Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

sábado, 28 de maio de 2016

Quem ajuda quem?

A imagem ao lado chama-se "Satanás I" de H.R Giger - artista mais conhecido por ter criado o visual do Alien no filme “Alien o 8° Passageiro”. Mais do que um designer é um artista completo com especial apreciação pelo oculto, grotesco e erótico.
No entanto não irei falar sobre Giger, seu cartaz serve apenas como inspiração na qual o demônio, identificado por seus cornos, mira àquele que está diante da obra com um estilingue no formato de crucifixo munido por uma hóstia. Cuidadoso e perspicaz como um caçador a procura do ponto mais vulnerável de sua vítima. Para a vítima certa a arma certa.
Amigo leitor proponho uma experiência: escolham um dia, um horário e um lugar, fique ali parado e veja quanto tempo demora para alguém vir lhe pedir algum dinheiro, um dia destes um homem veio me pedir R$ 10.00, ele já veio com a cifra pronta! Claro, a fome é consequência da má distribuição de renda, porém, aqui em São Paulo existe um grande número de albergues que servem comida e um local seguro para virar a noite, instituições de caridade, igrejas e ONG´s, se alguém realmente estiver com fome em São Paulo tem como se alimentar.
Voltemos ao Satanás: Giger foi genial em utilizar Jesus na cruz como arma do diabo mirando nas boas almas caridosas. São tantas as pessoas ávidas por ajudar os necessitados proferindo discursos apaixonados pelo marxismo, contra o capitalismo, de como eles choram ao ver alguém passando fome. "Quem ajuda quem?". A pergunta não costuma ser compreendida, ao contrário produz um olhar de perplexidade, por isso repito: “quem ajuda quem?" - confusos eles tentam argumentar: "veja bem os pobres do Brasil precisam de nós, é nosso dever ajuda-los". Interrompo dizendo que entendo seu argumento e concordo com o mesmo, porém minha arguição não foi respondida "quem ajuda quem?".
Eles podem argumentar que a comida do albergue é padronizada, com gosto ruim, que as acomodações são desconfortáveis. Quem tem fome não se importa com padronização e quem tem frio não liga de ficar junto de outras pessoas, mesmo estando desconfortáveis, a final o chão da praça pública é tão quentinho e aconchegante, não é mesmo caro marxista? Doe um agasalho para quem tem frio e veja como ele não fica contente.
A única justificativa plausível é que os moradores de rua optaram por um estilo de vida incompreensível para maioria de nós e por isso tentamos enfiar uma explicação goela abaixo neles. Lembro-me de uma professora que nos mandou entrevistar moradores de rua para um trabalho de faculdade, suas histórias giravam em torno de prejuízos financeiros e busca pela liberdade.
Se os moradores de rua buscam a liberdade, eles não irão buscar abrigo em uma instituição, esta escolha está longe de ser um problema, em geral o inconformismo fica para aqueles que assistem esta cena. Que a todo custo enxergam miseráveis para ajudar entoando o mantra “eu sou bom” - tudo para não correr o sério risco de ficarem no silêncio e descobrirem que não são melhores que ninguém.  

É necessário fome para sana-la, é necessário o frio para aquecer alguém. Miséria, fome e sofrimento são necessários, diria até que são desejados pelos socialista politicamente corretos, sentem-se úteis. "Quem ajuda quem?".

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