Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 7 de novembro de 2015

Jogos Vorazes é Cópia de Battle Royale

Um grande sucesso dos cinemas inspirado em um livro igualmente aclamado relatando um futuro alternativo onde os pobres são oprimidos por um governo populista e autoritário olha preocupado para grupos revoltosos, em geral juvenis, para manter a ordem o governo cria um jogo cruel e sádico onde os jovens devem se matar restando apenas um. Parece “Jogos Vorazes”? Mas estou falando de “Battle Royale”.
Em 1999 o japonês Koushun Takami escreveu Battle Royale um romance futurista de fundo político onde um casal de jovens  tenta sobreviver a um jogo sádico, onde apenas um pode sobreviver, cujo objetivo da matança é mostrar o poder do governo e oprimir sua população descontente e alienada. Nove anos depois a escritora americana Suzanne Collins teve a brilhante e original ideia de escrever “Jogos Vorazes”.
Em Battle Royale o Japão tomou rumos fictícios após a segunda guerra mundial o governo refutou ajuda americana e juntou-se a URSS tornando-se uma ditadura nos moldes da Coréia do Norte. Já em Jogos Vorazes temos uma nação que prosperou no pós guerra e mantém refém parte de sua vivendo em extrema pobreza.
Os dois livros mostram uma relação desigual de classes os ricos, do lado do governo prosperam, enquanto os pobres não vêm perspectiva no futuro, passam fome, sofrem com o desemprego e os jovens estão ao véu.
Os motivos dos jogos também são muito parecidos. O livro japonês mostra os jovens
Capa da edição brasileira
desorientados, boicotando a escola – uma vez que o país tende a piorar e o futuro é apenas uma ilusão para que estudar? Cada vez mais jovens tornam-se delinquentes enquanto os adultos ficam assustados e o governo japonês cria o jogo (já falo dele) à premissa é muito interessante valendo-se do medo e da repressão.
Em Jogos vorazes não são o jovens que estão abandonados, mas os colonos deixados em situação de extrema miséria para oprimi-los o governo cria os jogos. Quanta originalidade! Calma que a coisa fica ainda mais vergonhosa.
Koushun Takami criou o programa BR (Battle Royale ou Batalha Real) como um castigo pelo que não foi feito. Uma vez por ano uma classe de formandos é sorteada todos são sequestrados e enviados a uma ilha onde conhecem seu destino. A escritora americana mudou para pior a premissa os jogos como castigo pelo que foi feito muito tempo atrás a sensação de injustiça e incompreensão é menor – os jovens são sorteados pela revolta dos colonos no passado – e devem lutar até a morte.
Em BR temos o drama acentuado pela amizade e
pelo amor – são adolescentes que praticamente cresceram juntos, fazem atividades em comum – como a competição de basquete onde todos da classe se empenham jogando ou torcendo – alguns namoram entre si  optando pelo
suicídio a matarem seus amores outros usam suas ultimas horas de vida para revelarem seus sentimentos correndo o risco de serem mortos a qualquer momento.

Em JV a relação afetiva se resume na dupla principal – a simplificação é algo comum nas adaptações americanas mais do que uma característica social trata-se da falta de talento de uma escritora inexpressiva. A relação entre colonos é bem feita porém esvaziada não dá para comparar uma vida juntos a uma relação de alguns dias. Quem segura à relação dos dois é Jennifer Lawrence jovem atriz, muito talentosa que convence o espectador de sua desolação, perdida em um jogo sádico comandado por adultos indiferentes ao seu sofrimento.
Outro ponto em comum enquanto os jovens se matam eles tem flashes de suas vidas e preocupam-se com seus familiares.
As duas obras em livro e em filme são protagonizados por um casal apaixonado cujo amor surgiu durante o jogo – Suzanne deveria ser processada – no japonês Yoshitoki Kuninobu está apaixonado por Noriko Kagawa que por sua vez ama o melhor amigo de Yoshitoki o guitarrista e ídolo das garotas Shuya Nanahara. Bom Yoshitoki morre logo no começo do livro e Shuya, para honrar a memória de seu amigo, decide proteger Noriko.

Em JV Peeta Mellark ama em segredo a linda Katniss Everdeen que o ignora por completo tendo olhos para sua irmã e seu namorado (posteriormente chifrudo) durante o jogo os dois se apaixonam. Mais uma vez temos uma simplificação BR mostra um rapaz preservando a memória do amigo e afogado em culpa pelos sentimentos que surgem, já JV nem se preocupa com aspectos profundos de seus personagens.
Em fim temos uma diferença Suzanne Collins tomou vergonha na cara e escreveu algo diferente em BR o jogo é feito em segredo e a população sabe que ele começou, mas não tem acesso e nem quem participa já em JV os participantes tornam-se ícones pops e o jogo serve também para divertir seus colonizadores – com a sutileza de um elefante bêbado em uma loja de cristais Suzanne critica a mídia atual e nosso sistema de ídolos instantâneos e descartáveis. Sendo justo funciona e muito bem.
Ambas as obras foram adaptadas para o cinema BR foi lançado em 2000 e dentre outras inspirações fez Quantin Tarantino criar a personagem Gogo Yubari em Kill Bill contratando a atriz Chiaki Kuriyama para o papel – Tarantino nunca escondeu a inspiração e não cansa de recomendar o filme.
Chiaki Kuriyama
JV foi adaptado para o cinema em 2012 – acharam que doze anos seria suficiente para o público esquecer do primeiro filme, no Brasil BR foi lançado com o título de Batalha Real diretamente em DVD por uma distribuidora minúscula o que favorece seu desconhecimento exceto por fãs de cinema.

Jogos Vorazes é filme ruim? De forma alguma, muito pelo contrário ele cumpre perfeitamente sua função de divertir e criticar e de quebra lançou a linda e talentosa Jennifer Lawrence um sopro de talento necessário. O filme conta com bom elenco e situações originais afastando o filme de BR – alguém da produção deve ter visto o filme japonês e ficou com vergonha, porém é inevitável perceber as semelhanças. Veja a ultima parte de Jogos Vorazes no cinema e divirta-se, mas veja o filme japonês e leia o livro lançado aqui pela Editora Globo.

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