Anos de Os Deuses Mortos

VIII Oito Anos de Os Deuses Mortos

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Faces da Morte

Entre o final da década de 1980 e início da década de 1990 era comum entrar na locadoras de vídeo, dirigir-se para a sessão de terror e encontrar fitas de VHS com uma caveira estilizada na capa intitulada Faces da Morte ostentando a frase "Proibido em 46 países".
Diferente de outros filmes Faces da Morte tinha como mérito mortes reais: filmes de segurança, registros de execução, filmagens secretas de torturas, autópsias, mortes registradas por cinegrafistas amadores e por ai vai. Não é de se estranhar que foi proibido em mais de quarenta países.


Faces da Morte

O documentário ou "Chocumentary" termo utilizado para determinar esse tipo de produção, onde acidentes reais são mostrados com o único intuito de chocar o espectador. eram um apanhado de mortes, todas narradas em off.
O primeiro filme gerou uma franquia de sucesso, virando uma espécie de cult: quem via falava aos amigos que podiam quebrar um tabu e ver alguém morrendo. 
Com as vendagens em alta, a propaganda gratuita e o baixo custo de produção não é de se espantar que tenham feito quatro filmes!
De cabeça lembro de algumas mortes icônicas: um turista teve  brilhante ideia de alimentar um urso e foi morto pelo bichinho; um ladrão invade um armazém e acaba sendo morto por dois pastores alemães, um preso político é torturado e morto em algum país da América Latina e um mergulhador que tentou explorar uma caverna submersa morreu sufocado (até hoje tenho medo de cavernas).
Lembro de um amigo denominado esse filmes de "malditos", o mesmo quando soube que eu tinha um VHS pediu emprestado e e devolveu dizendo que adorou. Ecchi homo

O primeiro filme custou por volta de 450 mil dólares e faturou mais de 100 milhões de dólares, só nos cinemas, em VHS faturou ainda mais. Para entender o sucesso é preciso ter em mente que os filmes vinham de uma época onde não existia internet - hoje em dia existem sites e blogs dedicados a mostrar pessoas mortas.
Outro fator que ajudou no sucesso é que naquela época não haviam abutres apresentando programas pseudojornalisticos, em outras palavras Datena e Marcelo Resende não viviam de explorar a morte alheia.


Era tudo uma farsa?

Muitas pessoas ficaram chocadas ao descobrirem que o John Alan Schwartz (o diretor) filmou mais de 60% das mortes usando atores e efeitos especiais, assistindo com cuidado as cenas fica claro que alguns ângulos só são possíveis em uma filmagem em estúdio.
Anos depois um dos técnicos em efeitos especiais que trabalhou no primeiro filme denunciou a produção, o diretor John Alan Schwartz assinou o filme como Conan Le Cilaire e assinou o roteiro como Alan Black, tudo para manter a farsa.
Acessando o IMDB podemos ver a ficha técnica do filme, mas por que da farsa? 


Já havia um precursor italiano de Faces da Morte chamado Mondo Cane, rodado na década de 1970, esse sim mostrando mortes reais. Porém as imagens são de péssima qualidade e a própria morte em si não é tão atraente quanto a romantizada.
Se Schwartz escreveu e filmou 60% das mortes e as outras 40%? Elas resumem-se a mortes de animais no abate de aves, suínos e gado para o consumo humano e sobras de documentários indígenas, onde os líderes religiosos sacrificam animais aos deuses.
Duas cenas reais que chocam são o massacre de focas no ártico e uma luta de cachorros, nessa época era comum diretores mequetrefes fazerem filmes chocantes e os encher de mortes de animais, o exemplo mais comum são as produções italianas de canibalismo: Canibal Holocausto e Canibal Ferox (assista se tiver estômago) essa era uma forma eficiente e barata de chocar.
Outras mortes reais apresentadas na série são imagens de arquivo sobre a Guerra no Vietnam e campos de concentração nazistas. Schwartz usou inclusive imagens de crianças desnutridas na África, com a narração: "A Subnutrição provoca uma das mortes mais dolorosas" (morra de inveja Rede Record).
Oportunista, desprezível e insignificante Faces da Morte ficou como registro de uma época mais ingênua, onde a violência era mais distante, hoje em dia não possui o mesmo efeito e os mais jovens podem acabar achando graça da precariedade da fita, mas entrou para a história do horror e faz parte da infância e juventude de muita gente.

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