Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 22 de março de 2016

10 Blasfêmias para assistir na Semana Santa

A páscoa está chegando e sugerimos uma lista diferente para comemorar a data. Um TOP 10 com filmes pouco indicados a religiosos fanáticos, mas recomendados a qualquer um com senso de humor ou dedicados ao pensamento crítico. Os filmes estão dispostos pela ordem de lançamento:


Mamma Roma
(Pier Paolo Pasolini, Itália, 1962)

Um dos primeiros filmes de Pasolini, diretor italiano assassinado por suas ideias, aqui ele traça uma relação entre a prostituição e a igreja católica. Mamma Roma é uma ex-prostituta que tenta recomeçar a vida em Roma com seu filho Ettore. Ela encontra na igreja um modelo perfeito e incapaz de ser seguido por seus próprios instintos.
Pasolini traça um paralelo entre Ettore e Jesus – o primeiro filho de uma puta, o segundo de uma virgem (ou uma boa desculpa rapa a pulada de cerca pré-nupcial) e ao discurso vazio das religiões que pregam tolerância enquanto agem em pró de seus interesses. No filme quem sofre é Ettore, perdido enquanto sua mãe rege sua vida a distancia e sem compreende-lo. Tal qual instituições religiosas.

O Evangelho Segundo São Mateus
(Pier Paolo Pasolini, Itália, 1964)

Mais um filme de Pasolini, o diretor mostra todo o seu espírito de porco ao promover o filme como uma rendição e dedica-lo ao Papa João XXIII com uma sutileza pertencente apenas ao grandes mestres o italiano compara o evangelho a merda!
Pasolini conta a história de Jesus fielmente aos escritos acrescentando uma personalidade explosiva e preconceituosa a Jesus, esse afirma que um rico jamais entrará no reino de deus, para ver esse mesmo rico se redimir; em muitas citações literais da bíblia o diretor filma moscas andando na face de seus atores simulando o andar sobre as fezes. O resultado? Até hoje a igreja católica reconhece o filme como uma das melhores caracterizações de Jesus.

Atrás dos Muros do Convento
(Walerian Borowcyz, Itália, 1978)

Pouco conhecido essa pérola do cinema italiano merece ser vista. No início do Século XIX era costume famílias nobres enviarem um de seus filhos para a igreja, nesse convento todas as freiras são herdeiras forçadas a servir a igreja, sem vocação vemos uma rotina de tortura psicológica e severa opressão da sexualidade de mulheres que possuem amantes e se masturbam com falos de madeira. A situação muda quando as freiras tramam um plano para assassinar sua madre superior enquanto a única freira com vocação religiosa enlouquece lentamente.

Alucarda
(Juan López Moctezuma, México, 1978)

Terror mexicano lançado na onda de “O Exorcista” com uma diferença aqui a religião não é a salvação, mas sim a responsável. Duas órfãs dentro de um convento são possuída pelo demônio em sonhos desencadeando uma onda histérica pelo convento e todas as freiras se libertam. Dividido em duas partes na primeira vemos uma amizade quase erótica entre as garotas, na segunda um banho de sangue. Fica a dúvida obra do demônio ou obra do recalque?

A Vida de Brian
(Terry Jones, Inglaterra, 1979)

O Monty Python ainda é conhecido como o grupo de humor mais engraçado e inteligente a se reunir, dificilmente serão superados, especialistas em apontar incoerências via o absurdo do cotidiano o grupo lançou três filmes entre eles “A Vida de Brian” um rapaz, o Brian, nasceu no mesmo dia que Jesus, na manjedoura ao lado, e teve uma vida de Messias sem o querer. Por mais que repetisse “Eu não estou dizendo nada, eu não sou o messias” as pessoas faziam interpretações religiosas. Filme atual e uma das melhores comédias já feitas.

A Última Tentação de Cristo
(Martin Scorsese, EUA, 1988)

Típico exemplo de como o fanatismo religioso cega as pessoas. O filme de Scorsese, baseado em livro de mesmo nome, não tem nada de mais, mostra um Jesus humano, atormentado pela sombra da cruz e apaixonado pela prostituta Maria Madalena até descobrir sua origem santa.
Longe de ser um filme antirreligioso a última tentação levantas questões, algumas discutidas seriamente nos dias de hoje, Judas, o melhor amigo de jesus, teria traído o messias para torna-lo santo e seguir a vontade de Deus, já a cena mais polêmica onde Jesus sai da cruz para casar-se com Maria Madalena não passa da tentação do demônio cujo resultado é o fortalecimento de sua fé. Ainda hoje muitos não entendem.

Jesus Cristo Caçador de Vampiros
(Lee Demarbre, EUA, 2001)

Vampiros existem e ele estão entre nós, para nos salvar deus manda seu filho Jesus que com ajuda de Maria Madalena e de Santo, um lutador de luta livre mexicana, enfrenta os vampiros e salva a humanidade.
A produção é da Troma estúdio B cujo maior sucesso é “O Vingador Tóxico” especializou-se em fazer filmes nonscense aqui a heresia chega perto do estremo ao mostrar deus como uma torta e Jesus tentando pegar Maria Madalena, que é lésbica e opta por ser uma vampira, dando as costas ao salvador. 

40 Dias e 40 Noites
(Michael Lehmann, EUA, 2001)

O filme mais leve dessa lista também é o único que toca diretamente na Páscoa Josh não consegue esquecer sua ex-namorada e vem levando uma vida vazia regada a sexo, seu irmão, um padre com quem ele se confessa, não aguenta mais lamentos. Ao se ver perto da quaresma Josh tem uma ideia passar os quarenta dias sem sexo!
Enquanto Josh alcança a iluminação e se apaixona seu irmão começa a ter dúvidas sobre sua fé e um caso rápido com uma freira. O único dessa lista que você pode ver ao lado de sua avó.

O Crime do Padre Amaro
(Carlos Carrera, México, 2003)

É curioso como um pais tão católico como o México emplaca dois filmes em uma lista como essa. Adaptação livre do livro de Eça de Queirós. O jovem e recém-chegado Padre Amaro (Gael Garcia Bernal) apaixona-se por Amélia uma jovem dedicada a religião e a engravida.
No filme vemos o padre abusando da confiança da comunidade, fica em silêncio enquanto a Amélia sofre e vivencia a fantasia de fazer sexo com Virgem Maria. Uma ode a hipocrisia.


14 Estações de Maria
(Dietrich Brüggemann, Alemanha, 2014)

O debutante dessa lista, o filme alemão, tecnicamente perfeito, registra em 14 sequencias a adolescência de Maria, filha de uma família fundamentalista, cujo irmão doente espera ser curado por um milagre. Acometida pela culpa inerente ao cristianismo e por seus desejos normais de adolescente Maria segue os 14 passos da via-crúcis para virar uma santa e se redimir de seu pecado (estar apaixonada por um rapaz é um desses pecados).

Belíssima crítica a uma das grandes pragas do mundo contemporâneo o fundamentalismo religioso.

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