Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Líderes Religiosos Devem ser Proibidos de Atuarem na Política?


Procuro viver minha vida pela frase de Voltaire “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte o seu direito de dize-la”. Sem este princípio não existe democracia e, por consequência, não haveria vida em sociedade.

A intolerância com a opinião alheia está a um passo do preconceito, não ser capaz de suportar uma opinião diferente ou tolerar alguém por pensar ou ser diferente são as bases do autoritarismo. Hoje em dia é muito comum encontrar esta intolerância em grupos políticos que odeiam seus “rivais ideológicos”; em religiosos fanáticos que não toleram quem não segue o seu deus e em ateus que desprezam e ridicularizam os crentes em deus.

A esta altura você deve estar se perguntando o porquê deste título? De uns meses para cá venho notado que líderes religiosos apropriam-se de sua popularidade para alçarem na carreira política  os mesmos sofrem denúncias de lavagem de dinheiro, de manipulação emocional para receber dinheiro de seus fieis e até abuso da esperança de pessoas com pedidos absurdos “pague o dízimo de 10% do salário que você gostaria de ganhar” ou “doe um mês de aluguel para a igreja” – veja o vídeo aqui.

Recentemente Marco Feliciano assumiu a cadeira
de representante dos direitos humanos e porta voz das minorias, mesmo após ter se colocado contra o casamento gay e ter usado a bíblia para afirmar que a África é um continente amaldiçoado por deus.

A polêmica em volta da cura gay gerou polêmicas, lógico que nem todos os favoráveis tem vínculos diretos com organizações religiosos. A recente pressão contra qualquer tipo de preconceito fez com que estas pessoas se escondessem em templos religiosos, fazendo uma distorção das escrituras para justificar preconceitos como a homofobia ou discriminação racial. O que afeta, principalmente, religiosos honestos. Convenhamos Jesus nunca pregou a intolerância.

 

Argumentos a favor de líderes religiosos se candidatarem:

 

Todo cidadão deve ter direito a representação política e por consequência qualquer pessoa pode se candidatar.

Resposta: Já existem classes profissionais proibidas de atuarem na política por haver uma impossibilidade entre o exercício de suas funções e a atividade política.

Outra argumentação é que a pesar do estado ser laico (sem representação religiosa) a república evoca deus em suas cédulas, com a frase “deus seja l
ouvado” ou os feriados religiosos.

Resposta: Este argumento não se sustenta evocar deus não tem relação com a religiosidade, expressões como “por deus” não são religiosas, mas sim de espanto; a demais temos o odioso dia do saci, seguindo esta lógica o brasileiro seria seguidor do todo poderoso saci. Para encerrar as argumentações ano passado cogitou-se a possibilidade de retirar “deus seja louvado” das cédulas de real, a proposta só não foi aceita por medo político de grupos cristão de forte influência na hora do voto.

Alguns argumentam que a pesar de o Brasil ser um estado laico os limites entre estado e religião são claros e bem delimitados.

Resposta: mentira e da mais cabeluda, o principal
Deputada Mirian Rios
argumento de parlamentares evangélicos contra o casamento gay é a bíblia; a deputada Myrian Rios, de representação católica, foi autora do projeto de lei que proíbe o sexo anal. Além de tornar a homossexualidade proibida por lei a nobre deputada parte do princípio cristão de que o sexo serve apenas para reprodução. Estes dois exemplos bastariam, mas ainda temos a questão de que instituições religiosas não pagam imposto, quem poderia mudar esta lei? Os legisladores. Mas como mudar se quem faz as leis se beneficia com elas? Como fazer uma lei que obrigue as milionárias igrejas pagarem impostos, que poderiam ser usadas para educação e saúde, se os deputados são representantes destas igrejas?

 
Um ultimo Argumento:
 

O primeiro parágrafo do artigo 19 da constituição Federal garante que o estado é laico, o que significa não pode ter nenhuma relação entre políticas públicas e qualquer tipo de religião. O texto ainda explicita que o estado e seus representantes estão proibidos de manterem relações de “dependência ou aliança” com cultos ou igrejas ou seus representantes.

Resposta: Sempre que um parlamentar usar de suas convicções religiosas para tentar aprovar uma lei ex. Casamento gay ou proibição do sexo anal; ou tentar vetar uma lei ex. Votar contra a legalização do aborto por considerar um assassinato, tendo como base a existência de uma alma, este parlamentar está infringindo a lei e deveria ter seus direitos políticos caçados.

Um comentário:

  1. Por mim religiosos podem continuar atuando na política, mas não como fazem hoje em dia, de modo sectário, cretino, fundamentalista e preconceituoso. Qualquer medida que venham a tomar que seja em benefício próprio e não para o bem comum da sociedade deve ser repudiado firmemente.
    Grande abraço,
    Almir Ferreira
    Panorâmica Social

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