VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Hypercomix: Uma Experiência Editorial

É relativamente comum encontrarmos blogs ou sites dedicados a sátira ou contos criativos sobre determinado anime ou seiriados. Este é o benefício da internet, nem sempre foi assim. Em meados dos anos 1990 a internet era um luxo para poucos – desconhecida, cara e ligada a linha telefônica poucas pessoas tinham acesso a ela. As informações eram feitas exclusivamente por revistas impressas.
Os mangás inexistiam no Brasil, os pouquíssimos materiais que chegaram aqui eram publicados em formatinho como comix. Mesmo estes tinham um campo reduzido, os fãs ficavam limitados a alguns títulos. Publicar material nacional era um sonho distante, sua única chance era trabalhar para o Maurício de Souza.
Foi neste senário que surgiu a Hypercomix, uma revista dedicada a publicar histórias de desenhistas e roteiristas nacionais, aproveitando a onda dos Cavaleiros do Zodíaco tudo quanto era anime e mangá eram anunciados em revistas especializadas, fãs compravam fitas de vídeo (o velho VHS) e/ou mangás importados dos EUA ou do Japão, alguns copiavam e revendiam a preços simbólicos. Algo único em nosso mercado – sim houveram imitações, mas sem a mesma qualidade e a mesma periodicidade.   
A Hypercomix foi uma experiência editorial ousada para sua época publicada pela Magnum sob a tutela de Sérgio Peixoto e do finado José Roberto Pereira o JRP – para aqueles que não se lembram (ou não sabem) os dois foram responsáveis pela publicação da melhor revista sobre animes lançado em nosso mercado a “Animax” (em breve uma matéria).
A primeira fase da Hypercomix
era repleta de malícia
“Nós viemos para confundir, não para explicar” este era o título do primeiro editorial da revista, reza a lenda que tudo começou quando um pessoal de Manaus, encabeçado pelo João Vicente – JVC (João Vicente Company) enviaram um material para a revista Animax número 11. O diretor técnico da editora encontrou o material sobre a mesa do Peixoto e o resto é história.
O editorial ainda trazia uma proposta tão ousada quanto necessária: “... o que queríamos era um fanzine nas bancas, de preço barato e com gente nova publicando suas ideias espontâneas e loucas, com um pouco malícia e erotismo para temperar”.  E por algum tempo a coisa deu certo.
JRP sempre teve uma visão editorial aprimorada e a frente do seu tempo, do tipo que incomoda, Peixoto é um apaixonado por animes enquanto JVC um talento. A década de 1990 permitia este tipo de material, Os Cavaleiros do Zodíaco abriram portas e o plano Real salvou nossa economia.
 Infelizmente ideias novas e ousadas costumam ser mau vistas em um mercado engessado onde os mesmos modelos e profissionais se acomodam. Brigas internas decretaram o fim da “Animax” e como já disse o resto é história.
A Hypercomix teve duas fases a primeira, que durou quatro edições chamada “fase de testes” cheia de piadas sexuais e cenas de nudez. A segunda, mais longa, sem as cenas de sexo, mantendo a malícia, o humor inteligente que respeitava os fãs. A publicação mantinha uma regra de ouro do humor: “nada é sagrado” e sobrou para todo mundo – Cavaleiros do Zodíaco”, “Sailor Moon”, “Street Figther” e muitos mais.
A primeira edição trouxe na capa “Los Caballeros
Los Caballeros Ridículos:
O "Mestre do Pau sequestra a Virginal Saori
Ridículos” aproveitando o título em espanhol com o qual Cavaleiros do Zodíaco passavam na Rede Manchete trazendo em quatro partes a saga dos cavaleiros de Athena: Seya (um corno metido), Shiryu (o cemedor), Hyoga (que vivia dormindo), Shun (o rapaz alegre) e Ikki (outro comedor) defendiam Saori (uma moça virginal que dava para todo mundo) da fixação do Mestre do Pau – cujo interesse era comer Saori. Deu para pegar a ideia?
A Hypercomix se foi mas deixou algo mais do que boas lembranças, com um pouco de boa vontade e visão de mercado é possível explorar um ramo editorial largado a mediocridade – os fãs de animes costumam ser maltratados com publicações preguiçosas, repletas de matérias mal escritas e resenhas preguiçosas. Muitos talentos são desperdiçados.
Em tempo atualmente JCV mantém um Blog onde posta seus desenhos, que já eram muito bons na época hoje estão aprimorados. Vale a pena conferir:

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