sábado, 29 de agosto de 2015

O Bullying – Sua Fisiologia e estratégias para combate-lo




O Que é o Bullyin?

O bullying é um assunto que demorou a entrar em pauta no Brasil ainda hoje existe muita resistência vinda de instituições de bairro e ensino. Como se o assunto fosse proibido, uma vez que se reconheça a existência do Bullying deve-se fazer algo e ai a porca torce o rabo.
Existe muita informação, porém são todas parecidas e quase todas informativas - explicam o como, não o porquê. Para quem não está familiarizado ai vai uma rápida definição:
Bullying é o desejo deliberado e consciente de maltratar outra pessoa seja com violência física (tapas na cabeça, empurrões ou chutes); seja de maneira verbal (apelidos, xingamento ou frases que denigram a vítima), o maltrato deve ser frequente e sem motivo aparente. Como consequência do bullying o isolamento social do agredido, em alguns casos depressão e o suicídio. Dependendo da estrutura psíquica da vítima.
A psicóloga Cleo Fante identificou em seu livro: Fenômeno do Bullying como prevenir a violência nas escolas e educar para a paz - ela descreve as cinco personagens do bullying. Neste fenômeno as personagens e situações se repetem tornando fácil a identificação. Este é o primeiro passo para prevenir. Seguem as personagens do Bullying:

  • Vítima Típica: tímido, fraco fisicamente, com alguma característica "diferente" (como orelhas grandes, óculos, muito alto ou muito baixo, etc...) estas pessoas sentem-se intimidados, evitam o contato com colegas, isolam-se e por isto são facilmente agredidos.
  • Vítima Provocadora: é aquela pessoa que gosta de chamar a atenção, mas não sabe como, geralmente é mais imaturo que seus colegas e suas atitudes podem irritar os demais que passam a agredi-lo.
  • Vítima Agressora: aqui temos um indivíduo que sofre bulying, em seguida busca pessoas mais fracas e as transforma em vítimas.
  • Agressor: ele hostiliza os mais fracos para compensar suas carências, geralmente o agressor é forte fisicamente, mas emocionalmente é muito fraco sentindo que precisa demonstrar sua força para poder se sentir superior.
  • Espectador: quem assiste o bullying e não faz nada é tão ou mais responsável do que o agressor, nesta categoria incluem-se todos os outros alunos que assistem uma agressão e ficam calados, dão risada ou sentem dó, mas não fazem nada.

O bullying é muito mais antigo do que se pensa. Freud descreveu o gênesis deste processo em 1920 no texto "Além do princípio do prazer" o pai da psicanálise aponta como uma reação natural a necessidade de repetir uma dor sofrida para alivia-la. Segundo Cleo fante o bullying está presente em 100% das escolas brasileiras.

O Que Fazer quanto ao Bullying

Chegamos ao ponto mais delicado deste post o que fazer quanto ao fenômeno: Me chama à atenção esta campanha anti-bullying midiática propagando o sofrimento das vítimas e assim tentando comover os agressores a mensagem implícita é: “todos seriam mais felizes se fossem amigos”. Quem leu atentamente a descrição dos agressores percebe a incoerência e inutilidade desta campanha. Os agressores são vítimas que tentam descontar sua frustração ou precisam se afirmar sobre os mais fracos.  Em ambos os casos o agressor visa provocar dor em outras pessoas para minimizar a sua, dizer que a vítima ficará triste é um incentivo a prática do bullying.
Antes de lidar com o bullying é necessário identifica-lo, crianças e adolescentes vitimados não costumam relatar as agressões sofridas temendo preocupar seus pais, por isto frases feitas como: "se alguém te ameaçar, me conte" soam falsas e não surgem efeito. O que os pais podem fazer é observar seus filhos: ele reluta mais do que o normal em ir à escola? Se entristece ou se irrita antes de um dia de aula? Tenta chegar em cima da hora ou atrasado para à aula? Os pais podem observar o estado do uniforme e/ou dos pertences de seu filhos: Seu material está sempre quebrado ou sujo? Seu uniforme está com marcas? Estes podem ser indícios de bullying.
Outra maneira, ainda mais eficaz, é a escola pedir redações do tipo" descreva seu dia" ou "sobre amizade", "fale sobre a escola" - este método é mais indicado para crianças pequenas. A redação deve ser anônima, pois o objetivo é identificar a presença do bullying e não expor os alunos. Caso a escola se recuse a criar algum tipo de programa anti-bullying cabe aos pais cobrarem da escola. A escola tem obrigação de preservar a saúde de seus alunos, se a escola não inibir o bullying pode e deve ser processada – se todos os pais de crianças e adolescentes que sofrem bullying processassem as escolas o Bullying seria melhor combatido.
É muito importante evitar expor a vítima, nunca cite seu nome perante outros alunos, assim como dizer que a vítima triste ou machucada ou ainda pedir que este aluno identifique seus agressores em público. Estas atitudes são tão ou mais ameaçadoras e humilhantes do que o bullying.
Uma boa solução é a criação de comitês nos colégios compostos por pelo menos um membro do corpo docente e de alunos (este formariam a maior parte do comitê) - muitos são contra o bullying, mas não fazem nada por medo de serem agredidos ou por não saber o que fazer. Um comitê pode acolher as vítimas, proporcionar-lhe novos ciclos de amizade e coibir o bullying.
Quanto ao agressor, este é o mais "doente" de todos os protagonistas, uma maneira de identifica-lo é observando sua agressividade. O agressor não é violento apenas quando pratica o bullying mas em casa e com seus colegas, mais uma vez vale a observação paterna.
O agressor e a vítima precisam de ajuda profissional e necessitam de uma atenção individual, suas atitudes de hostilidade ou “provocação” devem ser entendidos e trabalhadas, deem preferencia ao tratamento psicanalítico que irá ajudar o paciente a reconhecer e lidar com seus conflitos e evitem tratamentos comportamentais mais indicados a pessoas com problemas funcionais – o bullying não é um comportamento a ser moldado e sim a denuncia de uma grande dor que precisa ser conhecida para ser trabalhada.

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