Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O fantasma de Celso Daniel assombra o PT

A edição desta semana de Veja trouxe como capa a frase de Marcos Valério “’Eu falei assim: nisso ai eu não me meto, não’. Marcos Valério, sobre dinheiro pedido pelo PT para calar um empresário que ameaçava envolver Lula no caso Celso Daniel”.
O Blog Deuses Mortos vem acompanhando o julgamento de mensalão relatando vereditos e analisando condenações. Em 16 de Setembro publiquei aqui outro post derivado de uma capa da Veja onde Valério se dizia assustado com a possibilidade de ir para cadeia. O empresário ameaçava revelar o que sabia caso a promessa petista de impunidade não se concretizasse. Leia o post na íntegra aqui.
Não deu outra, condenado a 40 anos de prisão Valério entrou com pedido de proteção ao ministério público. Até então acreditava-se que Valério falaria sobre um possível envolvimento de Lula no mensalão, Valério foi além e começou a falar o que sabe sobre o assassinato do ex-prefeito Celso Daniel.

Segundo a publicação em 2003, Valério foi convocado para uma reunião em Santo André com o então secretário-geral do PT Silvio Pereira e o empresário Ronan Maria Pinto – segue citação da revista: “O empresário Ronan Pinto, conta Valério, ameaçava envolver Lula e Gilberto Carvalho no episódio”. Valério recusou se envolver no caso, mas afirma que Ronan Pinto foi pago por um amigo pessoal de Lula.
O jornal “A Folha de São Paulo” ouviu os ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) que julgam o processo do Mensalão . Todos concordam que Valério tem o direito de ser colocado em um programa de proteção de testemunhas. O ministro Marco Aurélio Mello disse que está na hora de Valério “desembuchar, não falar em doses homeopáticas”.
Porém os ministros são unanimes em dizer que o delato de Valério não irá mudar os rumos do julgamento do Mensalão, o que pode acontecer é a abertura de um novo processo. Mas quem decide pela proteção de Valério no sistema de proteção de vítimas e testemunhas (que mudaria de nome e cidade) e a abertura de um novo inquérito seria o procurador da república Roberto Gurgel.
Em Primeira Mão
José Nêumane Pinto dedicou um capítulo de seu livro “O que sei de Lula” de 2011 para a morte de petistas – Em “Os Filhos de Saturno” Nêumane Pinto relata como Lula destruiu a carreira política de Tarso Venceslau e ainda comenta sobre a morte de Toninho 13 e Celso Daniel levantando estranhas coincidências. Tais como delegados responsáveis pela investigação do assassinato de Daniel envolvidos em escândalos de corrupção e uma blindagem feita por Mercadante para que a investigação não influísse negativamente na campanha presidencial de Lula.
Nêumane decorre como a família de Celso Daniel tinha uma longa tradição na militância petista e relata um almoço com Daniel e Mercadante onde ambos pediam uma audiência com o editor do Jornal da Tarde.
 Nêumane descreve a difamação de Daniel após sua morte (envolvendo adultério e homossexualismo), relata o sequestro do ex-prefeito e sua estranheza com a posição “defensiva e ambígua” com o sequestro/assassinato. Leiam um trecho do livro: “A atitude de Aloizio Mercadante é uma mostra disso. Enquanto, por baixo dos panos, sustentava a versão da violenta paixão homossexual, o partido tratou de reforçar a tese abraçada pelo DHPP de crime comum e banal”.
O capítulo prossegue como o depoimento de João Francisco Daniel, irmão de Celso Daniel, que se opõe a versão oficial adotada do PT de que Daniel foi baleado por um menor em crime comum e “a família de Daniel ouviu de figurões do partido que não era conveniente aprofundar as investigações porque a imagem de Daniel poderia ser maculada, dado que ele seria homossexual”.
Encontrado corpo de Celso Daniel
No capítulo a família de Daniel está convicta que o ex-prefeito foi torturado antes de ser assassinato, tese que o PT descarta. Após insistência dos irmãos a família conseguiu um laudo médico indicando que Celso Daniel haveria sim sido torturado “Quem sequestrou Celso Daniel o fez para obter alguma informação que só ele tinha”. Nêumane ainda nos diz que Zé Dirceu, então ministro da casa Civil, usou de influência para barrar as investigações do ministério público.
Um dos irmãos de Daniel, Bruno, vive com sua esposa e filhos em Paris, na condição de asilados políticos do governo Francês. Marilena Nakano, esposa de Bruno, entregou para o autor um “calhamaço contendo cópias xerográficas da investigação policial do processo criminal, com os detalhados comentários dos familiares da vítima ao longo de cada página”. 
O casal revelou para Nêumane que estariam fugindo para França após a morte da oitava pessoa envolvida com o caso Celso Daniel, incluindo a morte do legista que analisou o corpo de Daniel a confirmou a tortura.
Resta saber qual o rumo que as investigações irão levar agora que Marcos Valério começou a falar e ameaça revelar o que sabe.



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