sábado, 24 de maio de 2014

Superman Anthology

É hora de mais um post comemorativo de cinco anos, segue uma análise completa de “Superman Anthology” a edição definitiva dos filmes do homem de aço – o maior super-herói de todos os tempos.
Assim que o Blu-Ray começou a ficar acessível à Warnner lançou um BOX com todos os filmes do Superman, devido a sua qualidade o produto esgotou-se rapidamente. No final do ano passado o BOX foi relançado contendo todos os cinco filmes feitos entre 1979 e 2006 incluindo versões do diretor e uma inédita no Brasil.

Superman – o Filme (1978)

Este é simplesmente o melhor filme baseado em uma personagem de comics da história nem mesmo a nova trilogia do Batman o supera, “Superman – O Filme” é melhor que outras adaptações como “Sin City” ou “V de Vingança”. O motivo? Os nomes envolvidos, o cuidado na produção e a ambientação perfeita.
A Warnner anunciou o filme um ano antes, foi gravado um trailer rudimentar onde uma câmera colocada em um avião filmava nuvens. Haviam dois nomes contratados Marlon Brando (O Poderoso Chefão e Apocalypse Now) e Gene Hackman (Operação França e Os Imperdoáveis) interpretando Jor-El e Lex Luthor Respectivamente.
Posteriormente contrataram Mario Puzo (O Poderoso Chefão) para escrever o roteiro, mas estavam sem um diretor e sem um ator principal. Para dirigir o filme os produtores contrataram o então novato Richard Donner que havia estreado em “A Profecia” ainda hoje um dos melhores filmes de terror já realizados.
Ainda faltava um “detalhe” quem vestiria a capa
vermelha? Muitos foram testados, inclusive o dentista da mulher de um dos produtores, Donner acabou por escolher o estreante Christopher Reeve – um excelente ator que acabou ofuscado pela força da personagem; Margot Kidder uma screan queen de filmes B foi escolhida para ser Lois Lane – gerando rusgas entre o estúdio e diretor.
O filme custou US$ 55 milhões – um absurdo para época, só Marlon Brando recebeu US$ 1 milhão para aparecer menos de 30 minutos, um recorde para época, mesmo assim ele quase não topou, envergonhado sugeriu que filmassem uma barra de ferro verde que ele dublaria. Sua justificativa? “Ninguém nunca viu um kryptoniano, não podemos dizer como ele é”.
O resultado final é um dos melhores filmes de todos os tempos, dono de uma trilha sonora imortal, composta por John Willians. O filme começa nos últimos dias de Krypton Jor-El condena o general Zod a zona fantasma.  Segue-se uma discussão entre os membros do conselho regente de Krypton sobre as teorias de Jor-El, obrigado a ficar em silêncio sobre suas descobertas desacreditadas.
Certo de que o planeta explodiria Jor-El envia seu filho para a Terra um planeta onde ele teria vantagens naturais, as quais o ajudariam a sobreviver, pareceria com um de nós, mas nunca seria um humano. Mario Puzo faz uma analogia entre Superman e Jesus – um homem que veio dos céus enviado para nos proteger.
A história é conhecida Clark Kent vai trabalhar no Planeta Diário, em uma interpretação brilhante de Christopher Reeve (que lhe rendeu um prêmio Bafta de melhor ator revelação), onde apaixona-se por Lois Lane, que maltrata Clark e apaixona-se por Superman, Lex Luthor – o alívio cômico planeja destruir o mundo.
O filme conta com cenas memoráveis a principal é o momento em que o helicóptero que levaria Lois não decola, a repórter fica pendurada, Clak transforma-se pela primeira vez. Lois Lane cai do prédio onde estava o helicóptero, Superman a salva e o munda acredita que um homem pode voar.
Temos a entrevista que Superman concede a Lois, terminando em um voo romântico e ainda vemos nosso herói salvar várias pessoas, confrontando Luthor e voando ao redor da Terra, cuidando e nos protegendo.
Em termos práticos o filme arrecadou US$ 300.218.018. Porém nem tudo foram flores Donner e os produtores discutiram muito durante as filmagens o produtor queria um filme cheio de ação, o diretor dava preferência para o desenvolvimento das personagens e da história.
O Box tem duas versões do filme, as duas muito parecidas, a original de cinema e a versão do Richar Donner com alguns minutos a mais.

Superman II – A Aventura Continua (1980)

Ambos os filmes foram gravados ao mesmo tempo, Richard Donner havia filmado a maior parte do filme, mas o produtores o demitiram contratando Richard Lester para direção da segunda parte. Como consequência Gene Hackman abandonou as gravações, um ator foi convidado para imita-lo nas poucas cenas restantes. Já Marlon Brando foi mais radical proibiu que usassem sua imagem.
Lester reescreveu parte do roteiro de Puzo e filmou novas cenas. 51% do filme são de sua autoria, foi preciso esta mudança para ter seu nome creditado e agradar aos produtores até então descontentes.
No filme o general Zod (vivido pelo ator inglês Terence Stamp) se liberta da zona fantasma com se
us dois seguidores, os três vem para Terra onde possuem os mesmos poderes que Superman.
Já nosso herói está fazendo uma reportagem com Lois Lane, os dois se passam por recém casados para descobrir quais hotéis são exploradores. Após um acidente estúpido Lois descobre a verdade. Superman a leva para a fortaleza da solidão onde tem uma noite de amor. Clark desiste de seus poderes para ser um humano ao lado de Lois Lane.
 Ao mesmo tempo o general Zod domina o mundo e fica entediado, Lex Luthor foge da cadeia, descobre a fortaleza da solidão, a partir deste conhecimento o vilão tenta negociar com Zod o paradeiro do filho de Jor-El em troca Luthor tornar-se-ia o senhor da Austrália.
O filme termina com Superman recuperando seus poderes e enfrentando os três vilões em uma sequencia de ação, junto com muitas cenas cômicas. A batalha é muito boa com uma cena onde Superman é esmagado por um ônibus; Gene Hackman está mais a vontade como Lex Luthor e se diverte muito no papel. O destaque do filme vai para Stamp com seu vilão afetado/memorável “ajoelhe-se perante Zod”. Posteriormente Terence Stamp viria a dublar Jor-El no seriado Smallville.
Lester conseguiu o filme de ação que os produtores tanto queriam, no geral ele é inferior ao primeiro. O faturamento foi menor US$ 108.185.706, mesmo assim rendeu mais que o dobro que o custo do filme.

Superman II Richard Donner´s Cut (2006)


Em 2006, quando “Superman – O Retorno” foi lançado Richard Donner foi convidado para editar as duas produções do Superman. O primeiro filme teve poucas mudanças, já essa segunda parte virou um filme completamente novo. Anunciado como “uma versão que você nunca viu”. Não é propaganda enganosa.
Percebemos que Lester alterou o roteiro de Mario Puzo dando prioridade para ação. A versão de Donner foca nas personagens. O filme começa com Lois Lane desconfiando que Clark Kent é na verdade Superman, a repórter faz de tudo para desmascara-lo. Não vou estragar a surpresa de quem não viu, mas são sacadas geniais.
Algumas coisas são semelhantes Zod e seus seguidores são libertados da zona fantasma, em acontecimentos diferentes - mais inteligentes e ligados ao primeiro filme. O filme foca no relacionamento entre Kal-El e Lois, incluindo uma cena dos dois após uma noite de sexo e Lane
andando pela fortaleza da solidão vestindo a camiseta azul, assim como uma amante usa a camisa de seu homem.
A versão de Donner trás Kal-El desistindo de seus poderes em um “duelo de interpretações” entre Christopher Reeve e Marlon Brando – este é mais um dos benefícios desta versão as cenas com Brando foram inseridas e são todas excepcionais (não tinha como ser diferente).
Lex Luthor tem menos destaque, até mesmo porque o filme foca no casal Superman e Lois Lane com inserções de Zod dominando a Terra, invadindo a Casa branca e rendendo o presidente.  Luthor faz o alívio cômico enquanto Zod parte em uma vingança contra o filho de seu inimigo.


Os três vilões invadem o Planeta Diário atrás de Lane, Superman volta a Metrópolis para a batalha final contra os três kryptonianos. A cena de luta é quase igual, sem as piadas visuais constantes, o que favorece a cena. Além disso a maneira como Kal-El recupera seus poderes é um diferente e muito mais emotiva. Donner dá um show de direção.
“Superman II” de Lester apresenta pontas soltas e uma inclinação para a comédia as cenas de Donner preenchem o espaço vazio enquanto que o diretor volta-se mais para o drama. Quem tiver alguma dúvida da qualidade de Donner deve assistir as duas versões de “A Profecia” embora o remake seja bom ele passa vergonha ao ser comparado com o original.

Superman III (1983)


Este foi o primeiro filme sem a participação de Donner e Puzo. O resultado ficou a baixo da média. Richard Lester foi convidado novamente para direção, porém não se decidiu pelo roteiro.
Vendo o filme fica nítido que várias ideias foram utilizadas. Haviam pelo menos três histórias simultâneas: a) uma comédia oitentista; b) Clark retorna a Smallville; C) Superman enfrentando dois vilões.
Inicialmente o filme teria dois vilões Brainiac e Mr. Mxyzptlk o primeiro ficou preservado no computador gigante e na sequencia final já o ser da quinta dimensão foi reduzido a sequencia de desastres do início do filme.
Dentre todas as possibilidades optaram pela pior de todos “Superman III” é uma comédia típica dos anos 80 protagonizada por Richard Pryor onde Superman é um coadjuvante. Dois vilões clássicos aparecem, porém muito descaracterizados Brainiac como uma mulher transformada em um computador e Bizarro como a versão má do Superman.

Margot Kidder detestou o roteiro, como consequência ela aparece apenas cinco minutos em cena, em seu lugar Annette O´Toole foi contratada para viver Lana Lang – curiosamente Annette viria a interpretar Marta Kent em Smallville.
Gus (Pryor) é um folgado que sobrevive as custas do governo, obrigado a procurar emprego ele envolve-se em computação, percebendo-se um gênio Gus frauda seu pagamento passando a ganhar milhares de dólares. Seu chefe, um empresário inescrupuloso (que se parece muito com o verdadeiro Lex Luthor), vê em Gus uma forma de destruir seus rivais. Porém Superman sempre salva o dia.
Clark passa o filme em Smallville cortejando Lana, um antigo amor e também a garota mais popular do colégio, que agora é uma mãe solteira. Os dois se apaixonam e o herói cogita iniciar um namoro.
Gus é obrigado a criar Kryptonita para derrotar Superman, usando o computador ele faz uma kryptonita falsa que modifica a personalidade do herói – sim a kryptonita vermelha da história original, só que verde – em troca Gus exige um supercomputador (Brainiac) construído pelo vilão.
O filme melhora muito após Superman ser exposto à falsa Kryptonita ele deixa de ajudar as pessoas, fica bêbado e numa cena hilária endireita a torre de Pisa. A sequencia mais famosa é quando Clark enfrenta Superman no ferro velho seu lado bom duela com o mal – sim o Bizarro pessimamente caracterizado.

No final do filme Superman enfrenta o computador que transmite sua consciência para uma mulher temos ai Brainiac ou o mais próximo possível.   
Uma coisa deve ser dita: “Superman III” é muito engraçado, a primeira aparição do Superman ele salva um homem que estava se afogando dentro de um carro, no meio da rua. É uma comédia completamente louca.
A critica malhou o filme, realmente ele fica aquém dos dois primeiros, mas não chega a ser horrível, como alguns falam, porém não deve ser comparado aos dois primeiros.  Outro fator determinante foi a diminuição da verba. A produção custo US$ 30 milhões, bem menos que os dois primeiros, e arrecadou US$ 59.950.623.

Superman IV – Em Busca da Paz (1987)


Aqui a coisa degringola a Warnner abriu mão da produção ficando apenas com a distribuição do filme, os responsáveis pela filmagem foram os estúdios Cannon Group responsável pelos filmes de Chuck Norris e Charles Bronson. A produtora nunca foi de primeira, para piorar ela quase faliu um ano antes ao filmar “Força Sinistra” de Tobe Hooper (“O Massacre da Serra Elétrica”).
A produção foi feita a toque de caixa, os efeitos especiais são semelhantes ao utilizados no seriado Chávez. O diretor foi Sidney J. Furie que possui uma centena de filmes de ação no currículo, o mais conhecido deles é “Águia de Aço”. O objetivo da Cannon era arrecadar dinheiro para filmar “Homem Aranha”. Convenhamos Superman merecia mais, mesmo assim conseguiram Gene Hakman, Christopher Reeve e Margot Kidder.
Na história o Planeta Diário é comprado por um Tabloide, enquanto o mundo vive o medo de uma
guerra atômica e um garoto escreve para Superman salvar o mundo. Lex Luthor vê ai uma oportunidade, ele mistura seu DNA ao do Superman e cria o Homem Atômico.
O filme tem bons momentos como o primeiro discurso do Superman na ONU - Sidney J. Furie capta toda a força da personagem e sua simbologia como a encarnação da esperança; temos o Voo de Superman e Lois Lane, descobrimos que a repórter guarda em algum lugar da memória a lembrança de sua noite com o homem de aço (no segundo filme) e de como os dois não podem ficar juntos, porém essas memórias só vem em flash. Infelizmente essa relação não se aprofunda.

Esse filme é o que mais utiliza ideias dos quadrinhos, o início da Liga da justiça se deu com Superman livrando o mundo das armas nucleares, o deixando vulnerável a um ataque alienígena. No filme o erro se repete, a humanidade precisa saber se virar. Superman segue resolvendo os conflitos com inteligência.
O que estraga o filme é a trama do Planeta Diário, onde a filha do comprador se apaixona por Clark, Lex Luthor também está enfraquecido, já o Homem Atômico é um vilão mediano, mesmo assim ele quase mata Superman; a trama convencional e os péssimos efeitos do voo atrapalham o resultado final.
Nas bilheterias o filme foi um fracasso custando US$ 17.000.00 e arrecadou apenas US$ 15.681.020.

Superman – o Retorno (2006)


Por anos a Wharnner tentou trazer o maior herói de todos de volta as telas grandes, por um tempo Tim Burton esteve contratado para filmar “Superman Lives” – baseado na morte do Superman em seu confronto com Apocalipse, o filme chegou a ser anunciado nos cinemas, mas o projeto foi abandonado por problemas de agenda.
Após o sucesso dos filmes da Marvel e depois de“Batman Begins” ser bem recebido nos cinemas o projeto Superman foi retomado, inicialmente com McG, diretor de “As Panteras” e “As Panteras Detonando” foi contratado, mas suas ideias contrastavam com a dos produtores. Para se ter uma ideia McG queria Beyoncé para viver Lois Lane – felizmente seu nome foi descartado.
Em fim contrataram Bryan Singer – diretor dos dois primeiros filmes da série “X-Men” Singer não pensou duas vezes, Superman era seu herói de infância, para o filme ele levou grande parte da equipe dos dois primeiros X-Men incluindo roteiristas, músicos e equipe técnica – o que ajuda a entender porque “X-Men O Confronto Final” é tão ruim.
Singer optou por retomar de onde “Superman II” parou, ignorando as sequencias. Superman estava fragilizado por ser obrigado a abdicar do amor de Lois
Lane para proteger a humanidade, ele aproveitou rumores da sobrevivência do planeta Krypton e foi embora do planeta Terra.
Cinco anos após sua saída Superman retorna e encontra muitas mudanças o planeta aprendeu a viver sem ele, o kryptonino precisa redescobrir qual o seu lugar tanto no mundo como no coração de Lois Lane, que agora tem um filho e namora Richard White, sobrinho do editor.
Para piorar Lex Luthor saiu da cadeia, Superman fora convocado para testemunhar mas por estar fora do planeta não compareceu e Luthor foi solto, ele seduz uma velha milionária a beira da morte e herda sua fortuna. Luthor elabora um plano para criar um novo continente tendo como base os cristais de Krypton.
O filme divide opiniões muitos odeiam, outros adoram eu fico no meio termo, “Superman – o Retorno” alterna bons momentos com erros graves. O diretor acertou em humanizar a personagem, as cenas em que Kal-El observa Lois Lane no elevador e na sua casa, com uma família, que poderia ser ele, comovem. As cenas de ação são ótimas principalmente o salvamento do avião e uma das cenas de promoção do filme onde Superman recebe um tiro no olho, a bala amassa e cai no chão.

Em determinado momento Superman quase morre, a comoção social arrepia e emociona o povo unido circula o hospital torcendo/ se consolando pela possível perda do herói. Sim o mundo precisa do Superman.
O filme tem alguns problemas o principal deles atende pelo nome de Kate Bosworth a interprete de Lois Lane, a moça é incapaz de dar vida a personagem, só é possível enxergar Lois Lane em um momento, quando ela explica para Clark que é fácil dizer tchau.  Não existe Superman sem Lois Lane.
Sério se Kate Bosworth tivesse sido substituída por alguém mais competente o filme seria muito melhor. Outro grande problema Singer manteve o clima ingênuo do primeiro filme. Este clima ficava muito bom em 1978, mas não em 2006. Principalmente depois do ataque as Torres Gêmeas. O plano de Lex Luthor, brilhantemente interpretado por Kevin Spacey, é muito infantil, chega a lembrar os planos dos vilões dos desenhos dos anos 70. Faltou uma coisa mais atualizada.
 Singer escolheu um bom elenco, com exceção de Kate Bosworth, o estreante Brandon Routh é um bom Superman e atualmente é um ator injustiçado, ele é inferior a Reeve, mas sustenta a interpretação. Kevin Spacey é o grande astro do filme e faz um Lex Luthor ao estilo de Gene Hackman, porém mais ameaçador e sombrio. Spacey desfilava pelas gravações do filme com cartazes “Abaixo Superman”; James Marsdsen vive o rival amoroso de Kal-El com dignidade já Frank Langella está muito bem como Perry White.

Resumindo “Superman – O Retorno” é um filme que merece uma segunda chance, ele é uma homenagem aos dois primeiros filmes do herói e deve ser visto assim. Ficou faltando uma pitada de modernidade.   

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