VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O humor está doente

Um homem foi ao médico reclamando de uma tristeza crônica, nada mais o fazia sorrir e a alegria o abandonara. Após muito pensar o médico responde:
- Eu soube que o palhaço Pirulito está na cidade, dizem que seu número é tão engraçado que fica impossível não rir, eis seu remédio.
O paciente responde:
- Mas doutro, eu sou o palhaço Pirulito.
Piadas a parte o assunto é o humor. Qual a função do humor? Fazer rir, lógico, porém o humor denuncia situações do cotidiano. O humor brasileiro, por exemplo, pretende construir críticas sociais. Infelizmente a critica fica apenas na intenção, na maioria das vezes nem isto.
Chaplin ainda é uma referência do humor sua personagem, o vagabundo, tecia severas críticas. Pensemos no humoristas brasileiros aquele que mais claramente se inspira no Chaplin é o Didi, o "trapalhão", o comediante nunca escondeu sua inspiração e admiração. Porém as semelhanças terminam na personagem maltrapilha e no humor ingênuo, Didi nunca conseguiu tecer uma crítica tão esmiuçada e complexa quanto Chaplin.
Durante muitos anos o humor brasileiro caracterizou-se pelos bordões ou frases prontas, onde o humorista repete seu bordão ao extremo. Os principais representantes deste subgênero são o finado "Show do Tom", "Zorra Total" e "A Praça é Nossa". Este ultimo não repete apenas as frases como as piadas, essas são as mesmas há mais de vinte anos. Quando assisto qualquer um destes três programas citados sinto como que seus humoristas estivessem zombando da minha inteligência com seus bordões intermináveis.
Agora eu pergunto: estes três programas fazem críticas? Alguns poderão defende-los citando personagens como: "o povo brasileiro" sofrido e sempre enganado ou "o político corrupto" que engana e rouba. Porém as personagens são tão generalizadas e simplistas que o espectador ignora o alvo da crítica, passando a acreditar que todos os políticos são iguais e de nada adianta se interessar. Além de não ter graça estes programas prestam um desserviço social.
A excessão que comprova a regra encontra-se na nova geração oriunda do stund up resistindo ao terrorismo do politicamente correto – Danilo Gentili está na vanguarda do movimento, o melhor que o humor brasileiro oferece. Nomes como Rafinha bastos, Rafael Cortez, Marcelo Mansfield, Leo Lins e outros que ainda estão nos teatros são um sopro de vida no gênero. 
O "Pânico na TV" conseguiu, por algum tempo, aliar crítica e humor na mesma medida, como próprio nome "Pânico" sugere a anarquia reina e nada é sagrado. Ou era, colocar um microfone nas mãos de Charles Henrique (o homem Wikipédia) é sinal de desgaste ou ter Sabrina Sato como correspondente política foi um sério indicativo que o "Pânico ..." deixou de ser o que prometia e hoje, na Band, é apenas uma triste caricatura de si mesmo.
Aconteceu algo semelhante com o extinto "Casseta e Planeta" e com "CQC" o primeiro foi herdeiro direto da "TV Pirata", porém com os anos o programa perdeu o fôlego até ficar chato e repleto de críticas previsíveis até sair do ar sem deixar saudades. Já o "CQC" foi um sopro de originalidade o programa não soube como se renovar e embora seja o mais crítico de todos, seus talentosos humoristas estão tendo dificuldades em manter o nível das piadas. Suas críticas continuam mordazes, mas um programa de humor deve antes de tudo ser engraçado. E está faltando graça no humor do Brasil.   

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"Os Deuses Mortos" Oito Anos

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