Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Mel Gibson






Dizem muitas coisas sobre Mel Gibson, que ele é briguento, bêbado, irresponsável, insuportável, arrogante e antissemita. A maioria é verdade. Assim como seu talento e carisma, outrora um dos artistas mais queridos de Hollywood Mel tornou-se alvo de ódio após dirigir “A Paixão de Cristo”, mas quem disse que ele se importa? Afinal Mel Gibson nunca tentou esconder que ele é um encrenqueiro e nós o adoramos por isso.

Mel Colm-Cille Gerard Gibson nasceu na cidade de Peekskill, Nova York, em 3 de Janeiro de 1956. Sexto filho de uma família católica. Seu nome vem de Sanit Mel um santo irlandês (a terra sua mãe) e seu segundo nome Colm-Cille vem de outro santo irlandês Coluncille que dá nome a paróquia onde sua mãe foi educada. Fica claro que sua religião, tão criticada pelos críticos pós “A paixão...”, vem do berço e assim Mel foi criado como um católico fervoroso.

Aos 12 anos, depois de vencer uma ação contra a cidade de Nova York Gibson mudou-se para Sidney, Austrália, com sua família. Foi no país dos cangurus que o Sr. Gibson alcançou o estrelato. Em 1979 que Mel estrelou “Mad Max” em 1979, uma ficção futurística onde Gibson vive um jovem policial que patrulha as estradas do deserto fruto do colapso da sociedade. Após matar um integrante de uma gangue de motoqueiros os policiais se veem em guerra com os criminosos, às coisas mudam quando Max, personagem de Gibson, decide se afastar da corporação e viver tranquilamente, os criminosos vão atrás dele e matam sua família. Max parte em vingança matando cada um deles. História que hoje é manjada e clichê foi muito original com a clássica cena onde Max algema um motoqueiro a um carro em chamas e lhe entrega uma serra para que este decepe sua perna e sobreviva (cena posteriormente plagiada por “jogos Mortais”).

 

Anos 80 – Início e Consagração
 
A carreira de Mel esteve ameaçada antes mesmo do começo, Gibson compareceu aos testes de “Mad Max” com o rosto inchado após uma briga de bar ocorrida na noite anterior. Naquele momento ficava claro Gibson era um Bad Boy encrenqueiro, esquentado e beberrão Mel conquistou o papel principal graças ao seu talento, que foi rapidamente reconhecido.




Porém foi apenas com “Mad Max 2 – A Caçada Continua” de 1981 que Mel Gibson se tornou um herói de ação, embora nunca tenha chegado ao nível de Schwazzeneger e Satalonne Gibson era de longe o mais talentoso de sua geração. Seus filmes continham mais história e uma melhor intepretação. Em “Mad Max 2” a personagem Max está mais selvagem, em consequência o filme está mais violento. De volta ao futuro apocalíptico onde a gasolina é o bem mais precioso e uma guerra contra o oriente Médio resultou no colapso da economia (uma previsão do futuro?). Max protege uma pequena comunidade e sua refinaria contra uma gangue de Motoqueiros.

“Mad Max 2” foi a porta de entrada para
Hollywood, em seguida vieram “O Ano em que Vivemos em Perigo” de 1982 onde Gibson vive um repórter que cobre a guerra civil na Indonésia; “Rebelião em Alto mar” de 1984 e o Romance “Mrs. Soffel – Um Amor Proibído” de 1984. Nenhum de seus filmes americanos deu muito certo e Gibson reviveu Max em “Mad Max 3 – Além da Cúpula do Trovão” de 1985 onde Gibson enfrenta uma tirara interpretada por Tina Turner e salva uma comunidade crianças.

Embora fraco este terceiro filme o coloca de volta no jogo e em 1987 Gibson interpreta “Maquina Mortífera” ao lado de Danny Glover os dois atores fazem a dobradinha policial veterano e tranquilo que espera sua aposentadoria (Glover) e o policial louco e violento que segue suas próprias regras (Gibson) enfrentam uma quadrilha de traficantes composta por veteranos do Vietnam. O filme foi um sucesso os jovens queriam ser como Mel e as mocinhas queriam ter um namorado como ele. Alçado a condição de estrela do primeiro escalão e a galã Gibson faria mais três continuações. A primeira delas em 1989. Entre o primeiro o segundo “Máquina Mortífera” Mel atuou no divertido “Conspiração Tequila” de 1988 com Michelle Pfeiffer e Kurt Russell, dois maiores nomes de Hollywood da época, o que mostrava seu status de estrela.

 

Anos 90 – De Herói de Ação à Hamlet

 

Gibson iniciou com mais um filme de ação engraçado “Alta Tensão”, que como não poderia deixar de ser foi um sucesso, porém foi em seu próximo trabalho que mel surpreendeu a todos interpretando “Hamlet” no épico de Franco Zeffirelli baseado na peça Shakespeariana homônima, vivendo o príncipe da Dinamarca em sua trágica busca por vingança Mel provou que era mais que um rostinho bonito. Muitos heróis de ação tentaram mudar de gênero nos anos noventa, só que nenhum deles foi tão bem sucedido como Gibson. “Hamlet” foi indicado a dois prêmios Oscar Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino.

 Na sequencia vieram o drama “Eternamente Jovem” de 1992, “O Homem sem Face” de 1993 (dirigido por Gibson) e o filme de ação “Maquina Mortífera 3” de 1992  onde as personagens de Mel e Glover são rebaixados a guardas de rua após provocarem a explosão de um prédio mas podem se redimir caso solucionem o caso de roubos de armas da polícia.

Nos anos seguintes Mel pegou leve na aventura/comédia “Maverick” de 1994; interpretando ele mesmo em uma ponta de “Gasparzinho, O Fantasminha Camarada” de 1995 e dublou John Smith em “Pocahontas” da Disney de 1995. No mesmo ano Mel se consolida como grande talento ao dirigir e estrelar “Coração Valente” interpretando o escocês William Wallace, que após ver sua esposa assassinada por soldados ingleses na noite de núpcias declara guerra contra a Inglaterra em um dos melhores filmes de sua filmografia em uma sequencia final emocionante. Repleto de momentos inspiradores, cenas memoráveis e personagens complexos “Coração Valente” ganhou cinco prêmios Oscar incluindo Melhor Filme; Melhor Diretor; Melhor Fotografia; Melhor Maquiagem e Melhor Efeitos Sonoros; Mel ainda recebeu o Globo de Ouro de Melhor diretor.

Nesta época Mel ainda participou de um episódio de “Os Simpsons” no episódio o ator vivia um inferno pessoal, ele estava triste porque todos o amavam e diz tristemente “se eu não pagar o imposto de renda o governo o para por mim” e pede para Homer o ajudar a fazer um filme de ação para as pessoas comuns se divertirem.

A década de 90 terminou com o misto de suspense/ação/drama “O Preço de um Resgate” de 1997; “Um dia, dois pais” de 1997; o divertido suspense “Teoria da Conspiração” e o sucesso “Maquina Mortífera 4” de 1998 que apresentou Jet Lee ao cinemão americano. A década terminou com o bom “O Troco” onde Mel interpreta um vigarista em busca de vingança que tem que se haver com dois policiais corruptos e com a máfia chinesa. O filme apresentou Lucy Liu ao cinema como sex simbol e foi marcado por brigas internas entre Gibson e o diretor Brian Helgeland.

 

Anos 2000 – grandes Bilheterias e perseguição pessoal

 

Os anos 2000 começaram com o filme mais estranho da carreira de Gibson ele atua e produz “O Hotel de 1 Milhão de Dólares”. Com roteiro de Bono Vox e direção de Wim Wenders, o filme ainda contava com a atuação de Milla Jovovich muito antes de ser uma estrela. Aqui Gibson investiga o suicídio do filho de um magnata da mídia que vivia com rejeitados, mendigos e pacientes psiquiátricos rejeitados pelo estado no tal hotel do título, que realmente existe. O filme é muito bom e pouco conhecido.

Gibson ainda atuou nos fracos “O Patriota” de 2000 e “A Fuga das Galinhas” de 2000 onde o ator brinca com sua condição de galã. Em 2001 Gibson atua na comédia “Do que as mulheres gostam” como um machista inveterado que descobre poder ler a mente das mulheres e acaba se apaixonando por sua chefa. Era Mel Gibson mostrando todo seu potencial como instrumento de marketing.

Em 2002 Mel estrela o excelente “Sinais” de M. Night Shymalan, o diretor estava no auge de sua carreira, o resultado foi um filme tenso, que também representou o primeiro flerte com a religião e a maior bilheteria da carreira de Gibson. No mesmo ano Gibson interpretou, o que é para mim um dos melhores filmes de sua carreira, “Fomos Heróis” onde Mel vive um coronel na Guerra do Vietnã durante o primeiro combate entre americanos e Vietcongues, o filme alterna cenas de combate cruas e a angústia das esposas dos oficiais receosas em receber um telegrama informando que seus maridos morreram em combate. A personagem de Gibson era um católico fervoroso, como se ele preparasse o terreno para seu próximo filme.

Em 2004 Mel Gibson abalou o mundo com “A Paixão de Cristo” filme altamente contestado por sua mensagem “os judeus mataram Jesus”, o que pode ser interpretado como Jesus foi morto pelo povo. Gibson renegou a velha versão onde Poncio Pilatos teria sido responsável.

Como cinema A Paixão é impecável, falado todo em aramaico e com inovações ousadas como a presença do demônio e a importância do líder religioso Caifás na crucificação, assim como na violência e na tortura de jesus, que surpreende inclusive Pilatos. O filme gerou uma discussão ideológica Cristãos aclamaram a película por relatar as torturas vividas por cristo sem atenuantes enquanto judeus afirmaram que a obra é antissemita. Eu vejo este filme como um relato histórico escrito e dirigido por um católico que coloca a culpa pela morte de Jesus Cristo em todos nós.

Incontestável era o talento de Gibson, como ele não podia ser criticado como artista começaram perseguições pessoais como acusações de racismo enquanto as notícias de sua separação repercutiram pela mídia americana. Em 2011 Mel envolveu-se em um divorcio conturbado com Oksana Grigorieva. A moça havia recusado um acordo de pensão no valor de 15 milhões de dólares, no final das contas mel teve que pagar “apenas” 750 mil dólares para a ex-esposa e ainda “ganhou” o direito da guarda compartilhada de sua filha de um ano de idade. A mídia americana e brasileira ficaram revoltadas, Gibson nem ligou para seus críticos.

Em 2007 Gibson empunhou novamente a câmera para filmar o ótimo “Apocalypto” onde foi injustamente acusado pela crítica de chamar os Mayas de selvagens e Espanhóis de Salvadores. Estes críticos viram o filme? Em 2010 Mel atuou no tenso suspense “O Fim da Escuridão” onde ele vive um policial que investiga a morte de sua filha e esbarra em uma conspiração nuclear.

Em 2001 Gibson atuou ao lado de Jodie Foster no drama “Um Novo Despertar”, na estreia do filme Gibson dançou sobre o tapete vermelho em Cannes; em 2012 Mel atuou no filme de ação “Plano de Fuga” e está escalado para “Machete Kills” de Robert Rodriguez.

Hoje aos 56 anos Mel Gibson é um cara controverso, teimoso e preparado para a briga, ou seja, ele é a mesma pessoa que era aos 12 anos de idade com a diferença de não precisar mais provar nada para ninguém. Outra boa notícia para Mel é que o ator está seis anos livre do alcoolismo, em 2006 ele foi preso por dirigir embriagado em Malibu. Sua pena foi participar de reuniões no AA, pagar multa e passar por um programa de reabilitação de três anos. No ultimo encontro com a justiça Mel foi elogiado pelo juiz.

Uma de suas atividades envolve trabalho voluntário na ala infantil do hospital San Juan de Dios na Guatemala em associação com a fundação Mending Kids de sua ex-esposa Robyn Gibson. Porém as últimas notícias do astro envolvem uma suposta amante da época em que ele estava com Oksana, Violet Kowal o defende das acusações de racismo e o chamando de gentil e respeitador. Mel poderia ter conseguido uma testemunha melhor, mas porque evitar mais um escândalo? Comparando ao jovem ator que se envolvia em brigas de bar Mel Gibson até que pegou leve.

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