VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Heat

O universo dos bombeiros costuma gerar histórias emocionantes com muito apelo humano. O drama Heat não é uma exceção, com alguns diferenciais como conflitos de interesse, doses certeiras de humor e lições de humanidade a cada episódio. Vamos ao enredo:
Ikegami Tatsuya (Akira de GTO) trabalha no campo imobiliário, mais especificamente comprando terras onde serão construídos imóveis, nosso protagonista é um verdadeiro tubarão sempre atrás da próxima conquista. Ele separa o mundo em dois tipos de gente: os capazes e os incapazes. Tatsuya fará de tudo para pertencer ao primeiro grupo.
Seu próximo projeto deu errado, graças a um auxiliar que falou demais durante uma bebedeira, prestes a perder um negócio de milhões (e seu status) ele precisa tirar um coelho da manga, mesmo se precisar mentir e manipular, é o que ele faz.
Inicialmente Tatsuya estava encarregado de encontrar e comprar terras de uma cidade para dar início projeto gigantesco, seu auxiliar deixou escapar o nome da cidade e um colega de trabaho, tão ganancioso quanto, rouba o projeto e agora Tatsuya precisa de outra cidade.
Ele descobre a cidade perfeita, até melhor que seu plano original, ou quase os moradores são desconfiados, possuem muito orgulho de sua cidade e não gostam de estranhos. Como vencedores não desistem lá vai o empresário passar um tempo na cidade, conhecer os moradores, descobrir os pontos de acesso que são muito poucos. Nesse meio tempo ele tem a ideia de entrar para o corpo de bombeiros voluntários da cidade.
Bombeiros são pessoas respeitadas, possuem acesso a propriedades e pessoas e possuem idoneidade automática, o disfarce perfeito para criar um disfarce. Isso é o que ele pensa. O corpo de bombeiros voluntários da cidade não deve nada a Loucademia de Polícia repleto de incompetentes atrapalhados os bombeiros são motivo de piada na cidade, tudo o que tentam fazer sai errado. Já os moradores abusam deles com pedidos que ninguém mais realizaria. Resumindo: o que lhes sobra de
Akira - personagem duas caras
coração lhes falta em cérebro.
Sem ter outra alternativa Tatsuya assume outra identidade, abre um escritório falso e entra para o corpo de bombeiros voluntários só para fazer negócios – selecionando as missões envolvendo donos de terra as quais ele se dedica ganhando assimsua confiança – um bom plano.
Uma vez dentro do corpo de bombeiros ele conhece Azumi Sakura (Chiaki Kuriyama) seu extremo oposto. Humanistaria, gentil, desapegada e sempre disposta a enxergar o lado das pessoas que sofrem a moça lidera o grupo de bombeiros e se dedica de corpo e alma ao trabalho voluntário, como a ambição não é seu forte os projetos acabam sendo frágeis e costumam dar errado, o que gera muito sofrimento.
Logo de cara Tatsuya e Sakura não se dão, ela sente que tem algo de errado com o homem de terno, mas ignora, pois, está sempre disposta a acreditar nas pessoas, já o falsário enxerga nela uma mulher pouco feminina e ingênua, não aceitando que a moça conviva com incapazes. Já dá para imaginar onde essa relação leva.
Sem poder desistir Tatsuya investe no corpo de bombeiros dedicado a mudar sua relação com a sociedade aos poucos vai restaurando a confiança das pessoas, a cada missão ele encaminha a compra de terras, já Sakura está feliz por ver os bombeiros sendo reconhecidos.
A cada episódio o homem de negócios vai tomando gosto pelo serviço voluntário, vai percebendo a importância de seu trabalho, criando empatia pelos outros. Em suma amolecendo seu
Chiaki Kuriyama - idealista e ingênua
coração. Os demais bombeiros passam a confiar nele e Sakura se arrepende da má impressão inicial o elogiando. Não é nenhum segredo que uma hora a farsa vai ser revelada e nesse momento eu não queria ser o Tatsuya. Nada é mais perigoso do que uma mulher desiludida.
Heat foi um sucesso da televisão japonesa, devidamente traduzido pelos fansubs brasileiros, seus nove episódios divertem e emocionam exceção feita ao piloto de 90 minutos cada capítulo dura aproximadamente 45 minutos, isso por ter sido exibido em horário nobre.
No fundo esse é um drama sobre relações, pode não ter mistérios elaborados ou profundas reflexões sobre a existência, mas Heat traz um pouco de esperança a um mundo cínico e sombrio apostando na nobreza e na generosidade.
Outra qualidade está no casal de protagonistas Akira vai muito bem em papel sério, diferente do que vimos em GTO aqui ele convence como o homem severo que vai descobrindo o prazer em ajudar os necessitados, seu papel tem poucos espaços para o humor, diferente dos bombeiros, que mesmo atrapalhados se divertem, o outro é a atriz Chiaki Kuriyama, que mais uma vez mostra sua excelente veia cômica. Sua personagem – uma professora de jardim de infância e chefe dos bombeiros voluntários – alterna responsabilidade e ingenuidade, provavelmente por acreditar demais nas pessoas e salvar o mundo acaba deixando de lado sua feminilidade, ponto para a caracterização que deixou uma das mulheres mais bonitas do mundo sem graça.

Concluindo Heat pode não entrar para sua lista de melhores dramas de todos os tempos, tampouco vai ser uma das melhores produções que você viu na vida, mas, com certeza, você vai ficar mais leve depois de assistir. 

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