Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

terça-feira, 29 de março de 2016

A Piriguete

 Ninguém sabe como surgem as figuras folclóricas, apenas vemos o fenômeno crescer e ganhar vida. É da noite paulistana que surgiu uma das figuras mais emblemáticas no começo do século. Mas quem são as piriguetes?
Procurando na internet uma definição para piriguete encontrei as palavras: "Cachorra, puta, vagabunda, safada, interesseira, vaca, putinha” entre outros adjetivos lisonjeiros não encontrei discrição. Bom estamos entre a independência sexual e a puta. Ai a coisa começa a ficar interessante pois são dois antônimos a prostituta transa por dinheiro, ela vende a fantasia (e não seu corpo) porém depende de seus clientes. A piriguete não depende de ninguém ou será que depende?
A piriguete afirma querer "causar" só nesta palavra encontramos uma profunda dependência, a final para que causar se não depende do outro? A piriguete existe por causa do outro. Ela é o extremo oposto da mocinha comportava que casava virgem cuja sexualidade permanece imaculada. A piriguete sai à caça dos homens. A tal independência é ilusória.
Podemos dizer que a piriguete só existe por que os homens "caem nessa" indo mais a fundo a piriguete revela o íntimo oculto da boa moça que a crítica. Ambas são muitos próximas só podemos falar em promiscuidade pois existe a “moça de família” – são os dois lados da mesma moeda. A piriguete passa uma falsa impressão de controle sobre sua sexualidade o que incomoda as demais pessoas. Ela precisa atacar a nossa moralidade atacando assim sua própria moralidade numa ilusão de controla-la..
Sejamos justos alguém conhece profundamente e controla sua sexualidade? A resposta é NÃO existem tentativas e adaptações tanto a piriguete quanto aquelas que a odeiam compartilham da mesma questão "o que fazer com o que eu sinto"? A resposta está no velho dito popular masculino "existem mulheres para transar e mulheres para casar" eis a denúncia da nossa moralidade cotidiana.

A piriguete não é a contramão da moralidade, muito menos um ato libertador ela é uma cria da nossa moral. Todos nós precisamos da piriguete ela é o alívio das proibições, podemos jogar nela nossas frustrações: “Joga merda na Geni/ Joga bosta na Geni/ Maldita Geni”.

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