Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A Polêmica da ONU contra os Animes

No ultimo mês foi vinculada uma notícia que deixou os fãs de mangas e animes preocupados trata-se da recomendação da ONU ao governo japonês pedindo o fim de mangas e animes com ilustrações sensuais ou sexuais de lolis. Com este post pretendo ilustrar os cenários atingindo não apenas os fãs, mas todo o público para que saibam o que estão discutindo.
Preocupados com a pedofilia no mundo secretários da ONU começaram a avaliar conteúdos que possam influenciar comportamentos pedófilos pelo mundo, nessa investigação os mesmos depararam-se com o que é conhecido na cultura japonesa como “Lolicon” não é necessário ser um profundo conhecedor do assunto para entender o que é.

O que são os conteúdos Lolicon?

Lolicon vem de Lolita personagem título do livro de Vladimir Nabokov sobre uma adolescente que seduz um homem mais velho – acho que a ONU não leu o livro, nem assistiu o filme de Stanley Kubrick. Mas tudo bem eu sim as duas obras focam a sexualidade “precoce” (em padrões legais) e como a protagonista seduz o inquilino de sua mãe. O mesmo tema será encontrado em “presença de Anitta” e em fábulas como “Chapeuzinho Vermelho” e “A Pequena Sereia” – de forma metafórica, já falo nelas. A mitologia grega trás a figuras das Ninfas mulheres extremamente sensuais e sedutoras mito que deu origem ao termo ninfeta.
Voltamos ao Japão Lolicon ou Loli ultrapassa a barreira dos animes, o que temos é um exemplo de como a arte ilustra a vida, não existe pedofilia no Japão porque os mangás ilustram, mas os mangás ilustram temas culturais, mas sim porque existe pedofilia no mundo inteiro.
Loli é um seguimento da moda japonesa onde pessoas – garotas, em sua maioria - se vestem como bonecas vitorianas, mercado que ganhou uma
Ghothic Lolita
subdivisão “Ghothic Lolita” onde a cultura gótica surge como inspiração ao lado da literatura do século XIX. É uma mistura de dama vitoriana, moda gótica, empregada vitoriana e boneca. E sim fica bonito.
Outro aspecto da moda japonesa são as colegiais ou melhor o uniforme colegial – o fetiche envolvendo saias curtas, moletons largos e meias folgadas. Algumas garotas usam uniformes mesmo após saírem do colegial. Comprovando que o foco do desejo não é a idade, mas sim a aparência.
A ONU elencou ao menos mais dois fatores embasando sua proibição: encontros pagos e máquinas de venda de roupas íntimas de menores de idade. Vamos entender o que são essas coisas.
Algumas (e friso algumas) garotas japonesas recorrem ao “enjo kosai” – caça aos velhos em uma tradução muito livre (friso o muito) basicamente as garotas seduzem homens mais velhos que pagam suas roupas e acessórios em troca saem com eles para um jantar (sem trocadilhos) ou passeiam no shopping sem relação sexual.
Os encontros que preocupam a ONU são contratos não sexuais onde, mais uma vez, o foco é o fetiche de andar ao lado de uma “colegial” e não a menina menor de idade. Não necessariamente a colegial é uma colegial.
As máquinas mencionadas à cima são um pouco mais difíceis de ilustrar. Imagine uma máquina de refrigerante ou de livros comuns na maioria das estações de metrô. Troquem o conteúdo por calcinhas ou sutiãs usados por menores de idade. É isso. A lei japonesa permite esse tipo de negócio. Uma máquina como essa seria proibida no Brasil, e a proibição seria certa, uma vez que nossa lei proíbe, a lei japonesa permite.
O Japão é um país caracterizado por um rigor social cada um possui um papel na sociedade e deve segui-lo dando o máximo de si. A sexualidade é apenas uma válvula de escape, culturalmente a sexualidade japonesa se esvai pelo fetiche que é sempre focado em um objeto ou situação. Dentro desse contexto alguém realmente acredita que uma obra de ficção pode fazer alguma diferença?

Obras de Ficção sobre a sexualidade infantil

Você ainda não está convencido ou simplesmente acredita que obras de ficção podem estimular a pedofilia mesmo não a causando? Tudo bem você tem o direito de pensar assim. Mas tem a obrigação de ser coerente com suas crenças. Os animes não são a única ficção a abordar a sexualidade infantil.
Os contos de Fada
Hoje lidos para crianças e deturpados de sua origem os contos de fadas trazem muito conteúdo erótico e infantil. O psiquiatra e psicanalista americano Bruno Bettelheim publicou “A Psicanálise dos Contos de Fadas” onde analisa o conteúdo erótico dessas histórias centenárias.
Chapeuzinho vermelho
O objetivo dos contos de fadas era divertir a corte e ensinar crianças. Veja o caso de “Chapeuzinho Vermelho” uma adolescente vivendo o desabrochar de sua sexualidade veste vermelho – cor escolhida propositadamente – onde ela seduz o lobo. Na versão original e nas versões contadas até hoje a protagonista sabe que existem dois caminhos um onde existe o lobo e outro onde não existe ela escolhe o caminho do lobo.
Ao encontrar o lobo a menina “deixa escapar” que vai para a casa de sua avó, interpretado por Bettelheim como um convite ao predador. Na versão original o lobo não se veste de avó – essa passagem sempre gerou piadinhas do tipo “essa menina deveria ser cega” ou “a avó dela não se depila” – revelando a desconfiança das crianças perante o disfarce do lobo. Nenhuma criança engole que o lobo se passa por vó e sentem-se enganadas, não sabendo porque.
Na primeira versão, de tradição oral, Chapeuzinho escapa urinando na cama do lobo, como uma demarcação territorial. A cena revela que o lobo não é um lobo. Se a menina age como animal, um homem pode agir como animal também.       
A primeira versão escrita foi a de Perrault onde o lobo convence a garota a tirar sua roupa, uma vez nua ela deita na cama com o lobo (sem disfarce de avó) segue o diálogo que olhos grandes você tem e o lobo come a menina. Temos então um poema advertindo as meninas menores de idade a não falarem com estranhos, pois muitos podem ser lobos – essa versão foi adaptada para o cinema em “A Companhia dos Lobos” trazendo ao final do filme o poema de Perrault.
As versão dos Irmãos Girnn foi escrita depois e é um pouco mais leve, nela o caçador salva a menina. Porque a figura do caçador? Um homem adulto é introduzido na história salvando a menina das consequências de sua sexualidade não resolvida. Ele representa o pai cuja função é orientar e cuidar.
Já na pequena sereia, uns contos de fadas dinamarqueses, escritos por Hans Christian Andersen trás a trágica consequência da paixão de uma menina por um homem de mundo diferente do seu – esqueça a versão da Disney, no conto de fadas Ariel sofre muito, sua nadadeira é repartida em duas e cada passo seu é uma dor horrível.
A pequena sereia é uma metáfora: existem dois mundos o infantil e o adulto, crianças não devem adentrar o mundo adulto – o sexual – proibido a elas pois as consequências são severas.
Os contos de fadas servem como ensinamento as crianças para tomarem cuidado, mas existe outro livro, que deve ser lido como metáfora, que relata estupros contra virgens, tornando-se perigoso quando lido de forma literal. Estou falando da Bíblia.
Juízes 19 narra a história de um homem refugiado em uma casa de família, a população fora tomar satisfações com ele. O dono da casa afirmou que não entregaria o fugitivo, em troca ofereceu sua filha virgem para os revoltosos: 24. “Aqui estão a minha filha virgem e a concubina do homem; fá-las-ei sair; humilhai-as a elas, e fazei delas o que parecer bem aos vossos olhos; porém a tal homem não fáceis tal loucura”.  A história segue com o dono da casa entregando a concubina que fora estuprada a noite inteira, no dia seguinte o homem desmembrou a mulher morta enviando seus pedaços a trinta regiões de Israel.
Ainda na Bíblia Sagrada Deuterônômio 22:28-28 diz que deve-se pagar 50 siclos de prata para estuprar uma virgem em Êxodo 21:7 é legal vender a filha como escrava, o preço deve ser combinado – temos no livro sagrado dos cristão trechos narrando a pedofilia.
Sendo assim se você acredita que a ficção estimula a violência deve combater os contos de fadas e bíblia.

Por que os animes?

Voltemos a polêmica em voga porque a cultura japonesa? Quando fiquei sabendo da orientação da ONU logo imaginei que o Japão fosse o número um no ranking de pedofilia no mundo, sendo assim a ONU tem obrigação de intervir. Para minha surpresa o Japão não lidera o ranking.
Em 2006 foi feito um levantamento de sites com conteúdo de pedofilia no mundo, descobriu-se que na época existiam cerca de 6.2 mil sites de conteúdo pedófilo o mesmo levantamento apontou que o Brasil era o país com maior número de sites hospedados.
Durante a Copa do Mundo esse blog transcreveu matéria do jornal colombiano “El Mostrador” onde crianças da favela de Itaquera se prostituíam por R$ 23.00 durante as obras do Itaquerão. O post está aqui para quem quiser ler. agora se um jornal colombiano sabia como a ONU não sabia? O blog fez sua parte, publicou a matéria em português, não fomos os únicos outros meios de imprensa trouxeram a mesma matéria em diversos idiomas.
Então fica a pergunta: Por que os animes e mangás?
No início de sua carreira como psicanalista Sigmund Freud era muito criticado na comunidade científica – o pai da psicanálise tratava as neuroses via sexualidade de suas pacientes, em seus artigos transcrevia os desejos sexuais das mesmas.
Com o passar do tempo Freud percebeu que as críticas eram sempre as mesmas e sempre das mesmas pessoas, um dia, no começo do século XX Freud parou de ler seu artigo, motivado por
Freud
murmúrios e disse algo mais ou menos assim: “Vocês criticam o que eu escrevo, mas vocês leem o que eu escrevo e quando leem o que escrevo vocês ficam excitados e isso os incomoda”. Entenderam agora?
As críticas ao conteúdo erótico dos animes são motivados pela moralidade coercitiva dos censores cuja principal vítima são eles mesmo, infelizmente seu poder atinge outras pessoas.
Finalizando a pedofilia é um crime e deve ser combatido, porém é necessário cuidado o conhecimento psicanalítico aponta que o ato só acontece quando a fantasia se esvai, simplificando a fantasia (como no caso dos animes) é necessária e fantasiar dificulta e muitas vezes impede o ato (pedofilia) ou seja proibir a fantasia favorece a ação da pedofilia.

Os animes Lolicon vão acabar?
 
A resposta é um grande não! A ONU não possui poder legislativo o máximo permitido a ela é sugerir mudanças. O Japão é um país capitalista, portanto democrático e livre, onde as pessoas tem o direito de consumir o que quiserem. O consumo dos produtos Loli e suas ramificações fazem a economia girar, sem esse incentivo a economia japonesa sofreria um duro golpe. Seria um suicídio financeiro. Além disso, o Japão é uma das maiores economias do mundo o que dentro da ONU significa poder.


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