Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 18 de junho de 2013

Não é protesto é Revolução




O dia 17 de Junho de 2013 entrou para a história, ainda não sabemos como, não é possível prever o final dessas manifestações, não sabemos se nossos filhos vão estudar na escola o dia 17, se vão estudar o mês de Junho ou se vão estudar o ano de 2013.

Tudo começou com um aumento de R$ 0.20 claro seria um absurdo afirmar que tiveram início lá pelo dia 05 ou 06 de junho e desde então vem aumentando até o seu suposto ápice no dia 17 (suposto pois pode ficar maior) iniciada contra o aumento na passagem de ônibus e de metrô.

Em seu início agentes da mídia olharam com certo desdém “nunca vi protesto diminuir passagem de ônibus”, ninguém tinha entendido ainda.  O movimento é liderado pelo Movimento Passe Livre (MPL) que prega a estatização de empresas de ônibus e gratuidade no transporte. Utopia? Provavelmente, porém seu real objetivo nunca foi uma baixa de vinte centavos.

O perfil dos manifestantes é o mesmo: jovens estudantes, universitários ou formados a pouco tempo, todos de classe média ou classe média-alta, revoltados contra os abusos do poder público. A maioria desses jovens assume nunca ter subido em um ônibus na vida. Sua preocupação não é consigo, mas é uma preocupação legítima com a camada mais pobre da população.

Seria mais fácil e mais cômodo pedir para seus pais um aumento proporcional as empregadas, mas não se trata de dinheiro, os jovens se revoltam contra a qualidade do transporte, contra a necessidade do trabalhador de pegar três conduções, precisar madrugar, dormir quatro horas por dia, para levantar as cinco da manhã para não se atrasar em um emprego que precise entrar as oito horas da manhã.

Existe um grande amor por detrás desse movimento, um amor ao próximo, um respeito pelo ser humano. Dai a raiva dos manifestantes contra oportunistas que se infiltram no movimento com bandeiras de partidos políticos ou contra manifestantes violentos.

O momento de virada foi na noite do dia 13, os manifestantes tentaram ocupar a Avenida Paulista, de maneira pacífica, quando a Polícia Militar (uma relíquia da ditadura) reprimiu o protesto da única maneira que sabe, com violência, as cenas de barbárie, atingiram estudantes e repórteres, os criminosos de farda, realizaram sua carnificina habitual. A repórter da Folha de São Paulo Giuliana Vallone foi atingida no olho por uma bala de borracha, ela explicou que o policial mirou nela e atirou intencionalmente, vendo que ela estava desarmada.

Na sexta-feira os jornais traziam fotos da luta campal, o Metro News trazia fotos dos policiais espancando estudantes, a Folha de São Paulo posicionou-se publicamente contra a violência. Já programas como o Cidade Alerta posicionou-se a favor da polícia, Marcelo Resende quase teve um orgasmo ao narrar a violência, enquanto Datena se limitava a chamar os protestantes de vândalos.

No 13 o protesto disse a que veio, adeptos do MPL fizeram novo protesto na frente do estádio Mané Garrincha na abertura da Copa das Confederações, a festa do estádio não cobriu os sons de bombas estourando, mais uma vez os manifestantes pacíficos foram espancados pela polícia, a equipe da ESPN, que cobria a abertura, foi envolvida na agressão policial e foi o primeiro veículo de mídia a posicionar-se publicamente a favor do protesto e a entender sua dimensão.

Dentro do Estádio as pessoas vaiaram a presidenta Dilma, vaiaram a FIFA, vairam Galvão Bueno, uma vaia simbólica a Rede Globo, se a FIFA faz o que quer aqui no Brasil Dilma e os governadores dos estados que vão receber os estádios dão autorização e a Rede Globo apoia os gastos absurdos e desmandos.

No domingo A Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e a Revista Veja tentaram entender o ocorrido e com algum sucesso chegaram a mesma conclusão da ESPN – o protesto é contra o rumo que o Brasil está, é contra a corrupção, é contra excessos de áreas VIP em detrimento de pessoas morrendo de fome, é contra o “pão e circo”, é contra a dependência do bolsa família, é contra o preço dos estádios, é contra a Copa do Mundo.

Na manhã da segunda-feira alguma coisa acontecia pelo Brasil, as pessoas se movimentavam, jornalistas divulgavam a indignação de forma individual, vídeos eram postados na Internet, artistas entraram na briga. Rafinha Bastos convocou seus fãs a irem para rua. O mesmo acontecia pelo país. No final da tarde mais jovens indignados com a violência do estado (personificado na violência policial) se uniram a protestos Brasil a fora, mais de 250 mil jovens, se uniram e focaram em órgãos públicos. Os manifestantes tomaram sedes do governo, a lógica é simples “a sede do governo é nossa e nós estamos pegando de volta”.

Esse protesto não é por R$ 0.20, não é contra a Copa do Mundo, não é contra o mensalão é por mim, por você, por nosso vizinho, pelas pessoas sem voz, por nosso país, por nossos filhos, por nós.     



A máscara utilizada por manifestantes é criação de Alan Moore, para V de Vingança, ea é baseada em Guy Fawkes, um católico extremista e herói militar, que tentou explodir o parlamento britânico pedindo liberdade.

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