segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Vampire Heaven

Vampiros existem e eles vivem isolados da humanidade, sua sociedade parou no século IX com uma hierarquia rígida e incontestável. A monarquia vampiresca reina e os súditos devem obedecer. É nesse cenário que começa nossa história:
Sakurako (Oomasa Aya) e Komachi (Tsubasa Honda) são duas vampirinhas amigas desde sempre que estão prestes a se separar. Acontece que o conde (um dos vampiros mais afetados que já se teve notícia) quer se casar com Sakurako - se casar é modo de dizer o vampiro quer mordiscar a garota por algum tempo (uns quinhentos anos) já Sakurako sonha em se entregar para um verdadeiro amor.
No dia marcado a obediente serva apresenta-se ao seu senhor, pronta para se entregar. o vampiro chefe (que reluta em sair do armário) demonstra não ter sentimentos, ele goza com o poder. Sua vontade é lei e ele adora. Assim Sakurako sabe que ela é apenas mais um capricho do conde e nunca viverá uma história de amor com ele.
Nesse momento eis que Komachi invade o castelo do conde, resgata sua amiga e foge com ela do reino dos vampiros. Após algum tempo de fuga, sabendo que não podem voltar as duas chegam ao mundo dos humanos (também conhecido como Tóquio), onde estranham e se maravilham com a modernidade.
É nesse ritmo de aventura e romance que começa um dos doramas mais tresloucados dos últimos anos - as duas vampiresas nunca viram um carro, estranham a luz elétrica, ficam impressionadas com aquelas pessoas pequenininhas que vivem na televisão e por ai vai, entre outros clichês de viajem no tempo e realidades alternativas. O que diferencia é a simpatia das duas atrizes que esbanjam fofura.


Triangulo Amoroso


Estranhas em um lugar estranhos as duas amigas inicialmente são perseguidas pelos asseclas do conde, naturalmente elas escapam, mas sem ter aonde ir acabam dormindo na rua. Perto dali a dona de um bar as encontra e as recolhe.
Esse é só o primeiro capítulo de Vampire Heaven com as duas garotas vampiro aprendendo os costumes humanos, fascinadas por uma sociedade de consumo, elas são contratadas pela dona do bar, que vê na beleza e na ingenuidade delas uma chance de ganhar dinheiro. E dá certo as duas chamam público.
As duas garotas são bem diferentes: Sakurako é amigável, sonhadora e romântica, seu desejo é apaixonar-se, enquanto Komachi é bravinha, vive emburrada e não dá muito espaço para as pessoas se aproximarem. Tudo ia bem até que Sakurako coloca seus olhos em Hayato.
Hayato é um músico socioprofissional que toca no bar, ele fica de namorico com uma das clientes cujo pai é dono de uma gravadora, esperta (ou muito burra) a garota usa essa carta na manga para segura-lo. Hayato não esconde de ninguém, ele usa a garota para assinar um contrato.
Algo começa a acontecer entre Hayato e Sakurako - os dois se olham diferente, seus corações batem mais forte (o coração de um vampiro bate?) o que parece uma história de amor toma outros rumos.
De cara temos dois problemas: fica claro que
O beijo do vampiro: Sakurako e Hayato
Komachi sente alo a mais do que só amizade por sua amiga, Sakurako por sua vez não cute muito a ideia de colar velcro. Surge um triangulo amoroso ao melhor estilo comédia pastelão - Sakurako sai com seu amor toda encapoada e vestida de preto - vampiros morrem ao serem expostos ao sol - Komachi segue os dois sem descrição nenhuma.

Outro ponto trágico: Vampiros se alimentam de humanos, sua sede de sangue está diretamente ligada a sexualidade. É meus amigos, quanto mais um vampiro sente atração por alguém, mais ele tem vontade de beber seu sangue. Dá para imaginar onde isso vai dar.
Outro ponto tragicômico (e previsível) Komachi apaixona-se por Hayato, nada como a convivência e ser salva de um vampirão para amolecer o coração de uma garota.


Vampiros Japoneses

Mesmo sendo uma comédia escrachada é
interessante ver um vampiro japonês, essas criaturas são tipicamente ocidentais e alguns de seus comportamentos só fazem sentido sob uma cultura cristã. Por que vampiros são repelidos pela cruz? A relação dia-noite também é uma referência a mitologia religiosa - e deus criou a luz, subentende-se que aqueles que vagam pela noite são servos do tinhoso.
Vampire Heaven mantém a maioria das lendas - vampiros não refletem no espelho, morrem ao serem expostos a luz solar e ao serem atravessados por uma estaca de madeira, dormem em caixões e bebem sangue.
Porém estamos falando do Japão e as nossas duas vampirinhas mostram que a sociedade dos dentuços tem rígidas semelhante ao do país do sol nascente. Existem várias regras que um vampiro deve seguir, a mais importante é não revelar sua identidade aos humanos. Como boas nipônicas elas seguem as regras a risca, sem questiona-las.
Durante a série as duas garotas quebram a terceira parede e falam diretamente com o público, explicando as regras vampiras, sempre como uma proibição, o que revela-se uma narrativa bem divertida (isso antes de Deadpool).
Assim de forma descontraída as garotas vão tentando adaptar-se ao mundo humano, lidando com seus sentimentos e tentando equilibrar-se entre as regras dos dois mundos, ao tempo em que o conde afetado observa tudo a distância, se ele não fosse tão afetado seria uma ameaça interessante.
Em suma Vampire Heaven é uma série descontraída ao estilo fast food com censura livre e totalmente descompromissada. As duas vampirinhas tresloucadas vão vivendo suas aventuras em episódios de 26 minutos, o que ajuda - episódios curtos contribuem para o ritmo rápido e divertido, diferente de dramas que precisam de um tom mais lento e sóbrio.
Tsubasa Honda
Outro bom motivo para assistir ao drama é a bela e talentosa Tsubasa Honda (a Winnie do live action de Fullmetal Alchemist) que mostra ter uma ótima veia cômica - lançada em GTO de 2012 na pele de Kanzaki Urumi aqui ela revive esse estilo "rabugenta" e perigosa. Para quem quiser saber um pouquinho mais dela tem um post antigo sobre a moça, que pode ser visto aqui.    
Não preciso dizer que recomendo Vampire Heaven, divirtam-se e cuido com o pescoço ou não, vai que você encontra uma vampirinha linda pela frente.

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