sábado, 9 de abril de 2016

Sadako vs Kayako

Os dois maiores ícones do terror japonês contemporâneo irão se encontrar nos cinemas ainda esse ano no que promete ser um dos filmes mais assustadores de 2016. Para entender a história é necessário voltarmos no tempo:
Estamos em 1998, um filme de baixo orçamento quebra recordes de bilheteria e apavora pessoas do mundo inteiro transpassando as barreiras continentais do Japão praticamente criando no ocidente um novo subgênero: o “terror japonês”.   
“Ring – O Chamado” (Ringu no original) gira em torno de uma fita de vídeo amaldiçoada, quem a assiste entra em contato com imagens criadas por Sadako, filha de uma paranormal a pequena Sadako conseguia matar as pessoas apenas desejando sua morte. Tanto poder a isolou, amedrontados moradores de uma pequena ilha a prenderam em um poço. Uma vez presa a menina demorou sete dias para morrer. Mesmo tempo que aquele que assistiu ao vídeo tem de vida.
“Ju-On” teve sua primeira versão feita para a televisão no ano de 2000, o sucesso foi tanto que ganhou dois filmes nos cinemas e uma série no cinema americano. Todas pelo mesmo diretor. Nos cinemas nipônicos a franquia continua até hoje.
Em comum ambas as séries tem o sucesso mundial, o medo e o ar misterioso. Na primeira uma fita de vídeo amaldiçoada trás a morte em sete dias anunciada por um telefonema; já na segunda uma casa abandonada amaldiçoa quem entrar, a vítima passa seus ultimos dias atormentado por visões de espíritos até a hora de sua morte.
Ring possui uma narrativa clássica com protagonista e início, meio e fim. As descobertas são realizadas por intuição das personagens (algo que se perde na versão americana) já Ju-On é contado em capítulos atemporais, cada personagem que entrou
Sadako
na casa tem seu destino, sem uma ordem cronológica. A temporalidade não se segue, o filme se monta em um quebra-cabeças instigante com direito a passado e futuro se cruzarem na mesma cena. Sendo muito mais experimental.
Outra relação em comum é que ambos filmes possuem remakes dignos, porém inferiores (para não dizer muito inferiores) O Grito conta a mesma história, com mesmo diretor protagonizado por Bill Pulman e Sarah Michelle Gellear a história está mais mastigadinha e os ótimos efeitos práticos do original são substituídos por Computação gráfica, diminuindo o terror.
Já o Chamado muda algumas coisas, principalmente os efeitos sonoros que mais assustam no japonês, enchem o filme de explicações, algo totalmente desnecessário, que impede o espectador de pensar por si só e tasca um moleque chato, precisamos lembrar que pouco antes foi filmado “o Sexto Sentido” o os produtores aproveitavam qualquer brecha para entuchar crianças sinistras na história.
Ambas as películas possuem final nebuloso. Acontece que nós estamos acostumados a uma estrutura de Hollywood (isso não é uma crítica) filmes divididos em três atos (apresentação das personagens, desenvolvimento e final), uma explicação mastigada e um final por vezes previsível. O público médio americano não quer ser surpreendido enquanto que o cinema japonês possui características distintas.
Os cineastas nipônicos são fortemente influenciados pelo cinema francês, em especial um
Kayako
movimento chamado de Nouvelle Vague um cinema de intenção experimental, o foco é a imagem ou o som, não existem explicações (pois a vida não as dá), a estrutura clássica de um filme pode ser desafiada pelo diretor e o final não tem obrigação de fazer sentido! Por vezes é completamente absurdo, o que faz os filmes desse movimento serem tão bons. No fundo o movimento é apenas uma experiência cinematográfica. “Ring” e “Ju-On” são influenciados pelo movimento, cada qual a sua maneira.
Ambos os filmes possuem um final interpretativo, que vou explicar (alerta de Spoiler): “Ring” induz o espectador a acreditar que Sadako quer ser encontrada, quando na verdade ela quer ser ouvida. Incompreendida a garota não sabia o que fazer com seus poderes psíquicos e sem pais fortes o suficiente para controla-la a menina se descontrola chegando a matar um repórter apenas desejando sua morte. Com o tempo ela foi ficando amarga e perigosa até ser morta.
Ao ser trancada dentro de um poço sua solidão ficou escancarada, a fita de vídeo demonstra seu desejo em ser compreendida. Então por que ela mata? Ai está Sadako não mata quem vê sua fita, as pessoas sofrem um ataque cardíaco fulminante ao vê-la. Imagine-se num dia normal quando a televisão liga sozinha, você já levou um susto? O que acontece com seu coração? Imagine então quando Sadako sai da televisão? Pois é o susto é tamanho que as pessoas morrem de medo.
Quando o esqueleto de Sadako é encontrado e abraçado por Reiko (a protagonista do filme) lágrimas escorrem pelos orifícios do crânio da menina, a trilha sonora, junto com o abraço da protagonista nos levam a entender que Sadako sentia falda do abraço materno, por isso a fita de vídeo, ela procura por alguém que cuide dela. A morte é apenas um acidente.
Ju-On é um pouco mais complicado. Naquela casa morava uma família de três: um menino assustado (Toshio), uma mãe oprimida e um pai violento, a mulher apaixona-se por outro, sem amigos ela escreve tudo em um diário, quando é descoberta acaba sendo espancada e morta pelo marido, que, em um acesso de raiva mata seu filho, o gato da família e comete suicídio.
O filme começa explicando que uma maldição nasce quando alguém morre com rancor em seu coração. As pessoas que entram na casa acabam repetindo os últimos momentos de vida, eles são atormentados por imagens de Kayako e Toshio.
Acreditamos que kayako mata as pessoas, quando quem mata é o espírito do homem raivoso. O filme dá várias dicas, como Toshio no restaurante ou o idoso brincando com uma criança invisível. Ficando claro na cena em que a protagonista olha-se no espelho e enxerga Kayako. É por isso que o menino sempre aparece, ele está do lado de sua mãe, que possui o corpo de quem entra na casa.
Kayako surge ensanguenteda se arrastando e gemendo, fruto de seus ferimentos, ela busca uma nova vida, o que é impossível, seu marido, que suicidou-se após matar a família está condenado a repetir seus últimos momentos de vida pela raiva que não passa. O coitado que entrar naquela casa vai reprisar uma história de abuso, ódio e medo.

A História do Filme: Sadako vs Kayako



O que temos é um trailer muito assustador que explica a trama sem entrar em detalhes, alguém encontrou a tal fita de vídeo e a assistiu, enquanto investigava a origem da maldição, tentando salvar a própria vida em sete dias, acabou trombando com a história de Kayako e procurou respostas no lugar errado, a casa.
O mal entendido é um dos temas mais recorrentes e eficientes do cinema, podemos imaginar o pobre coitado sendo perseguido por duas mulheres de cabelos escorridos. Como morrer vítima das duas maldições?
Não temos como saber se o filme será uma história vertical, como “Ring” ou em capítulos como “ju-On”. Quem sabe uma mistura dos dois? Inventividade é o que não falta aos cineastas japoneses.
Se for bem feito o filme tem tudo para ser um dos filmes mais assustadores dos últimos anos, nos resta esperar para ver quem vence. Até o momento não existe previsão de lançamento no Brasil. 
Trailer



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