sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os Trinta Anos de Cavaleiros do Zodíaco

Existem muitas maneiras de começar esse posts: poderia seguir de frases batidas como: "As novas gerações talvez não entendam..." ou "A História dos animes no Brasil pode ser dividida em Antes e depois de Cavaleiros do Zodíaco". Pois bem, eu respeito muito os meus leitores para partir desse lugar comum.
Fazendo um exercício um tanto quanto impossível, de lembrar minha primeira experiência com CDZ (digo impossível pois a memória é falha, nossas lembranças são um misto de desejos, medos e fantasias). Foi em uma tarde, nessa época estudava em uma escola municipal e munhas aulas começavam após as 14h.
Por algum motivo não tinha ido a aula naquele dia, procurando pelo que ver encontro um anime na TV Manchete, em um ringue dois rapazes de armadura se enfrentavam. Um parecia evocar os poderes do dragão o outro do pégasos. Minha primeira impressão é que se tratava de um anime espacial, naquela época acreditava que os animes só falavam sobre espaço, naves e robôs gigantes. Dadas as armaduras pensei que eram lutadores astronautas resolvendo um perrengue ou seres futuristas.
Assisti da metade ao final, vi Seiya vencer Shiriyu, mata-lo e depois devolver sua vida, o público festeja enquanto Hyoga de Cisne observava planejando como vencer a competição. Fiquei sem entender nada, o tema de encerramento não me ajudou, sem mais informações fui para a escola no dia seguinte.
Os dias passam, conversando com meus amigos descubro que eles também conhecem o anime, fico sabendo que ele também passava as 10h. Começava ali um amor pelos animes que perdura até hoje.
Ainda me lembro de quando comprei o primeiro número da Revista Herói nas bancas, algo até então nunca visto. Na capa Seiya invocava o podere de Pégasos. Não sabia se tratava-se de uma história em quadrinhos, sátira ou de matérias informativas. Até então não havia informação de fácil acesso.
Estamos nos anos noventa os animes ficavam reclusos a uma comunidade muito pequena de descendentes de japonese e frequentadores do bairro da Liberdade; alguns lugares vendiam fitas em VHS sem leganda! A televisão espalhava os animes em seus programas infantis; o termo NERD era um insulto (sinônimo de virgem que apanhava na escola); o termo Otaku era desconhecido. Cavaleiros do Zodíaco mudou tudo isso.
Passaram-se trinta anos, os animes estão em baixa, mantém um público fiel e apaixonado, mas está longe da TV aberta. Estamos todos a espera de uma nova era de ouro. Uma boa época para se lembrar e celebrar os defensores de Athena.
Memórias devem ser como um baú cheio de tranqueiras, onde podemos vasculhar, remexer, apertar, bagunçar com a certeza de que tudo aquilo foi vivido ao seu máximo. Memórias tratadas como relíquias são perigosas, ameaçam se perder e com elas parte de nossa identidade. Visto hoje Cavaleiros tem muitos defeitos: uma animação fraca, muitos clichês, trama previsível e muitos outros detalhes que, se fossemos rigorosos, o deixam muito aquem de outras animações japonesas. Nenhuma delas carrega a carga afetiva dessa obra em particular.
Me lembro da preocupação com os olhos de Shiriyu, após sua luta contra Perseu de Medusa - Dragão perfurou os olhos para derrotar seu inimigo que transformava os adversários que vissem seu escudo de medusa em pedra; ou a emblemática luta entre Hyoga de Cisne e seu mestre Camus de Aquário (uma das bobagens do anime foi a inserção do mestre Cristal, felizmente esquecido) dois cavaleiros honrados, onde o mestre dá sua vida para ensinar a técnica suprema ao seu pupilo.
Qual minha emoção ao ver que o filme dos Cavaleiros seria exibido nos cinemas? Comprei o disco em vinil, as fitas em VHS dos OVA´s (lançados aqui como aventuras inéditas ou filmes em VHS) não fazendo mau que tivessem apenas quarenta e cinco minutos cada. 
Fico feliz que Cavaleiros do Zodíaco complete trinta anos, que as pessoas se lembrem com um sorriso no rosto lembrando  quando Ikki de Fênix voltou dos mortos para salvar seu irmão Shun; quando Shina de Cobra confessou seu amor para Seiya; quando Camus explicou sobre o zero absoluto. Quem nunca cantarolou "Cavaleiros do Zodíaco/são guerreiros de poder astral/se o inimigo é demoníaco/sua luta é mortal" jogue a primeira pedra.
Finalizando uma notícia a Comic Con Experience - criada e organizada pela equipe do Omelete - vai trazer as 12 armaduras de ouro em tamanho real para o Brasil no começo de Dezembro. É a primeira vez que a exposição será feita fora do Japão, só foi possível pela adoração dos fãs brasileiros. Somos o único país em que Cavaleiros do Zodíaco é o anime mais popular da Shonen Jump - editora de Dragon Ball; One Piece; Naruto e outros sucessos
"Me de sua força Pégasos".







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