Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 11 de março de 2014

Como era bom o Nosso Cinema ou Na Época das Pornochanchadas

Atualmente nosso cinema sobrevive à base de comediantes contemporâneos cujas comédias fraquinhas com rostos conhecidos/talentosos atraem uma multidão. Até ai nada de novo ou quase. Nosso cinema sempre teve ponto forte na comédia. Seus tempos áureos foram os anos da pornochanchada.
Considerado um gênero maldito, por especialistas que cospem no prato que comeram. Por anos a pornochanchada carregou o cinema nacional nas costas. Mas qual a diferença entre as comédias de hoje e as pornochanchadas. Para começar a criatividade. As comédias de hoje parecem uma produção em massa, todos os filmes são iguais .
As pornochanchadas tinham que driblar a censura e a falta de recursos, assim como o preconceito dos recalcados de plantão. Vejam o exemplo de “O Bem Dotado – O Homem de Itu”, ícone das pornochanchadas, não existe uma única cena de sexo, ouvimos a atriz gritando “mamãe” e a mesma mancando após experimentar o membro avantajado do ituano – é um humor que beira a inocência pela maneira lúdica como a sexualidade é representada.
Outro fator é o cultural - comédias como “Se eu Fosse Você” são apenas comédias “sessão da Tarde” recicladas. É chamar o público de idiota – já vimos esse filme muitas e muitas e muitas vezes. As pornochanchadas abraçavam a cultura nacional, traziam conflitos culturais, criticavam o puritanismo como “Os Bons Tempos Voltaram” Soninha (Carla Camurati) finge estar doente para encontrar o namorado, sua tática para aquecer o termômetro é incrível, a moça o coloca na vagina. A cena em que seu pai cheira o termômetro é hilária. Algo impensável em nosso cinema atual.
A grande diferença fica na malícia as comédias atuais possuem pôsteres sensuais como “Agamenon – O Repórter” os “Os Penetras”. Mas acaba por ai, todas as piadas são politicamente corretas, feitas na medida para agradas a nova censura. A malícia da Pornochanchada começava pelo título satirizando grandes produções “O Bacalhau” ou “Nos Tempos da Vaselina”.
Nos Tempos da Vaselina
As tramas envolviam assuntos sexuais, sempre havia uma mocinha virgem que atiçava os homens, um garanhão ingênuo e até apaixonados não correspondidos. Com ótimas saídas a censura proibia o sexo. Em “O Homem de Itu” uma mulher acabara de fazer sexo e estava sentada sentindo as dores do coito, um mordomo aproxima-se e segue o diálogo:
-          O que aconteceu?
-          Não estou me sentindo bem.
-          Foi comida?
-          Fui.

Tal trocadilho seria criticado pelos nossos censores. Atualmente toda nudez é criticada, mesmo com o chumbo da ditadura havia nudez frontal feminina, as bundas, verdadeiras obras de arte, eram adoradas. Galãs eram explorados para o público feminino. Hoje? O público que lota as salas de cinema é muito limpinho, nudez é vista na Internet.

Quer conhecer mais sobre esse tempo áureo do nosso cinema? Vão algumas dicas:

Nos Tempos da Vaselina: O caipira Onofre vai ao Rio de Janeiro encontrar seu primo Paulinho. Enquanto os dois curtem a cidade maravilhosa, Onofre conhece os amigos de seu primo e após várias confusões ele acaba transando com Dadá e a paquera de seu primo. Assim Onofre ganha fama de bom de cama e logo todas as mulheres querem transar com ele. Filme com a musa das pornochanchadas Adelle Müller.



As Seis Mulheres de Adão Seis mulheres reúnem-se para falar de Adão, um conquistador que seduziu, comeu e abandonou todas elas. Enquanto narram suas histórias as seis rejeitadas decidem se irão colocar em prática sua vingança: castrar Adão – interpretado por David Cardoso, o rei da Pornochanchada.

  

Os Bons Tempos Voltaras – Ivan Cardoso (sem parentesco com David) e John Herbert, dois grandes diretores da pornochanchada, unem-se para criar este filme, dividido em duas
histórias, na primeira Soninha finge estar doente para não ir a praia com sua família e ser desvirginada pelo namorado. As coisas não saem como todos imaginam. O segundo episódio – chamado “Primeiro de Abril” ridiculariza o golpe militar Roberta visita seu primo, que mora com seu avô, um general reformado do exército que aguarda o golpe militar. Roberta o provoca e faz uma festa em sua casa e ainda tira uma casquinha de seu primo.
Com Carla Camurati, Pedro Cardoso, Alexandre Frota, Andréa Beltrão, Marcos Frota e Taumaturgo Ferreira.




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