, PSB e PT romperam com a intromissão do ex-presidente Lula que decidiu lançar Humberto Costa como candidato, o PSB lançou candidato próprio Geraldo Júlio. O petista despencou.
Se por um lado o PT lamenta a perca de força no Nordeste – principal responsável pela reeleição de Lula e eleição de Dilma, os petistas levaram Fernando Haddad – candidato enfiado goela abaixo por Lula para o segundo turno. A cidade é considerada ponto estratégico para conquistar o governo do estado e a presidência em 2014.
Outro bom fator destas eleições foi o crescimento do pequeno PSOL, o partido dos intelectuais e daqueles que acreditam que ainda é possível fazer política com honestidade. O PSOL é outro partido que pode surgir como esta terceira força, provavelmente não em 2014, mas talvez em 2018. Com candidatos em todas as capitais o PSOL conseguiu boa votação no Rio de Janeiro com Marcelo Freixo e indo para o segundo turno com Clécio no Macapá. Infelizmente Carlos Giannazi não conseguiu ocupar o lugar do novo em São Paulo.
Quem ganhou força nestas eleições foi Aécio Neves, que elegeu seu candidato, Marcio Lacerda, no primeiro turno em um confronto direto com a presidenta Dilma. A vitória de Aécio consolidou sua força no segundo maior colégio eleitoral do Brasil e parceria com o PSB, partido que mais cresceu no país.
Aécio neves
Este pequeno confronto pode ter sido uma amostra do que veremos daqui a dois anos. Dependendo de para quem o PSB se incline e da posição do eleitorado paulista Aécio sairá muito mais forte em 2014 do que se imagina e estará consolidando como candidato do PSDB a presidência da república com o apoio de FHC e Geraldo Alckmin.
Na contra mão desta mudança temos o primeiro lugar de ACM Neto do DEM em Salvador, fruto de uma das famílias mais tradicionais da política liderou todo o primeiro turno, aparentemente seria eleito no primeiro turno, mas acabou indo para o segundo turno com o petista Pelegrino e atual prefeito pessimamente avaliado.  O soteropolitano exerceu o “voto antigo” contra o ruim optou por seu adversário tradicional.
Semana passada, religiosos do Brasil reuniram-se no Twitter com “# Foraateus” demonstrando todo seu preconceito, ódio e hipocrisia. Quem se diz cristão deveria estar disposto a dar a outra face. Este ódio já foi apontado por Richard Dawkins em seu livro “Deus um Delírio” apontando todo o ódio dos religiosos quando são contrariados e em escala maior em quanto da violência mundial tem um fundo religioso.
A entrada da religião na política trás consigo o dogmatismo religioso e a retirada do pensamento da grande massa o que nos remete ao modelo clássico da política nacional, é como se os grandes coronéis tivessem perdido o lugar para os pastores e padres.

Veja os resultados nas principais capitais do país
  Sudeste
·         São Paulo
José Serra (PSDB) 31%
Fernando Haddad (PT) 28.9%
·         Rio de Janeiro
Eduardo Paes (PMDB) 64.57% eleito no primeiro turno
·         Vitória
Luciano Rezende (PSB) 39.1%
Luiz Paulo (PSDB) 36.7%
·         Belo Horizonte
Marcio Lacerda (PSB) 52.4% eleito no primeiro turno
Sul
·         Porto Alegre
Fortunati (PDT) 65.4% eleito no primeiro turno
·         Curitiba
Ratinho Jr. (PSC) 33.9%
Gustavo Fruet (PDT) 27.2%
·         Florianópolis
Cesar Souza (PSD) 31.6%
Gean Loureiro (PMDB) 27.4%
Nordeste
·         Salvador
ACM Neto (DEM) 41.3%
Pelegrino (PT) 38.6%
·         Fortaleza
Elmano (PT) 25.4%
Roberto Claudio (PSB) 23.2%
·         Recife
Geraldo Julio (PSB) 51.1% eleito no primeiro turno
·         São Luiz
Edivaldo (PTC) 36.4%
Castelo (PSDB) 37%
·         Teresina
 Firmino Filho (PSDB) 38.8%
Elmano Férrer (PTB) 33.2%
·         Natal
Carlos Eduardo (PDT) 40.4%
Hermano Moraes (PMDB) 23.2%
·         Maceió
Rui Palmeira (PSDB) 57.58% eleito no primeiro turno
·         Aracaju
João Alves (DEM) 52.7% eleito no primeiro turno
·         Goiânia
Paulo Garcia (PT) 57.6% eleito no primeiro turno
·         Campo Grande
Alcides Bernal (PP) 40%
Giroto (PMDB) 28%
·         Cuiabá
Mauro Mendes (PSB) 75.9% eleito no primeiro turno
Norte
·         Manaus
Artur Neto (PSDB) 40.6%
Vanessa Grazziotin (PCdoB) 19.9%
·         Belém
Edmilson (PSOL) 32.5%
Zenaldo (PSDB) 30.6%
·         Macapá
Roberto (PDT) 40.1%
Clécio (PSOL) 27.8%
Porto Velho
Impossível saber
·         Rio Branco
Marcus Alexandre (PT)
Tião Bocalom (PSDB)
·         Palmas
Carlos Amastha (PP) 49.65% eleito no primeiro turno



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