Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Adeus M1to, Obrigado por Tudo



 Durante 25 anos a torcida tricolor gritou: “Todos tem goleiros, só nós temos Rogério Ceni” o detentor da camisa 01 acumulou recordes dentre eles ser o jogador que defendeu a mesma equipe por mais jogos. O título de “Mito” não é um exagero e sim uma constatação assim nada mais justo do que dedicar o ultimo post do ano ao goleiro matador que sai do futebol e entra na história.
A característica mais marcante de Rogério e também sua maior injustiça, por ser o goleiro que mais marcou gols suas habilidades embaixo da trave são subestimadas. Uma falácia! Rogério foi um dos grandes goleiros do mundo e quiçá o melhor, realizou uma partida perfeita contra o Liverpool em 2005, a expressão no rosto de Gerrard após Rogério defender sua cobrança de falta traduz a sensação daquele jogo “como ele fez isso?” tri campeão brasileiro consecutivamente Rogério não foi titular da Seleção em 2002 por preferência pessoal de Felipão em Marcos (outro monstro sagrado do futebol) e em 2006 foi injustiçado por Parreira e Zagalo enquanto em 2010 Júlio Cesar foi o preferido de Dunga e deu no que deu. Azar da Seleção que não teve Rogério Ceni como titular.
Após ficar de fora da final da libertadores de 2004, sofrendo um gol no ultimo minuto, o goleiro deu a volta por cima vencendo o título intercontinental, realizando o sonho do goleiro – campeão em 1993, como reserva de Zetti, a quem carinhosamente considera um irmão mais velho. Emocionado com a conquista do título o mito declara “poderia para amanhã”. Felizmente não o fez e pudemos ver a melhor exibição de um goleiro em um jogo na história.
Uma vez em Yokohama, para a decisão do título, o goleiro sabia seria impossível derrotar o Liverpool na
final, o time inglês tinha como base jogadores espanhóis e em seu capitão Gerrard um nome como o de Rogério, jogador de um time só, antes de tudo um torcedor do Liverpool em sua grande noite.
Rogério tinha receio, acreditava ser um jogo perdido, porém, em sua preleção, afirmou ter confiança e que seu time poderia vencer. Cada jogador do São Paulo jogou tudo que sabia e mais um pouco, tecnicamente inferior o time se superou e Rogério foi perfeito.
2005 foi um ano especial, com 21 gols marcados foi o artilheiro do São Paulo no ano. O goleiro marcou mais gols do que todos seus companheiros. Ao todo foram 131 gols marcados, sendo 61 de faltas, 69 de pênalti e 01 de bola rolando que o colocaram no Guines. Só para se ter uma ideia o segundo goleiro com maior número de gols marcados é o paraguaio Chilavert com 62 gols anotados.
A história começou com o Mestre Telê, técnico do bi mundial, Rogério e seus colegas da base chegavam mais cedo que os demais e treinavam antes dos jogadores profissionais, com o tempo os jogadores foram vendidos e Rogério ficou só, sem ter com quem treinar o jovem goleiro começou a brincar de cobrar falta e acertar o travessão. Telê Santana e seu auxiliar técnico Muricy assistiam o treinamento. O primeiro deu um conselho ao jovem “continue chegando sempre uma hora antes, na sua carreira essa hora vai fazer diferença”. E assim foi feito.
Rogério percebeu que se ele poderia acertar a
Centésimo Gol
trave então conseguiria acertar o gol, e assim começou um treino todos os dias ele cobrava cem faltas antes do treino, hoje sabe que o treino puxado lhe provocou dores e desgaste muscular resultando na queda de números de gols devido a falta de força na perna, se os treinos fossem diferentes seus gols seriam em número maior.
Em conversa com Zetti Rogério perguntou por que o amigo não cobrava faltas, o goleiro tinha um chute forte e o São Paulo carecia de bons batedores, o amigo disse que não daria certo, o futebol não estava preparado para um goleiro cobrando faltas. Rogério disse que se um dia ele chegasse a jogar pelo São Paulo marcaria ao menos um gol de falta.
Quando Zetti foi jogar no Santos, Rogério assumiu a titularidade e uma difícil missão, substituir um dos jogadores mais queridos e vencedores do tricolor, a comparação foi cruel, muitos torcedores pediam o retorno de Zetti, quando se atreveu a cobrar falta ninguém compreendia o que estava vendo, como assim um goleiro tentava fazer gol? O paraguaio Chilavet era tido como exceção e não uma possibilidade, mesmo assim seus gols surgiam de cobranças de pênaltis. A cada erro um contra ataque aumentavam os murmúrios. Rogério e seus companheiros sabiam ele era o melhor batedor.
O primeiro treinador a lhe dar uma chance foi Muricy, durante a preleção o treinador falou despretensiosamente: “se tiver uma falta o Rogério bate” o goleiro ficou surpreso, ninguém falou com ele, um diretor do São Paulo, que assistia a preleção, caiu de sua cadeira. O resto é história.
Ao se aposentar Rogério foi celebrado pelos jornais do mundo: o jornal espanhol AS estampou: “Se retira Rogério Ceni, el porteiro más goleador de la história” título da matéria que contou a história do goleiro; o jornal francês L´Équipe destacou os 1200 jogos do camisa 01 pelo São Paulo mais o título da Libertadores e os três mundiais; Calcio (Campeonato Italiano) destacou oficialmente em seu Twitter a aposentadoria do ídolo tricolor: Rogério Ceni se aposenta como uma lenda mundial, o goleiro com o recorde de gols na história do futebol” até a rede de notícias americanas CNN abriu espaço para o mito: “Um campeão mundial pelo Brasil em 2002 e vencedor de 18 títulos com o São Paulo, a longa e bem-sucedida carreira de Rogério Ceni chega ao fim”.
Se a carreira de Rogério foi marcada de momentos e recordes sua aposentadoria não poderia ter sido diferente, no dia 11 de Dezembro, com cobertura exclusiva do canal FOX Esportes, Rogério realizou seu jogo de despedida juntando os times campeões mundiais de 1992-1993 contra os campeões de 2005. Impossível não ir às lágrimas revendo tantos nomes importantes. Por um lado Rai, Juninho, Cafú e Zetti continuavam com a mesma técnica do outro lado Mineiro, Josué, Lugano (o deus da raça) e Aloisio esbanjavam raça Muricy (representando Telê Santana) e Paulo Autuori dirigiram os times.
O jogo aberto por show do grupo república, com repertório escolhido por Rogério, amante de rock, no intervalo mais homenagens e uma surpresa, mais um talento desconhecido, o goleiro cantou “Envelheço na cidade” ao lado de Nasi. Ao final suas ultimas palavras: “Obrigado por esses 25 anos de sonho. Quando olharem para a camisa de vocês. Cada cara desses (campeões mundiais) representa uma estrela vermelha. Mais do que uma despedida minha, gostaria que vocês levassem isso como uma homenagem a vocês. Ano que vem, quarta-feira de libertadores, estaremos juntos aqui”.

Recordes do M1to:

Atleta que mais disputou partidas com a camisa
de um mesmo clube: 1.237 (recorde homologado pelo Guinness Book).
Atleta que mais vezes foi capitão de um único time: 978 jogos (recorde homologado pelo Guinness Book).
Goleiro que marcou o maior número de gols em sua carreira: 131 gols – 61 de falta, 69 de pênalti e um de bola rolando (recorde homologado pelo Guinness Book).
Jogador do São Paulo Futebol Clube com maior número de títulos: 18 – Libertadores: 1993, 2005; dois mundiais 1993, 2005; três brasileiros: 2006, 2007, 2008; Uma Sulamericana: 2012; Copa Conmebol 1994.
Recordista de jogos pelo Campeonato Brasileiro: 575
Jogador com o maior número de vitórias pelo Brasileiro: 279
Único jogador a marcar gols em todas as edições do Campeonato Brasileiro de Pontos Corridos
Jogador brasileiro com mais jogos disputados pela Libertadores: 90
Jogador brasileiro com maior número de vitórias na Libertadores: 51
Jogador brasileiro que mais vezes disputou a Libertadores: 9
Jogador com maior número de vitórias no Morumbi: 275
Goleiro com maior número de assistências: 7
Artilheiro do São Paulo nas temporadas 2005 com 21 gols e 2006 com 15 Gols.

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